domingo, 26 de março de 2017

Lublin é fixe!!!


Cada cidade é diferente e cada uma tem o seu charme específico que não se pode comparar com nenhuma outra coisa. A história, arquitetura, gastronomia, cultura e a gente são os elementos fundamentais que formam o ambiente característico de cada lugar. Lisboa tem os seus pastéis de Belém, fado, cafés, azulejos ou o famoso elétrico amarelo 28 de Lisboa mas quais são os atributos especiais de Lublin?
Situada no leste do país é certamente um ponto no mapa da Polónia que vale a pena visitar. Lublin é conhecida, tal como Roma, como a cidade das 7 colinas. É muito curioso porque o mesmo se diz sobre Lisboa que, segundo uma lenda, foi fundada numa povoação rodeada de sete colinas.
Vás aonde fores, convencer-te-ás que é verdade. Uma das colinas mais interessantes em Lublin é por exemplo aquela onde se encontra o castelo – o edifício mais famoso e o símbolo da cidade. Além disso, convém mencionar outra colina que se chama Czwartek (quinta-feira). Diz-se que é o lugar mais antigo da cidade onde tudo começou. Investigações arqueológicas mostram que este lugar já era habitado no século VI.
Qualquer pessoa observará rapidamente que um elemento inseparável da sociedade local são os alunos. Lublin é também chamada de cidade dos estudantes (em particular trata-se dos estudantes universitários) e não há nada errado nesta frase. Tendo em consideração os habitantes, o número dos jovens que realizam os seus estudos aqui é impressionante. As cinco universidades atraem não só as pessoas de diversas partes da Polónia mas também muitos estrangeiros. Portanto, é possível ouvir cada vez mais outros idiomas nas ruas o que só confirma a multiculturalidade. Ademais, no último ano Lublin encontrou-se na lista das dez melhores cidades para estudar na Europa (segundo www.collegemagazine.com) e foi a única cidade polaca neste ranking.
Quando se fala sobre Lublin é obrigatório mencionar o cebularz, uma especialidade regional que se destaca na culinária da nossa cidade. É um tipo de pão coberto de cebola, ingrediente crucial. Tem uma forma redonda, semelhante à pizza e é feito de farinha de trigo. Mesmo que pareça bastante inocente, é um dos 37 produtos protegidos pela União Europeia, além disso em 2007 foi inscrito na lista dos produtos tradicionais. O cebularz descende da gastronomia judaica. Os judeus que moravam em Lublin foram os primeiros que começaram a cozê-lo no forno no século XIX e disseminaram-no pelos arredores. Não é difícil comprá-lo porque se encontra em cada padaria. Por isso, se planearem uma viagem a Lublin, não se esqueçam de degustá-lo!
Sem sombra de dúvida Lublin tem muito para oferecer quanto à cultura. No verão Lublin torna-se a capital dos festivais, concertos e diversos eventos culturais. Na minha opinião os mais interessantes são três: „Carnaval Sztukmistrzów”, „Noc Kultury” e „Jarmark Jagielloński”.
Durante a Noite da Cultura é possível entrar gratuitamente em muitas instituições culturais e assistir a eventos preparados especialmente para esta ocasião. Cada ano os organizadores surpreendam o público com as ideias originais. É uma noite especial, cheia de cores, decorações, ruas adornadas e muitas atrações. Tudo parece como se fosse a cena de um filme. Similarmente funciona o Carnaval Sztukmistrzów durante o qual o centro histórico se transforma num palco para artistas de circo e teatro. O Jarmak Jagielloński é uma feira que constitui uma boa oportunidade para adquirir e admirar o artesanato e antiguidades com alma.
Estas são apenas algumas das coisas que Lublin oferece. A verdade é que esta cidade mantém muito mais segredos. Estão todos aqui para que um dia os descubras.


Agnieszka Rozwałka
3º ano de Filologia Ibérica

terça-feira, 7 de março de 2017

Onde bate o coração do antigo império português?


