A partir do próximo sábado dia 26 de novembro, no centro comercial GALA em Lublin, e até ao dia 15 de dezembro estará patente ao público uma exposição coletiva de fotografia sobre Portugal, organizada pelo Centro de Língua Portuguesa Instituto Camões (CLP/IC)em colaboração com a Biblioteca Municipal de Lublin. Os autores são todos amadores, de idades e áreas profissionais distintas e em comum têm a paixão pela fotografia e por Portugal. No ano passado o (CLP/IC) organizou um concurso de fotografia amadora, que reuniu cerca de 140 trabalhos, e que agora fazem parte do espólio do museu da UMCS. Expostas estarão, entre outras, algumas dessas fotografias.
Revista dos alunos de língua portuguesa da Universidade Maria Curie Sklodowska, Lublin, Polónia
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Exposição de fotografia
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
“ É lembrança di nha infância... ”
Queria contar-lhes a história dum concerto inesquecível que pude ouvir há anos atrás. No dia 5 de agosto de 2006, muitos fãs vieram ao festival Globaltica (1) organizado em Gdynia, para ver uma famosa cantora cabo-verdiana, Cesária Évora. Embora fizesse muito frio aquela noite, não houve nenhum assento livre no auditório. Vestindo um sári violeta, Cesária Évora apareceu por fim no palco sem sapatos como o sinal da solidariedade com os pobres de Cabo Verde. Iniciou o show com a canção Isolada do seu primeiro álbum. A sua fabulosa voz misturou-se com os instrumentos. O resultado foi uma melodia de folk sentimental combinada com os ritmos afro-cubanos. Mesmo que o público não compreendesse o seu crioulo cabo-verdiano, foi capaz de imaginar a pura beleza tropical e a maravilhosa gente da sua pátria. Depois, suportada pela banda dos músicos excelentes, Évora cantou numerosas baladas do seu segundo álbum. As melodias melancólicas eram cheias de saudade e tristeza. Aquela mesma noite, uma cantora polaca teve a oportunidade de dar o concerto junto com “a diva dos pés descalços”: Dorota Miśkiewicz e Cesária Évora cantaram juntas Um Pincelada. No fim do concerto, cantando uma versão fabulosa de Bésame mucho, Cesária provou ser a rainha do género musical chamado a morna. A multidão começou a cantar junto com a diva. A atmosfera foi única. Quando Cesária desapareceu com a sua banda, todos quiseram conseguir um autógrafo seu portanto a polícia teve de impedir que a multidão entrasse no palco. Eu consegui o seu autógrafo depois de ter corrido e apanhar Cesária Évora no seu carro que parou devido a um engarrafamento na rua ;)
Apresento-lhes algumas fotos para que sintam, pelo menos por um momento, a atmosfera extraordinária que cria, por uma parte, “a diva dos pés descalços” e, por outra parte, uma pessoa modesta e cordial.
Nunca me vou esquecer do concerto, da sua voz e do dia que começou a minha aventura com a língua e cultura lusófona. Como Cesária Évora admite numa canção:
É lembrança di nha infância (...)
Mundo ta muda
ma nha estoria ta f'ca.
ma nha estoria ta f'ca.
Cesária Évora a dar autógrafos
Foto: Magda Sędzimir-Dobrowolska, Gdynia, agosto 2006
Foto: Magda Sędzimir-Dobrowolska, Gdynia, agosto 2006
Foto: Magda Sędzimir-Dobrowolska, Gdynia, agosto 2006
Magda Sędzimir-Dobrowolska
(1) GLOBALTICA World Cultures Festival é um acontecimento musical muito importante. O festival descobre os elementos e inspirações étnicas na cultura moderna.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
NÃO É UM ESTEREÓTIPO TÃO FEIO COMO O PINTAM...
Os polacos sabem responder corretamente a 80% das perguntas sobre Portugal! O vinho, o clima mediterrânico e naturalmente Cristiano Ronaldo são quase os símbolos deste país para o polaco típico.
Esse é o resultado de um estudo realizado por mim recentemente num grupo numeroso de pessoas entre 18 e 50 anos, de profissões e gostos variados. Para recolher os dados foi utilizada uma pesquisa com as perguntas fechadas e abertas sobre a geografia, a política e a cultura de Portugal. Os entrevistados responderam corretamente a 80% das perguntas.
