quarta-feira, 18 de julho de 2012

Os escândalos artísticos na Polónia depois da transformação.

   O ano 1990 trouxe a transformação do sistema político na Polónia e com esta transformação a tão esperada liberdade de expressão. Os artistas sofreram bastante por causa dos comunistas que usavam a censura para manter a sociedade polaca obediente, que não protesta e para usar só uma palavra- que é estúpida. Por isso quando na Polónia instalou a democracia, os artistas começaram a respirar profundamente, estavam convencidos que com a liberdade de expressão viria a liberdade artística, por muito tempo escondida no fundo da gaveta. Infelizmente a sociedade polaca mostrou rapidamente que não é suficientemente madura e não sabe usar a liberdade. Como mostram os exemplos a Polónia ainda não é um país laico e o uso dos símbolos católicos como expressão artística termina em processo judicial vencido normalmente pelos defensores dos valores católicos. De uma pluralidade de incidentes escolhi os mais interessantes e que causaram as emoções contraditórias. Vale a pena prestar atenção às intervenções dos políticos e à atitude dos funcionários. Surge deles a questão se essas intervenções funcionam de acordo com os padrões dum país democrático.
   Em 1993 começa a nova época de censura na arte polaca. Katarzyna Kozyra, uma estudante da Academia de Belas-Artes de Varsóvia apresentou a sua obra "Pirâmide de animais". Inspirada pelo conto dos irmãos Grimm a instalação era composta por animais embalsamados: um cavalo, um cão, um gato e um galo e era acompanhada por um filme que apresentava a morte do cavalo. Apareceram os protestos contra a escultura e os processos contra a artista. 
 Em 1997 o comissário de Pavilhão da Polónia na Bienal de Veneza Jan Stanisław Wojciechowski proibiu a apresentação da obra do Zbigniew Libera "Lego- Campo de concentração". Campo de concentração”. 
 Em 1999 o governador de Łódź acusa Katarzyna Kozyra de ofensa dos sentimentos religiosos por fazer o cartaz “Laços de sangue” "Laços de sangue"onde juntou símbolos religiosos com a imagem de uma mulher despida. Após protestos dos partidos católicos os cartazes foram tapados ou retirados. 
 Em 2000 o ator Daniel Olbrychski acompanhado pelas câmaras de televisão destruiu com uma espada o fragmento da obra de Piotr Uklański “Nazis”. O Ministro da Cultura exigiu um comentário do artista em que explicasse o sentido da exposição. Uklański não acedeu à intervenção e por fim a exposição foi fechada. No mesmo ano aconteceu o escândalo seguinte.  
  Uma escultura de Maurizio Cattelan causou problemas. Essa obra representava João Paulo II derrubado por um meteorito. O jornalista Wojciech Cejrowski tentou cobrir a escultura com um lençol mas finalmente alguns membros do parlamento estragaram a instalação e afastaram o meteorito. Um dos membros do parlamento escreveu também uma carta ao primeiro-ministro para destituir o funcionário de origem judia (Anda Rottenberg), que era a diretora da galeria. Por fim em 2009 este homem foi acusado pela destruição da escultura que custava 40mil zlotys.
 No outono de 2001 pela primeira vez foi censurada "A Paixão" de Dorota Nieznalska durante a sua exposição em Białystok. A diretora da galeria ordenou que cobrissem com papel a foto pendurada na cruz. Depois, em consequência do escândalo provocado pela emissão da reportagem na televisão sobre a exposição, a artista foi acusada da ofensa dos sentimentos religiosos. O júri considerou-a culpada e só no ano 2010 foi absolvida. Neste artigo queria mostrar que apesar de muitas mudanças que sofreu o nosso país depois da transformação do sistema, a receção de arte permanece tradicional e paroquial. Os exemplos acima mencionados são só alguns das intervenções do estado na arte contemporânea que deveria ser independente. As obras dos artistas polacos são apreciadas no estrangeiro, ganham prémios prestigiosos mas na Polónia ainda são atacadas, provocam os piores emoções. Se calhar a sociedade tem medo de conversar sobre os temas ainda dolorosos mas sem este diálogo é impossível considerar a Polónia como o país democrático e aberto à modernidade.

