No dia 2 de março
de 2012 às 11.00 horas na sede do Centro de Língua
Portuguesa do IC em Lublin, será inaugarada a exposição OS POLACOS EM PORTUGAL NOS
ANOS DE 1940-1945. Organizada pelo Gabinete dos Assuntos dos Combatentes e Vítimas da Repressão e pelo CLP/IC esta exposição
esteve patente no Estoril, em Portugal, em setembro de 2011, na versão
portuguesa, e foi apresentada também na Biblioteca Nacional em Varsóvia, em
dezembro de 2011, na versão polaca. A exposição é dedicada aos refugiados polacos que durante
a Segunda Guerra Mundial encontraram refúgio em Portugal. É também uma
forma de agradecimento à nação portuguesa pela ajuda que deu aos nossos
compatriotas. Portugal recebeu mais de seis mil cidadãos polacos cujos vários aspetos da vida
diária poderão ser vistos em antigas fotografias.
Revista dos alunos de língua portuguesa da Universidade Maria Curie Sklodowska, Lublin, Polónia
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Faro e os seus habitantes
És de Faro, és farense. É uma das inscrições mais frequentes nas paredes da capital algarvia. E essa frase tão simples, se calhar, define melhor a gente local. Embora a cidade tenha aspeto relativamente moderno, a tradição e os hábitos parecem ser mantidos de geração em geração. Esse sentido de identidade profunda com as origens e património é bem visto no dia a dia dos farenses. Durante os cinco meses que morei em Faro, tive oportunidade de observar várias atitudes e hábitos dos seus habitantes. Faro, Albufeira e Portimão, há muitos anos que constituem locais de lazer preferidos de milhares de turistas, nomeadamente, os dos países mais ricos da Europa. Sem dúvida alguma, uma das causas que mais os atrai são os mais de 300 dias de sol durante ano. Por isso mesmo o Algarve deveria ser aconselhado a todos que sofrem de depressão. De facto, o turismo é o aspeto crucial de desenvolvimento de toda a região. Daí vem a já referida modernidade que se reflete num panorama infinito de hotéis. Portanto, dir-se-á que os farenses habituaram-se à presença constante das pessoas de fora. Mas parece que nem sempre é assim. Às vezes, tenho impressão de que já estão um pouco fartos dos estrangeiros. Obviamente, isto não quer dizer que sejam xenófobos. Nada disto. O que acontece é que costumam assumir atitudes diferentes perante os turistas. A maioria dos estrangeiros que vêm para cá, não sabe português. Na verdade, não sabem da missa a metade. Então os farenses (apesar de serem muito simpáticos), podem parecer um pouco antipáticos e até hostis. No entanto, uma palavra em português chega para se transformarem nas pessoas mais benevolentes do mundo. Quanto a mim, acho que estou numa posição um bocado privilegiada por causa do meu aspeto, porque os portugueses nem sempre reparam que sou estrangeiro, aliás, só é assim até ouvirem o meu sotaque. Já experimentei que essa antipatia a que me referi antes é só aparente. Se calhar, isso foi o motivo que me incentivou para começar a dar dois dedos de conversa com eles. E nunca me dececionei, sempre me responderam com benevolência. As pessoas em Faro são muito sociáveis.
Quanto aos lugares onde os farenses costumam encontrar-se, omitindo as inúmeras pastelarias e cafeterias, um dos mais emblemáticos é um bar que todos os dias reúne os adeptos mais idosos da equipa local. Sem dúvida, muitos deles recordam com muitas saudades a temporada 1994/1995, quando o seu querido SC Farense culminou no quinto lugar na primeira divisão e classificou-se para a Taça UEFA. Foi o maior êxito da equipa algarvia até então. Outro lugar de destaque, desta vez frequentado por pessoas de todas as idades, é o CheSsenta bar. Durante a semana, apresentam-se ali os músicos locais que compartem com os ouvintes o melhor da música portuguesa. Assim conheci a criação musical de Zeca Afonso, Jorge Palma ou Rui Veloso.