No que diz respeito às informações tais como a capital ou a bandeira de Portugal, os inquiridos não desiludiram. 100% conhece qual é a cidade mais importante e que cores compõem o símbolo representativo do país. No entanto, apenas metade tem consciência de qual é o sistema político. Levanta-se a hipótese de que tal fato poderia ser explicado devido à falta de interesse dos polacos sobre as relações externas entre a sua pátria e outros países europeus.
O conhecimento sobre a geografia portuguesa é muito elevado também. Todos os entrevistados sabem que este país fica no sudoeste da Europa e situa-se na zona ocidental da Península Ibérica. Somente 70% sabe que as ilhas da Madeira e dos Açores pertencem a Portugal.
Quase todos os inquiridos orientam-se muito bem no futebol português. As representantes do sexo fraco, que nem sempre estão ao corrente do que se passa no mundo desportivo, associam-no com Cristiano Ronaldo. Outra categoria do conhecimento que obteve mais respostas corretas foi a música. É surpreendente que 93% dos entrevistados saibam que o fado é um estilo musical de origem portuguesa. Além disso, as bebidas alcoólicas portuguesas não são alheias às papilas gustativas dos polacos ou pelo menos ouviram falar nelas. Não é preciso apresentar o vinho do Porto a ninguém.
A sondagem prova que os polacos, hoje em dia, relacionam Portugal com o lugar quente, cheio de sol, com as praias onde se pode passar as férias deleitando-se com um copo dum vinho saboroso; um país que é estimado no mundo do futebol. Igualmente, os inquiridos lembram-se dos descobrimentos geográficos. Alguns reparam na música evocando uma banda musical −os Madredeus. 87% expressa o desejo de viajar para Portugal explicando que é o clima mediterrânico que os atrai, além disso, a sua cultura e as pessoas que lhes parecem interessantes.
O presente artigo teve como principal objetivo investigar a presença de possíveis estereótipos relacionados com a cultura estrangeira, neste caso portuguesa. A pesquisa mostra que o nível de conhecimento dos polacos sobre Portugal não é tão baixo como, de fato, se podia achar. A maioria dos entrevistados admite que o que sabe sobre Portugal é através da televisão, dos jornais e da Internet. Por isso é uma ótima ideia que se propague o conhecimento sobre Portugal.
sábado, 22 de outubro de 2011
A Encruzilhada
O ar está carregado. Fulgurante. Ar ardente.
Fico à espera dos espíritos que hão-de vir.
Lembro-me bem daquela noite. Cada toque dos tambores parecia ser uma resposta para cada batida do meu coração, e o coração esforçava-se como podia para não ficar atrás do ritmo. Tropeçou e perdeu o rasto dos bombos logo no início, quando as baquetas começaram a açoitar a pele estendida nos tambores num frenesim que acelerava. Logo que o fogo e os cantos alcançaram o céu, a multidão preta formou um círculo em volta das chamas. E à luz da fogueira vi a fome que tinham impressa nas caras. Precisavam do ritual. Precisavam de que os espíritos entrassem neles, montassem-nos, tomassem o controlo. Homens brancos, hordas e hordas de homens brancos, tinham sido vistos nas costas do Daomé, e tinha chegado o tempo de consultar os loa. Cada loa era um antepassado, cada loa tinha um laço com o Deus que tinha criado isto tudo. Espalhadas em volta da fogueira havia inúmeras cruzes e linhas de farinha, sinuosas, a zigzaguear pela terra. Aqui onde estou agora, chamam-nos vévés, emblemas que invocam os espíritos do outro mundo. Naquela noite, a farinha entrelaçava-se com o sangue dos animais sacrificados e oferecidos aos loa.
Cada homem, cada mulher que espreitavam agachando-se em volta da fogueira, cada um estava à procura de algo. Um rapaz da minha tribo estava a arranhar o ar, suplicando por uma consulta com a sua família, massacrada na ladeira de um monte havia vários anos por uns assassinos que nunca foram condenados. Aos meus pés, um velho corcunda troncudo estava deitado com os lábios a remexer no chão, a sussurrar palavras de vingança e maldição. Alguns procuravam a justiça, outros a força, outros ainda procuravam ser livres da dor. As súplicas eram mais sombrias e mais guturais do que o normal; muitos pediam o conselho dos loa da guerra e do assassínio para afastar os invasores.