No passado dia 6 de março, Agata Błoch proferiu a primeira palestra do ciclo "VIAGENS NA MINHA TERRA". Conduzindo a palestra Onde bate o coração do antigo império português? de uma forma informal (esta iniciativa assim pretende ser sempre) Agata Błoch deu especial relevo ao legado linguístico português e ao intercâmbios culturais entre os diversos países que fizeram parte ou interagiram com o império colonial português. Apresentou um Brasil diferente e que foge ao estereótipo praia, samba e futebol. Para finalizar falou da sua experiência de trabalho com a Televisão Polaca na cobertura das Olimpíadas do Rio, mostrando os bastidores deste acontecimento desportivo.
Agata Błoch está a fazer o doutoramento no Instituto de História da Academia Polaca de Ciências. É bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian fazendo a sua investigação no Centro de História d’Aquém e d’Além-Mar (CHAM) da Universidade Nova de Lisboa. Na sua pesquisa sobre a identidade colonial portuguesa tenta recriar as primeiras redes sociais modernas entre as colónias portuguesas do Atlântico, e de compreender o papel desempenhado pelos escravos, índios, degradados e prisioneiros, entre outros na criação da rede imperial.
O que é o ciclo "VIAGENS NA MINHA TERRA"?
É uma iniciativa do CLP/C iniciada em 2017 cujo objetivo é divulgar a língua e a cultura dos países de língua portuguesa mas também educar para a cidadania. As pessoas convidadas, polacos que residam ou tenham residido em países de língua portuguesa e cidadãos naturais de países lusófonos que residam ou tenham residido na Polónia, apresentam de uma forma informal a sua cultura e a do país que os acolheu através do relato das suas experiências como estrangeiros.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

A maldade das crianças

Fonte da imagem: http://livrespensadores.net/wp-content/uploads/2012/04/bullying.jpg


          Todos, pensando nas crianças, temos uma imagem das criaturas fofas e inocentes. Nada mais errado! Estes monstros podem deixar marcas para toda a nossa vida.
Na escola primária quase toda a minha turma ria-se de um colega que tem um pequeno atraso mental e chamavam-lhe “pinguim” porque andava desta forma. Tudo que ele fazia era criticado e os rapazes frequentemente empurravam ou batiam-no, mas ele nunca se defendeu porque não sabia como. Ele não merecia este tratamento, era o rapaz muito modesto, bem-educado e de grande coração. O problema nunca desapareceu. Mesmo na escola secundária, quando já estava numa outra turma, todos se riam dele. Com o passar dos anos algo mudou no seu comportamento, tornou-se mais agressivo e chegou ao ápice da sua agressividade na universidade. Lá, outra vez, todos se riam dele e ele não aguentou. Fez uma lista com os nomes dos que se riam e disse que tinha uma faca e ia matá-los um por um. Uma das “escolhidas” chamou a polícia e o “Pinguim” foi internado num hospital psiquiátrico.
Quando andava no primeiro ano da escola primária já sabia ler perfeitamente e adorava fazê-lo. Uma vez, durante as aulas, a nossa professora fez um concurso de leitura e escolheu três pessoas como participantes. O júri era o resto da turma e tinham duas placas: vermelha e verde. Se gostassem da leitura tinham de levantar a placa verde, se não, a vermelha. Eu li o texto todo sem hesitação e quando terminei a professora disse que li muito bem, mas deveria reparar nas vírgulas, pontos, exclamações etc. (nunca fui muito expressiva...) E o que fizeram os meus queridos colegas? Depois de ouvir o que ela disse TODOS levantaram a placa vermelha, estúpidos traidores. Eles, que apenas sabiam aglutinar cinco letras numa mesma palavra, acharam que eu não tinha lido bem. Fiquei dececionada e triste. A professora não concordou com eles e declarou-me a vencedora do concurso porque ninguém tinha lido melhor do que eu. Substituiu todas as placas vermelhas por verdes. Ganhei, ótimo, mas naquele dia terminou a minha paixão pela leitura, agora detesto ler. Claro, agora não me preocuparia tanto, provavelmente gozaria com eles, porque eram eles que não sabiam ler. Naquele tempo era muito sensível e este acontecimento deixou a marca na minha vida.
Normalmente a nossa autoestima vêm da nossa infância, há muitas pessoas que na escola foram perseguidas e sentem medo de ser o objeto das brincadeiras. Conheço muitas pessoas que tiveram as asas cortadas, não só pelos colegas mas também pelos pais. Se uma criança quer experimentar alguma coisa, por exemplo dançar ou cantar, porque alguns pais não permitem fazê-lo? Os meus ajudaram-me a cumprir os meus caprichos e inscreveram-me nas aulas de dança, natação, vários deportos ou até jornalismo mas não deu em nada, nasci como uma malandra e assim vou ficar, mesmo assim agradeço o esforço deles. Outras pessoas não tiveram tanta sorte, têm algum talento mas têm medo de revelá-lo porque alguém na infância lhes disse: “não é para ti, não és capaz de fazê-lo”.
Tudo depende dos pais, são eles que têm de criar os filhos para que sejam boas pessoas. Se todos fossem bem-educados não existiam os maus-tratos nas escolas. É preciso ensinar as crianças que todas as pessoas merecem o nosso respeito e que, às vezes, as brincadeiras inocentes podem ter influência para toda a vida. E também os pais deviam tomar em conta o que dizem para não magoar os seus filhos.
 Kinga Starczyk
3º ano de Estudos Portugueses