Paweł Nowak
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Portugal – uma mescla para todos os sentidos
Temos cinco sentidos e podemos aproveitar cada um deles em Portugal. Há quem diga que uma viagem a Portugal seja uma verdadeira festa para os nossos sentidos
A visão – o sentido muito importante não só para os homens. Todos gostamos de ver uma coisa agradável e durante uma viagem transformamo-nos nos animais que querem ver tudo. Imediatamente pensamos nos monumentos e lugares mais representativos da arquitetura portuguesa como o Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa, a Casa da Música no Porto ou o Centro Histórico da Évora. Mas durante uma estadia em Portugal temos a oportunidade de observar muito mais. São as coisas pequenas que podemos notar em cada passo, como por exemplo os azulejos: azuis, brancos e vermelhos. A praia do Porto coberta por um grande nevoeiro pelo qual os raios atravessam com dificuldade. As cores em cada lugar que provocam uma sensação de alegria: o amarelo do sol, o azul do céu, cor de laranja das frutas maduras. As ruas estreitas com os carros velhos, casas pequenas de cor branca ou azul e roupa que está pendurada nas janelas.
Graças à audição podemos ouvir o ruído do mar e o grito das gaivotas ou o barulho um pouco menos agradável produzido pelas pessoas no Bairro Alto em Lisboa. Ouvimos as canções do fado que expressam a saudade e já são conhecidos em todo o mundo. As motorizadas e os elétricos nas ruas também produzem um som muito caraterístico para Portugal. As guitarras, o zumbido nas ruas e as conversas nas cafeterias, os sons noturnos de Albufeira ou… o silêncio nas cidades pequenas – ficam na memória das pessoas que já estiveram em Portugal.
Portugal oferece uma oferta muito ampla para o nosso paladar. Os mais conhecidos são, sem dúvida, o bacalhau e o vinho, mas a ementa portuguesa é muito rica. As pessoas que visitaram Portugal mencionam os pasteis de nata, sardinhas assadas, sopas como o caldo verde, todos os tipos de café acompanhados pelas bolas de Berlim e muito, muito mais. Já vemos que a ementa deste país parece interminável e a visita a Portugal é como uma festa para os amantes da cozinha.
A oferta de Portugal para o nosso olfato também é muito ampla: o cheiro do mar, do sol na pele, dum bom café, do feijão com arroz e chouriço, do marisco e das laranjeiras. Tudo o que podemos imaginar, especialmente relacionado com a comida porque a comida tem um papel muito importante na vida dos portugueses.
Não nos esqueçamos do tato que tem muito a ver com a areia quente na praia e com as conchas que pisamos com os pés descalços. Os que gostam dos mercados guardam na memória a fartura das frutas ou marisco postas à venda.
A serenidade, a melancolia e o ar húmido no Porto ou o asfalto ardente, os mercados dos peixes e os vendedores das laranjas em Albufeira – o que preferes? O mais importante é que cada pessoa pode, usando os seus sentidos, descobrir outras coisas, outras caraterísticas, outros milagres pequenos do quotidiano e, em consequência, outro país em Portugal.
Magda Grdeń
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A Amazónia e o seu fado
A Floresta Amazónica do Brasil é um milagre verdadeiro no nosso Planeta. É chamada frequentemente o pulmão do mundo. É indispensável para todas as criaturas vivas na Terra que o nosso pulmão produza oxigénio sem parar como o faz agora. Sem isso, nós, os humanos e todos os animais morreríamos imediatamente. Além de ser “incubadora” do mundo vivo, a Amazónia e as outras selvas, quer dizer, as florestas tropicais, como na África, Índia, Indochina, Malásia, Filipinas, Indonésia, Nova Guiné ou na Austrália, cria o ecossistema mais complexo e rico da vida de todo o Planeta. O número das espécies que vivem ali é desconhecido (e provavelmente ficará assim para sempre), mas supõe-se que as florestas húmidas sejam o habitat para em torno de 70% de todas as espécies da Terra. Também a biodiversidade da selva brasileira é significativamente mais alta do que a da África ou Ásia. Então, sem exagerar pode-se dizer que a Amazónia e a sua existência são a condição essencial (ou pelo menos muito importante) para a vida no Planeta. Se fôssemos entusiastas da matemática, poderíamos escrever uma equação: a Amazónia = a vida.
Tendo dito isto, podemos olhar à situação atual da Floresta Amazónica. O que é que esta a passar com a nossa vida (não esqueçamos a equação)? A palavra “desflorestação” é bem conhecida. Outra é “desmatamento”, que significa a conversão de áreas florestais para áreas não florestadas. Todos os dias a destruição de territórios enormes está a avançar até que não fique totalmente nada. É bem provável que no ano 2075 reste só 5% da floresta atual. Mesmo sendo enorme agora...! Mas não nos preocupemos, naquele dia já estaremos todos mortos...
