domingo, 19 de fevereiro de 2017

A maldade das crianças

Fonte da imagem: http://livrespensadores.net/wp-content/uploads/2012/04/bullying.jpg


          Todos, pensando nas crianças, temos uma imagem das criaturas fofas e inocentes. Nada mais errado! Estes monstros podem deixar marcas para toda a nossa vida.
Na escola primária quase toda a minha turma ria-se de um colega que tem um pequeno atraso mental e chamavam-lhe “pinguim” porque andava desta forma. Tudo que ele fazia era criticado e os rapazes frequentemente empurravam ou batiam-no, mas ele nunca se defendeu porque não sabia como. Ele não merecia este tratamento, era o rapaz muito modesto, bem-educado e de grande coração. O problema nunca desapareceu. Mesmo na escola secundária, quando já estava numa outra turma, todos se riam dele. Com o passar dos anos algo mudou no seu comportamento, tornou-se mais agressivo e chegou ao ápice da sua agressividade na universidade. Lá, outra vez, todos se riam dele e ele não aguentou. Fez uma lista com os nomes dos que se riam e disse que tinha uma faca e ia matá-los um por um. Uma das “escolhidas” chamou a polícia e o “Pinguim” foi internado num hospital psiquiátrico.
Quando andava no primeiro ano da escola primária já sabia ler perfeitamente e adorava fazê-lo. Uma vez, durante as aulas, a nossa professora fez um concurso de leitura e escolheu três pessoas como participantes. O júri era o resto da turma e tinham duas placas: vermelha e verde. Se gostassem da leitura tinham de levantar a placa verde, se não, a vermelha. Eu li o texto todo sem hesitação e quando terminei a professora disse que li muito bem, mas deveria reparar nas vírgulas, pontos, exclamações etc. (nunca fui muito expressiva...) E o que fizeram os meus queridos colegas? Depois de ouvir o que ela disse TODOS levantaram a placa vermelha, estúpidos traidores. Eles, que apenas sabiam aglutinar cinco letras numa mesma palavra, acharam que eu não tinha lido bem. Fiquei dececionada e triste. A professora não concordou com eles e declarou-me a vencedora do concurso porque ninguém tinha lido melhor do que eu. Substituiu todas as placas vermelhas por verdes. Ganhei, ótimo, mas naquele dia terminou a minha paixão pela leitura, agora detesto ler. Claro, agora não me preocuparia tanto, provavelmente gozaria com eles, porque eram eles que não sabiam ler. Naquele tempo era muito sensível e este acontecimento deixou a marca na minha vida.
Normalmente a nossa autoestima vêm da nossa infância, há muitas pessoas que na escola foram perseguidas e sentem medo de ser o objeto das brincadeiras. Conheço muitas pessoas que tiveram as asas cortadas, não só pelos colegas mas também pelos pais. Se uma criança quer experimentar alguma coisa, por exemplo dançar ou cantar, porque alguns pais não permitem fazê-lo? Os meus ajudaram-me a cumprir os meus caprichos e inscreveram-me nas aulas de dança, natação, vários deportos ou até jornalismo mas não deu em nada, nasci como uma malandra e assim vou ficar, mesmo assim agradeço o esforço deles. Outras pessoas não tiveram tanta sorte, têm algum talento mas têm medo de revelá-lo porque alguém na infância lhes disse: “não é para ti, não és capaz de fazê-lo”.
Tudo depende dos pais, são eles que têm de criar os filhos para que sejam boas pessoas. Se todos fossem bem-educados não existiam os maus-tratos nas escolas. É preciso ensinar as crianças que todas as pessoas merecem o nosso respeito e que, às vezes, as brincadeiras inocentes podem ter influência para toda a vida. E também os pais deviam tomar em conta o que dizem para não magoar os seus filhos.
 Kinga Starczyk
3º ano de Estudos Portugueses

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A ”Siesta” do Marcin Kydryński


