segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Ricardo Reis através dos olhos de José Saramago



  Ricardo Reis é um dos heterónimos de Fernando Pessoa – um dos melhores poetas portugueses escreveu na época do modernismo e é comparável a Lu
ís de Camões em grandiosidade nas letras. Para além de poemas Pessoa escreveu também em prosa. Alguns anos depois outro excelente escritor português – José Saramago faz de Reis protagonista dum dos seus livros – “O ano da morte de Ricardo Reis”. Saramago cultivou muitos géneros literários, mas no mundo é conhecido geralmente pelos seus livros em prosa. No ano de 1998 foi o primeiro português a ser galardoado com o Nobel da Literatura.
   Segundo Fernando Pessoa, Ricardo Reis é apaixonado pela cultura antiga, é estoico e crente nos deuses antigos num país católico. Nasceu no Porto em 1887, foi educado num colégio de jesuítas e formou-se em medicina. Tambéfoi um escritor muito bom, no livro do Saramago Reis escreve, por exemplo, uma ode a Lidia. Quando a situação em Portugal estava menos segura Reis mudou-se para o Brasil porque era monárquico. Pessoa não nos informa o que se passa depois com Ricardo.
   Saramago no seu livro continua a história de Ricardo Reis no ano 1936 depois da morte do Fernando Pessoa pela qual Reis decide voltar a Portugal. Segundo Saramago, Reis é apresentado como uma pessoa indecisa – não sabe o que vai fazer em Lisboa, se está para sempre ou só para umas semanas. Mora num hotel onde conhece duas mulheres totalmente diferentes – Lidia que é limpadora e a Marcenda – uma jovem muito tímida com a mão paralisada. Ao mesmo tempo tem um romance com a Lidia e apaixona-se por Marcenda. Saramago revela-nos novas caraterísticas de Reis – é cobarde porque tem medo de acabar estas relações apesar de saber que faz mal e também tem vergonha por Lidia porque ela é de baixa classe social.
   Mas realmente neste livro o comportamento e a vida de Reis nãé o mais importante. Saramago através de Ricardo Reis quer apresentar-nos Lisboa e a situação em Portugal e em toda a Europa naquela época. Vemos tudo pelos olhos do Ricardo Reis e é uma visão triste e pessimista. No ano 1936 na Europa a situaçãera muito difícil, os ditadores detinham o poder, por exemplo Hitler, também em Portugal a posição do Salazar se tornou mais forte. Outro elemento importante é a descrição de Lisboa muito detalhada e tão real como se estivesse lá e visse Lisboa pelos meus próprios olhos. As ruas, edifícios, as pessoas, tudo é muito real e muito triste.
   Saramago introduz no seu livro também a personagem do Fernando Pessoa de uma maneira muito interessante. O poeta volta à Terra depois da sua morte e pode estar aqui durante nove meses, como na barriga da mãe, mas só Reis pode vê-lo. As conversas entre Reis e Pessoa são a fonte das informações sobre o caráter de Reis ou sobre a situação de Portugal e da Europa, porque Reis informa Pessoa o que as pessoas dizem e o que se escreve nas revistas.
    Na realidade o Ricardo Reis nãé o protagonista mais importante do livro do Saramago, só serve para apresentar os verdadeiros protagonistas – Portugal e Lisboa. Ricardo Reis é apresentado como um homem que quer viver no mundo ideal e belo, mas sabe que isto nãé possível porque a realidade que o cerca é obscura e desagradável. Por isso no final do livro Reis decide deixar este mundo e vai-se com Pessoa.
Paulina Szczygielska








domingo, 12 de fevereiro de 2012

O Carnaval do Rio – festa do samba


  Se perguntares a um polaco com que associa o Brasil, vai dizer: o Carnaval do Rio de Janeiro. No final de janeiro, milhares de turistas brasileiros e estrangeiros vêm ao Rio para assistir à festa mais conhecida no mundo.  Diz-se que o Carnaval é  dança,  álcool e  sexo, mas na realidade tem um sentido mais profundo.   O Carnaval tem raízes na antiguidade nas celebrações dos romanos e dos gregos. Os portugueses trouxeram a tradição do Carnaval para o Rio no século XIX e depois, os próprios habitantes do Brasil, acrescentaram alguns elementos africanos. No início dançavam samba durante as cerimónias religiosas, depois o samba tornou-se uma dança profana. Dantes, a participação no Carnaval foi importante para os escravos, já que fazia que se sentissem livres. Agora, os habitantes das favelas também podem esquecer-se da sua situação penosa e viverem uns momentos sem pensar nos problemas. A celebração do Carnaval dura quatro dias e ocorre geralmente em janeiro ou fevereiro. Durante este período todos se divertem, sem exceção: pobres, ricos, jovens, adultos. A festa começa com a coroação do Rei Momo e a entrega da chave de ouro da cidade pelo presidente da câmara. O que junta os participantes do Carnaval é o samba - a dança nacional do Brasil com muitas variações, criada pelos afro-brasileiros. A palavra samba provém da palavra angolana semba e significa um tipo da música ritual. Provavelmente não há brasileiro nato que não saiba dançar samba. Existem muitíssimas escolas de samba que representam diferentes bairros cariocas. A primeira escola foi fundada em 1928 e chamava-se Deixa Falar. A escola mais antiga que existe até hoje é Mangueira. Os alunos preparam-se durante todo o ano para se apresentarem no desfile do Sambódromo. Os bailarinos arranjam as suas fantasias e constroem os carros alegóricos. A música é acompanhada pelos instrumentos de corda, tambores e outros.  As escolas têm bandeiras com cores diferentes e o seu próprio estilo do vestuário. Também dispõem dos salões de samba onde se pode passar uma noite a aprender a dançar e entender o verdadeiro espírito do samba. As escolas de samba são compostas por dois locais. Primeiro são as quadras de samba – uma espécie do clube de dança onde se toca música ao vivo. Segundo são as unidades de produção – o lugar onde se produzem os carros alegóricos e o vestuário. A competição termina no último dia no qual as escolas são avaliadas por quatro jurados em dez categorias e elege-se a melhor escola de samba. O momento importante é a eleição da Rainha do Carnaval. Os jurados reparam na beleza das aspirantes ao título e na sua arte de dançar. Em 2010 a eleição da Rainha causou controvérsia, já que foi escolhida uma menina de sete anos.
  Quando na Polónia estamos a meio do inverno, as pessoas no Brasil desfrutam do ambiente quente, não só porque estão em pleno verão, mas porque participam na festa que aquece os corações e causa a verdadeira alegria.
Magda Kycia