Por que estaremos mortos? Há várias razões e todas parecem ser tão lógicas como espantosas. A primeira é que a floresta Amazónica, como já disse, produz oxigénio. Bom, é mais correto dizer que as plantas (as árvores) da Amazónia absorvem o dióxido de carbono que precisam para a fotossíntese e ejetam o oxigénio que lhes sobra. Chamemo-lo como o chamarmos, sem oxigénio da selva amazónica não sobreviveremos. Além disso, sofreremos as mudanças do clima, como por exemplo, o aquecimento global. E como sempre um problema é a causa do outro, o aquecimento leva ao efeito de estufa. Para além disso, a destruição da camada de ozono será completa (com todo este dióxido de carbono na atmosfera) e a radiação solar não terá nenhum obstáculo no seu caminho para a Terra. Então, quem quer um cancro...?
A pergunta importante é por que motivo certas pessoas querem contribuir para matar toda a humanidade? A resposta é muito simples: o dinheiro. No norte do Brasil a pobreza é significante. Cortar as árvores valiosas e vendê-los aos ricos dos Estados Unidos ou Europa é incrivelmente lucrativo. Também existe a necessidade dos combustíveis e terrenos novos para pastagens e cultivo (que duram só dois ou três anos e depois não servem para nada, então é preciso encontrar outro terreno queimando mais árvores...). Os pobres não têm muitas opções de trabalho para manter as suas famílias e se as têm, preferem escolher a opção mais fácil e rápida, o que não é difícil de compreender. Só que assim o milagre, o pulmão e a fonte da vida do nosso Planeta serão destruídos irreversivelmente. Boa sorte, humanidade, para sobreviver sem oxigénio!
Elżbieta
Grygorczuk
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Goa… ainda portuguesa?

Ontem entrei na minha página predileta onde se podem praticar línguas estrangeiras. Mal entrei recebi um convite para falar. O convite tinha sido enviado por uma pessoa da ĺndia cujo nome era um pouco estranho para um indiano. Era totalmente europeu, mais parecia português. Depois de cinco minutos de conversa perguntei a essa pessoa a origem do seu nome... Talvez essa pessoa fosse portuguesa? Não, nada tão misterioso. Os nomes portugueses fazem parte de legado que os portugueses deixaram em Goa durante 400 anos da sua residência na ĺndia.
Goa? Goa é um estado na ĺndia. Situa-se na costa do Mar de Arábia. A sua língua oficial é concani, mas ainda existem pessoas neste estado que falam português. A cidade principal chama-se Vasco da Gama. É um estado único onde a cultura indiana e portuguesa misturam-se por todos os lados. Goa, a partir de 1510, foi a capital do Estado Português da Índia, tendo sido integrada pela força na União Indiana em 1961. Falando da descolonização, o governo português liderado por Salazar recusou-se a negociar com a ĺndia. Então o povo indiano decidiu lutar contra os portugueses. Por essa razão, de 18 para 19 de dezembro de 1961 uma força indiana de 40.000 soldados conquistou Goa, encontrando pouca resistência. A maioria das nações reconheceram a ação da Índia, mas Portugal apenas a reconheceu após a Revolução dos Cravos, em 1974. As igrejas e conventos de Goa encontram-se classificadas como Património da Humanidade pela UNESCO.
A questão da religião- O mais importante legado português é a religião. Com a chegada da Inquisição à ĺndia os portugueses tentaram converter os residentes locais. É claro que os indianos não queriam deixar a sua religião e converter-se ao Cristianismo. Algumas pessoas foram ameaçadas com castigos ou confisco de terra, títulos ou propriedades. Também houve pessoas que o fizeram sem nenhum problema. Ser católico em Goa implica militância. Implica uma devoção. A concorrência entre religiões é muita, e os cristãos estão hoje espartilhados pelo hinduísmo dominante e pelo islamismo crescente. Todavia é possível assistir a uma missa na Igreja do Bom Jesus. É a igreja mais popular de Goa.
Os lugares e as pessoas- Em Panaji (port. Pangim) na casa branca da Fundação do Oriente, toda a gente diz que tem raízes portuguesas. Falar português ou apenas ter um apelido lusitano é um sinal reconhecido. No exclusivo Hotel Forte Aguada, por exemplo, as refeições dos hóspedes são acompanhadas pela toada de um fado cantado com sotaque indiano. Ouvir cantar fado enquanto se come um caldo que é verde mas não é Caldo Verde é, no mínimo, surpreendente. Quem anda por Goa acaba sempre por tropeçar em alguma coisa que traz Portugal à memória. Sejam as velhas tabuletas em português, a traça das casas indo-portuguesas ou uma oração murmurada numa das centenas de igrejas e capelas brancas espalhadas pelo território.Não é tão fácil encontrar algum lugar semelhante a Goa. Então quem procura Portugal, mas também procura algum lugar exótico tem de vir ao sitio onde duas culturas totalmente diferentes chocam e fazem algo que não é possível designar só em português mas também em indiano ou em concani. Se vens, descobrirás muito mais do que eu descrevi. Não seria interessante comer bacalhau e observar o carnaval nas ruas de Vasco da Gama vendo os indianos de raízes portugueses disfarçados de conquistadores?