Cada pessoa gosta de descansar. Uma característica dos países do sul é a sesta que é um descanso depois do almoço. Ali está tanto calor que não é possível fazer nada e por isso as pessoas dormem durante o dia. Eu quero falar sobre outra sesta na Polónia que é a “Siesta” do Marcin Kydryński. É um programa da Polskie Radio Trójka (Rádio Polaca III) que podemos ouvir aos domingos entre as três e as cinco horas da tarde, que são horas da sesta nos países do sul. Na Polónia normalmente também a esta hora estamos depois do almoço mas não temos o costume de dormir, então descansamos ouvindo a “Siesta”.
Às três da tarde começa a “Siesta” e graças a ela podemos aproximar-nos da cultura de Portugal, Espanha e de outros países lusófonos e latino-americanos. Durante duas horas ouvimos entre outras músicas fado (que é muito característica para Portugal), latina ou outra, por exemplo africana, mas também música de todo o mundo. Podemos conhecer muitos músicos que na Polónia não são tão famosos e normalmente não passam essas canções na rádio polaca.
Marcin Kydryński , o autor deste programa desde 2001, é jornalista músico, fotógrafo, compositor, autor dos textos, produtor e um apaixonado pela cultura lusófona e gosta de viajar. Desde há muitos anos ele promove a música lusófona, escreveu uns livros sobre Lisboa e a África (onde passou muitos anos). Em setembro de 2008 foi distinguido com o grau de Oficial da Ordem do Mérito pelo presidente de Portugal e também em 2014 recebeu o prémio cultural da cidade de Gdańsk.
Para além do programa na rádio, anualmente é organizado o “Siesta Festival” do qual Marcin Kydryński é o diretor artístico. Desde 2011, em abril podemos ouvir ao vivo muitos músicos, também de Portugal, ou Brasil e de África. Tivemos a oportunidade de ver na Polónia nomes famosos como Mariza, Sara Tavares, Lura e muitos mais. Todos os concertos têm lugar na Filarmónica Bałtycka em Gdańsk.
Também se queremos ouvir o “Siesta” diariamente em casa, temos esta possibilidade porque já há 12 álbuns com esta música. Alguns foram disco de platina na Polónia.
Para mim, o “Siesta” é muito importante porque há muitos anos que ouço este programa. Graças ao Marcin Kydryński estou interessada pela música portuguesa e africana. Quando ouço o conhecido jingle “Siesta them”(é o principio deste programa e dos álbuns), sinto alegria e tranquilidade. Também gosto que vejo que Kydryński tem o amor para o que faz e todas as canções são escolhidas com cuidado e acompanhadas de uma história que permite conhecer os músicos ou a cultura.

