domingo, 18 de junho de 2017

O que é que liga o mundo da música portuguesa com o mundo da música polaca?

Não muito? Isso não é possível? Não há nada mais errado! É óbvio que os dois países têm a cultura e as tradições no comportamento, costumes ou mesmo na comida muito diferentes. Além disso, ambos os países têm os seus géneros musicais únicos e próprios.
Sem sombra de dúvida, o género mais característico de Portugal e que é conhecido em todo o mundo é o fado. Este género musical canta a saudade – o destino, que não podemos enganar ou mudar. Os cantores falam da tristeza, dor ou perda de alguém ou alguma coisa, também do amor, da situação política ou da história. O elemento mais característico é a guitarra portuguesa e os cantores vestidos de negro. A cantora mais famosa foi Amália Rodrigues, mas vale a pena mencionar por exemplo o grande Camané, considerado "o Prince do Fado”. É certo que os portugueses são os mestres do Fado e ninguém consegue igualá-los.
Por outro lado temos a Polónia e a sua música popular e folclórica, especialmente esta cantada pelos homens das regiões montanhosas: "górale". Desde muito cedo aprendem folclore das montanhas. Os autores das canções são anónimos. Falam do que para a gente das montanhas é mais importante – o amor das montanhas Tatra, aventuras de ladrões, expedições de caçadores ou simplesmente fazem as canções curtas por exemplo estribilhos burlescos, nas quais não podem faltar os temas de amor: as brincadeiras entre um rapaz e uma rapariga. A música é considerada como uma parte eterna da tradição popular, transmitida de geração em geração sem notas e registos mas na forma original „de escuta”. A música acompanha os das terras altas em casa, nas pousadas ou nos festivais. Caracteriza-se pelo uso dos violinos, flautas e gaitas. Torna a vida cheia de alegria.
Dois mundos diferentes, o fado cheio de tristeza e a música folclórica polaca repleta de alegria. Então, como é mencionada no título deste artigo, o que liga estes dois mundos aparentemente tão diferentes?
Portugal não é só fado, porque nas ruas ressoa também a música chamada PIMBA. Tem as raízes rurais, é uma música simples com melodias fáceis que "fiquem no ouvido". É tocada nos casamentos ou festas rurais com acompanhamento de acordeão e sintetizadores. As letras contêm varias metáforas com significado sexual ou romântico muito simples e frequentemente primitivo.
Os polacos associam positivamente este género. É exatamente como o nosso "disco polo" – música que ninguém ouve (porque é uma vergonha), mas há sempre alguém que conhece as letras, melodia ou toda a canção e a maioria das pessoas diverte-se nas discotecas com disco polo. Neste género, o teclado é o principal ou único instrumento musical. Os temas, letras e ritmo são bastante parecidos ao Pimba. As bandas, habitualmente têm os nomes em inglês. Por exemplo: Freaky Boys, After Party, Boys, Power Play, etc.
Vamos comparar alguns versos das canções de ambos os géneros.  Quim Barreiros – um dos mais famosos cantores portugueses de música Pimba, na sua canção "Mestre De Culinária" canta:
"Sou solteiro e bom rapaz
vivo num apartamento
ainda sou muito novo
prá pensar em casamento"

Por outro lado temos o disco polo polaco e a banda Effect que canta:
"Będę kawalerem,
Aż do końca świata.
Nie zostanę księdzem,
Jakby chciał mój tata.
Będę kawalerem,
To mi się opłaca.
Żeby ciemną nocą,
Dziewczyny obracać."
Que podemos traduzir como:
"Eu vou ser solteiro, até ao fim do mundo
Eu não vou ser padre, como queria o meu pai
Eu vou ser solteiro, isso vale a pena
Para na noite escura com as meninas dançar."
Mais um exemplo é a canção de Emanuel "Baby, És Uma Bomba" onde canta:
"És uma bomba ai ai
De tentação ai ai
Que faz bumbum
No meu coração"
Como contrapartida polaca, vamos mencionar a canção da banda Freaky Boys "Moje serce bije bum bum" onde "Boys" cantam quase o mesmo que Emanuel:
"Kiedy widzę Cię, moje serce bije bum bum
Gdy uśmiechasz się, moje serce bije bum bum”
Traduzimos isto como:
"Quando te vejo o meu coração faz bum bum
Quando sorris o meu coração faz bum bum"
Não é parecido? Podemos encontrar muitos mais exemplos semelhantes. Desta forma vemos que os nossos países têm algo em comum: a forma da exprimir os sentimentos, emoções e amor na música.
Magdalena Ilczuk
3º ano de Filologia Ibérica

