quarta-feira, 25 de junho de 2014

Colheita de 2014

Está a terminar mais um ano lectivo e a colheita de 2014 é a prova de que foi um bom ano.  E com uma variedade de castas única. Como de costume temos os vinhos ibéricos, onde se cruzam castas portuguesas e espanholas. Destacamos também os vinhos românicos, que não são mais do que vinhos franceses com um aroma lusitano que  lhes confere mais qualidade. E finalmente os vinhos portugueses, fruto de uma criteriosa selecção das melhores castas nacionais que merecem destaque por serem os primeiros a sair da nossa adega. Alguns destes vinhos serão já colocados no mercado, enquanto que outros ainda irão envelhecer mais dois anos nas nossas caves.

Em cima da esquerda para a direita:
Żaneta Lipińska, Kinga Ostrowska, Urszula Półkosznik, Natalia Sławińska, Olga Bobkowska, Joanna Sędzimir–Dobrowolska, Katarzyna Matraszek, Kamila Wiśniewska, Katarzyna Walczak, Paulina Kuziorowicz, Joanna Kwiatkowska e Ada Dąbek.
Em baixo da esquerda para a direita:
Joanna Dudek, Sylwia Jablońska, Małgorzata Grzesiowska, Martyna Danilewicz e Ewa Gad.

Da esquerda para a direita:
Paulina Mazur, Agata Serwin, Klaudia Rachoń, Magda Pacuk e Kamila Stelmarczyk
Em cima da esquerda para a direita:
Katarzyna Janowska, Katarzyna Frąszczak, Ewa Szafrańska, Ewa Tomaszewska, Katarzyna Rejter e Zuzanna Michalska
Em baixo da esquerda para a direita:
Łukasz Gomoła, Anna Tylec, Olena Boczkowska, Ewa Kobyłka e Bartosz Suchecki 

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Campeonato do mundo de futebol Brasil 2014


Já começou o Campeonato do mundo de futebol 2014, um grande acontecimento para muitos brasileiros e todo o mundo, . Todos esperaram em suspense, não só por causa de futebol, mas também  por várias razões, tais como o desenvolvimento do turismo ou do mercado.  É óbvio que o futebol é muito importante para os brasileiros, então queria saber as impressões dos meus amigos brasileiros.  Há algum motivo para estar feliz ou triste? Deixem-me apresentar as opiniões do Jefferson Quesado (Fortaleza) e Fábio Sobral (Rio de Janeiro).

Quando a FIFA tomou a decisão de organizar a Copa no Brasil, as pessoas saíram para a rua e protestaram.  Lembre-nos por favor, porque foi assim e o que mudou até agora?
Jefferson Quesado: Quando a FIFA resolveu fazer a copa aqui, houve muita discussão. Então o governo (na época o presidente era o Lula) prometeu muitas coisas, muitas melhorias... Só que muitas não foram feitas, e as que foram feitas foram superfaturadas, atrasadas e de qualidade ruim.
Fábio Sobral: Não houve protestos na época, acho que ninguém se importou muito. Coletivamente nós somos meio alienados e despreocupados.  Não nos preocupamos realmente com nada até aos minutos finais, sempre esperando pelo melhor.  Além disso o cenário político mudou, as pessoas começam  a  preocupar-se  mais com qualidade de vida, do jeito que falam parece que de um dia para o outro surgiu corrupção, caos nas instituições públicas de saúde, educação e segurança, mas nada mudou.  Muitos acham que é descontentamento, que estamos de saco cheio, mas acho que somos passivos demais para estar apenas de saco cheio, acho que finalmente queremos mais e isso exige agir de alguma forma.