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A ”Siesta” do Marcin Kydryński


Cada pessoa gosta de descansar. Uma característica dos países do sul é a sesta que é um descanso depois do almoço. Ali está tanto calor que não é possível fazer nada e por isso as pessoas dormem durante o dia. Eu quero falar sobre outra sesta na Polónia que é a “Siesta” do Marcin Kydryński. É um programa da Polskie Radio Trójka (Rádio Polaca III) que podemos ouvir aos domingos entre as três e as cinco horas da tarde, que são horas da sesta nos países do sul. Na Polónia normalmente também a esta hora estamos depois do almoço mas não temos o costume de dormir, então descansamos ouvindo a “Siesta”.
Às três da tarde começa a “Siesta” e graças a ela podemos aproximar-nos da cultura de Portugal, Espanha e de outros países lusófonos e latino-americanos. Durante duas horas ouvimos entre outras músicas fado (que é muito característica para Portugal), latina ou outra, por exemplo africana, mas também música de todo o mundo. Podemos conhecer muitos músicos que na Polónia não são tão famosos e normalmente não passam essas canções na rádio polaca.
Marcin Kydryński , o autor deste programa desde 2001, é jornalista músico, fotógrafo, compositor, autor dos textos, produtor e um apaixonado pela cultura lusófona e gosta de viajar. Desde há muitos anos ele promove a música lusófona, escreveu uns livros sobre Lisboa e a África (onde passou muitos anos). Em setembro de 2008 foi distinguido com o grau de Oficial da Ordem do Mérito pelo presidente de Portugal e também em 2014 recebeu o prémio cultural da cidade de Gdańsk.
Para além do programa na rádio, anualmente é organizado o “Siesta Festival” do qual Marcin Kydryński é o diretor artístico. Desde 2011, em abril podemos ouvir ao vivo muitos músicos, também de Portugal, ou Brasil e de África. Tivemos a oportunidade de ver na Polónia nomes famosos como Mariza, Sara Tavares, Lura e muitos mais. Todos os concertos têm lugar na Filarmónica Bałtycka em Gdańsk.
Também se queremos ouvir o “Siesta” diariamente em casa, temos esta possibilidade porque já há 12 álbuns com esta música. Alguns foram disco de platina na Polónia.
Para mim, o “Siesta” é muito importante porque há muitos anos que ouço este programa. Graças ao Marcin Kydryński estou interessada pela música portuguesa e africana. Quando ouço o conhecido jingle “Siesta them”(é o principio deste programa e dos álbuns), sinto alegria e tranquilidade. Também gosto que vejo que Kydryński tem o amor para o que faz e todas as canções são escolhidas com cuidado e acompanhadas de uma história que permite conhecer os músicos ou a cultura.