Agata Sędzielewska
2º ano de Filologia Ibérica

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

A felicidade


A felicidade é o mais belo de todos os sentimentos. Diz-se que as pessoas felizes têm a vida mais longa. Se isso é verdade, devíamos sempre tratar de estar de bom humor e ver o lado positivo em todas as situações? 
    Algumas pessoas consideram-se infelizes porque não sabem gozar das coisas pequenas que estão sempre lá, rodeando-nos, oferecendo-nos a sua magia em forma de felicidade. As pequenas coisas que nos fazem feliz são:
O cheiro do bolo caseiro saindo do forno.
Ouvir um elogio de alguém desconhecido.
O momento quando a luz do cinema se apaga.
O sorriso da minha irmã.
O gosto do chocolate na boca
O cheiro de café na cozinha.
A primeira trinca na pizza.
O barulho do vento no silêncio da noite
Acordar e descobrir que são férias e ainda tenho muito tempo para dormir mais.
A primeira e a última página de um livro porque as livros são um elemento indispensável na minha vida. Enriquecem a mente, ajudam-me a conhecer o mundo e também protegem do aborrecimento.
Sobretudo a risada dos meus amigos. Tenho os amigos íntimos, dignos de confiança, honestos e leais. Alguém que me compreenda, com quem posso falar sempre.
Receber um presente sem nenhum motivo especial e uma carta escrita à mão.
Fazer um bolo de chocolate e comê-lo com os amigos.
Um raio de sol durante o dia nublado e frio.
O tempo passando com amigos ou família no dia livre de obrigações, quando não tenho de fazer nada.
Ler um livro em paz com uma caneca de chá quente na minha mão.
Relaxar-me na banheira depois de um longo dia na universidade.
Gozar de um tempo maravilhoso.
Temos de valorizar os momentos que podemos passar com a nossa família e com os nossos amigos.
Um café na nossa cafetaria preferida, um passeio à beira mar ou as conversas noturnas.
Um café de manhã em silêncio e sem pressa.
As viagens porque gosto muito de descobrir lugares novos e aprender sobre a cultura e história dos outros países. Também gosto de conhecer as novas pessoas dos outros países e os pontos de vista para assuntos diferentes.
Apanhar sol.
Comer chocolate.
Estar sozinha em casa e ouvir a minha música preferida.
Passar o tempo com a minha família ou com os meus amigos jogando jogos de tabuleiro, comendo, falando, vendo alguma coisa, etc.
Fazer algo para os demais, por exemplo ajudar alguém, cozinhar para todos, oferecer algo pequeno sem ocasião.
Ter tempo para descontrair-me vendo algum filme, fazendo exercício físico, lendo um livro só por prazer. 
Passar o tempo com a minha família.
Ajudar alguém.
Brincar com os meus cães.
Os jogos ganhos pela seleção polaca.
Estar num concerto.
Os dias feriados.
Comprar algo novo.
A felicidade da minha família e dos meus amigos.
Ter tudo sob controlo e planejado.
Passar tempo com o meu namorado.
Viagens não necessariamente a sítios muito distantes. Pode ser uma viagem a uma aldeia perto de Lublin ou um passeio pela floresta mais próxima. Gosto muito de visitar novos lugares e isto dá-me muita alegria.
Ouvir uma música bela tocada por alguém que é um entusiasta e ama o que faz, especialmente quando é o músico de rua que tem o verdadeiro talento.
Vestir pijama o dia todo e ler um livro.
O primeiro floco de neve no inverno que cai na minha cara.
O primeiro raio de sol no verão.
Quando volto para a minha cidade e por fim posso passar um pouco de tempo com a minha família.
Quando posso comer um chocolate sem preocupar-me pelas calorias.
Um momento no qual posso caminhar sem pressa, ouvindo música e contemplando.
Uma boa conversa com um amigo ou um familiar.
Ver toda a temporada de uma série durante um dia.
Quando posso ir dormir mais cedo que normalmente e também quando posso dormir mais tempo.
Cozinhar para alguém do quem gosto muito.
Quando está calor e o sol brilha e eu posso disfrutar esse tempo fora de casa.
Conversar com a minha amiga.
Quando a minha irmã pequena deforma alguma palavra de maneira muito divertida (mas muitas vezes lógica) ou faz alguma coisa divertida.
Quando tenho o tarde livre e posso fazer tudo o que quero sem pensar que no dia seguinte tenho de levantar-me cedo. 
Comer algo delicioso.
Ter uma nota alta num teste ou exame (ou às vezes só passar uma prova difícil)
Dormir o suficiente.
Ter tempo para visitar a minha família e falar com eles.
Comer o meu prato preferido preparado pela minha mãe.
Quando vou com os meus amigos a uma festa, comemos juntos e não penso nos meus problemas ou obrigações. 
Quando no inverno caem os primeiros flocos de neve.
E a ti, o que te faz feliz?


3º ano de Filologia Ibérica

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Água Vai número 7


Saiu finalmente o número 7 da revista Água Vai. Nesta edição:

Contos:
- “Perdição” de Sylwia Jabłońska
- “A verdadeira história de Portugal, palavra de honra!de Abel Losa Vidal

Música:
- Entrevista com Weronika Siewierska (Liliana Wajrak)

Dança/Taniec:
- O que esconde o folclore português? (Dominika Birunt e Paulina Rogoza)
  Co skrywa w sobie folklor portugalski?