O que é que o governo fez para preparar a Copa? Os estádios estão prontos para receber todas as estrelas do mundo do futebol?
J. Q.: A parte dos estádios foi muito controversa, mas mais controversa ainda foram outras reformas e atitudes. O estádio Castelão, no Ceará (cidade de Fortaleza), foi um dos poucos a ficarem prontos na época e usando os recursos prometidos, a maioria dos outros estádios foram superfaturados demais, demoraram muito... Já vou dar os outros exemplos. No Maracanã, no Rio de Janeiro, foi algo à parte, mesmo custando mais do que o dobro do que o esperado! Mas houve um conjunto de fatores para Isso: Primeiro, era mais barato derrubar e fazer de novo, mas como era patrimônio histórico do Brasil, não se podia fazer isso, então eles tiveram de reformar tudo, mantendo apenas a base da construção. Alem disso eles privatizaram o estádio, que até hoje era patrimônio de uso exclusivo do governo. Em Brasília, no Distrito Federal, lugar onde não há tradição de futebol nem equipas o suficiente, foi feito um dos estádios mais caros de todos, custou um absurdo de caro. Além disso, o nome que gostariam de por no estádio era Mané Garrincha (foi um dos grandes jogadores de futebol do Brasil), porém a FIFA foi contra esse nome porque disse que os estrangeiros não iriam entender o nome do estádio.

Quais são as soluções nas questões da segurança e do mercado? Os brasileiros sentem alguma diferença entre os preços dos produtos e serviços, ou eles sobem apenas para os estrangeiros?
J.Q.: Na parte da mobilidade urbana, fizeram algumas obras em Fortaleza, melhoraria bastante, mas  de todas as obras, quase nenhuma foi concluída a tempo, sendo apenas a do entorno do estádio prometida de ser entregue até à copa (ainda não está pronta hoje).  Em segurança, foi feito muito investimento no sudeste, eles desmontaram diversos grupos de tráfico de drogas que eram donos do morro. Depois de desarticular esses grupos, nunca mais foram vistos bandidos com metralhadoras, lança mísseis, e rifles andando nas ruas das favelas. Porém surgiram grupos menores, menos numerosos e mais espalhados do que os anteriores. Eles são ainda mais violentos do que os anteriores, porém não possuem o mesmo armamento. O governo não está tomando atitude em relação a esses grupos, Também fizeram desapropriação violenta de casas de pessoas com poucas condições financeiras, sendo muitas expulsas de casa debaixo de tiro de borracha e bombas de gás, outras saíram das casas quando o trator já estava dentro da casa, derrubando tudo. Muitos policias e até forças de guerra (como o exército) estão de prontidão, inclusive há a promessa de eles ficarem nas cidades com os tanques de guerra para garantir segurança.  Os preços aumentam muito durante o mês de julho, mas aumentaram ainda mais com a promessa de vinda de estrangeiros, porém como os hotéis não lotaram, o preço não aumentou tanto quanto nos esperávamos.

Como acha, a Copa no Brasil é boa ocasião para promover o seu país? Por quê?
 J.Q. : A copa seria ótima para melhorar a imagem do Brasil, porém do jeito que foi feito tem muita propaganda para pouca realidade.
F. S.: Sim, acho importante porque ainda somos muito pouco conhecidos, dentro e fora do país. Os estrangeiros conhecem pouco além do eixo Rio-São Paulo, e os brasileiros conhecem pouco fora das suas cidades e estados. Sabe como brasileiro se irrita quando um estrangeiro acha que nós vivemos no meio da floresta? Aqui dentro, nós pensamos isso de nós mesmos em relação a outros lugares. Só ver na tv não serve de muita coisa, e para um país que se diz apaixonado por futebol talvez seja uma oportunidade de nós mesmos conhecermos mais o país. Por isso apesar de todos os problemas, acho importante um estádio no Amazonas por exemplo.  Sei que a Copa não é conhecida por deixar um legado invejável, mas acho que pode ser uma boa desculpa para olharmos melhor para o país como um todo e apresentar todo esse país pra fora, não apenas o sul-maravilha. Reconhecer mais do que temos por aqui pode ser bom para sabermos o que promover, não é? Afinal nem todo mundo se interessa apenas por praia, samba e futebol, e o país tem muito mais que isso.

Ouvi dizer que durante os acontecimentos tão grandes como este, criam as condições ótimas para desenvolver o turismo sexual e para aumentar o tráfico de droga. Qual é a sua opinião?
J.Q. : Fortaleza é um dos maiores pontos de turismo sexual, sempre aumenta durante esses eventos. Isso é uma questão de oferta e procura, há muita oferta aqui e muito turista vem cá com o propósito de se aproveitar disso. A ocasião faz o ladrão!
F.S.: Sem dúvida, já encontraram até droga embalada para a Copa com logo do evento e tudo! Isso não me deixa particularmente envergonhado do país ou coisa parecida, é o tipo de mercado em que eu francamente culpo mais o comprador do que o vendedor. Pessoas esfaqueadas por brigas banais, assaltantes porque não sabem viver de outra forma ou porque só sabem ser cruéis por terem crescido em ambiente assim, isso sim me envergonha. Mas sinceramente, nossas instituições públicas me envergonham mais do que tudo.