E alguns procuravam algo que não sabiam o que era e a quem podiam recorrer para o encontrar. Eu era daqueles últimos.
O ritmo dos bombos tornou-se mais sinistro. Os tocadores estavam escondidos, martelando os grandes tambores. Do outro lado da fogueira chegava o som de ossos a baterem contra ossos, recolhendo o mesmo ritmo e tornando-o seu próprio. Pelo canto do olho, vi um sacerdote com um grande colar de raízes a lançar a cabeça para trás, levantar uma tigela de líquido com ambas as mãos e abrir a boca para o receber. O caminho para os deuses. A música ecoou contra as minhas costas quando me aproximei do curandeiro. Arranquei o vaso das mãos estendidas dele.
A água preta atingiu a minha garganta. Tremi. Era como se uma navalha estivesse a deslizar para as minhas vísceras.
A dor paralisou o meu corpo. O cheiro do mundo mudou de uma forma que nem consigo descrever. Rostos contorcionados. Sons a vibrar sem ordem nem harmonia, formas estranhas a brotar lá onde antes não as havia. Eu já fazia parte da música. Éramos indistintos. O ruído dos batuques passou para dentro e confundi o bater do coração com o do tambor. Girava e girava e sentia a poção a penetrar nas veias. A dor era inimaginável. Era a dor que sente um condenado quando o metem num barril cheio de lâminas e o mandam para o pé da colina. Era a dor do machete. Era uma dor cristalina. Senti a fogueira a aproximar-se de mim, ou eu dela.
Salta. Agora. Já.
Saltei. As chamas acolheram-me.
Morri.
Morri? É, morri. Certo. Escuridão e silêncio. Mas o ar tinha mudado. O ar não muda na terra da morte; desaparece. Dei-me conta de que os meus olhos estavam a acostumar-se à escuridão e que em volta havia contornos que se esforçavam por se destacar. Os retumbos da cerimónia ainda ficavam nos ouvidos, um ou outro estalido de lenha penetrava o ar. Passo a passo comecei a ver as minhas extremidades, estranhamente sem queimadura que se visse na superfície da pele. Estava numa sala grande com um tecto baixo de que se projectavam pequenas raízes. Havia caminhos, caminhos por todo lado, caminhos de cinza, cor de carvão, pretos e ainda mais pretos. Alguns levavam directamente a um dos portais que discernia lá ao longe, outros serpenteavam sem eira nem beira antes de afundar-se no negrume.
O meu caminho terminava num raio de luz a iluminar uma janela na infinita parede da vivenda. Dei um passo. Logo um outro. De repente uma figura apareceu do meu lado da janela e dei um pulo para trás. Esbarrei com as costas numa porta de madeira no meio do chão, uma porta que não se abria de nenhum dos dois lados. Aproximei-me do vulto. Era um velho barbudo com o rosto escondido debaixo de um chapéu de palha de aba larga. Apoiava-se num bastão, rudemente esculpido. O seu cachimbo acendia quando aspirava, mas não deitava fumo nenhum. Um cão estava deitado ao pé dele com a cabeça posta no chão. Acima da janela havia uma cruz escarlate com quatro línguas, bordada na madeira.
“Que lugar é este?” perguntei.
Demorou a responder, sempre a olhar pela janela. “Em função do que procuras, pode ser a tua salvação, a tua sepultura ou a tua nova morada.” Aspirou e deixou sair um fumo invisível. “Há muitos que vêm cá e batem na porta. Poucos me dão a vontade de abrir.”
“Foi você que abriu aquela porta?”
“Se fui eu, é porque julguei boa a razão pela qual vieste.”
“Não conheço a razão pela qual vim.”
“Eu sim. Se tivesses batido sem o teu coração procurar algo, deixava a porta fechada.”
“Qual o caminho que tenho de escolher?”