Agata Sędzielewska
2º ano de Filologia Ibérica

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

A felicidade


A felicidade é o mais belo de todos os sentimentos. Diz-se que as pessoas felizes têm a vida mais longa. Se isso é verdade, devíamos sempre tratar de estar de bom humor e ver o lado positivo em todas as situações? 
    Algumas pessoas consideram-se infelizes porque não sabem gozar das coisas pequenas que estão sempre lá, rodeando-nos, oferecendo-nos a sua magia em forma de felicidade. As pequenas coisas que nos fazem feliz são:
O cheiro do bolo caseiro saindo do forno.
Ouvir um elogio de alguém desconhecido.
O momento quando a luz do cinema se apaga.
O sorriso da minha irmã.
O gosto do chocolate na boca
O cheiro de café na cozinha.
A primeira trinca na pizza.
O barulho do vento no silêncio da noite
Acordar e descobrir que são férias e ainda tenho muito tempo para dormir mais.
A primeira e a última página de um livro porque as livros são um elemento indispensável na minha vida. Enriquecem a mente, ajudam-me a conhecer o mundo e também protegem do aborrecimento.
Sobretudo a risada dos meus amigos. Tenho os amigos íntimos, dignos de confiança, honestos e leais. Alguém que me compreenda, com quem posso falar sempre.
Receber um presente sem nenhum motivo especial e uma carta escrita à mão.
Fazer um bolo de chocolate e comê-lo com os amigos.
Um raio de sol durante o dia nublado e frio.
O tempo passando com amigos ou família no dia livre de obrigações, quando não tenho de fazer nada.
Ler um livro em paz com uma caneca de chá quente na minha mão.
Relaxar-me na banheira depois de um longo dia na universidade.
Gozar de um tempo maravilhoso.
Temos de valorizar os momentos que podemos passar com a nossa família e com os nossos amigos.
Um café na nossa cafetaria preferida, um passeio à beira mar ou as conversas noturnas.
Um café de manhã em silêncio e sem pressa.
As viagens porque gosto muito de descobrir lugares novos e aprender sobre a cultura e história dos outros países. Também gosto de conhecer as novas pessoas dos outros países e os pontos de vista para assuntos diferentes.
Apanhar sol.
Comer chocolate.
Estar sozinha em casa e ouvir a minha música preferida.
Passar o tempo com a minha família ou com os meus amigos jogando jogos de tabuleiro, comendo, falando, vendo alguma coisa, etc.
Fazer algo para os demais, por exemplo ajudar alguém, cozinhar para todos, oferecer algo pequeno sem ocasião.
Ter tempo para descontrair-me vendo algum filme, fazendo exercício físico, lendo um livro só por prazer. 
Passar o tempo com a minha família.
Ajudar alguém.
Brincar com os meus cães.
Os jogos ganhos pela seleção polaca.
Estar num concerto.
Os dias feriados.
Comprar algo novo.
A felicidade da minha família e dos meus amigos.
Ter tudo sob controlo e planejado.
Passar tempo com o meu namorado.
Viagens não necessariamente a sítios muito distantes. Pode ser uma viagem a uma aldeia perto de Lublin ou um passeio pela floresta mais próxima. Gosto muito de visitar novos lugares e isto dá-me muita alegria.
Ouvir uma música bela tocada por alguém que é um entusiasta e ama o que faz, especialmente quando é o músico de rua que tem o verdadeiro talento.
Vestir pijama o dia todo e ler um livro.
O primeiro floco de neve no inverno que cai na minha cara.
O primeiro raio de sol no verão.
Quando volto para a minha cidade e por fim posso passar um pouco de tempo com a minha família.
Quando posso comer um chocolate sem preocupar-me pelas calorias.
Um momento no qual posso caminhar sem pressa, ouvindo música e contemplando.
Uma boa conversa com um amigo ou um familiar.
Ver toda a temporada de uma série durante um dia.
Quando posso ir dormir mais cedo que normalmente e também quando posso dormir mais tempo.
Cozinhar para alguém do quem gosto muito.
Quando está calor e o sol brilha e eu posso disfrutar esse tempo fora de casa.
Conversar com a minha amiga.
Quando a minha irmã pequena deforma alguma palavra de maneira muito divertida (mas muitas vezes lógica) ou faz alguma coisa divertida.
Quando tenho o tarde livre e posso fazer tudo o que quero sem pensar que no dia seguinte tenho de levantar-me cedo. 
Comer algo delicioso.
Ter uma nota alta num teste ou exame (ou às vezes só passar uma prova difícil)
Dormir o suficiente.
Ter tempo para visitar a minha família e falar com eles.
Comer o meu prato preferido preparado pela minha mãe.
Quando vou com os meus amigos a uma festa, comemos juntos e não penso nos meus problemas ou obrigações. 
Quando no inverno caem os primeiros flocos de neve.
E a ti, o que te faz feliz?