Mais uma perguntinha: Tem bilhete para um jogo ou vai assistir na televisão? Que jogos queria ver?
J.Q. : Assim, ainda tenho preferência pelo Brasil, mas Holanda e Espanha são ótimas equipas. Eu, pessoalmente não tenho dinheiro pra comprar os bilhetes, e também a burocracia para conseguir era grande. Talvez não acompanhe os jogos, estou de mal com o governo e sua violência contra os manifestantes.
F.S.: Não tenho preferência nenhuma.  Em geral, o torcedor de esporte costuma ser fanático, mas eu sou do tipo que gosta de um jogo bonito, seja lá quem estiver jogando. De qualquer forma futebol está longe de ser meu esporte preferido, mas uma partida bonita é sempre boa de assistir. Também não quero ir a um estádio, já fui mas sou do tipo que prefere uma tv com câmeras e detalhes.  Se eu tivesse de escolher entre alguns eventos ao vivo, preferia um concerto.


Agata Kowalczyk
2º ano de Estudos Portugueses

quinta-feira, 12 de junho de 2014

A biografia de Tempo Livre


Tempo Livre nasceu em Lublin, no dia 28 de abril de 1990. Foi desportista e músico amador, leitor de livros. O seu misterioso desaparecimento em 2009 é uma das maiores tragédias do século XXI.
INFÂNCIA
Tempo Livre nasceu em Lublin, onde passou toda a sua curta vida. Quando era criança, gostava de passar os dias e as noites ao ar livre brincando com os amigos. Aos quatro anos aprendeu a ler e a escrever, nesta época começou também a sua grande aventura com a literatura.  O ano 1996 foi um dos mais importantes na sua vida, foi quando entrou na escola primária. Adorava estudar e aprender as coisas novas. Segundo os seus colegas da turma: Tempo Livre conseguia sempre encontrar tempo para fazer alguma coisa interessante e incentivar os outros fazê-lo também.
Quando em 1998 recebeu uma bicicleta na sua Primeira Comunhão foi óbvio que ia levar uma vida ainda mais ativa. A partir deste momento começou a passar cada vez mais tempo viajando com os amigos pelos arredores da sua cidade. Dois anos mais tarde participou numa corrida de bicicletas para crianças e ganhou a competição.
Terminou a escola primária gozando de popularidade. Todos queriam ser amigos dele e apreciavam a sua fantástica habilidade de juntá-lo às obrigações. Cantava num coro, tocava guitarra, jogava ao ar livre com os colegas, lia livros, aprendia a cozinhar pratos facílimos com a sua mãe e praticava vários desportos. Além disso, colecionava moedas, selos postais e fazia construções de LEGO.
ADOLESCÊNCIA
Em 2003 a sua posição social começou a mudar. Nesta altura ainda conseguia sair com amigos, jogar ténis ou voltar a passar tempo sem pensar nas obrigações do dia seguinte. No entanto, os pais consideravam-no o amigo inapropriado para os seus filhos e tentavam subsisti-lo pelos outros amigos que se chamavam Obrigação, Ambição, Aprendizagem, Línguas Estrangeiras e Trabalho de Casa.
A sua situação piorou na escola secundária em 2006. Começou a cair no esquecimento, às vezes tornava-se inatingível. Já não era amigo de todos, dizia-se que os companheiros que lhe restavam não iam conseguir nada na sua vida, que deveriam trocá-lo pelo exigente e severo amigo Exame. Tentava assumir formas variadas desde simples música até aos desportos de risco, queria fazer amigos, a todo custo.
Em 2009, já não tinha amigos, mas todos tinham saudades dele, apreciaram-no e esperavam que algum dia voltasse. Não o estimavam quando estava com eles, porém sentiam uma falta depois do seu desaparecimento. Foi substituído pela Gramática, Cultura e Literatura Portuguesa e Espanhola, pelas maiores inimigas dele.
Nem atingiu a maturidade, a sua vida foi curta, mas há uns que dizem que voltará quando os tempos e o estilo da vida mudarem. Hoje em dia, alguns acham que o viram, especialmente na altura das férias, mas um pouco depois não se lembram como era. É geralmente considerado como Elvis Presley, que supostamente nunca morreu. Todos, tal como os portugueses esperam pelo D. Sebastião, acham que o Tempo Livre também voltará algum dia para salvar o povo.