Contra a música kitsch


O mundo da música atual está completamente inundado pela onda das canções pop que entram na cabeça com facilidade, não transmitem nenhuma mensagem importante, são conhecidas pelo texto banal e insignificante, são nada mais do que kitsch. Sabe-se que a cena é dominada pelas produções norte-americanas. Pouco a pouco, as pessoas mais populares, no caso das mulheres, em vez de mostrar talento, exibem os seus valores corporais.  A praga das “canções sobre nada” ou melhor, das artistas sem talento, encheu ao máximo o mercado da música. Estamos embrutecidos pelos efeitos especiais, novos bits, o acúmulo da música eletrónica, esquecendo o mágico e simples som dos instrumentos como por exemplo a guitarra clássica.  O que conta agora é o lucro. Vender e ganhar, são as duas palavras que se repetem como um refrão duma canção que neste caso podia chamar-se “Ode ao consumismo”. Somos então nada mais que os clientes que fizeram da música um produto igual a uma garrafa de leite ou uma caixa de fósforos. Esta situação permanecerá?
Na França, contra essa nova doença já há as fortes objeções. Em 2010, a indústria da música lançou no mercado uma nova artista e compositora excecional, com o pseudónimo artístico “Zaz”. Mulher com um timbre de voz forte instantaneamente ganhou os corações do público exigente com seus arranjos musicais do estilo jazz, misturado com o soul, a música francesa e acústica. Ela também interpreta as canções clássicas de Edith Piaf uma cantora fabulosa, eo Jacques Brel, Charles Aznavour, Serge Gainsbourg, Mireille Mathieu, Joe Dassin e Patricia Kaas.
Ao mesmo tempo, na indústria da música nasceu como sua irmã gémea, Mayra Correa Aygadoux, mais conhecida como Maria Gadú. Nascida em São Paulo a 4 de dezembro de 1986, esta jovem cantora, compositora e violonista já por duas vezes foi nomeada para um Grammy Latino nas Categorias Melhor Artista Revelação e Melhor Álbum de Cantor / Compositor. Em 2010 também foi premiada com o Prémio de Música Digital pela Música Mais vendida, com a sua canção mais conhecida: "Shimbalaiê" (http://www.youtube.com/watch?v=AVkcEHe_p0w). Vale a pena mencionar que ela aproveitou o repertório de um dos grandes artistas franceses Jacques Brel, interpretando a sua canção “Ne Me Quitte Pas”. O mercado tomou a sua criatividade musical de braços abertos. Samba, bossa nova, rock e blues são os géneros de música com os quais ela trabalha e tem sucessos, criando  obras fantásticas. Ao ouvir o fruto do seu trabalho podemos sentir-nos como se estivéssemos no Brasil graças ao ambiente bem transmitido nas canções.
  Apesar da falta dos efeitos especiais ou da nudez feminina, e que as artistas manifestam somente seu talento musical, os CDs delas vendem.  Isto é uma grande prova de que ainda há salvação para o mundo perverso da música. Não é uma coisa perdida! Além disso, o mercado é aberto não só às canções inglesas mas também às que são cantadas em português!

Karolina Graczyk 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O Erasmus – um olhar menos entusiástico



  Nos últimos anos tenho observado o programa Erasmus. Foquei-me nas tão famosas e sonhadas oportunidades de passar alguns meses até um ano a estudar noutro país, alargando os seus horizontes sociais e culturais como diz o Guia Prática Eramus. E infelizmente, tendo em consideração algumas observações feitas em torno deste programa, pelo jeito hei de dizer que o Programa Erasmus promete mundos e fundos aos seus estudantes pouco conscientes da realidade. Antes de começar – o meu olhar será um pouco diferente, sendo uma estudante de Filologia, destaco outros benefícios que surgem desta oportunidade.

