terça-feira, 24 de novembro de 2015

Os meus avós: uma história de amor


Num dia de janeiro um homem alto, moreno e abastado, que era o meu avô conheceu uma rapariga baixa, com os olhos azuis e pobre - a minha avó. Eles apaixonaram-se rapidamente. Encontravam-se todos os dias. Infelizmente os pais do meu avô não aceitavam a namorada do seu filho. Os meus avós amavam-se loucamente, por isso decidiram casar-se. Não se importavam com a opinião dos seus pais. No dia 26 de novembro eles casaram-se. O seu casamento foi bastante original para aqueles tempos.
De manhã eles saíram das suas casas para caminhar cinco quilómetros pelos campos até à igreja. Chegaram atrasados à missa que era celebrada por almas dos defuntos. Depois do padre anunciou e bendisse o casamento. Na igreja havia só oito pessoas. A minha avó vestida de saia e casaco mais escuro que claro e o meu avô com um fato velho juraram amar-se para sempre. Quando saíam da igreja o organista tocou a marcha nupcial. Como eles não organizaram a festa do casamento, este homem convidou-os para virem tomar o pequeno-almoço a  sua casa  e disse que os noivos mereciam uma pequena festa. Depois os meus avós reconciliaram-se com os seus sogros, porque o meu bisavô disse que não valia a pena discutir mais se a vida durava só um momentinho.
Na cultura polaca a festa de casamento muito grande é importante, mas para mim isto não significa nada. Os meus avós vivem da mesma maneira que as pessoas cujas bodas duraram dois dias. Por mais que eu observe e pense na vida dos meus avós, estou segura que na vida, o amor, a responsabilidade pela outra pessoa e a gratidão são essenciais.
Olga Bobkowska
2º ano de mestrado em espanhol

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

FOTOGRAFIA - UMA ARTE?


O que é uma fotografia? Conforme ao dicionário ,,a fotografia é a técnica de criação de imagens por meio de exposição luminosa". Para a maioria a fotografia do mesmo modo significa uma técnica de criação, mas há algum parte da população para quem é um meio de expressar todos os sentimentos e pensamentos. Esta arte permite exteriorizar a alma e o coração duma pessoa. O que é interessante, é que ninguém pode fazer a mesma fotografia que já foi feita.