Aleksandra Komorowska
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ERASMUS EM PORTUGAL: AS RELAÇÕES LUSO-POLACAS
O programa da
mobilidade internacional ERASMUS é uma oportunidade de estudar numa
universidade estrangeira, durante um espaço de tempo entre três meses até um
ano académico. Durante este tempo, os estudantes têm a possibilidade de
conhecer a cultura de um país diferente, o seu sistema educativo, melhorar ou
aprender uma nova língua e, o mais importante, fazer amigos de vários pontos
cardeais. Eu, através das minhas experiências durante a minha estadia em
Portugal e, sobretudo através das entrevistas que fiz com outros polacos que
estão a fazer Erasmus no Porto, queria apresentar a imagem de Portugal através
dos «olhos polacos».
A primeira coisa que me surpreendeu foi a
quantidade de polacos que escolheram Portugal para fazer o seu Erasmus. Quase
posso dizer que é difícil não encontrar diariamente um polaco na rua, num
supermercado, num bar ou na Universidade. Este facto mostra a popularidade de
que goza Portugal no ambiente universitário na Polónia. À pergunta: «Porque
escolheste Portugal?», os estudantes respondem que os seus amigos já fizeram
Erasmus aqui e tiveram experiências inesquecíveis, que queriam mudar para um
clima quente, que foi só uma escolha ocasional ou por vezes porque Portugal já
era um país sobre o qual estudavam na Polónia (como no caso dos estudantes da
Filologia Ibérica). Há também casos de pessoas que gostaram tanto de Portugal
que voltaram aqui para fazer o «Erasmus Estágio», ou que decidiram mudar-se
para Portugal para fazer o seu Mestrado na Universidade do Porto.
À segunda pergunta: «Do que é que mais
gostas em Portugal?», a maioria responde: o Sol, os portugueses muito giros
(resposta das meninas), do vinho muito bom (e bem barato) e em geral, da vida
no Porto, pois é uma cidade muito bonita e acolhedora.
«O que é que não gostas em Portugal». A
resposta é unânime: os preços... Para a carteira de um pobre estudante, a
manutenção aqui é de verdade muito dispendiosa, especialmente considerando o
quarto, meios de transporte urbano, comida, etc.. Outra coisa da qual se
queixam os polacos é o tempo que têm de aguardar nas filas da espera. Os
portugueses nunca estão com pressa e isso reflete-se nos seus trabalhos (às
vezes para tirar fotocópias tem que se esperar uma hora (!), embora não haja
muita gente na fila...)
As opiniões sobre a cozinha portuguesa são
sempre positivas. Todos os entrevistados gostam muito dos pratos portugueses,
especialmente dos de peixe como bacalhau com natas, sardinhas assadas, etc.
De muita popularidade gozam os pastéis de nata, sem os quais os polacos
já não se imaginam a sua vida depois do regresso à Polónia. A maioria gosta da francesinha,
uma sandes típica portuense, popular em todo Portugal, com muita carne e um
molho especial à base de cerveja, vinho e polpa de tomate, porém alguns a acham
demasiado pesada (de verdade demora muito tempo para digeri-la). Além disso,
muitas pessoas gostam de vários tipos de folhados, pastéis de bacalhau, bolos e
outros petiscos e sobremesas. O único prato do qual os polacos não gostam muito
são as sopas, especialmente da sopa tradicional portuguesa caldo verde, porém
gostam dos cremes de peixe e de marisco, que são muito difíceis de encontrar na
Polónia. Ainda referente à cozinha, ninguém se esquece de mencionar o delicioso
vinho do Porto, conhecido pelos seus valores no mundo todo.