 A Universidade
   A primeira coisa a fazer depois de saber o seu país de destino é obviamente procurar  informações sobre a universidade onde se vai  passar uma pequena parte da sua vida. Normalmente, depois de um certo entusiasmo ao saber que se ganhou  uma oportunidade tão grande, a segunda coisa a fazer é cair das nuvens. Um estudante caí das nuvens procurando  aulas que sejam aproximadamente parecidas com as que tem na sua Universidade. O Eramus, não é só umas testes  fáceis na nova Universidade, mas também os exames que pacientemente esperam para serem passados na Universidade de origem na altura dos exames de segunda época. Esta etapa de Erasmus poderia ser menos difícil caso os professores não dificultassem a vida dos estudantes que estiveram fora  algum tempo (e normalmente é o que acontece). Então, a boa escolha das aulas na sua nova Universidade terá impacto direto só no regresso.
Ficando ainda no ambiente das aulas, vale a pena adicionar que há universidades nas quais um estudante de Eramus é tratado como uma certa distinção e aproveitando disso, a sua estadia parece mais umas  férias extensas de que um período no ano académico. Mas existem instituições onde não há uma diferenciação entre estudantes estrangeiros ou nativos – estudar é estudar e obrigações são para todos.

O dinheiro
   Uma das temáticas mais problemáticas para os estudantes que vão estudar fora. Embora possam usufruir de algum apoio financeiro para fazer face às despesas de estudar e viver num país estrangeiro, mesmo assim – o Erasmus não é para todos.  O valor da bolsa oferecida pela universidade depende sempre do número de meses de permanência e na maioria dos casos equivale a tuta e meia. Esse apoio não basta para cobrir todos os custos que um aluno terá durante a sua permanência no estrangeiro. Falando da bolsa é difícil traçar um cenário de otimismo. Para comprová-lo, basta só mencionar os números das bolsas que foram oferecidas a um grupo de alunos da nossa Universidade que são bolseiros Erasmus agora. Questionados, se o dinheiro que receberam do Programa supre as suas necessidades básicas, todos respondem em uníssono que não. Sem a mãozinha dos pais ou outros fundos seria até impossível viver só da bolsa.

O pessoal
   Não se pode de forma alguma dizer que a participação no Programa Erasmus não abra as portas a uma exploração cultural e linguística. Mas a decisão de começar esta interação varia de estudante para estudante consoante o seu objetivo.  O grupo Erasmus é um grupo restrito no qual os participantes costumam passar um certo tempo juntos e assim  não interagindo muito com os nativos, sendo só solicitados apenas em informações básicas. A língua predominante neste grupo é o inglês e isso põe em cheque um estudante de filologia por exemplo ibérica. Aparentemente não há nenhum obstáculo para fazer amizades com os nativos, mas na verdade é que poucos deles estão interessados em fazer novos amigos que logo irão embora.O outro problema que surge no quotidiano é a diferença de interesses – os nativos tendo uma possibilidade de praticar o inglês preferem utilizá-lo por ser uma língua muito comercial. Isso acontece muitas vezes nos locais públicos do centro de cidade. Parece que um estudante que queira praticar a língua de um país em que está a fazer o programa, tem que ir a uma lojinha bem velha e pequena nos arredores da cidade para praticar eficazmente umas conversas quotidianas.

  Em suma, espero ter contribuído para uma visão mais realista de que é ser bolseiro Erasmus. Se alguém realmente quer usufruir deste período no estrangeiro tem que se dedicar mais porque a descoberta de um novo mundo será sua e não dos nativos. Claro que também é possível passar este tempo de uma maneira ótima com os outros erasmuses, mas a questão é que se neste período não se perde a oportunidade de tirar o máximo proveito que oferece o Programa Erasmus.

Katarzyna Szypura

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Os polacos em Portugal nos anos 1940-1945


  É o título de uma exposição que é apresentada em Varsóvia. A exposição foi elaborada pelo Gabinete dos Assuntos dos Combatentes e Vítimas da Repressão da Polónia e é uma forma de agradecimento para os portugueses que ajudaram a polacos durante a Segunda Guerra Mundial. Esta exposição esteve também patente em Portugal, no Estoril, sob o título “Exilados, políticos e diplomatas em tempos difíceis”.
    Se pensarmos em Portugal, vemos sol, praia e mar. Os portugueses são para os polacos como os espanhóis – gostam de festa e sesta. Se pensarmos nos portugueses durante a Segunda Guerra Mundial, não podemos imaginar nada. O que foi Portugal para os polacos durante os anos da guerra? O país que ficava longe e não tinha nada em comum com a Polónia. A resposta não é correta. A Segunda Guerra Mundial começou em 1939  e durou até 1945. Os anos deste conflito militar foram dos mais trágicos da história mundial. A política externa de Portugal na guerra era uma política de neutralidade. Os países neutros eram os lugares para onde fugiram os refugiados. Graças à sua situação geográfica Portugal foi um destino seguro para as pessoas que queriam sair da Europa. Portugal era para eles um abrigo. Os estrangeiros que chegaram a Portugal tinham uma cultura diferente da dos habitantes, mas este facto não determinou negativamente a relação com os refugiados. Nos anos da guerra muitas pessoas encontraram o refúgio no território português.
     Durante a Segunda Guerra Mundial os polacos eram forçados a fugir da sua pátria. Eles escaparam não só para a Grã-Bretanha ou para os Estados Unidos da América, mas também para aos países da Península Ibérica. Depois da capitulação da França em 1940 os polacos fugiram para Portugal. Os países ibéricos para uns eram só uma paragem durante o caminho para outras terras e para outros – um lugar onde se estabeleceram. Nos anos 1940-1945 Portugal recebeu seis a sete mil  refugiados da Polónia. Entre as pessoas que passaram por Portugal podemos destacar: o ex-ministro Ignacy Jan Paderewski, o general Władysław Anders, o general Józef Haller, o vice-ministro dos negócios estrangeiros Jan Szembek, a atriz Irena Eichlerówna. A exposição apresenta a vida dos polacos em Portugal, as formas  de organização institucional (especialmente o Comité de Ajuda para os Refugiados da Polónia em Portugal), a atividade do serviço de espionagem e as relações entre os polacos e os portugueses. É obvio que os polacos não podiam residir e formar as suas instituições no território português sem ajuda dos portugueses. Eles receberam os refugiados e ofereceram-lhes as boas condições de vida, desenvolvimento político e deram-lhes  a possibilidade de apoiar os polacos que estavam na Polónia.
    Na minha opinião essa exposição tem muita importância. Graças a ela podemos ficar a saber os acontecimentos desconhecidos ou pouco conhecidos do nosso passado. Infelizmente, nas aulas não se fala sobre a cooperação ente os polacos e os portugueses. A exibição apresenta-nos factos importantes, mas omitidos nos livros da história polaca. Esperamos que essa exposição passe também por Lublin.