Monika Dobrowolska

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Polacos em Portugal

  Por que motivo os Polacos estão cada vez mais interessados pela língua portuguesa e pelas viagens a Portugal? É difícil responder a esta pergunta mas podemos dizer que nos últimos tempos os polacos com muito prazer visitam Portugal e às vezes decidem também ficar ali mais tempo. Segundo os dados do ano 2009 reunidos pela embaixada polaca, o número dos habitantes registados é de cerca de 1000 pessoas. A sociedade polaca vive geralmente em Lisboa, no Porto e em Faro. Há também famílias simples que vivem nas outras cidades. A maioria destas pessoas foram para Portugal nos últimos 16 anos. Algumas têm formação e trabalham nas instituições internacionais em Lisboa. Há muitos músicos, artistas, professores, médicos, arquitetos e informáticos. Para o norte normalmente vão os que querem obter o trabalho temporário nas plantações. As pessoas que vivem aqui mais que cinco anos não pensam em voltar para a Polónia e dizem que gostam da vida neste país. Cada ano há mais casamentos luso-polacos e as famílias jovens que vão com os filhos que têm menos que oito anos. As crianças frequentam as escolas portuguesas ou internacionais.Para que a aprendizagem deles seja mais fácil, no ano 2011 foi fundada a escola para as crianças bilingues “Borboleta”em Vila Nova de Gaia. Na Escola Secundária do Restelo em Lisboa também organizam as aulas para as crianças polacas. 
 Portugal é famoso também entre os estudantes de programa Erasmus. Normalmente escolhem a universidade em Lisboa mas as universidades em Coimbra, Porto e Faro também são populares. Podem-se encontrar nos foros muitas opiniões positivas sobre a estadia deles naquele país e naquelas universidades. O clima e as maravilhosas paisagens são as duas coisas que provocam o maior encanto entre eles. A maioria deles diz que se pudesse voltar a Portugal queria passar ali toda a sua vida ou pelo menos uns meses.  
 A Madeira é um lugar muito hospitaleiro para os polacos. O Marechal Józef Piłsudski per¬maneceu na Madeira entre De¬zembro de 1930 e março de 1931. Devido ao seu muito mau estado de saúde decidiu beneficiar do clima favorável e por isso escolheu este lugar para o repouso. Instalou-se na Quinta de Bettencourt, nos subúr¬bios do Funchal (capital da Região Autónoma da Madeira). Numa parede da casa onde viveu há um letreiro com a seguinte inscrição em polaco e português: ‘’Marechal Piłsudski viveu nesta casa XII.1930 – III.1931. EM HOMENAGEM AO PRIMEIRO MARECHAL DA POLÓNIA – COMPATRIOTAS’’. No centro da cidade na Rua António José de Almeida há um busto do Marechal. Outro toque polaco no Funchal é que atribuíram o nome de Józef Piłsudksi a uma rotunda no cruzamento das ruas do Caminho do Pilar e do Caminho do Esmeraldo. Nas outras cidades da Madeira podemos encontrar também os monumentos de João Paulo II e as ruas com o seu nome.  
 Paweł Kieszek é um futebolista polaco que desde 2007 até 2010 foi contratado pelo SC Braga. Joga atualmente no Futebol Clube do Porto. Conseguiu estrear-se neste clube no dia 11 de dezembro de 2010 durante a partida de Taça de Portugal com o Juventude de Évora.    
   Entre os dias 20-29 de abril de 2012 foram organizados ‘’Os Dias da Cultura polaca no Porto’’. Esta iniciativa abarcou os seguintes acontecimentos: o concerto de Leszek Możdzer pianista e compositor polaco, a exposição ‘’E ainda vejo os seus rostos ‘’- fotografias de judeus polacos e também um seminário sobre Wisława Szymborska, a poetisa polaca. Por fim, teve lugar a apresentação a versão portuguesa do livro polaco ‘’A locomotiva’’ de Julian Tuwim. Neste último acontecimento participaram igualmente não só alunos polacos mas também crianças de famílias luso-polacas.
Paulina Flasińska