terça-feira, 30 de maio de 2017

A História não tem de ser chata


Há um momento na vida da cada pessoa em que queremos (ou temos de) conhecer a história do nosso país. Claro, não todos temos de interessar-nos pela história mas acho que todos temos o dever de saber alguns factos importantes para não parecer um ignorante. Normalmente já antes de irmos à escola primária sabemos algumas coisas graças aos nossos pais e aos nossos avós que falam-nos sobre acontecimentos importantes do passado. Não importa que muitas vezes os consideremos como umas historinhas contadas para nos adormecer, porque estes contos podem suscitar o interesse pela história. Também os livros, os filmes ou as séries históricas podem fazer o mesmo. Isso foi o que aconteceu comigo quando há muitos anos vi pela primeira vez vi o filme histórico “Com o fogo e a espada” (“Ogniem i mieczem”), realizado por Jerzy Hoffman e baseado no livro com o mesmo título que faz parte da famosa trilogia do escritor polaco Henryk Sienkiewicz.
 “Com o fogo e a espada” é uma mistura dos acontecimentos e personagens fictícias com as autênticas. O filme conta as aventuras de um comandante da cavalaria pesada (em polaco “husaria”) chamado Jan Skrzetuski quem se apaixona por uma jovem dama, Helena Kurcewiczówna. Tudo acontece numa altura muito difícil para a Polónia, ou melhor, para a Comunidade Polaco-Lituana (naquele tempo, a Polónia chamava-se assim), durante a guerra civil nos anos 1648-1654 entre a nobreza polaca (“szlachta”) e os Cossacos ucranianos comandados por Bogdan Chmielnicki conhecida como a Revolta de Chmielnicki. Em poucas palavras, o povo ucraniano rebelou-se contra a República pelos abusos de poder por parte dos grandes latifundiários aristocratas, querendo libertar-se da dependência polaca. Skrzetuski o tempo todo sacrifica os próprios interesses pela pátria e, em vez de estar com a sua namorada, luta junto com os seus amigos contra os rebeldes. Os seus companheiros são: Michał Wołodyjowski, pela sua estatura é chamado de “Cavaleiro Pequeno” mas um excelente esgrimista, Longinus Podbipięta, um homem grande e muito forte mas um pouco ingénuo, e Jan Onufry Zagłoba, o mais velho da companhia mas muito astuto e muito divertido. Esse último personagem mostra todas as características do típico “szlachcic”: é um verdadeiro patriota, quando tem que lutar pelo país, fá-lo mas mais do que isto, gosta de beber, comer e dormir bem. Outra personagem muito importante nesta história é um oficial cossaco Jurko Bohun, também apaixonado por Helena, um homem muito impulsivo e por isso muito perigoso.
            Então, neste filme cada um pode encontrar algo interessante: há uma história amorosa, sequestros, perseguições, batalhas, duelos... Há umas situações cómicas, uns momentos patéticos, grandes alegrias mas também grandes tristezas. O ambiente é realçado por uma maravilhosa banda sonora criada pelo fantástico compositor polaco Krzesimir Dębski. Graças à sua música, sentimos tudo o que sentem as personagens, temos a sensação como se fizéssemos parte dessa história. É um filme muito bom não só para se descontrair, mas também para começar a interessar-se pela história. Verifique você mesmo:
https://www.youtube.com/watch?v=DH6tJVCk6Q4 – o trailer (extraoficial)
https://www.youtube.com/watch?v=Qn5jrtdLOZ0 – o filme legendado em inglês
https://www.youtube.com/watch?v=5NBdxllyDJc&t –a banda sonora do filme

Anna Reszka
3º ano de Filologia Ibérica

sexta-feira, 19 de maio de 2017

"As laranjas eram azedas" / "Pomarańcze i tak były kwaśne"



Depois de o conto de António Macheira "Até amanhã meu filho" nos dar a conhecer a dor e a saudade de uma mãe que perdeu filho no mar, em "As laranjas eram azedas" sentimos dó de três crianças esfomeadas e com frio e enternecemo-nos  com os sonhos delas. 