Monika Belowska

PARQUE NACIONAL DA PENEDA-GÊRES

   Com o que é que nós, os estrangeiros, associamos Portugal? Todas as respostas são parecidas: alta temperatura, turismo, praias, Lisboa... Alguns, os mais conscientes, diriam “fado” ou “porto” (referindo-se ao vinho, claro). Poucas pessoas pensam nas zonas afastadas dos centros turísticos. Nem sequer sabem que o território de Portugal abrange as montanhas onde no inverno também há neve. Um destes lugares desconhecidos à escala global é o Parque Nacional da Peneda-Gêres, o único parque nacional português.
       O parque, mais de 7000 ha de território, está situado no norte de Portugal, nas regiões de Minho e Trás-os-Montes. O seu terreno, constituído sobretudo por rochas graníticas, é atravessado pelos rios Cávado e Lima. A região ocupa um território de altas montanhas, com os picos mais altos na Serra de Gêres (mais de 1500 m). O relevo é constituído pela grande diversidade de planaltos, vales e cotas, com a existência de lagoas e cascatas. Devido à geografia, o clima é bastante variado e compõe-se de microclimas diversos. Esta variedade climática contribui para a flora e fauna exuberantes.
   Entre as espécies vegetais cabe destacar o carvalho como, por exemplo, o carvalho-alvarinho. Nos bosques que formam estas árvores podemos também encontrar azevinhos, arandos, medronheiros, mais de 300 espécies de líquens e muitos outros. Nos terrenos mais altos predominam charnecas e espécies de flores como arméria que torna as paisagens montanhosas ainda mais coloridas.
   O Parque é habitado por uma grande variedade de animais, muitos deles raros ou até endémicos. O símbolo do Parque é o corço. Outra espécie muito conhecida é o garrano – o cavalo nativo de Portugal, em risco de extinção, que aí vive em estado selvagem. O número reduzido dos lobos ibéricos que sobrevivem no terreno evita a presença humana. Também é difícil encontrar as ginetas, os pequenos predadores noturnos. É preciso mencionar mais de 100 espécies de aves como águia-real, bufos ou guarda-rios. Entre os répteis interessantes destacam-se a salamandra-lusitânica, o tritão-marmoreado e vários espécies de serpentes.
      O propósito do Parque Peneda-Gêres não é só conservar a natureza, mas também manter as tradições. Durante a viagem podemos conhecer um pouco da história desta região: admirar antas e dólmenes ou monumentos como castelos e mosteiros ou passear pelas antigas estradas romanas com marcos miliáros (a página oficial do parque oferece a informação sobre os percursos pedestres e de automóvel). As pessoas da região do parque trabalham principalmente na agricultura e na pastorícia. As tradições e os costumes antigos são preservados, sobretudo nas aldeias comunitárias de Pitões das Júnias e Tourém. Desenvolve-se o turismo rural, alguns dos habitantes oferecem alojamento temporário nas casas rurais e casas abrigos. Também são disponíveis os quartos nos edifícios históricos com grande valor arquitetónico ou artístico. Além disso, no território existem parques de campismo. Os turistas habituados ao conforto podem alugar um quarto num dos hotéis da região.  Não surpreende que o Parque Peneda-Gêres seja considerado como Reserva Mundial da Biosfera pela UNESCO. Infelizmente, hoje em dia o Parque enfrenta muitos problemas ambientáis. A conservação da natureza ainda não é suficiente, exerce-se, por exemplo, a caça ilegal, a pesca excessiva ou a colheita de espécies botânicas. As queimadas descontroladas destroem o ecossistema, causam a degradação da vegetação e a erosão. Por causa da fuga dos jovens, a população da região decresce e envelhece. Por isso os europeus devem descobrir o Parque, a sua riqueza natural e as tradições dos habitantes. Portugal oferece aos visitantes muito mais do que as praias cheias de turistas.