terça-feira, 10 de julho de 2012

Festivais de música




  Para a maioria dos grupos de música, não existe digressão sem os concertos em festivais. Durante todo o verão, em quase todas as grandes cidades na Europa tem lugar um ou mais festivais de música. Durando até sete dias, atraem milhares de pessoas com o número de artistas e a variedade de géneros de música apresentados. O festival é também uma boa oportunidade para conhecer pessoas - no público de até 150 mil amantes da música por dia (Glastonbury, Inglaterra, 2009) é muito fácil fazer amigos. Além das espetáculos musicais, muitos eventos apresentam outras formas de arte: espetáculos de dança, humor ou teatro. Embora o primeiro festival de música da chamada era moderna tenha sido o Festival Berkshire em 1937 (Stockbridge, Massachusetts, EUA) o momento crucial na história dos festivais - e da música popular em si - foi o Woodstock Music&Arts Fair em agosto de 1969. O evento, que durou três dias, foi realizado numa fazenda em Bethel, Nova York com o público de 500 mil pessoas e 32 artistas como, por exemplo, Jimi Hendrix/Band Of Gypsys, The Who e Joe Cocker e The Grease Band. Depois de Woodstock, nos anos de 70 e 80, numerosos festivais foram criados em todo o mundo. Na Europa, os eventos como o Roskilde Festival, o Hurricane Festival ou o Festival de Glastonbury até agora cada ano reúnem milhares de fãs de música. 
  Também na Polónia e em Portugal esta forma de entretenimento é muito popular. Nos últimos anos, na Polónia têm sido criados numerosos festivais. O mais conhecido na Europa e muito premiado é o Heineken Open'er Festival em Gdynia. A primeira edição foi organizada em 2002 em Varsóvia como o Open Air Festival, mas depois o evento tirou o nome do seu principal patrocinador e foi transferido para Gdynia. Agora dura quatro dias e reúne até 75 mil pessoas; é o evento obrigatório no calendário de muita gente. Desde o início, os organizadores têm tentado convidar tantos artistas como seja possível. O público já teve a oportunidade de ver estrelas como Prince, Sex Pistols, Pulp ou Pearl Jam. Não existem as regras que restringem os géneros da música - durante o festival, é possível ver os grupos de rock ou da música alternativa ao lado de famosos DJs ou artistas da música dance. A única regra - como na maioria dos festivais - é que o mesmo artista não pode ser uma das estrelas máximas do evento dois anos consecutivos; tem de haver pelo menos dois ou três anos entre as suas performances. Apesar desta regra, alguns artistas decidiram incluir aquele festival nas suas digressões três vezes (Cypress Hill: 2004 e 2010, Placebo: 2006 e 2009, Massive Attack: 2004, 2008, 2010, Franz Ferdinand: 2006 e 2012).