Pela primeira vez, o velho olhou para mim. Apenas conseguia distinguir um olho branco puro e um outro, mais preto do que a calada da noite. Agarrou no bastão e tocou na parede com a ponta. Milhares e milhares de tábuas apodrecidas caíram com um estrondo que nem uma barraca de palha. A parede esbarrou num chão poeirento. Estávamos numa planície parda e castanha, com uma clareira no centro que acolhia uma imensa coluna de madeira a arranhar o céu, lá onde a vista já não chegava. De algum lado chegava o som abafado dos tambores.
“Eu estou cá para te mostrar os rumos. Mas quem escolhe és tu.”
Na clareira, os caminho já não eram sinuosos. Todos partiam do centro como os raios do Sol, directamente para um destino indicado somente pelos emblemas impressos na terra preta de cada um. Percorri o círculo de estradas carbonizadas, arrastando as pernas. Uma volta… duas… três. Na terceira volta vi dois rumos, um ao lado do outro, que não estavam lá antes. O primeiro tinha como emblema uma cruz sobre um pedestal, flanqueada por dois caixões. O segundo – o que parecia ser um coração com linhas ondulantes a entrar nele.
Não sei o que é que me levou por aquele último. Ainda hoje, perante este altar defunto, não sei. Sei porém que me atraía de maneira tão forte que o velho espectro do cachimbo fantasmal desapareceu do meu pensamento. Fui cegamente na direcção que indicava a estrada.
A planície dos dois lados do caminho estava deserta. Pardo, tudo pardo. Sempre em frente, sem olhar para trás. Havia lá montes e desfiladeiros, e o caminho, ao princípio recto como a haste de uma seta, começou a transformar-se debaixo dos meus pés, elevar-se, cair, conduzir-me caoticamente da esquerda para a direita e no sentido contrário. O terreno mudava que nem um enorme bloco de cera, moldado e espremido por uma mão ainda maior. Chegava ofegante ao pico de uma ladeira de carvão e deslizava sem querer pela montanha de lama que sempre estava do outro lado, uma montanha íngreme que parecia afogar-se na terra e penetrar no além-mundo. A paisagem flutuava junto com a estrada: floresciam açucenas repentinas rodeadas de borboletas e os aromas da primavera, mas logo caíam mortas e murchavam depois de eu passar, substituídas por destroços de pedra e lenha a arder. E depois cheguei a um lugar onde o frio perfurava a pele e esburacava os pulmões. Olhei para os pés. Estava na encruzilhada do meu caminho com um outro, e os dois logo seguiam como um só, recto, rectíssimo, já sem nada em volta. Esta nova estrada tinha dois emblemas. Reconheci ambos. Um coração com curvas entrelaçadas. Uma cruz num pedestal com dois caixões ao lado.
Não havia outra hipótese. Empreendi o caminho. Fazia frio. Oh, que frio fazia.
Jan Rydzak
Jan Rydzak
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
O DISCO QUE MUDOU PORTUGAL
Na capa do single „Chico Fininho” de 1980 pode-se ver um jovem magro e bigodado, com óculos estilo aviador, uma guitarra pendurada no ombro, a mão com relógio de pulso colocada na anca, um ar despreocupado, em frente dele – o microfone. O jovem – Rui Manuel Gaudêncio Veloso – em 2010 celebrou 30 anos de carreira no palco; a canção sobre o „freak da Cantareira” abriu-lhe a porta ao grande sucesso que dura até hoje.
O grande Rui Veloso tinha a mesma idade que eu agora, quando gravou o disco que iria revolucionar a música portuguesa: „Ar de Rock” (1980). Foi em 1976 que Veloso iniciou uma amizade e, ao mesmo tempo, colaboração com outro jovem com gostos musicais parecidos aos seus, Carlos Alberto Gomes Monteiro, conhecido como Carlos Tê. No princípio os dois amigos trabalhavam com músicas em inglês, mas a editora, interessada em assinar contrato com eles, exigia que escrevessem e cantassem em português. Tê escreveu as melhores letras que se podia sequer sonhar, histórias e retratos que permaneciam na memória. Deu a vida a personagens simbólicos como o já mencionado „Chico Fininho” ou o seu equivalente feminino – a „Rapariguinha do shopping”.