AS LARANJAS ERAM AZEDAS

Duas enormes nuvens brancas, de caprichoso recorte, correm ligeiramente no espaço. Uma aragem fria empurra-as para o sul, para o mar. O sol, beatificamente, contempla-as indiferente e risonho. Mas também frio.
Estamos no inverno. Um inverno agreste e maravilhoso com os campos repletos de amendoeiras floridas de aspecto feérico e irreal.
A estrada está gelada. E três crianças que a vão pisando estremecem de frio a cada passo que dão. São os únicos caminhantes a esta hora da tarde. Caminham caladas e pensativas. Seus rostos magros e sujos têm uma cor arroxeada devido à aragem que lhes bate em cheio. Vestem trajes iguais: rotos, sujos, esfarrapados. E com os bracitos metidos nas calças remendadas, elas instintivamente encostam os corpos, ombro com ombro, braço com braço, anca com anca para se aquecerem...
De repente, Janica, o mais velho dos três, interrogou os companheiros:
-E se nós fugíssem's?
Chico e Balé olharam-no surpresos; e este último, com os olhitos a brilharem de alegria, gritou:
-Vames brincar... pr'áquecer? O Chico concordou.
-Vames, tou chei de frio.
Mas Janica continuava calado. Chico e Balé olharam um para o outro. Estranharam o amigo.
-Antão não queres fugir... pr'áquecer? - indagaram quase timidamente.
Janica olhou para eles fixamente; e com uma voz sonhadora murmurou quase para consigo:
-Fugir d'Olhão... fugir d'Olhão...
Os dois ficaram boquiabertos. «Aquele Janica tinha cada uma!»
-Fugir d'Olhão... pr'á donde? - exclamaram em coro.
-P'ra Marroc's.
Engoliram em seco. Abriram os olhos desmesuradamente. Gaguejaram.
-O... o... quê?
Janica continuava a fitá-los.
-Fugíamos numa lancha, de noite, sem ninguém nos ver e sem dizer nada a ninguém. Foi o que o meu irmão Lita fez há anos com mais três. Eu sei mexer numa vela.
-Eu tamém! Eu tamém sei! - exclamou o Chico já entusiasmado mas ainda receoso. - E... o teu irmão Lita... chegou lá?
-Antão não haverá de chegar? No verão mandou ele uma carta com dinheir'. A minha mãe diz que foi cem 'scudos.
O Balé mal podia falar.
-Mas... mas... Marroc's... fica muito longe...
-Qual quê! Numa noite chegávamos lá! - gritou-lhe o Janica. O Chico pôs-se a sonhar em voz alta:
-Não dizíamos nada a ninguém e fugíames numa noite de lua...
-Eu já vi Marroc's no cenima - acrescentou.
-Eu tamém. Eu tamém já vi! - confirmou o Balé já contagiado pelo entusiasmo dos amigos. - O Sabu era o rapaz.
Mas Janica mudou de conversa.
-Iames para uma casa muito grande, feita d'ouro e com quinhentos criad's para nos servir - sorriu velhacamente. - E cada um de nós tinha cinquenta mulheres...
O Balé admirou-se. «Pois já não tinham quinhentos criados?»
-Pa quê as mulheres? - interrogou.
O Chico soltou uma gargalhada e o Janica imitou-o. Começaram a rir perdidamente. As lágrimas saltavam-lhes dos olhos.
-Ora para quê! Ora para quê! Balé amuou.
-De qué que vocês se riem? De qué?
Mas não lhe podiam responder. Estavam sufocados de riso. E Balé pôs-se a tremer os lábios. Estava prestes a chorar quando compreendeu tudo. E, já sorridente, olhou para eles e desculpou-se:
-Eu disse aquil' a brincar... Pensam que eu não sei?... - E pôs-se também a rir, com os seus belos olhitos negros a brilharem de malícia...
Um bando de pardais sobressaltou-se ao ouvir aquela barulheira e atravessou a estrada, amedrontado. A aragem desapareceu por momentos dando um breve descanso às nuvens que ia empurrando. A estrada continuava deserta e fria. O riso aquecera-os. Mas pusera-os novamente silenciosos. Foi Chico quem cortou esse silêncio quase inexplicável.
-Janica! E o qué que comíames?
O amigo olhou-o surpreendido. «E ele que nunca se lembrara daqui-lo!» Mas não se deu por achado. Com a sua voz meiga que tanto encantava Balé começou a improvisar:
-O qué que comíames? Ora o que haverá de ser! Bifes... pão com manteiga... ov's com açucre... bolos... bananas... tabletes... rebuçados...
Balé escancarara a boca num «ah» de espanto e assim a conservava dando a impressão de que estava à espera de que qualquer daquelas iguarias entrasse por ela... Chico quase que revirava os olhos a cada palavra que o amigo ia proferindo...
Mas Janica era o que sofria mais. O seu estômago há quase dois dias que não sabia o que era comida. Em casa nem uma côdea havia. O pai não ia ao mar; estava-se no inverno, era tudo. A mãe doente, toda inchada. A única solução para não morrer de fome era pedir... ou roubar. Assim juntara-se ao Chico e ao Balé, seus vizinhos e seus companheiros de brincadeiras. Pediam de porta em porta quase todos os dias. E roubavam de vez em quando.
Janica sentia o estômago contrair-se violentamente a cada palavra que ia proferindo:
-... queije... melancias... melões... peras grandes...
-Ê gosto mais d'uvas! - atalhou o Balé, que novamente ficou de boca aberta à espera de mais...
-... bifes... não, bifes já disse... maçãs... e...
Olharam ansiosos para o amigo. Este estava bastante pálido.
-E... que mais? - murmuraram.
-E laranjas.
Como se tivessem apanhado um choque os dois deram um pulo.
-Oh, já nem me lembrava disse! - exclamou o Balé.
-Parece-me que já passámes do siti' - murmurou o Chico olhando atentamente para todos os lados. Pararam. Janica apontou para uma árvore:
-É ali. Vames.
Retrocederam. Junto duma enorme alfarrobeira enveredaram por um caminho estreito, cheio de covas, que um muro branco ladeava. O muro era velho e débil. Devido talvez à chuva e a ventos fortes desmoronara-se e abrira-se em vários pontos.
Janica, apontando para uma brecha larga do muro, avisou-os:
-Vames por aqui - pôs-se sério. - É só apanhar, ouviram? Comemes depois.
Entraram sem dificuldades no pomar. E ficaram atónitos com o que viram.
-Ih, tanta laranja! - murmurou o Balé embasbacado. Realmente o espectáculo era surpreendente: umas três ou quatro dezenas de laranjeiras carregadas de frutos maduros e apetitosos ali estavam a dois passos das crianças a tentá-las, a desafiá-las.
-Depressa! - exclamou o Chico olhando atentamente em redor. Não avistou ninguém. Nem um cão. Com os braços estendidos e mãos abertas correram para as árvores. Puxaram pelos ramos mais baixos. E uma boa dúzia de laranjas caiu no chão. Abaixaram-se. E começaram rapidamente a apanhá-las…
Mas Balé não resistiu à tentação. Assim que apanhou uma, cravou os dentes nela e começou a chupá-la sofregamente. Janica ainda resmungou, mas com a pressa de encher os bolsos e a blusa de laranjas, não lhe disse nada. Chico nem reparou no que Balé fizera...
-Eh! o que fazem vocês aí? - a voz era ameaçadora e imperiosa. E soou perto deles. Ficaram petrificados. Quiseram fugir mas as pernas não lhes obedeceram. O pânico apoderou-se deles. O homem aproximou-se. Era baixo e gordo. Os seus olhos faiscavam de ira. Trazia numa mão uma vara grande e flexível.
-O que fazem vocês aí? - repetiu com mais força.
As crianças levantaram-se a tremer e olharam para ele timidamente. Maquinalmente atiraram as laranjas escondidas para o chão. Somente Balé ficou com a laranja meia-sorvida na mão. Olharam para a vara. E mais aterrorizados ficaram.
-Porque não ficam com elas? Porquê? - a voz agora era sarcástica e dura.
-Diz tu! - a vara poisou docemente na cabeça do Chico. Este estremeceu de pavor.
-Não respondes? - a vara foi subindo lentamente. O Janica e o Balé, com os olhos fitos nela, pareciam hipnotizados.
-Não respondes? - a vara caiu secamente, com bastante força. Chico soltou um grito lancinante e lançou as mãos à cabeça. A vara descreveu uma curva e com mais força ainda dirigiu-se para Janica. Bateu-lhe no ombro. Janica soltou um gemido e cambaleou atordoado.
-E tu, queres ficar com a laranja? Pois fica! - a vara bateu brutalmente na mão de Balé. A laranja caiu. Balé soltou um grito.
Mas não apanharam mais varadas. Como se tivessem previamente combinado, gritaram «filho da puta!» e fugiram. Como balas enfiaram pela brecha e com uma velocidade incrível desapareceram pela estrada fora.
O homem perseguiu-os até à estrada principal. Mas desistiu. Estava satisfeito: aqueles canalhas, aqueles vadios nunca mais pensariam em roubar. Que bela lição! Acariciou amorosamente a vara e foi apanhar as laranjas...
Só pararam à entrada da vila. Completamente exaustos. Sentaram--se na berma da estrada. O frio, agora, apertava mais. O sol, no ocaso, ia desaparecendo lentamente na linha do horizonte. Um grupo de trabalhadores vinha passando. Olharam para as crianças e riram. Uma velhota, na garupa de um burrico, gritou-lhes:
-É bem feito, seus gatunos! Com certeza que foram roubar alguma horta e foram apanhados... Tão pequenos e já gatunos... Nossa Senhora me livre deles!
Os trabalhadores riram-se ainda mais. O Chico tinha um durão imenso na cabeça. Doía-lhe horrivelmente. Chorava baixinho, com a cabeça entalada nos joelhos e as mãos em concha enfiadas nos cabelos. O seu corpo ainda tremia.
Janica olhava para a pele arroxeada do seu ombro ferido. Nem podia tocar ao de leve. As dores eram insuportáveis. Mas, num esforço sobre-humano, reprimia as lágrimas e os soluços. Apenas gemia.
Balé chorava desabaladamente. A sua mão estava inchadíssima e cheia de sangue. Agora doía-lhe menos mas ele nem reparava nisso. Chorava porque lhe tinham batido a ele e aos seus companheiros. Chorava de raiva.
Mas de repente Janica começou a soluçar alto enquanto que as lágrimas lhe corriam livremente pelo rosto. Não pudera suportar mais. Estava completamente esgotado. Tanto física como moralmente.
Balé olhou-o, surpreso. Nunca vira Janica chorar assim. A não ser... naquela mesma tarde quando... Sentiu um frio desconhecido percorrer--lhe o corpo. Parou de chorar. Seus olhitos negros brilharam cheios de ternura. E, aproximando-se do seu companheiro, encostou-se a ele e abraçou-o apertadamente com o braço ileso. E, com uma voz meiga e suave, murmurou ao ouvido do amigo:
-Nã chores, Janica. Olha! As laranjas eram azedas. - E apertando mais Janica, continuou quase num murmúrio: - Lá em Marroc's é qu'elas são boas. Nã é verdade, Janica? Muito boas.