Quanto à língua portuguesa, poucas pessoas
já falavam português antes de chegarem a Portugal, mas algumas começaram a
aprender aqui. Em geral, a maioria das pessoas diz que no início achava o
português um idioma muito difícil e estranho, mas com o passar do tempo
começaram a considerá-lo um idioma muito bonito e interessante. Um facto
interessante é que para se comunicar com os portugueses não é preciso falar o
seu idioma, já que quase todos falam inglês perfeitamente, algo muito raro na
Polónia.
Quanto ao cinema nacional, uma grande
maioria não conhece nenhum filme português, e das pessoas que viram muitos não
gostaram. O mesmo acontece com a música, os polacos não conhecem a música de
Portugal e ouvem-na só durante o tempo que ouvem a rádio. Todos sabem o que é o
fado, mas só os estudantes da filologia ibérica o ouvem.
Os estudantes de Erasmus da Polónia que
assistiram a uma rixa em Portugal são muito poucos (só duas pessoas, e tenho
que sublinhar que não estavam certas se os que nela tinham participado eram
portugueses). Este facto mostra que a população portuguesa é muito pacífica.
Isto pode-se observar durante as partidas de futebol, nos quais participam
famílias inteiras. Aqui é muito, muito mais seguro, os adeptos das equipas
adversárias não andam à pancada como acontece na Polónia e, por isso, até as
crianças pequenas podem assistir a jogos com os seus pais. Os entrevistados
indicam esta causa para responder à pergunta: «Qual achas que é a razão para a
qual a polícia portuguesa não reagir e não impor multas aos jovens que bebem
álcool em lugares públicos?». A verdade é que os portugueses, como já dissemos,
não são pessoas conflituosas, nem agressivas, mesmo depois de consumir uns
copos a mais. E como sabemos, na Polónia é «um pouco» diferente...
À pergunta: « Já houve alguma situação em
que precisaste da ajuda dos portugueses? Obtiveste-a?» todos responderam o
mesmo, nomeadamente, que sim e que os portugueses estão sempre preparados para
ajudar os outros em qualquer tipo da situação. Mesmo que não saibam falar
inglês, tentam prestar ajuda como podem.
Tomando em conta todos os «nãos» e «sins»
para Portugal cada polaco entrevistado declara que depois de regressar à
Polónia queria voltar aqui um dia. Em
resumo, na Polónia não há muitas pessoas que saibam muito sobre Portugal e em
geral as pessoas associam este país com o Sol, praias, fado e futebol. Porém,
tomando em conta a quantidade dos estudantes da Polónia que escolhem este
destino para Erasmus, podemos observar que o interesse pela cultura e língua
portuguesa no ambiente académico cresce
cada vez mais.
Patrycja Pawecka
TAP- de braços abertos
No
dia 11 de janeiro de 2012 no Qatar a TAP Portugal foi eleita a Companhia
Aérea Líder Mundial para África e pela terceira vez ganhou o título de Líder
Mundial para a América do Sul. A entrega dos galardões teve lugar durante a gala
da grande final dos World Travel Awards
(WTA). Os troféus são considerados os “óscares” do turismo mundial. World
Travel Awards é o maior e o mais prestigiado programa de prémios
na indústria de viagens do mundo. É uma competição
entre as companhias aéreas, hotéis, resorts,
spa e até mesmo empresas que se
ocupam de alugar os carros. Vencer neste concurso é uma possibilidade da
promoção prestigiosa e, sobretudo, de muito dinheiro. Os votos dados pela
Internet mostram onde gostamos de partir e o que esperamos viajando para
diferentes cantos do mundo. A XIX edição do concurso atraiu mais de 213.000
pessoas de mais de 160 países. Luiz
Mór, Administrador-Executivo da TAP afirmou que era uma enorme honra e uma
imensa satisfação para a TAP receber estes dois cobiçados prémios dos WTA, que
os reconheceram agora como a companhia aérea líder mundial para África e
reafirmaram a sua liderança também na América do Sul, pela terceira vez
consecutiva. (http://www.youtube.com/watch?v=OhKV9SspD00)
Todos
os passageiros da TAP são recebidos de braços abertos, de acordo com o lema da
linha aérea portuguesa. A Portuguesa Mariza, o Angolano Paulo Flores e a
Brasileira Roberta Sá juntam-se para dar voz à música que se assume como um
"hino" à união das culturas lusófonas. A estes artistas juntaram-se,
em coro, alguns trabalhadores da TAP. "De Braços Abertos" ilustra a
proximidade e complementaridade entre estes três povos, que partilham língua,
cultura e história. (http://www.youtube.com/watch?v=S1vfiu9qJj0)
A TAP Portugal (antigamente TAP Air Portugal)
é a maior companhia de linha aérea de Portugal. Foi fundada em 14 de março de
1945. É membro integrante da Star Alliance.