Outro festival muito conhecido na Polónia é o Przystanek Woodstock, realizado desde 1995 pela organização Wielka Orkiestra Świątecznej Pomocy (em português: a Grande Orquestra de Ajuda Natalícia), nos últimos anos em Kostrzyn nad Odrą. Com o nome inspirado pelo Woodstock Festival, é chamado o maior festival de música a céu aberto na Europa - com o público de 700 mil pessoas (2011). É um evento gratuito de música rock e alternativa, uma forma de agradecer aos voluntários que ajudam no evento principal da WOŚP: os concertos beneficentes realizados todos os anos em janeiro. A maioria das bandas são polacas; os bem conhecidos, como Dżem, Myslovitz ou Ira apresentaram-se numerosas vezes. Nos últimos anos, os grupos estrangeiros (como por exemplo The Stranglers, Papa Roach, The Prodigy ou - neste ano - The Darkness e Machine Head) também têm sido convidados. Para além dos concertos nos dois palcos - o principal e o pequeno, chamado folk - há muitos outros eventos organizados durante o festival. O mais importante é a Academia das Melhores Artes - um lugar onde as pessoas podem encontrar-se com os políticos conhecidos como Lech Walesa, artistas, jornalistas, atores ou líderes religiosos (como Kesang Takla, o representante do Dalai Lama no norte da Europa, 2008). Uma das tradições do festival é que não há barreiras entre o público e o palco (a exceção foi o concerto dos The Prodigy em 2011, a pedido do grupo) para que a parede frontal possa ser coberta com bandeiras. A ordem é cada ano guardada pelo grupo de voluntários, chamado Pokojowy Patrol, com a ajuda dos guardas de segurança e da polícia. O festival é também conhecido pela tradição dos banhos de lama em que participam muitas pessoas. Embora o evento seja bastante criticado, principalmente pelos pais que não querem permitir que os seus filhos adolescentes vão lá porque, segundo eles, é muito perigoso e cheio de drogados e alcoólatras, há muita gente que depois de sentir a atmosfera e a diversão, não podem imaginar que não voltar outra vez. Há numerosos outros festivais na Polónia. Os mais conhecidos são o OFF Festival, o Orange Warsaw Festival e o Coke Live Music Festival, mas cada ano aparecem novos, de diversos géneros de música e com os artistas famosos em todo o mundo.


Em Portugal, as últimas duas décadas têm sido muito importantes na história dos festivais de música. Têm aparecido os eventos como o Festival Paredes de Coura, o Super Bock Super Rock e o Festival Sudoeste. Desde 2004, em Lisboa, também tem sido organizada a edição do festival internacional Rock in Rio. Originário no Brasil, até agora teve dez edições: quatro no Rio de Janeiro, quatro em Portugal e duas em Madrid. Em Lisboa, o evento é organizado cada dois anos. A primeira evento no Parque da Bela Vista reuniu 385 mil espectadores e mais de 70 artistas ao longo de 5 dias; foi um grande sucesso. Depois da edição brasileira no ano passado, este ano o festival voltou para Lisboa - entre 1 e 5 de junho apresentaram-se  Metallica, Stevie Wonder, Linkin Park ou Bruce Springsteen. Uma coisa muito interessante sobre este festival é o projeto Por Um Mundo Melhor, lançado em 2001 no Rio de Janeiro. Foi criado para chamar a atenção das pessoas para que, através das simples atitudes quotidianas, melhorem as condições sociais. Durante os últimos 10 anos, o Rock in Rio gerou quase 12 milhões de euros para diversas ações socioambientais.
O Optimus Alive! é um dos mais novos festivais em Portugal. Embora não tivesse muitas edições, já é o evento bem reconhecido não só no seu país, mas em toda a Europa. Foi realizado pela primeira vez em 2007 e até agora passaram por lá, por exemplo, Pearl Jam, Deftones ou Faith No More. Como na maioria dos festivais, não são restringidos nenhuns géneros de música - ao mesmo tempo, no palco principal (Optimus Stage) pode tocar uma banda de rock e ao lado, no Heineken Stage - um grupo de música pop ou dance. Neste ano, o cartaz ainda está incompleto, mas os artistas já confirmados são, entre outros, The Cure, Radiohead e The Stone Roses.
Hoje em dia, os festivais de música formam uma grande parte da cultura. Embora a sua principal atração seja a música, são realmente o conjunto dos atos culturais como o teatro, o cinema, a moda, até as conferências feitas pelas pessoas reconhecidas. É também uma boa oportunidade para os fãs dos grupos menos conhecidos que muitas vezes não têm a possibilidade de apresentar-se no seu próprio concerto. Embora às vezes os bilhetes sejam bastante caros, vale a pena poupar dinheiro para passar alguns dias com música divertindo-se com outros amantes dela.
Magda Józwik