O sucesso foi imediato. Na rádio, ouvia-se, noite e dia, as composições daquele dueto de sonho que foram Tê e Veloso. Abriram caminho para outros grupos da música rock (UHF, Taxi, Salada de Frutas, Jáfumega, Trabalhadores do Comércio, Street Kids ou GNR entre outros) que naquela altura começaram a ter editoras e um público grande e entusiasmado, disposto a pagar pelos discos e espectáculos. Quer se queira, quer não, Rui Veloso é chamado o „pai do rock português”, o homem que iniciou todo o „boom”. Ele próprio diz que foi "uma sucessão de eventos que conduziram a uma feliz conclusão", confirmando assim a teoria que apesar do talento deve-se também ter um bocadinho de sorte. Ele tinha tudo: jeito para a guitarra, uma voz brilhante, o melhor letrista de Portugal e grande amigo numa só pessoa, e aquele indispensável sorriso da fortuna. Bastou para 30 anos e ainda não se esgotou, somente mudou um pouco.
Rui Veloso tem hoje 53 anos, (http://www.youtube.com/watch?v=uZ11OprsXyY)envelheceu e engordou, trocou os óculos por lentes de contacto, cortou o bigode e perdeu o melhor da sua voz; o que não o impede de ser uma das figuras mais importantes da música popular, um verdadeiro tesouro nacional. A sua importância fica bem refletida no fato de que na "Enciclopédia da Música Portuguesa" o artigo sobre ele ocupa o segundo espaço, mais páginas ocupa só Amália Rodrigues. Recentemente abriu a sua própria editora e é, com certeza, o principal ponto de referência para jovens músicos do país.
Chico Fininho
(Letra e música: Carlos Tê)
Gingando pela rua
Ao som do Lou Reed
Sempre na sua
Sempre cheio de speed
Segue o seu caminho
Com merda* na algibeira
O chico fininho
O freak da Cantareira**
Chico fininho
Uuuuuuh uuuuuuh
Aos sss pela rua acima
Depois de mais um shoot nas retretes
Curtindo uma trip de heroína
Sapato bicudo e joanetes
A noite vem já e mal atina
Ele é o maior da cantareira
Patchuli borbulhas e brilhantina
Cólica escorbuto e caganeira
Chico fininho
Uuuuuuh uuuuuuh
Sempre a domar a cena
Fareja a judite em cada esquina
A vida só tem um problema
O ácido com muita estricnina
Da Cantareira á Baixa
Da Baixa á Cantareira
Conhece os flipados
Todos de ginjeira
Chico fininho
Uuuuuuh uuuuuuh
* merda – neste caso, sinónimo de droga
** Cantareira – antiga zona portuária da cidade do Porto. Local onde se encontra a única travessia de barco para Vila Nova de Gaia, mais precisamente para a Afurada. Constituía uma escala frequente nos passeios habituais de Carlos Tê ao longo da zona ribeirinha.
Chudziutki Franek
(Tekst i muzyka: Carlos Tê)
Bujając się ulicą
Przy dźwięku Lou Reeda
Nic go nie obchodzi
Zawsze na pełnym speedzie
Podąża swoją drogą
Z działką gówna* w kieszeni
Chudziutki Franek
Ten freak z Cantareiry**
Chudziutki Franek
Uuuuuuh uuuuuuh
Zygzakiem ulicą pod górę
Po jeszcze jednym strzale w toalecie
Korzystając z tripu po heroinie
Koślawy paluch i buty ze szpicem
Idzie już noc, więc ledwo trafia
On jest największy z całej Cantareiry
Paczuli, pryszcze i brylantyna
Kolka, szkorbut i sraczka
Chudziutki Franek
Uuuuuuh uuuuuuh
Zawsze rozkminia o co chodzi
Wyczuwa tajniaka na każdym rogu
W życiu ma tylko jeden problem
Kwas z dużą zawartością strychniny
Od Cantareiry do Baixy
Od Baixy do Cantareiry
Zna się jak łyse konie
Z każdym popaprańcem
Chudziutki Franek
Uuuuuuh uuuuuuh
* gówno – w tym przypadku, synonim narkotyku
** Cantareira – dawna strefa portowa w Porto. Miejsce, gdzie znajduje się jedyna przeprawa statkiem do Vila Nova de Gaia, dokładnie do Afurada. Stanowiła częsty punkt w codziennych spacerach Carlosa Tê wzdłuż nabrzeża.
Maciej Chojnowski
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