Pomarańcze i tak były kwaśne

Dwie ogromne białe chmury o kapryśnym kształcie biegną powoli po niebie. Zimny wiaterek spycha je na południe, nad morze. Słońce, w niebiańskim uniesieniu, kontempluje je niewzruszone i roześmiane. Ono również jest zimne.
Jest zima. Sroga i cudowna, pola pełne kwitnących migdałowców wyglądających bajkowo i nieziemsko.
Droga jest zamarznięta. I trójka dzieci, która po niej stąpa trzęsie się z zimna przy każdym kroku. Są jedynymi, którzy przechadzają się tą popołudniową porą. Milczący i zadumani. Wychudłe i brudne buzie smagane przez wiatr mają zsiniały kolor. Chłopcy mają podobne ubrania: porwane, brudne i obszarpane. Ich ramionka włożone w porwane spodnie instynktownie łączą ciało z ciałem, bark z barkiem, ramię z ramieniem, biodro z biodrem, aby się ogrzać …
Nagle Janica, najstarszy z trzech, zapytał kolegów:
- A gdybyśmy tak uciekli?
Chico i Balé spojrzeli na niego ze zdziwieniem. Balé, z wesoło iskrzącymi oczami krzyknął:
- Pobawimy się, coby nie było nam zimno.
Chico zgodził się.
- To chodźmy, bo jest mi bardzo zimno.
Ale Janica cały czas milczał. Chico i Balé spojrzeli jeden na drugiego. Zdziwiło to ich kolegę.
- To co, nie chcesz uciekać … coby było nam cieplej?
Dopytywali niemal nieśmiało. Janica spoglądał na nich przez dłuższą chwilę i marzycielskim głosem wyszeptał, prawie że do siebie:
- Uciec z Olhão … uciec z Olhão.
Dwaj chłopcy oniemieli: „Ten Janica to zawsze ma jakieś pomysły.”
- Uciec z Olhão, ale dokąd? -wykrzyknęli jednym głosem.
- Do Maroka.
Przełknęli ślinę. Otworzyli szeroko oczy. Zaczęli się jąkać.
-  C…c…co?
Janica wciąż się na nich gapił.
-Ucieklibyśmy na łódce, w nocy, nikt by nas nie zobaczył i nikomu byśmy nie powiedzieli. Mój brat Lita zrobił to kilka lat temu z trójką znajomych. Umiem sterować żaglem.
- Ja też! Ja też umiem! – krzyknął rozentuzjazmowany lecz nadal bojaźliwy Chica. – I… Twój brat Lita… dotarł tam?
-No czemu niby miał nie dotrzeć? Latem wysłał list z pieniędzmi. Mama mówi, że było tam 100 eskudów[1].
Balé ledwo mógł mówić.
- Ale… ale… Maroko….to bardzo daleko…
- No co Ty! W jedną noc byśmy tam dotarli! –Krzyknął Janica.
Chico rozmarzył się.
- Nikomu byśmy nic nie powiedzieli i ucieklibyśmy podczas pełni…
- Ja już widziałem Maroko w kinie- dodał.
- Ja też! Ja też już wiedziałem!- potwierdził Balé już zarażony entuzjazmem przyjaciół – Sabu był bohaterem.
Janica zmienił temat.
- Mielibyśmy wielki dom zrobiony ze złota i 500 sług, którzy by nas obsługiwali –uśmiechnął się łobuzersko. – I każdy z nas miałby 50 kobiet…
Balé zdziwił się.
- Po co nam kobiety skoro mielibyśmy 500 sług? –zapytał.
Chico wybuchł śmiechem a Janica zaraz po nim. Zaczęli się śmiać do rozpuku. Łzy ciekły im z oczu.
- Jak to po co?! Jak to po co?!
Balé się rozgniewał.
- Z czego się śmiejecie? Z czego?
Ale nie mogli mu odpowiedzieć. Zachodzili się od śmiechu. Balé zaczęła trząść się bródka. Gotowy był już płakać kiedy wszystko zrozumiał. Już uśmiechnięty, spojrzał na nich i usprawiedliwił się:
- Żartowałem... Myślicie, że nie wiem? I też zaczął się śmiać swoimi pięknymi czarnymi oczkami, które błyszczały ze złości.
Stado wróbli zerwało się słysząc ten hałas i przestraszone przeleciały na drugą stronę drogi. Wiatr ustał na chwilę, dając krótki odpoczynek snującym się chmurom. Droga nadal była zimna i pusta.
Śmiech ich ogrzał. Lecz sprawił, że znowu zamilkli.
To Chico był tym, który przerwał tę prawie niewytłumaczalną ciszę.
-Janica! Co mięlibyśmy zjeść?
Kolega spojrzał na niego zaskoczony. Akurat nad tym nigdy się nie zastanawiał. Jednak nie dał się zaskoczyć. Swoim delikatnym głosem, który tak bardzo uwielbiał Balé zaczął improwizować:
-Co byśmy zjedli? No ba...! Stek..., chleb z masłem..., jajka z cukrem..., ciastka...,banany...,czekoladę, cukierki...
Balé otworzył buzię ze zdumienia i tak pozostał sprawiając wrażenie jakby czekał, aż któryś z tych smakołyków przez nią wejdzie.
Chico przewracał oczami przy każdym słowie, które wypowiadał kolega.
Ale Janica był tym, który cierpiał najbardziej. Jego żołądek prawie od dwóch dni nie wiedział co znaczy jedzenie albo nie widział nic do jedzenia. W domu nie było nawet skórki. Tata nie wyruszał w morze. Była zima. To było wszystko.
Mama chora, cała spuchnięta.
Jedynym wyjściem, aby nie umrzeć z głodu było żebranie... albo kradzież.
W ten sposób dołączył do Chico i Balé, jego sąsiadów i kolegów z podwórka.
Prawie każdego dnia chodzili od drzwi do drzwi.
I kradli od czasu do czasu.
Janica czuł jak żołądek mu się gwałtownie skurczał z każdym słowem, które miał wymówić:
- … ser… arbuzy…melony… duże gruszki…
- Ja najbardziej lubię winogrona!- wtrącił Balé, który ponownie otworzył buzię czekając na więcej…
- …steki… nie, steki już wymieniłem… jabłka… i…
Spojrzeli zniecierpliwieni na kolegę. Był dość blady.
- I… co jeszcze? – wymamrotali.
- I pomarańcze.
Obaj podskoczyli jak porażeni prądem.