Atualmente, a TAP serve 13 destinos e realiza 75 voos por semana aos terrenos
africanos. Em 2001 transportou 235.000 passageiros, enquanto em 2011 mais de
617.000. No mercado brasileiro opera para 10 destinos e realiza 75 frequências
semanais. No ano 2011 transportou 1,5 milhões de passageiros.
Joanna
Śliwińska
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...E LEVA TODO O MUNDO A DANÇAR SAMBA
Um homem elegante, vestido de fato,
canta e dança samba, basta dar uma olhadela para dizer que ele sente se bem no
palco. Quem pensaria que, há alguns anos, este homem seguia a bola como David
Beckham. Para os brasileiros, esta
adivinha não é nada difícil, estamos a falar de Diogo Nogueira, que antes
foi jogador de futebol e agora é um dos
mais conhecidos cantores e compositores de samba. O seu sonho de criança era de
ser jogador, mas uma lesão no joelho fez Diogo mudar de ideias e assim a música
brasileira ganhou um grande avançado. Até que, hoje em dia, Diogo é considerado
como a maior revelação do samba da sua geração.
Diogo Nogueira vem de uma nobre
linhagem do samba, o seu pai João Nogueira foi um dos cantores que contribuíram
para a revalorização do samba nos anos 70. Para Nogueira filho as rodas de
samba estavam sempre abertas. João costumava levar o jovem
Diogo aos seus espetáculos onde ele podia cantar ao lado dos grandes do samba.
Por isso, quando ele decidiu seguir o caminho do seu pai ninguém duvidava do
seu talento. Assim, em 2007, Diogo lançou o seu primeiro CD e DVD “Ao Vivo”. No
disco, Diogo apresenta tanto clássicos do samba como interpretações das músicas
inéditas. Já em 2008, Diogo realizou a
sua primeira viagem internacional para os Estados Unidos como um propagador da
música nacional brasileira que é o samba. Lá, nomeado para o prémio “artista
revelação” participou na festa Grammy Latino 2008. Além disso, aproveitou esta
viagem para arranjar uma pequena digressão nos Estados Unidos. Entretanto, Nogueira filho deu mais um passo
na popularização do samba tradicional. Conseguiu o que o seu pai nunca havia
conseguido na Ala de Compositores da Portela. Tanto em 2007 quanto em 2008, o
samba-enredo feito por Diogo recebeu notas máximas de todos os jurados no
desfile da Portela, totalizando oito notas 10. Jovem, cheio da energia, leva todo o
mundo a dançar samba. O seu sucesso pessoal é também um sucesso do samba que graças
a Nogueira filho se tornou ainda mais popular em todo o mundo. (http://www.youtube.com/watch?v=jxh3FxJgIWc)
Hoje em dia,
Diogo Nogueira colabora com a gravadora EMI Music e leva o samba para plateias
cada vez mais numerosas, em todo o mundo. Nogueira filho não só promove o samba
tradicional mas tenta também ganhar novo
público com a mistura de samba com rock. Além disso, Diogo é apresentador do
programa Samba na Gamboa, na TV Brasil onde convida as grandes estrelas do
samba.
DISCOGRAFIA DE
DIOGO NOGUEIRA:
CD/DVD “AO VIVO”
EMI 2007;
CD “TÔ FAZENDO A
MINHA PARTE” EMI 2009;
CD/DVD “SOU EU”
EMI 2010;
CD “PODER DA
CRIAÇÃO” (COLETÂNEA) EMI 2011.
Magdalena Sułecka
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
A banda desenhada em Portugal, Portugal na banda desenhada...
Os
japoneses têm Dragon Ball, Akira e
todo o mundo do manga, os estadunidenses criaram Spiderman, Batman, Superman e uma ampla gama dos heróis
fantásticos, da França vem Astérix e
nas prateleiras das livrarias polacas pode-se encontrar os títulos como Kajko i Kokosz ou Osiedle Swoboda. A banda desenhada (BD) é uma forma de arte muitas
vezes não apreciada pelas pessoas ignorantes que acreditam que ela é destinada
só às crianças. Outros dizem que não é possível gerar uma história séria com o
aspeto psicológico das personagens desenvolvido, através das imagens e o texto
curto. Não obstante, história aos quadradinhos tem os seus defensores
preparados para matar em nome dela. Os laicos que tenham cuidado.