Katarzyna Kuczyńska e Natalia Trzebuniak
1º ano de Mestrado em Português

terça-feira, 10 de junho de 2014

Os Lusíadas...alegoria da vida



Para dizer a verdade, ultimamente eu não tenho lido muito. Tenho saudades dos tempos quando eu tinha muito tempo livre e até podia escolher o que ia ler ou ver. No entanto os tempos agora são distintos: eu não tenho o acesso à internet, mas o obstáculo mais grave é que eu tenho medo de perder tempo para ler em polaco, para não esquecer as línguas que estudo diariamente.
Felizmente que para eu não perder o contacto com a cultura temos as aulas de literatura que oferecem uma diversidade de livros, de autores, de histórias que temos de conhecer, mas também com as quais podemos simpatizar. Então, ultimamente eu descobri o Camões e os Lusíadas que acho que é uma obra muito mais interessante do que os estudantes podem pensar no início.
Eu acho que esta saga expressa os valores universais, porque fala dos sonhos e da firme vontade de vencer. É a história da gente que quis obter o que era inatingível e não hesitava em correr o risco. Parece-me que cada um tem o seu Cabo Bojador que lhe custa muito ultrapassar. Ou sente-se como se navegasse no mar tempestuoso. Também é possível encontrarmos na nossa vida o Gigante Adamastor que quer impedir que continuemos navegando. Ou o Velho do Restelo que tenta parar a nossa aventura já no ponto de partida.
Nesta obra eu encontrei a alegoria da vida que pode ser às vezes uma temerária empreitada. O mar de dificuldades e a instabilidade do destino parecem-me os temas bastante reais. Para mim, ler esta obra foi como redescobrir os ideais da luta, apanhar os sonhos dispersos no mar intranquilo. Foi mesmo uma aventura, não só um livro que foge da memória depois da aula.

Kamila Wiśniewska
3º ano de Filologia Ibérica.

domingo, 8 de junho de 2014

Bento Sitoe no CLP/Camões

Desta vez o nosso mais recente convidado chegou de Moçambique. No passado dia 30 de maio o Professor Doutor Bento Sitoe da Universidade Eduardo Mondlane de Maputo, proferiu uma palestra intitulada: Literatura em línguas africanas: (n)um caldeirão cultural.  De uma forma descontraída mas sem deixar de ser profissional, os presentes ficaram a conhecer melhor não só a vida e a obra de Bento Sitoe mas a realidade moçambicana.  Moçambique é um imenso caldeirão cultural, onde se misturam várias línguas, hábitos, modos de vida, realidades, religiões e maneiras de ver o mundo.  O próprio Bento Sitoe é uma figura multifacetada pois conjuga a docência universitária e a investigação, com a vida eclesiástica como Pastor Evangélico e a escrita. Natural de Maputo terminou o Curso de Teologia pela Igreja Presbiteriana de Moçambique em 1986 e foi consagrado Pastor Evangélico em dez anos mais tarde. Em 1991 obteve o Mestrado em Linguística Africana pela Universidade de Varsóvia e em 2001 o Doutoramento em Linguística Africana pela Universidade de Leiden, na Holanda.  É docente e investigador na Universidade Eduardo Mondlane, no Departamento de Linguística e Literatura. Tem as seguintes áreas de interesse: Linguística Comparativa; Linguística Descritiva das Línguas Bantu; Lexicografia; Tradução e Literatura em línguas africanas. Sendo falante nativo de changane optou por escrever ficção neste idioma e publicou em 1983 a novela Zabela, posteriormente editada em versão bilíngue, changane-português e mais tarde também traduzida para inglês. Esta obra pioneira é a prova de que a literatura em línguas africanas tem público e tem futuro.