3º ano de Filologia Ibérica

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Água Vai número 7


Saiu finalmente o número 7 da revista Água Vai. Nesta edição:

Contos:
- “Perdição” de Sylwia Jabłońska
- “A verdadeira história de Portugal, palavra de honra!de Abel Losa Vidal

Música:
- Entrevista com Weronika Siewierska (Liliana Wajrak)

Dança/Taniec:
- O que esconde o folclore português? (Dominika Birunt e Paulina Rogoza)
  Co skrywa w sobie folklor portugalski?

Viagens/Podróże:
- Tenho menos expectativas e por isso eu sou mais feliz! (Gabriela Malik)
   Mam mniej oczekiwań i dzięki temu jestem bardziej szczęśliwa!
- Como não visitar Portugal (Aneta Gmitrowicz e Joachim Czalej)
    Jak nie zwiedzać Portugalii
- 24 horas em Lisboa (Agnieszka Szaro e Natalia Korycka)
  24 godziny w Lizbonie

 Polónia/ Polska:
- Como o polaco vê o seu compatriota? (Karina Piecik e Ilona  Żelazna)
  Jal polak widzi swojego rodaka?
- Polacos estereotipados (Gabriela Grejner e Anna Małocha)
  Stereotyp polaka

Livros:
- Entrevista com Iza Klementowska, autora do livro „Samotność Portugalczyka” (Beata Zuzel e Paulina Kubik)
  Wywiad z Izą Klementowska, autorka książki "Samotność Portugalczyka"

História:
- Entrevista com um antigo preso politico (Aleksandra Deska e Magdalena Ilczuk)
   Wywiad z byłym więźniem politycznym

Sem papas na língua:
- Os mandamentos para os jovens do século XXI (Anna Drabik e Małgorzata Tracz)
   Przykazania młodych ludzi XXI wieku
- Querido, isto não é o que parece! (Aleksandra Moroziewicz e Emilia Wróbel)
   To nie tak jak myślisz, kochanie!
- Portugal / Polónia: Diferenças
 Portugalia / Polska: Różnice