A página oficial do parque: http://www.geira.pt/pnpg/index.html

Zyta Padała

A língua da cooperação

            A crise económica deixou milhares de portugueses sem trabalho – a taxa de desemprego em Portugal superou os 13%. Nesta situação cada vez mais pessoas procuram emprego fora do seu país, muitas delas nas antigas colónias portuguesas. Ao contrário das ondas de emigração anteriores, agora emigram sobretudo pessoas altamente qualificadas. O destino principal é o Brasil, que está experimentando o crescimento da construção, pois sendo o país-anfitrião do Mundial 2014 e da Olimpíada 2016 precisa dos especialistas de vários setores, principalmente dos engenheiros e arquitetos. Também as ex-colónias africanas são ultimamente destino dos emigrantes portugueses, sobretudo Angola e Moçambique que se desenvolvem rapidamente e necessitam profissionais para criarem  infraestruturas. Assim existe um enorme mercado lusófono de trabalho e os portugueses têm oportunidade de emigrar sem temor de problemas na comunicação, já que podem falar na sua própria língua.
            Por esse mesmo fator a maioria dos imigrantes em Portugal vem dos países africanos de língua portuguesa. Para ajudá-los o Estado Português criou o Centro Nacional de Apoio ao Imigrante e recebe mais de 700 pessoas por dia, oferecendo-lhes informações sobre a vida no país. Além disso, Portugal apoia os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Timor Leste no seu desenvolvimento, concedendo-lhes créditos (emprestou-lhes já perto 1.800 milhões de euros) e cofinanciando vários programas, por exemplo o Projeto Apoio ao Desenvolvimento do Sistema Judiciário PIR PALOP.
            Mas a cooperação entre os países lusófonos não é só económica. Todos eles colaboram para preservar a língua portuguesa. Há 15 anos formaram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) com o objetivo de integrar os territórios lusófonos e promover o seu idioma. Além disso, tentam reforçar a sua presença no cenário internacional e cooperar em vários domínios, como saúde, ciência e tecnologia, justiça, desporto, cultura e educação, entre outros.
            A cooperação e o apoio mútuo na área de educação constituem também o fim principal da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab). Essa instituição surgiu na cidade brasileira Ceará só no ano passado, mas já se educam ali 180 estudantes – a metade deles dos países africanos. Deste modo o Brasil participa na integração de estudantes lusófonos. Essa idéia é muito popular nos últimos tempos. Fundam-se diversas instituições que propagam o intercâmbio de investigadores e estudantes, bem como o intercâmbio de informação entre centros de aprendizagem lusófonos. Uma dessas organizações é a Associação das Universidades da Língua Portuguesa (AULP).
            Para preservar e popularizar essa língua surgiu em São Paulo o Museu da Língua Portuguesa, que combina arte, tecnologia e interatividade para apresentar aos visitantes vários aspetos do idioma, suas origens, história e influências sofridas. Também promove cursos e seminários sobre a língua portuguesa e suas diversas áreas de influência.
            O português é um idioma com mais de 200 milhões de falantes e que ultrapassa as fronteiras nacionais. Mesmo que se notem as diferenças na pronúncia, gramática e no vocabulário, tanto os portugueses, como os habitantes de outros países lusófonos podem comunicar-se uns com os outros sem maiores problemas. Todos eles esforçam-se para conseguir um espaço lusófono unido, para que todos os falantes de português possam sentir-se em casa fora das fronteiras do próprio país, como se tivessem várias pátrias. Ou uma grande, de acordo com a frase de Fernando Pessoa: “Minha pátria é a língua portuguesa.”