Viagens/Podróże:
- Tenho menos expectativas e por isso eu sou mais feliz! (Gabriela Malik)
   Mam mniej oczekiwań i dzięki temu jestem bardziej szczęśliwa!
- Como não visitar Portugal (Aneta Gmitrowicz e Joachim Czalej)
    Jak nie zwiedzać Portugalii
- 24 horas em Lisboa (Agnieszka Szaro e Natalia Korycka)
  24 godziny w Lizbonie

 Polónia/ Polska:
- Como o polaco vê o seu compatriota? (Karina Piecik e Ilona  Żelazna)
  Jal polak widzi swojego rodaka?
- Polacos estereotipados (Gabriela Grejner e Anna Małocha)
  Stereotyp polaka

Livros:
- Entrevista com Iza Klementowska, autora do livro „Samotność Portugalczyka” (Beata Zuzel e Paulina Kubik)
  Wywiad z Izą Klementowska, autorka książki "Samotność Portugalczyka"

História:
- Entrevista com um antigo preso politico (Aleksandra Deska e Magdalena Ilczuk)
   Wywiad z byłym więźniem politycznym

Sem papas na língua:
- Os mandamentos para os jovens do século XXI (Anna Drabik e Małgorzata Tracz)
   Przykazania młodych ludzi XXI wieku
- Querido, isto não é o que parece! (Aleksandra Moroziewicz e Emilia Wróbel)
   To nie tak jak myślisz, kochanie!
- Portugal / Polónia: Diferenças
 Portugalia / Polska: Różnice

Finalistas 2016

Disponível em versão PDF aqui: http://www.umcs.pl/pl/gazeta-studencka,5432.htm
  



terça-feira, 24 de janeiro de 2017

A música da verdade

„As canções, para mim, eram mais importantes do que mero entretenimento. Eram as minhas preceptoras e guias para uma consciência alternativa da realidade” – assim assinou o papel da música na sua vida uma lenda do mundo não só musical mas ultimamente também literário, Bob Dylan. Encontrar uma pessoa que não gosta de música não seria uma das coisas mais fáceis no mundo. É a parte das nossas vidas e, para alguns, toda a vida. É o sinal da identidade dos povos desde os tempos mais antigos até agora, portanto, ouvir música é como viajar sem necessidade de sair de casa. Às vezes basta só uma canção para nós ficarmos contentes ou recordarmos um momento especial.
No entanto, se pensamos que a música é só entretenimento, vejamos o que é que significa a música de intervenção. A ditadura no século XX afetou tanto a Polónia como Portugal. Nós, os jovens que temos a sorte de viver num país livre não pensamos muito nos absurdos e dificuldades da vida diária nesse período. Se tivesse passado muito tempo isto seria compreensível mas foram os tempos dos nossos pais, mas agora, se calhar felizmente, já parecem ser muito distantes. Se não sabemos muito sobre o século passado, uma boa fonte de conhecimento histórico, para alguns mais interessante do que os livros, são… as canções. Um dos modos de rebelar-se contra o sistema era, tal como o teatro e a literatura, a música. Convencidos de que a palavra podia mudar o mundo, os artistas começaram a criar canções que criticavam a situação sociopolítica no país e que chamavam à atenção das pessoas para não ficarem indiferentes mas terem esperança num um amanhã melhor. „A música de esperança” surgiu antes mas foi especialmente presente nos últimos anos das ditaduras quando a censura não era tão restritiva.
Na Polónia o comunismo terminou no ano 1989 e em Portugal, o salazarismo, em 1974. Imaginem que não podem comprar o disco nem ouvir a música do vosso artista favorito. Na Polónia, já nos anos 50 quando, com o nascimento do rock and roll começou a nova era na história mundial, as autoridades tentavam impedir o desenvolvimento das novas, se calhar perigosas, correntes. Com o tempo, uma força imprevista, os jovens, que se rebelavam contra a ditadura, desempenhavam um papel cada vez mais importante na sociedade. Eventos sociais significativos, momentos de solidariedade e unidade foram os festivais em Jarocin, onde muitos grupos tocaram a música de intervenção. Quando uma banda cantava uma canção, o público mudava a letra, por exemplo em vez de: Não tenhas medo de tudo isto, eles certamente preferiam o texto: Não tenhas medo do Jaruzelski. Embora parecesse que não havia um lugar melhor para as mensagens sociais, as autoridades controlavam tudo, chegando a inventar as informações falsas sobre as bandas.
Como ser mais astutos do que eles? Frente ao sistema e aos censores, porque uma canção antes de ser gravada e publicada tinha de passar por um caminho longo, os músicos inventavam letras com o significado escondido, através dos símbolos, metáforas, eufemismos. Não se podia criticar diretamente o governo e a mais pequena alusão despertava a suspeita. Isto era um desafio e exigia muita criatividade do autor, no entanto, há casos, onde a mensagem é bastante direta mas os censores simplesmente não deram conta porque diz-se que não sabiam ouvir o rock.

