sexta-feira, 20 de abril de 2012

O encanto da primavera na Polónia


Há poucos dias começou a primavera, uma estação cheia de vida e alegria. Com a chegada da primavera voltam à vida ativa muitos representantes da fauna e flora local, adormecidos durante o inverno, que fazem as delícias dos demais habitantes deste harmonioso ecossistema do qual podemos desfrutar no nosso belo país. Vamos passar em revista estes filhos de... a nossa pátria, cuja constante companhia não nos vai permitir esquecermo-nos da nossa nacionalidade e do mundo em que vivemos.
  Um dos grupos de espécies mais notáveis do nosso ecosistema é a família dos Hooligani,  com o Hooliganus Predius como representante mais conhecido. Este animal mostra um grande interesse pelas atividades físicas e a roupa associada com o tema. Uma das funções deste grupo no ecossistema é a deteção dos problemas dos outros habitantes, coisa que fazem com muita eficácia de noite e com benefício bilateral, pois muitas vezes cobram pelo serviço. O Hooliganus Brutalis costuma adicionar uma massagem para relaxar os clientes, com ocasionais serviços de cirurgia plástica e, raramente, pré-funerários. Outro proveito que temos da parte desta família é a defesa de cidades inimigas. Qualquer descarado que quisesse visitar a sua família ou vir com qualquer outra escura intenção num carro matriculado noutra cidade pode esperar consequências. Especialmente nos dias próximos a um jogo de futebol.
  A espécie seguinte são os meninos bem (Meninus Bonus). Podemos encontrar os representantes desta espécie nas discotecas caras. Às vezes topam na rua com manifestações ou outras situações de caráter político e ideológico. Nestes casos ficam perplexos e detêm-se para tentar imaginar como é ter ideias. Passam algum tempo a discernir as razões da inexplicável pobreza no mundo e geralmente chegam a conclusões similares: é o orgulho o que não permite às pessoas pobres pedir dinheiro aos seus pais. A pele deles é especialmente frágil e só tolera roupinhas de marca. Ambos os sexos perderam as suas glândulas cutâneas, e por isso precisam de produtos especializados para lubrificar ou dar forma ao seu cabelo. As fêmeas nascem com os pés deformados e têm de usar sapatos ortopédicos, mas ainda assim não conseguem caminhar corretamente por terrenos acidentados. Apesar da sua resistência natural ao frio, não todas sobrevivem ao inverno, devido à incapacidade de cobrir as costas com roupa por causa de um grupo de ligações neurónicas defeituosas exclusivo de esta espécie. A carência de glândulas cutâneas obriga aos representantes deste grupo a usar perfumes especiais que funcionam como atrativos para outros indivíduos de características similares. Também cumprem uma função oposta no contacto com espécies estranhas.
  A última espécie desta digressão pela fauna local é o Homo Etílicus. Estes mamíferos são muito mais comuns nas ruas nos meses quentes. Alimentam-se principalmente de bebidas alcoólicas e petiscos baratos. O Homo Etílicus Vulgaris é a variante gregária. Encontra-se principalmente em festas associadas à reprodução ou aos nomes, mas às vezes acha uma boa ideia voltar para a sua guarida a pé. Os encontros fortuitos com grupos que circulam pela rua e a aproximação às suas festas podem causar danos nos sistemas olfativo, auditivo e cognitivo. Pelo contrário, o Homo Etílicus Vagabundis não costuma agrupar-se prolongadamente em grupos de mais do que três indivíduos. São coletores. Geralmente coletam dinheiro e cigarros de outros transeuntes. Cobrem-se com bastante roupa durante o inverno, mas carecem da resistência natural das fêmeas do Meninus Bonus. Por muito que gostasse de ver um cruzamento direto destas duas espécies, não há casos conhecidos. Se calhar há casos no mundo de indivíduos que combinam as características de ambas as espécies (Charlie Sheen, Amy Winehouse). O  Homo Etílicus Vagabundis evolui a partir do Homo Etílicus Vulgaris, e este processo é mais comum em homens.
Bartek Kozłowski