- Och, już o nich zapomniałem! – wykrzyknął Balé.
- Wydaje mi się, że już minęliśmy to miejsce. – wymamrotał Chico, rozglądając się uważnie.
Zatrzymali się. Janica wskazał drzewo.
- To tam. Chodźmy.
Zawrócili. Przy wielkim szarańczynie strąkowym[2] skierowali się w stronę ścieżki pełnej dziur. Wzdłuż ścieżki znajdował się biały mur.
Mur był stary i kruchy. Być może przez deszcz i silne wiatry rozpadł się i otworzył w niektórych miejscach.
Janica, wskazując na szeroką szparę w murze, poinformował ich:
- Idziemy tędy – zrobił się poważny. – Tylko zbieramy, słyszeliście? Zjemy później.
Bez problemu weszli do sadu. Zaniemówili na widok tego co zobaczyli.
- Aaa, tyle pomarańczy! – wymamrotał zamurowany Balé.
Rzeczywiście widok  był zaskakujący: jakieś trzydzieści lub czterdzieści drzew przepełnionych dojrzałymi i przepysznymi owocami. Znajdowały się dwa kroki od dzieci, kusząc i prowokując je.
- Szybko! – krzyknął Chico rozglądając się uważnie wokół. Nie ujrzał nikogo. Nawet psa.
Z wyciągniętymi rękami i otwartymi dłoniami pobiegli do drzew. Ciągnęli najniższe gałęzie. Z tuzin pomarańczy spadł na ziemię. Opadli i zaczęli je szybko zbierać…
Ale Balé nie mógł oprzeć się pokusie. Tak więc chwycił jedną, wbił w nią zęby i zaczął ssać łapczywie.
Janica chciał go jeszcze upomnieć, ale tak się spieszył wypełniając kieszenie i bluzę pomarańczami, że nic mu nie powiedział.
Chico nawet nie zauważył co robi Balé.
-Ej! Co wy tam robicie? Głos był groźny  i władczy.  Zabrzmiał blisko.
Zamurowało ich. Chcieli uciec, ale nogi odmówiły im posłuszeństwa. Zawładnęła nimi panika.
Mężczyzna zbliżył się. Był niski i gruby. Jego oczy iskrzyły ze złości. W dłoni trzymał wielki i giętki kij.
- Co tam robicie? Powtórzył głośniej.
Dzieci podniosły się drżąco i popatrzyły na niego nieśmiało.
Odruchowo wyrzucili na ziemię schowane pomarańcze na ziemię. Tylko Balé pozostał z na wpół zjedzoną pomarańczą w dłoni.
Spojrzeli na kij.                                                        
Stali się jeszcze bardziej przerażeni.
Dlaczego ich sobie nie zatrzymacie? Dlaczego? - głos stał się bardziej sarkastyczny i srogi.
Mów ty! Położył delikatnie kij na głowie Chico. Ten, zadrżał ze strachu.
-Nie odpowiesz? Kij powoli zaczął się unosić. Janica i Balé wpatrzeni w niego wydawali się zahipnotyzowani.
-Nie odpowiesz? Kij opadł oschle z dość dużą siłą. Chico przeraźliwie krzyknął z bólu i złapał się za głowę. Znowu uniósł kij i jeszcze z większą siłą skierował go na Janike. Uderzył go w bark. Janica jęknął z bólu i zachwiał się ogłuszony.
-I ty, chcesz wziąć pomarańczę? Weź sobie! Kij brutalnie uderzył rękę Balé. Pomarańcza upadła. Balé krzyknął. Ale nie dostało im się więcej i, jakby się wcześniej umówili krzyknęli: skurwysyn! I uciekli. Zniknęli daleko w drodze niczym pociski wbite w szczelinę muru.
Mężczyzna gonił ich aż do głównej drogi. W końcu zrezygnował. Był usatysfakcjonowany: te kanalie, ci leserzy już nigdy więcej nie pomyślą o kradzieży.
Świetna nauczka! Pogłaskał czule kij i poszedł zebrać pomarańcze…
Zatrzymali się dopiero przy wjeździe do miasta. Kompletnie wyczerpani. Usiedli na poboczu drogi. Teraz zimno doskwierało im jeszcze bardziej. Zachodzące słońce powoli znikało za horyzontem.
Przechodziła grupa pracowników. Spojrzeli na dzieciaki i zaśmiali się. Staruszka, na grzbiecie osła, krzyknęła do nich:
-I dobrze im tak, tym złodziejaszkom! Na pewno poszli kraść w jednym z sadów i zostali przyłapani… Tacy mali i już złodzieje…. Panienko przenajświętsza, uchowaj nas od takich!
Robotnicy śmiali się jeszcze bardziej.
Chico miał ogromnego guza na głowie. Okropnie go bolało. Płakał po cichutku, z głową między kolanami i dłońmi wetkniętymi we włosy. Jego ciało jeszcze drżało.
Janica spoglądał na zasiniałą skórę zranionego ramienia. Nawet nie mógł go dotykać. Ból był nie do zniesienia. Jednak w ponadludzkim wysiłku powstrzymywał łzy i szlochanie. Jedynie pojękiwał.
Balé płakał potwornie. Jego ręka była bardzo spuchnięta i cała zakrwawiona. Teraz mniej go bolało, ale on nawet tego nie zauważał. Płakał, ponieważ zbili go i jego kolegów. Płakał z wściekłości.
Ale, nagle Janica zaczął głośno szlochać, podczas gdy łzy płynęły mu wolno po twarzy. Już nie mógł więcej znieść. Był kompletnie wycieńczony. Zarówno fizycznie jak i moralnie.
Balé spojrzał na niego zdziwiony. Nigdy nie widział tak płaczącego Janica. Chyba że … tamtego popołudnia, gdy … Poczuł dziwny chłód przeszywający jego ciało. Przestał płakać. Jego czarne oczka przepełniły się czułością. I zbliżywszy się do swojego kolegi, oparł się o niego i przytulił go mocno zdrowym ramieniem. I cichym i delikatnym głosem szepnął do ucha kolegi:
-Nie płacz Janica. Zobacz! Pomarańcze i tak były kwaśne. – I ściskając jeszcze bardziej Janica, kontynuował szepcząc: - Tam, w Maroku, tam to dopiero są słodkie. No nie, Janica? Bardzo słodkie.