Em Portugal a música de intervenção surgiu nos anos sessenta e o primeiro artista foi José Afonso. As suas canções foram uma chamada de atenção às pessoas que sabiam já, com uma situação crítica e ainda agravada pelo regime do Estado Novo, que chegou o tempo das mudanças. O tempo para lutar pelos direitos e pelas boas condições de trabalho e de vida. O regresso às raízes como o fado, o texto reflexivo, poético e sincero foram animando o povo, até um dia de Abril...
Na Polónia os artistas e grupos mais importantes nesse período eram Kult, Czesław Niemen, Manaam, Dżem, Brygada Kryzys, Dezerter.


Apesar do perigo de acabar numa prisão ou até de ter de abandonar o país os artistas não tinham medo de dizer a verdade. A música era uma das muitas formas de lutar contra o regime. Acho que hoje em dia podemos estar agradecidos por viver num país livre, procurar sempre a verdade e nunca ter medo de dizê-la.
Marta Adamczuk
3º ano de Filologia Ibérica

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Dicionário Jurídico e Económico Português - Polaco


O Dicionário Jurídico e Económico Português - Polaco da autoria de Mirosław Jawor (docente do Departamento de Estudos Portugueses da UMCS) já se encontra disponível em versão PDF e pode ser descarregado gratuitamente aqui: http://www.umcs.pl/pt/dicionario-juridico-e-economico-portugues-polaco,11885.htm

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Cem mil visualizações!!!!!


Desde que entrámos na blogosfera, a 23 de setembro de 2011, que o número dos nossos visitantes tem vindo a aumentar. Durante o mês de outubro de 2011 fomos visitados 408 vezes, em dezembro de 2016 tivemos 8859 visualizações. E precisamente hoje chegamos às 100000 visualizações! Achamos que o segredo deste sucesso se deve à diversidade dos temas abordados. 

Dos 257 artigos publicados estes são os dez mais visitados:
4- Fátima

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Ser velho...