         Mas do início... A fotografia tem o seu começo no século XV quando se formou o primeiro protótipo da câmara fotográfica nomeada "câmara obscura". No século XIX o fotógrafo Joseph Nicéphore Niépce fez a primeira fotografia e depois Louis Jacques Daguerre apresentou a sua primeira fotografia na Academia de Ciências francesa. Estes acontecimentos iniciaram a técnica que hoje em dia é chamada fotografia.
          Entre muitos, os meus fotógrafos preferidos e os quais vou apresentar são Zofia Rydet e Sebastião Salgado. Porque são nomeados "os maiores"? Porque como disse Susan Sontag no seu livro ,,Sobre a fotografia": ,,as fotografias são os fragmentos empunhados dos nossos momentos aflitivos" e para mim de forma mais verdadeira exprimem os seus sentimentos e abrem os seus corações. A fotografia significa uma entrada na relação entre o fotógrafo e um objeto que é fotografado. Ela pode garantir a imortalidade, a imortalidade das nossas recordações. A fotografia é também uma prova verdadeira da existência. Admitiremos quando vermos. Como as outras artes só podem ser as interpretações subjectivas, a fotografia mostrar o objeto como é na verdade e na realidade. Não muda nada no objeto demostrado. E como mostra o mundo real pode garantir segurança, um espaço seguro onde ficamos, porque mostra a verdade e nunca nos vai enganar.
         Os fotógrafos que eu referi têm nas suas obras algo que permite nomeá-los como "melhores entre os melhores". Quando vejo as fotografias sempre me pergunto qual é a mensagem que o autor queria transmitir?
          Zofia Rydet é uma das mais eminentes fotógrafas da Polónia. Na maioria deve o seu reconhecimento ao ,,Registo sociológico", sem dúvidas o mais notável projecto documentário na fotografia polaca do pós-guerra. Durante dez anos Rydet fez por volta de 30 000 fotografias (monocromáticas) - os retratos das pessoas na interior das suas casas de a toda Polónia. Nas fotografias observamos os interiores urbanos e rurais do século XX. As fotografias mostram "os manequins" verdadeiros, vestidos com as roupas quotidianas, e a câmara fotográfica era uma caixa mágica que parava o tempo. Rydet disse:  ,,O meu trabalho tem de gravar o que já muda(...), mostrar fielmente um homem com o seu espaço circundante quotidiano(...) que apresenta a psiquismo dele, que às vezes fala mais sobre ele do que ele fala sobre si mesmo."
          Outro grande fotógrafo é Sebastião Salgado. Fotógrafo brasileiro que é reconhecido pelos seus retratos. Ele concentra-se na pobreza da humanidade. O mundo que é eternizado nas suas fotografias é sujo e lúgubre e as pessoas que vivem neste mundo - tristes. As suas primeiras obras concernem a miséria na África. Alguns mostram também os trabalhadores na França, na Rússia ou na Ucrânia. Nas suas obras podemos encontrar as fotografias do estaleiro em Gdańsk na Polónia. Uma vez ele disse que a sua intenção é fixar os sintomas da actividade humana, relacionados com os trabalhos na maioria manuais, que no futuro se extinguirão. Salgado nos seu ciclos fotográficos alude os problemas da sociedade como as migrações ou os efeitos dos conflitos. As fotografias dele estão sempre  do lado dos fracos, feridos e aproveitados. Relacionam os riscos que a uniformização e a globalização traz.
          As fotografias constituem o aprisionamento da realidade, a realidade que às vezes é inacessível, às vezes resistente e às vezes desaparecida. Param o tempo e guardam o momento para sempre. Como disse Sontag: ,,a fotografia tem uma força, que supera outros modos de criar as imagens, porque à destinação delas não depende do criador", mostra sempre a realidade e o mundo real. 






Pamela Paradowska
3º ano de Estudos Portugueses

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Canções contadas: "Anda comigo ver os aviões"