 Tradução/ Tłumaczenie: Barbara Kęsik-Kowalik, Kinga Starczyk e Karolina Kozak

http://revistaaguavai.blogspot.com/2014/08/ate-amanha-meu-filho-de-antonio-macheira.html






[1] Dawna waluta Portugalii.
[2] Alfarrobeira- typowe drzewo w południowej Portugalii.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Uma dominicana-ucraniana que mora na Polónia porque quer estudar espanhol e português

Caros leitores, neste artigo eu queria contar-lhes um pouco sobre mim. Eu sei que não há muitas pessoas que gostem de ler autobiografias de pessoas não famosas, mas eu penso que vocês (os leitores que têm a vida parecida à minha) vão ler e pensar em vocês próprios.
Chamo-me Elina Valentina Toyos Kozub. Sim, tenho dois nomes e dois sobrenomes, sobre isso vou falar-lhes um pouco mais tarde. Eu nasci a 3 de setembro de 1998 em Santo Domingo, que é a capital da República Dominicana. Sou estudante do 2º ano na universidade Maria Curie Skłodowska em Lublin, Polónia. O meu pai, Cotubanama Andres Toyos Grillo é espanhol e agora mora na Republica Dominicana, é professor de biofísica na universidade UNIREMHOS (Universidade Eugenio Mari de Hostos) e a minha mãe, Elina Anatolievna de Toyos mora na Ucrânia e é professora de bioquímica, mas agora ela trabalha como professora de espanhol e inglês com crianças pequenas. Tenho um irmão mais velho, Andres Anatolii, que vive na Polónia com a sua mulher Valentina que é moldava. Eles trabalham na IBM. Têm um filho de quatro anos e uma filha de nove meses. A minha família é internacional, se vocês se interessaram pelos nossos nomes pois a minha avó é Valentina, a mulher do meu irmão é Valentina e eu também sou Valentina, o meu avô é Anatolii e o meu irmão também é Anatolii, é um pouco divertido, mas em geral na República Dominicana há uma tradição que os filhas têm de ter o primeiro nome da mãe e o segundo da avó, e se é um filho, o primeiro nome é o do pai e o segundo é do avô, e sobre os sobrenomes, o primeiro é do pai e o segundo é da mãe. Espero que vocês tenham compreendido.
Eu nasci e morei na República Dominicana. No princípio durante três anos eu andei no jardim-de-infância, depois fui com a minha mãe para Ucrânia, Ialta, Crimeia, ali terminei o jardim da infância e fui para a escola primária, também aprendia piano na escola de música e dançava ballet, mas eu não terminei o 3º ano e voltei para a República Dominicana. Ali eu fui para a escola sem lembrar-me do espanhol, mais tudo correu muito bem, eu conheci muitas pessoas, o meu tio dava-me aulas de piano e eu passei a andar na escola de dança´´Alina Abreo´´. Não foi só ballet mas também jazz, hip-hop e flamenco. Fiz natação, eu gosto muito de água, mas tenho sempre medo de afogar-me. Participei em muitas competições e ganhei muitos prémios. 