A
existência da banda desenhada em Portugal começa em 1850 com a publicação Aventuras Sentimentais e Dramáticas do
Senhor Simplício Batista, feita por Flora, (provavelmente o pseudónimo de
António Nogueira da Silva) um dos mais importantes caricaturistas desta época.
A partir deste momento evolvia-se através das ilustrações, das caricaturas e
das publicações nas revistas como O
Mosquito, O Gafanhoto ou nos jornais como Có-Có-Ró-Có ou Tic-Tac. Hoje
podemos escolher entre diversos estilos da criação: a tira (uma sequência de
imagens publicadas diariamente em jornais), o romance gráfico (frequentemente
direcionado ao público adulto), os storyboards,
os webcomics ou os cartoons.
A BD em Portugal tem o grupo dos
representantes bastante pequeno, entre outros, Mário Freitas (Super Pig), Fernando Relvas (Karlos Starkiller), Luís Louro (O Dragão Vermelho), Luis Pinto-Coelho (As Odisseias de um Motard). Cabe
destacar o excelente autor de A Pior
Banda do Mundo. José Carlos Fernandes é uma das mais importantes pessoas no
mundo da BD portuguesa. Obteve muitos prémios pela sua criatividade e alguns
dos seus títulos foram adaptados ao cinema e ao teatro. Atenção merece também Mucha de David Soares, Osvaldo Medina e
Mário Freitas. É uma história de horror intimista e inteligente sobre a ameaça
de desumanização que pende sobre a cabeça de uma camponesa, Rusalka, imergida
no mundo que insiste em ser perigoso e destituído de qualidades. Mucha fica escasso da narração e não
possui muitos diálogos. É basicamente a história contada através das imagens
pretas e brancas.
O mundo da banda desenhada não se constitui
só nas histórias fictícias. Alguns livros tratam dos episódios históricos da nação
portuguesa, por exemplo recém-publicado É
de noite que faço as perguntas, Escrito por David Soares e desenhado por
Jorge Coelho, João maio Pinto, André Coelho, Daniel da Silva e Richard Câmara.
Foi encomendado pela Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da
República e pelo Festival Amadora BD. Como
ponto da partida toma os acontecimentos da época da Primeira República
Portuguesa, os tempos quando a monarquia
acabou. É uma observação sobre a vida, a política e o modo como ambas se
influenciam.
A história aos quadradinhos pode também estabelecer um elo de
ligação entre os diversos países. O bom exemplo são os festivais da BD, como
Festival Internacional de Banda Desenhada em Amadora (Portugal) ou Festival
Internacional de Banda Desenhada e de Videojogos em Łódź. Em 2010, quatro portugueses visitaram a
Polónia e juntos, com os artistas polacos, criaram as bandas desenhadas sobre a
cidade de Łódź. A BD desenvolve-se e espero que obtenha mais fãs e mais
criadores, porque esta forma de arte merece mais reconhecimento e popularidade.
Małgorzata
Koprowicz
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Entrelinhas Entrecortes
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
As lendas modernas
Todos
nos lembramos dos tempos da infância quando os irmãos mais velhos nos contavam
as histórias sobre os fantasmas e nós
tínhamos um medo tremendo, que esses fantasmas nos iam visitar durante a noite.
É fácil lembrar-se a mistura de medo e de excitação provocada por estas
histórias. Alguns de nós também somos capazes de lembrar-nos do que nos diziam
as nossas avós sobre a wołga negra.
Era um método da educação das crianças um pouco controverso, mas dava bons
resultados. Parece que os homens adultos também gostam de histórias deste tipo,
porque todos conhecemos as chamadas lendas
urbanas.
Ouçam! Dizem que...
As lendas
urbanas ou os mitos urbanos são
pequenas histórias de caráter fabuloso ou sensacionalista, popularizadas e
transmitidas de forma oral, por e-mails ou pela imprensa e que constituem um
tipo de folclore moderno. São frequentemente narradas como sendo fatos
acontecidos a um "amigo de um amigo". Há lendas típicas para um
bairro concreto, mas existem também os mitos urbanos traduzidos e adaptados das
outras culturas. Uma lenda urbana muito
conhecida no Brasil é a da loira do
banheiro. Trata-se de uma aluna loira e muito bonita que há muito tempo se
teria suicidado e aparece nas casas-de-banho dos colégios assustando os alunos.