Katarzyna Kłodnicka

As favelas do Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro é uma das cidades mais famosas do mundo. Ao mesmo tempo é uma cidade muito contraditória. Esta antiga capital do Brasil é um lugar cheio de paisagens bonitas, de gente simpática, de dança, alegria, sol e com a estátua de Cristo que com as mãos abertas cuida da cidade. Mas fama e beleza não são as suas únicas características. No terceiro lugar, sem dúvida, pode colocar-se o perigo. É uma cidade onde os assaltos, narcotráfico e assassinatos estão no ordem do dia. Mas este perigo encontra-se nos arredores do Rio, longe das maravilhosas casas dos ricos políticos e empresários. Encontra- se nas favelas. As favelas foram a fonte das inspirações para muitos artistas. O filme mais famoso que conta a inquietante e verdadeira história de uns rapazes que crescem num dos bairros dos arredores do Rio, chama-se “A Cidade de Deus” (http://www.youtube.com/watch?v=CjmvbfkH_is&feature=related). Este filme de Fernando Meirelles apresenta-nos a essência das favelas: corrupção, narcotráfico, assaltos, sofrimento, morte. Mas será que realmente a vida lá é tão má como a mostram no filme? De algum modo as pessoas, e não são poucas, conseguem viver ali. 
A maior favela de toda a cidade (e provavelmente de toda a America Latina) chama-se Rocinha onde moram mais de 100 mil pessoas (http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7e/1_rocinha_favela_closeup.JPG)(http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/6e/Rocinha_rio_de_janeiro_panorama_2010.jpg) . É a casa da quadrilha ADA (Amigos dos Amigos) que é atualmente o gangue dominante no Rio de Janeiro. O boss da quadrilha chama-se Nem e nada pode acontecer na Rocinha sem a sua autorização. A favela é bem protegida, nas entradas podem-se ver rapazes (que com certeza não têm mais que vinte anos) com metralhadoras penduradas nos ombros que observam quem quer entrar no seu território. Têm consigo  rádios, caso tenham de chamar os reforços. O gangue admite os visitantes, gosta de atenção, mas exige o cumprimento das suas regras. Por exemplo não se pode tirar fotografias em certas zonas, que constituem os pontos de observação para os “soldados do gangue” ou não se pode olhar de forma provocativa para os membros do gangue. Na favela não se paga por nada. Energia, água, televisão até internet são gratuitas. Tudo é roubado da cidade. A cada poucos metros podem ver-se  grandes teias de cabos  pendurados acima das cabeças das pessoas. Se alguém não obedece às regras da Rocinha desaparece misteriosamente, e não é possível encontrar o seu corpo. Se obedece, vive sossegadamente.
 Com todo o horror que se produz por culpa dos gangues é muito fácil esquecer que as favelas não são  fortalezas mas  bairros onde vivem pessoas honestas mas pobres que trabalham muito para manter a família e que são controladas por criminosos que se aproveitam da ausência do poder público. Paradoxalmente as favelas são os lugares mais seguros de toda a cidade. Os criminosos não podem cometer os crimes dentro das suas favelas (com exceção do tráfico das drogas) contra as pessoas inocentes. Então os residentes estão relativamente seguros (exceto quando os gangues lutam entre si). Os crimes têm lugar fora das favelas e a maioria dos cidadãos estão acostumados a ser assaltados. Na realidade este dinheiro que perderam (e que provavelmente para eles foi pouco) pode manter a família do ladrão durante um mês. Isto põe em causa as regras de moralidade porque nada justifica os crimes, mas às vezes a moralidade tem de ser ajustada às condições.
 Alguém poderia perguntar onde está a polícia? A primeira regra na favela diz que a polícia é o inimigo e os contactos com ela são tratados como traição que resulta geralmente na morte do traidor. A polícia não tem muita influência na favela. De vez em quando ocorrem tentativas de pacificar as favelas, mas geralmente esta ação tem sucesso só nas chamadas “toy favelas” que não são importantes para os gangues. Mas favelas como Rocinha são intocáveis para a polícia. Ocorreu uma vez que o helicóptero da polícia durante a tentativa de pacificar a favela foi atingido por uma bazuca. Por outro lado não se pode considerar a polícia impecável. A maioria desta instituição pública é subornada e não luta pela justiça mas pelos próprios benefícios.  A única força militar da qual os gangues  têm medo é o BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) que ficou famoso graças ao filme “Tropa de Elite” (http://www.youtube.com/watch?v=ocFgDzdgfBk&feature=related) . Os seus métodos são eficientes mas controversos. Na opinião da maioria das pessoas, inclusivamente da Amnistia Internacional , BOPE abusa da sua força e não respeita os direitos humanos básicos. É chamado por alguns  “A maquina de matar”.
  O Rio de Janeiro é considerado  por umas pessoas de "A cidade de Deus". Mas na realidade é uma cidade que não tem nada a ver com a proteção de Deus. 

Para aprofundar o tema recomendo:
- O documentário brasileiro de 1999 Notícias de uma Guerra Particular”, realizado por  Kátia Lund e João Moreira Salles  http://www.youtube.com/watch?v=1WDQayolMfw .
 - O documentário americano de 2005 “Favela Rising”  da autoria de Jeff Zimbalist e Matt Mochary http://favelarising.com/ http://www.youtube.com/watch?v=vKSuaPxYU0s