  O que é ser velho? Para mim esta questão depende da pessoa, quer dizer, tenho uma opinião sobre os velhotes que me rodeiam e outra opinião pensando em mim daqui a 50 anos. Quando vejo uma pessoa velha normalmente sinto muito carinho porque me fazem pensar nos meus avós. Claro, alguns dos velhotes prefiro evitar. Por exemplo os que cheiram a álcool ou as que têm a maquilhagem cor-de-rosa, azul ou verde ou têm o cabelo roxo. Não tenho confiança nessas pessoas porque já muitíssimas vezes resultaram ser antipáticas. As minhas velhinhas “preferidas” são as mulheres pequeninas com os lenços na cabeça. As que não falam muito, que não dizem a todo o mundo como é preciso viver.
  Obviamente cada pessoa idosa tem os seus direitos. Por exemplo, para mim é claro que tenho de ceder o lugar para que um velhote possa sentar-se. Mas não o faço sempre. Quando há muitos lugares livres no autocarro não cedo e ninguém faz isto mas às vezes as com maquilhagem têm problema com isso... como? Alguém atreveu-se a ocupar o seu lugar!?
  As pessoas idosas têm uma excelente escusa para TUDO. Não têm vontade de ir a um casamento ou outra festa? Só é preciso dizer “não me sinto bem, prefiro ficar em casa”, porque já é normal, as pessoas com a passagem dos anos têm mais problemas de saúde, mas às vezes abusam daquela desculpa. Também acho que a sociedade tem mais respeito e mais paciência para as pessoas idosas. Às vezes os velhotes podem viajar grátis ou quase grátis. As filas de espera para as consultas de um médico são um grande mistério. Como já mencionei, as pessoas velhas têm mais problemas de saúde, mas é curioso que este ano durante a “Black Friday” na Inglaterra não encontrámos NENHUMA pessoa na fila de espera, será que todos melhoraram por causa dos descontos?
  Pensando nas avozinhas que adoro, acho que ser velho (ideal) é ser uma pessoa digna e modesta, uma pessoa que viveu muitos anos e gosta de aconselhar os outros se precisarem. Os velhos são bons ouvintes e não impõem a sua opinião. Têm os netos que são orgulhosos deles, que louvam a sua comida e que gostam de passar o tempo junto dos seus avós.
  E agora a minha outra opinião, ou melhor, uma visão. Quando penso em mim daqui a 50 anos vejo uma pessoa que não se pode levantar da cama porque é gorda e não tem vontade de viver. Uma pessoa que não tem familiares nem amigos porque todos morreram antes ou simplesmente já não querem manter contacto. Vejo uma pessoa infeliz que quer morrer mas tem medo de suicidar-se. Por um lado sei que é uma visão demasiado pessimista mas prefiro agora pensar o pior e depois surpreender-me do que idealizar tudo e acabar cagada e dececionada numa cama.

Kinga Starczyk
3º ano de Estudos Portugueses

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Aprendendo na Polônia

No fim de setembro, Matheus Bassi, Marjorie Bock e Daniella Koslowski embarcaram rumo à Lublin, na Polônia, para um semestre de aprendizados.
Após muitas escalas de voos, ônibus e táxis, Marjorie Bock, Matheus Bassi e Daniella Koslowski, alunos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Unijuí, chegaram ao destino, Lublin, na Polônia, a 170 quilômetros da capital Varsóvia. Eles estão estudando graças a uma parceria assinada entre a Unijuí e a Universidade Marie Curie Sklodowska (UMCS). O trio iniciou os estudos lá em outubro, quando começa o primeiro semestre acadêmico. Na Polônia, as aulas seguem de outubro até fevereiro, com o início das férias de verão em março. Marjorie e Matheus ficarão até o final do primeiro semestre, e Daniella permanecerá até julho, quando finaliza os dois semestres. Segundo Marjorie, a melhor parte do intercâmbio é o misto de culturas com que começou a conviver.
“Além do enriquecimento profissional, a partir das aulas, é visível perceber o quanto cresci como pessoa nesses últimos tempos. Conheci pessoas da Turquia, França, Espanha e da Eslováquia, que compartilham parte da sua cultura comigo todos os dias”. Lá as aulas são ministradas em inglês por professores poloneses. São ofertadas aulas de diferentes ramos profissionais, pois os cronogramas das aulas são diferentes. Eles participam de aulas não só do curso de Jornalismo, mas também de Ciências Políticas e Relações Internacionais, que são áreas mais abrangentes e também interessam. 

“Lublin é uma cidade encantadora”, diz Marjorie. A maior cidade do leste polonês tem uma população de 400 mil habitantes e os recebeu com os encantos do outono. A Universidade Marie Curie Sklodowska é a quinta universidade fundada no país e leva o nome em honra à primeira mulher vencedora do prêmio Nobel da Polônia, e também a única a ganhar o prêmio duas vezes, Marie Curie-Sklodowska. A cientista polonesa, que tinha naturalização francesa, conduziu pesquisas pioneiras no ramo da radioatividade. O trio está compartilhando a viagem no canal do Youtube Way 2 Go, onde postam vídeos contando sobre todo o processo de ida e diversos vídeos sobre a rotina em Lublin.

Cláudia de Almeida
Jornal da Manhã/Stampa
Ijuí-RS, Brasil