Depois de quatro anos voltei para Ialta outra vez. Frequentei a mesma escola com os meus amigos, voltei para as danças mas já não fiz natação, porque não tinha tempo. Estudei até ao 10º ano e não terminei a escola secundária em Ialta porque houve um problema com a Rússia, eu penso que todos sabem do que estou a falar. Não quis ficar lá e por isso fui com a minha mãe para Poltava (é uma cidade no centro da Ucrânia). Outra escola, outros amigos, outra vida. Foi um pouco difícil porque já tinha de estudar numa escola ucraniana e tudo foi em ucraniano. Conclui o secundário e tinha de pensar em alguma universidade para continuar a estudar. Eu não quis esquecer a minha língua materna (espanhol) e pensei em estudar filologia. Gosto muito de estudar línguas diferentes, falo sete línguas: ucraniano, russo, polaco, espanhol, português, inglês e um pouco de francês. Decidi estudar filologia ibérica mas infelizmente na Ucrânia não há este curso e decidi estudar na Polónia. Agora estou aqui em Lublin, o meu irmão mora em Wroclaw, estamos a 8 horas de comboio, não é assim tão longe;) Como já disse, estudo na UMCS e tenho amigos muitos bons e professores estupendos aqui. Eu estou muito contente de ter tomado esta decisão, mas a verdade é que eu sou a mais nova de todos e somos como uma família pequena e eu gosto imenso disso.


Por agora isto é tudo. Eu espero que vocês não tenham tido uma vida tão complicada como eu. Mas não posso dizer que foi muito complicada, foi muito interessante, conheci tanta gente, culturas e tradições diferentes, gostei imenso disso. Não estou no meu país há 9 anos e tenho muitas saudades da minha família e dos meus amigos, mas agora eu tenho muitos amigos que são a minha família também. Eu percebi uma coisa, temos de viver o dia de hoje não sabemos o que nos acontecerá amanhã e temos de desfrutar cada segundo com a nossa família e amigos.
Elina Toyos
2º ano de Filologia Ibérica

domingo, 26 de março de 2017

Lublin é fixe!!!


Cada cidade é diferente e cada uma tem o seu charme específico que não se pode comparar com nenhuma outra coisa. A história, arquitetura, gastronomia, cultura e a gente são os elementos fundamentais que formam o ambiente característico de cada lugar. Lisboa tem os seus pastéis de Belém, fado, cafés, azulejos ou o famoso elétrico amarelo 28 de Lisboa mas quais são os atributos especiais de Lublin?
Situada no leste do país é certamente um ponto no mapa da Polónia que vale a pena visitar. Lublin é conhecida, tal como Roma, como a cidade das 7 colinas. É muito curioso porque o mesmo se diz sobre Lisboa que, segundo uma lenda, foi fundada numa povoação rodeada de sete colinas.
Vás aonde fores, convencer-te-ás que é verdade. Uma das colinas mais interessantes em Lublin é por exemplo aquela onde se encontra o castelo – o edifício mais famoso e o símbolo da cidade. Além disso, convém mencionar outra colina que se chama Czwartek (quinta-feira). Diz-se que é o lugar mais antigo da cidade onde tudo começou. Investigações arqueológicas mostram que este lugar já era habitado no século VI.
Qualquer pessoa observará rapidamente que um elemento inseparável da sociedade local são os alunos. Lublin é também chamada de cidade dos estudantes (em particular trata-se dos estudantes universitários) e não há nada errado nesta frase. Tendo em consideração os habitantes, o número dos jovens que realizam os seus estudos aqui é impressionante. As cinco universidades atraem não só as pessoas de diversas partes da Polónia mas também muitos estrangeiros. Portanto, é possível ouvir cada vez mais outros idiomas nas ruas o que só confirma a multiculturalidade. Ademais, no último ano Lublin encontrou-se na lista das dez melhores cidades para estudar na Europa (segundo www.collegemagazine.com) e foi a única cidade polaca neste ranking.
Quando se fala sobre Lublin é obrigatório mencionar o cebularz, uma especialidade regional que se destaca na culinária da nossa cidade. É um tipo de pão coberto de cebola, ingrediente crucial. Tem uma forma redonda, semelhante à pizza e é feito de farinha de trigo. Mesmo que pareça bastante inocente, é um dos 37 produtos protegidos pela União Europeia, além disso em 2007 foi inscrito na lista dos produtos tradicionais. O cebularz descende da gastronomia judaica. Os judeus que moravam em Lublin foram os primeiros que começaram a cozê-lo no forno no século XIX e disseminaram-no pelos arredores. Não é difícil comprá-lo porque se encontra em cada padaria. Por isso, se planearem uma viagem a Lublin, não se esqueçam de degustá-lo!
Sem sombra de dúvida Lublin tem muito para oferecer quanto à cultura. No verão Lublin torna-se a capital dos festivais, concertos e diversos eventos culturais. Na minha opinião os mais interessantes são três: „Carnaval Sztukmistrzów”, „Noc Kultury” e „Jarmark Jagielloński”.
Durante a Noite da Cultura é possível entrar gratuitamente em muitas instituições culturais e assistir a eventos preparados especialmente para esta ocasião. Cada ano os organizadores surpreendam o público com as ideias originais. É uma noite especial, cheia de cores, decorações, ruas adornadas e muitas atrações. Tudo parece como se fosse a cena de um filme. Similarmente funciona o Carnaval Sztukmistrzów durante o qual o centro histórico se transforma num palco para artistas de circo e teatro. O Jarmak Jagielloński é uma feira que constitui uma boa oportunidade para adquirir e admirar o artesanato e antiguidades com alma.
Estas são apenas algumas das coisas que Lublin oferece. A verdade é que esta cidade mantém muito mais segredos. Estão todos aqui para que um dia os descubras.