Finalistas 2016

Disponível em versão PDF aqui: http://www.umcs.pl/pl/gazeta-studencka,5432.htm
  



terça-feira, 24 de janeiro de 2017

A música da verdade

„As canções, para mim, eram mais importantes do que mero entretenimento. Eram as minhas preceptoras e guias para uma consciência alternativa da realidade” – assim assinou o papel da música na sua vida uma lenda do mundo não só musical mas ultimamente também literário, Bob Dylan. Encontrar uma pessoa que não gosta de música não seria uma das coisas mais fáceis no mundo. É a parte das nossas vidas e, para alguns, toda a vida. É o sinal da identidade dos povos desde os tempos mais antigos até agora, portanto, ouvir música é como viajar sem necessidade de sair de casa. Às vezes basta só uma canção para nós ficarmos contentes ou recordarmos um momento especial.
No entanto, se pensamos que a música é só entretenimento, vejamos o que é que significa a música de intervenção. A ditadura no século XX afetou tanto a Polónia como Portugal. Nós, os jovens que temos a sorte de viver num país livre não pensamos muito nos absurdos e dificuldades da vida diária nesse período. Se tivesse passado muito tempo isto seria compreensível mas foram os tempos dos nossos pais, mas agora, se calhar felizmente, já parecem ser muito distantes. Se não sabemos muito sobre o século passado, uma boa fonte de conhecimento histórico, para alguns mais interessante do que os livros, são… as canções. Um dos modos de rebelar-se contra o sistema era, tal como o teatro e a literatura, a música. Convencidos de que a palavra podia mudar o mundo, os artistas começaram a criar canções que criticavam a situação sociopolítica no país e que chamavam à atenção das pessoas para não ficarem indiferentes mas terem esperança num um amanhã melhor. „A música de esperança” surgiu antes mas foi especialmente presente nos últimos anos das ditaduras quando a censura não era tão restritiva.
Na Polónia o comunismo terminou no ano 1989 e em Portugal, o salazarismo, em 1974. Imaginem que não podem comprar o disco nem ouvir a música do vosso artista favorito. Na Polónia, já nos anos 50 quando, com o nascimento do rock and roll começou a nova era na história mundial, as autoridades tentavam impedir o desenvolvimento das novas, se calhar perigosas, correntes. Com o tempo, uma força imprevista, os jovens, que se rebelavam contra a ditadura, desempenhavam um papel cada vez mais importante na sociedade. Eventos sociais significativos, momentos de solidariedade e unidade foram os festivais em Jarocin, onde muitos grupos tocaram a música de intervenção. Quando uma banda cantava uma canção, o público mudava a letra, por exemplo em vez de: Não tenhas medo de tudo isto, eles certamente preferiam o texto: Não tenhas medo do Jaruzelski. Embora parecesse que não havia um lugar melhor para as mensagens sociais, as autoridades controlavam tudo, chegando a inventar as informações falsas sobre as bandas.
Como ser mais astutos do que eles? Frente ao sistema e aos censores, porque uma canção antes de ser gravada e publicada tinha de passar por um caminho longo, os músicos inventavam letras com o significado escondido, através dos símbolos, metáforas, eufemismos. Não se podia criticar diretamente o governo e a mais pequena alusão despertava a suspeita. Isto era um desafio e exigia muita criatividade do autor, no entanto, há casos, onde a mensagem é bastante direta mas os censores simplesmente não deram conta porque diz-se que não sabiam ouvir o rock.

Em Portugal a música de intervenção surgiu nos anos sessenta e o primeiro artista foi José Afonso. As suas canções foram uma chamada de atenção às pessoas que sabiam já, com uma situação crítica e ainda agravada pelo regime do Estado Novo, que chegou o tempo das mudanças. O tempo para lutar pelos direitos e pelas boas condições de trabalho e de vida. O regresso às raízes como o fado, o texto reflexivo, poético e sincero foram animando o povo, até um dia de Abril...
Na Polónia os artistas e grupos mais importantes nesse período eram Kult, Czesław Niemen, Manaam, Dżem, Brygada Kryzys, Dezerter.


Apesar do perigo de acabar numa prisão ou até de ter de abandonar o país os artistas não tinham medo de dizer a verdade. A música era uma das muitas formas de lutar contra o regime. Acho que hoje em dia podemos estar agradecidos por viver num país livre, procurar sempre a verdade e nunca ter medo de dizê-la.
Marta Adamczuk
3º ano de Filologia Ibérica

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Dicionário Jurídico e Económico Português - Polaco


O Dicionário Jurídico e Económico Português - Polaco da autoria de Mirosław Jawor (docente do Departamento de Estudos Portugueses da UMCS) já se encontra disponível em versão PDF e pode ser descarregado gratuitamente aqui: http://www.umcs.pl/pt/dicionario-juridico-e-economico-portugues-polaco,11885.htm

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Cem mil visualizações!!!!!


Desde que entrámos na blogosfera, a 23 de setembro de 2011, que o número dos nossos visitantes tem vindo a aumentar. Durante o mês de outubro de 2011 fomos visitados 408 vezes, em dezembro de 2016 tivemos 8859 visualizações. E precisamente hoje chegamos às 100000 visualizações! Achamos que o segredo deste sucesso se deve à diversidade dos temas abordados. 

Dos 257 artigos publicados estes são os dez mais visitados:
4- Fátima