Beata Gorgol

A POSIÇÃO DA MULHER NO MUNDO E EM PORTUGAL


O tema da mulher não cansa. Pelo menos não a todos. Cansa mais ao homens mas visto que em qualquer faculdade de letras predominam as mulheres é muito provável que alguém gostará do tema e lerá o meu artigo sobre a posição da mulher no mundo e em Portugal.
            Do ponto da vista de demografia, é uma evidência que as mulheres formam mais de metade da humanidade. Embora sejam tantas, a sua posição no mundo deixa muito a desejar. A sua influência continua a ser inferior. Basta olhar para o sistema governamental de qualquer país no mundo. Quase todos os presidentes e primeiros-ministros tendem a ser homens, menos Dilma Rousseff e Angela Merkel, umas excepções notáveis. Não tardamos em perceber que a liderança no mundo político permanece machista. Além disso, não é só na política que se repara a perpetuação das desigualdades entre os sexos. Em regra, as mulheres têm menos direitos políticos, económicos e sociais, sobretudo nos países árabes onde o problema de desigualdade entre os sexos é ainda mais aterrorizante. Em muitos países desenvolvidos pode-se confirmar a regra que as mulheres ganham menos do que os homens e são tratadas de forma aparentemente desigual. A área onde as mulheres conseguiram ser tratadas igualmente é a educação, mas neste caso também a mudança das mentalidades sobretudo dos homens, ocorre gradualmente.
            Concentrando-me na situação das mulheres em Portugal, existe um grande risco de elas ficarem no desemprego por culpa da crise hoje em dia. Não é nada novo que as mulheres em Portugal são as pior remuneradas e as menos valorizadas como trabalhadores se comparamos com o sexo oposto. As estatísticas dizem que a média salarial das mulheres em relação aos homens é menos 18%. Quase  metade das mulheres ganham só até 500 euros e a maioria delas ganha o salário mínimo. Muitas das mulheres portuguesas que foram demitidas ou que não conseguiram encontrar o emprego enfrentam o risco de ficar em casa para sempre.
            Sobre as consequências prováveis do desemprego prolongado da maioria das mulheres em Portugal, é evidente que elas serão simplesmente afastadas das realidades por muito tempo e será muito difícil para elas regressar ao trabalho. Como reconhece Ana Paula Viseu, da União Geral de Trabalhadores, ''não foram as mulheres que provocaram a crise, porque as mulheres não estão nos lugares de decisão, não estão nas organizações que definem as coisas, porque não chegam lá, não estão porque não há espaço para elas''. Também, as estatísticas provam que 60% dos trabalhadores pobres são mulheres. A pobreza impede que elas se elevem do nível de inferioridade já que ganham tão pouco que não podem satisfazer nem as suas necessidades básicas nem profissionais. 
            Se calhar sempre exageramos a precariedade da situação das mulheres, mas é obvio que continuam existindo desigualdades entre homens e mulheres no mercado de trabalho e na vida social. Se calhar justificamos as mulheres sem saber os pormenores só porque são as mulheres: uma ''espécie'' frágil, nascida da costela dum homem e ao longo da história maltratada pela mentalidade machista do mundo. Ou se calhar, devido a todas as injustiças, preconceito e discriminação que existe no mundo contemporâneo, as mulheres ficam mais fortes do que nunca sendo capazes de suportar a sua posição inferior.
Agata Świrgoń

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O Caminho de Santiago em Portugal

Como surgiu o caminho de Santiago?
Diz a lenda que em 813, na Galiza aconteceu um estranho fenómeno. Durante vários dias um ermitão - Pelayo - observou uma verdadeira chuva de estrelas que caía sobre um bosque chamado Liberum Donum. Avisado das luzes místicas, o Bispo Teodomiro de Iria Flávia ordenou que fizessem escavações neste local graças às quais foi encontrada uma arca de mármore com ossos. Era o túmulo de São Tiago. Por causa deste acontecimento chamou-se ao lugar Campus Stellae (Campo de Estrelas), de onde derivaria o atual nome de Santiago de Compostela. A notícia da descoberta da tumba do Apóstolo espalhou-se e os peregrinos – primeiro dos estados cristãos do norte peninsular, depois de toda a Europa – começaram a chegar a Santiago de Compostela a fim de conhecer o sepulcro, originando assim, o Caminho de Santiago de Compostela.
Os caminhos
A tradição de peregrinar a Santiago de Compostela tem quase já 1200 anos. Durante este tempo apareceram muitas vias conducentes à catedral onde se encontra a tumba de São Tiago (chamado em espanhol Santiago). A mais popular é o caminho francês – declarado em 1993 pela UNESCO Património Imaterial da Humanidade - que começa numa vila fronteiriça da França com Espanha (Sain-Jean-Pied-de-Port) e percorre toda a Península. O culto jacobeu em Portugal intensificou-se a partir da independência do país em meados do século XII, ainda que provavelmente já existia na Alta Idade Média. Os crentes seguiam o exemplo de reis, nobres e altos clérigos. Uma das mais famosas peregrinas portuguesas foi a rainha Santa Isabel que fez a peregrinação pouco depois da morte de D. Dinis em 1325. Até hoje em dia podemos ver capelas, igrejas, conventos, alminhas e cruzeiros com a imagem de Santiago Peregrino que há muitos anos foram fundados pelos ricos peregrinos. Nos últimos ano o caminho português é o segundo escolhido com mais frequência e o número dos peregrinos que escolhem esta rota cresce de um ano para o outro.  A maioria das pessoas começa a sua peregrinação no Porto mas há quem parta de Lisboa ou de Lagos. Ao mesmo tempo cresce o número dos peregrinos da nacionalidade portuguesa. Nos primeiros dez meses de 2011 caminharam para Compostela mais de sete mil portugueses (em 2009 foram 4 854 em total).

Por que se caminha?
Apesar das raízes cristãs do caminho de Santiago, hoje em dia apenas  metade dos caminhantes declara a motivação religiosa da sua peregrinação (não necessariamente a cristã). Para eles é um caminho espiritual, uma rota à procura de si mesmos, um caminho para se encontrarem e se conhecerem. Para outros, é um tipo do turismo, com conotações culturais, históricas, gastronómicas, etc.; é uma aventura, visitar lugares que desconhecem, ultrapassar as suas limitações; é uma viagem esotérica e mística, passando por lugares considerados desde sempre carregados de magia. Esta diversidade é a grande riqueza de todos os caminhos de Santiago onde podemos encontrar gente de literalmente todas as camadas sociais, pobres e ricos, crentes de todas as religiões, ateus e agnósticos, as pessoas idosas e os jovens, casados, solteiros e viúvos, com formação académica e os que nem andaram na escola primária. Conhecer as outras culturas, modos de pensamento é sempre uma experiência enriquecedora e por isso vale a pena caminhar por um dos caminhos que nos levam a Santiago de Compostela.
Bom caminho!