Agnieszka Rozwałka
3º ano de Filologia Ibérica

terça-feira, 7 de março de 2017

Onde bate o coração do antigo império português?


No passado dia 6 de março, Agata Błoch proferiu a primeira palestra do ciclo "VIAGENS NA MINHA TERRA". Conduzindo a palestra Onde bate o coração do antigo império português? de uma forma informal (esta iniciativa assim pretende ser sempre) Agata Błoch deu especial relevo ao legado linguístico português e ao intercâmbios culturais entre os diversos países que fizeram parte ou interagiram com o império colonial português. Apresentou um Brasil diferente e que foge ao estereótipo praia, samba e futebol. Para finalizar falou da sua experiência de trabalho com a Televisão Polaca na cobertura das Olimpíadas do Rio, mostrando os bastidores deste acontecimento desportivo.
Agata Błoch está a fazer o doutoramento no Instituto de História da Academia Polaca de Ciências. É bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian fazendo a sua investigação no Centro de História d’Aquém e d’Além-Mar (CHAM) da Universidade Nova de Lisboa. Na sua pesquisa sobre a identidade colonial portuguesa tenta recriar as primeiras redes sociais modernas entre as colónias portuguesas do Atlântico, e de compreender o papel desempenhado pelos escravos, índios, degradados e prisioneiros, entre outros na criação da rede imperial.
O que é o ciclo "VIAGENS NA MINHA TERRA"?
É uma iniciativa do CLP/C iniciada em 2017 cujo objetivo é divulgar a língua e a cultura dos países de língua portuguesa mas também educar para a cidadania. As pessoas convidadas, polacos que residam ou tenham residido em países de língua portuguesa e cidadãos naturais de países lusófonos que residam ou tenham residido na Polónia, apresentam de uma forma informal a sua cultura e a do país que os acolheu através do relato das suas experiências como estrangeiros.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

A maldade das crianças

Fonte da imagem: http://livrespensadores.net/wp-content/uploads/2012/04/bullying.jpg


          Todos, pensando nas crianças, temos uma imagem das criaturas fofas e inocentes. Nada mais errado! Estes monstros podem deixar marcas para toda a nossa vida.
Na escola primária quase toda a minha turma ria-se de um colega que tem um pequeno atraso mental e chamavam-lhe “pinguim” porque andava desta forma. Tudo que ele fazia era criticado e os rapazes frequentemente empurravam ou batiam-no, mas ele nunca se defendeu porque não sabia como. Ele não merecia este tratamento, era o rapaz muito modesto, bem-educado e de grande coração. O problema nunca desapareceu. Mesmo na escola secundária, quando já estava numa outra turma, todos se riam dele. Com o passar dos anos algo mudou no seu comportamento, tornou-se mais agressivo e chegou ao ápice da sua agressividade na universidade. Lá, outra vez, todos se riam dele e ele não aguentou. Fez uma lista com os nomes dos que se riam e disse que tinha uma faca e ia matá-los um por um. Uma das “escolhidas” chamou a polícia e o “Pinguim” foi internado num hospital psiquiátrico.
Quando andava no primeiro ano da escola primária já sabia ler perfeitamente e adorava fazê-lo. Uma vez, durante as aulas, a nossa professora fez um concurso de leitura e escolheu três pessoas como participantes. O júri era o resto da turma e tinham duas placas: vermelha e verde. Se gostassem da leitura tinham de levantar a placa verde, se não, a vermelha. Eu li o texto todo sem hesitação e quando terminei a professora disse que li muito bem, mas deveria reparar nas vírgulas, pontos, exclamações etc. (nunca fui muito expressiva...) E o que fizeram os meus queridos colegas? Depois de ouvir o que ela disse TODOS levantaram a placa vermelha, estúpidos traidores. Eles, que apenas sabiam aglutinar cinco letras numa mesma palavra, acharam que eu não tinha lido bem. Fiquei dececionada e triste. A professora não concordou com eles e declarou-me a vencedora do concurso porque ninguém tinha lido melhor do que eu. Substituiu todas as placas vermelhas por verdes. Ganhei, ótimo, mas naquele dia terminou a minha paixão pela leitura, agora detesto ler. Claro, agora não me preocuparia tanto, provavelmente gozaria com eles, porque eram eles que não sabiam ler. Naquele tempo era muito sensível e este acontecimento deixou a marca na minha vida.
Normalmente a nossa autoestima vêm da nossa infância, há muitas pessoas que na escola foram perseguidas e sentem medo de ser o objeto das brincadeiras. Conheço muitas pessoas que tiveram as asas cortadas, não só pelos colegas mas também pelos pais. Se uma criança quer experimentar alguma coisa, por exemplo dançar ou cantar, porque alguns pais não permitem fazê-lo? Os meus ajudaram-me a cumprir os meus caprichos e inscreveram-me nas aulas de dança, natação, vários deportos ou até jornalismo mas não deu em nada, nasci como uma malandra e assim vou ficar, mesmo assim agradeço o esforço deles. Outras pessoas não tiveram tanta sorte, têm algum talento mas têm medo de revelá-lo porque alguém na infância lhes disse: “não é para ti, não és capaz de fazê-lo”.
Tudo depende dos pais, são eles que têm de criar os filhos para que sejam boas pessoas. Se todos fossem bem-educados não existiam os maus-tratos nas escolas. É preciso ensinar as crianças que todas as pessoas merecem o nosso respeito e que, às vezes, as brincadeiras inocentes podem ter influência para toda a vida. E também os pais deviam tomar em conta o que dizem para não magoar os seus filhos.
 Kinga Starczyk
3º ano de Estudos Portugueses