Outono. Espero que chegue o autocarro que nos levará de um terminal para outro. Ouço a canção dos Azeitonas “Anda Comigo Ver Os Aviões”. Chove, estão cerca de 5 graus, todos que estão na paragem estão enfastiados, com frio e cansados de esperar. Exceto uma pessoa. Uma mulher, quarentona, magra, com penteado desgrenhado e o telefone junto ao ouvido. Na sua atitude há algo artisticamente louco. Fala bastante alto com alguém em espanhol, mas ainda que falasse em voz baixa, todos poderíamos ouvir a conversa, porque simplesmente ninguém conversa. Fala espontaneamente, de forma rápida, mas claramente e acentuando cada frase. Fala sobre a viagem de trabalho, sobre o seu namorado, que continuamente lhe manda mensagens de texto e que tem muitas saudades dela, que estão muito bem, que em breve se vão ver, que estas viagens de trabalho são sempre cansativas, mas inevitáveis, e que desta vez também conseguiu fazer uma barganha, mas agora não pode mais, simplesmente está ansiosa para vê-lo, beijá-lo e levá-lo para a cama.
O que imaginei ouvindo a canção, a mulher e o seu telefonema? Que não há ninguém do outro lado do telefone. Que toda essa conversa é uma grande farsa e que a mulher que está a conversar uma vez por semana vai de autocarro de um terminal para o outro para poder fingir ser outra pessoa, alguém que não é – e quem quer ser – ou quem era. E nós somos observadores do espetáculo. Os nossos olhos e ouvidos fazem com que a imagem de feliz namorada e amada mulher de sucesso torna-se real. Porque, quer se queira quer não, nós somos as testemunhas e construímos isso nas nossas cabeças quando a ouvimos falar. Ela mora num pequeno apartamento. Na primavera morreu o seu parceiro de vida, um grande amor. Ele ia com ela “ver os aviões levantar voo, a rasgar as nuvens, rasgar o céu”, “ver os navios a levantar ferro, rasgar o mar” , “ver os automóveis à avenida, a rasgar as curvas, queimar pneus” e “ver os foguetões levantar voo, a rasgar as nuvens, rasgar o céu”. Agora está sozinha, o gato preto encontrado na rua não preencheu o vazio do homem, de modo que ela como um robô vai trabalhar todos os dias numa grande empresa tentando viver como sempre viveu. Mas não sabe como ser feliz de novo, então regularmente vai para o aeroporto para, durante meia hora na paragem e no autocarro, voltar a ser mulher feliz e apaixonada. Entre os estranhos, estrangeiros, turistas acidentais e empresários.
Tive também outra visão. Que ela ia também para o porto mas não com o mesmo objetivo que com o seu namorado. Encontrou uma maneira bastante estranha para matar as saudades. Ia para acenar aos passageiros que partiam, justamente julgando que alguém poderia pensar que se despede do marido, e, portanto, a acharia fácil de seduzir. As viagens ao porto tornaram-se o costume para ela. Ela pensava que a ajudavam a estar menos maluca. Mas um dia encontrou um profissional, que a observava e sabia que estes casos são frequentes e fáceis de aproveitar.
Construí esta figura trágica na imaginação de forma tão clara, com todos os detalhes e profundidade que poderia colocá-la como a heroína de um livro. Percebo-a apesar de não estar na sua pele. Ou pelo menos nunca cheguei a uma necessidade tão extrema de espelhar-me nos olhos dos estranhos. Mas tenho alguma coisa comum com ela e de alguma maneira entendo-a. Se alguém nos vê felizes, isso significa que estamos felizes, não? Act as if, dizem os americanos. Por alguma razão sentimos que se representarmos o suficiente alguma pessoa, acabaríamos por transformar-nos nela – ou pelo menos acreditar que somos essa pessoa. Isso nos bastaria, porque eu sou quem eu penso que sou.
Assim, é claro, a Mulher-Maravilha.
 Dominika Ładycka

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Trocadilhos e jogos de palavras

Brincar com as palavras pode resultar nisto:
acalmar: mar calcário.
alheia: aldeia em que se cultiva alho.
amarelas: pessoa que gosta muito de rãs.
amiudar: dar à luz uma miúda.
anáfora: expressão usada pela  mãe de qualquer Ana, quando a filha não está em casa.
armário: estilo da moda no qual o mais importante é ter o mesmo ar que o Super Mário
arrepio: voz de uma coruja que está zangada.
biscoito: prazer a dobrar.
cachorra: nome do lugar destinado para chorar.
calcorrear: correr com o corpo coberto de cal.
cantarolar: rolar, girar ou dar cambalhotas cantando alguma canção.
chumbar: tipo de bar onde se bebe de maneira muito pesada.
cigarro: carro de ciganos.
coca-bichinhos: bichos que consomem cocaína.
corpulento: pessoa que chega sempre atrasada.
couve- flor: vaca americana que vê uma flor.
doador: uma pessoa que partilha a sua dor com outras pessoas.
enlear: atuar no teatro como Rei Lear.
enriquecer: transformar-se em Henrique.
épico: pico electrónico.
fadista: artista que possui poderes sobrenaturais e faz magia.
família: ilha que tem muita fama.
gaguejar: imitar a Lady Gaga.
homogéneo: génio só numa disciplina.
indigente:  pessoas da Índia.
manicura : tratamento feito com as mãos por um curandeiro.
miniaturista : turista pequeno.
moção: moço muito alto.
padreco: padre ecologista.
quadrimestre: pessoa que domina quatro disciplinas diferentes.
recolher: colher acusada de cometer um crime.
secadilhos: trocadilhos inventados por mim.
Toranja: mulher de Thor
transparente: familiar que gosta de vestir roupa do sexo oposto.
tresnoitar: passar três noites no mesmo lugar.

Turma do 2º ano de mestrado em Estudos Portugueses