Zofia Gajos

Para encontrar mais informações o leitor pode consultar os sites (que também foram usadas para escrever este artigo) de varias organizações que trabalham para o desenvolvimento dos caminhos de Santiago, entre outros:
Associação de Peregrinos Via Lusitana www.vialusitana.org
Guardiões do Caminho de Santiago www.caminhodesantiago.org
Federação Espanhola de Associações de Amigos do Caminho www.caminosantiago.org (em espanhol)
O caminho de Santiago - guia prática www.caminodesantiago.consumer.es (em espanhol)
Mundicamino www.mundicamino.com/ (em espanhol, inglês, francês, alemão, italiano e japonês)
Dobrar Fronteiras www.dobrarfronteiras.com/guia-caminho-portugues-santiago/


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Pozdrowienia z końca świata - Longe do mundo


Ontem pelo nosso Centro passou Catarina Guimarães para nos dar a conhecer o seu livro Pozdrowienia z końca świata - Longe do mundo.  Mais do que um simples relato de viagens, a autora faz um retrato intimista de Portugal. Ao longo de 80 páginas, Catarina Guimarães partilha com o leitor não só o que viu, mas acima de tudo o que sentiu ao viajar por Portugal.  Nestes tempos difíceis, que Portugal atravessa, conhecer a opinião de uma estrangeira que se sente portuguesa, e que fala do nosso ˝cantinho˝ com tanto amor, faz-nos pensar que Portugal vale a pena! Catarina Guimarães é o pseudónimo de Katarzyna Ulma, tradutora profissional, que viveu alguns anos em Lisboa. A visita ao centro não se limitou à apresentação do livro, pois ao longo do dia conduziu um seminário e uma oficina de trabalho precisamente sobre tradução.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Exposição de fotografia


A partir do próximo sábado dia 26 de novembro, no centro comercial GALA em Lublin, e até ao dia 15 de dezembro estará patente ao público uma exposição coletiva de fotografia sobre Portugal, organizada pelo Centro de Língua Portuguesa Instituto Camões (CLP/IC)em colaboração com a Biblioteca Municipal de Lublin. Os autores são todos amadores, de idades e áreas profissionais distintas e em comum têm a paixão pela fotografia e por Portugal.  No ano passado o (CLP/IC) organizou um concurso de fotografia amadora, que reuniu cerca de 140 trabalhos, e que agora  fazem parte do espólio do museu da UMCS. Expostas estarão, entre outras, algumas dessas fotografias. 

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

“ É lembrança di nha infância... ”

          Queria contar-lhes a história dum concerto inesquecível que pude ouvir há anos atrás. No dia 5 de agosto de 2006, muitos fãs vieram ao festival Globaltica (1) organizado em Gdynia,  para ver uma famosa cantora cabo-verdiana, Cesária Évora. Embora fizesse muito frio aquela noite, não houve nenhum assento livre no auditório. Vestindo um sári violeta, Cesária Évora apareceu por fim no palco sem sapatos como o sinal da solidariedade com os pobres de Cabo Verde. Iniciou o show com a canção Isolada do seu primeiro álbum. A sua fabulosa voz misturou-se com os instrumentos. O resultado foi uma melodia de folk sentimental combinada com os ritmos afro-cubanos. Mesmo que o público não compreendesse o seu crioulo cabo-verdiano, foi capaz de imaginar a pura beleza tropical e a maravilhosa gente da sua pátria. Depois, suportada pela banda dos músicos excelentes, Évora cantou numerosas baladas do seu segundo álbum. As melodias melancólicas eram cheias de saudade e tristeza. Aquela mesma noite, uma cantora polaca teve a oportunidade de dar o concerto junto com “a diva dos pés descalços”: Dorota Miśkiewicz e Cesária Évora cantaram juntas Um Pincelada. No fim do concerto, cantando uma versão fabulosa de Bésame mucho, Cesária provou ser a rainha do género musical chamado a morna. A multidão começou a cantar junto com a diva. A atmosfera foi única. Quando Cesária desapareceu com a sua banda, todos quiseram conseguir  um autógrafo seu portanto a polícia teve de impedir que a multidão entrasse no palco. Eu consegui o seu autógrafo depois de ter corrido e apanhar Cesária Évora no seu carro que  parou devido a um engarrafamento na rua ;)
          Apresento-lhes algumas fotos para que sintam, pelo menos por um momento, a atmosfera extraordinária que cria, por uma parte, “a diva dos pés descalços” e, por outra parte, uma pessoa modesta e cordial.
          Nunca me vou esquecer do concerto, da sua voz e do dia que começou a minha aventura com a língua e cultura lusófona. Como Cesária Évora admite numa canção:
É lembrança di nha infância (...)
Mundo ta muda
ma nha estoria ta f'ca.

     Cesária Évora a dar autógrafos  
Foto: Magda Sędzimir-Dobrowolska, Gdynia, agosto 2006
                                          Foto: Magda Sędzimir-Dobrowolska, Gdynia, agosto 2006
                                                      Foto: Magda Sędzimir-Dobrowolska, Gdynia, agosto 2006
 Magda Sędzimir-Dobrowolska



 (1) GLOBALTICA World Cultures Festival é um acontecimento musical muito importante. O festival descobre os elementos e inspirações étnicas na cultura moderna.