Os fans do Harry Potter vão associar
esta história com a personagem da Moaning
Myrtle do filme Harry Potter e a
Pedra Filosofal. Outra lenda
brasileira é a lenda do Bebé Diabo popularizada pelo famoso (já extinto) jornal
NP (Notícias Populares) que circulou durante 20 anos no Brasil e criou muitas
lendas urbanas conhecidas. Segundo o jornal o Bebé Diabo nasceu com chifres,
cascos e rabo e o seu pai era o Diabo. Os brasileiros têm a imaginação muito
bem desenvolvida porque a lenda sobre O Cadáver nas Garrafas de Coca-Cola vem
também do Brasil. A história supostamente aconteceu em Porto Seguro. De acordo
com a lenda, um funcionário da Coca-Cola teria sofrido um enfarte enquanto
operava um dos tanques de refrigerante e seu corpo teria caído dentro do tanque.
Ainda assim às vezes é difícil identificar
a origem dum mito. Muitos mitos são conhecidos em muitos países e tornam-se
universais. Um dos exemplos destes mitos é o mito de Disney Congelado. Dizem
que depois da sua morte em 1966, Walt Disney foi congelado para ser
ressuscitado, quando a ciência descobrir uma cura para o cancro de pulmão. Outro mito universal é a história da morte
que pede boleia. Nas estradas desertas pode-se encontrar uma mulher jovem que
pede boleia. Na realidade é um espírito duma mulher que se suicidou muitos anos
antes. O mundo da ciência também não é livre dos mitos. Uma história muito
encantadora diz que é possível ver a olho nu a Grande Muralha da China a partir
da Lua. Obviamente não é verdade. A crença que o homem usa só 10% do cérebro
também é uma mentira.
Ouvi
dizer por aí...
Muitas
das lendas urbanas são, na sua origem, baseadas em fatos reais, mas as
histórias passando de boca em boca acabam deformadas, coloridas e falsas. As
lendas modernas não são historias sobre as princesas e os príncipes. É melhor
dizer que são os contos criminais. Mas embora estas histórias sejam ridículas
para nós, gostamos de ouvi-las. Por uma parte nos fazem rir, mas por outra
parte produzem curiosidade e... inquietude, não é?
Futebol – uma tradição moderna
Mesmo
o título deste artigo merece explicação. Como é que uma tradição pode ser
moderna? A tradição, pela definição, deveria lembrar-nos acontecimentos
passados. Por isso, quando ouvimos esta palavra pensamos em festas nacionais,
religiosas, danças que já ninguém conhece. Por outro lado, a idade da tradição
(ou pelo menos a sua representação ou celebração) nem sempre é tão antiga como
pode parecer. Um dos exemplos são as festas do Natal; têm 2000 anos, mas a
forma na qual celebramos estas festas agora surgiu muito mais tarde. A árvore
de Natal apareceu no século XVI. Do meu ponto de vista, a característica mais
importante da tradição é o seu objetivo. Portanto, não vou perguntar “o que é a
tradição?” A pergunta mais adequada será: “para que serve a tradição?”
A resposta mais simples é a formação da
nacionalidade e sentido da pertença. Através da tradição (que é mais antiga do
que a escrita) construiu-se a identidade e o patriotismo, tudo o que juntou as
pessoas em torno da fogueira ou da mesa. Tudo o que lhes deu o sentido de ter
alguma coisa em comum. O que é que tem isto a ver com o futebol? Podemos chamar
qualquer desporto uma tradição por cumprir os requisitos mencionados na
introdução deste artigo. Além disso, os desportos nos quais se usa o pé para
mover a bola já eram conhecidos há 2000 anos (p.ex. na China ou Roma os
soldados praticavam-nos como uma distração ou tipo de exercício físico). Os
adeptos juntam-se em grupos muito grandes graças à existência de clubes, como
Benfica ou S.C. Olhanense[i].
Não se dirigem pela afinidade a nenhum jogador; o que junta essa gente é o
sentido da pertença. Alguma coisa em comum: cores, canções, sítio onde se podem
reunir. A tradição.
A modernidade, por seu lado, quase sempre
tem a ver com o dinheiro. O lado económico do futebol é bem visível. Basta
mencionar, que Cristiano Ronaldo recebe por volta de 20 milhões de dólares por
ano (a metade sendo paga pelos patrocínios como Nike, Coca-Cola ou Armani). David Beckham, que se tornou numa verdadeira
empresa, ganha 30-40 milhões se somarmos o salário, as publicidades etc. Quer
dizer: mais de 90 mil dólares por dia... O futebol tornou-se na verdadeira
religião nacional de Portugal, Itália, Espanha e muitos países mais. Como cada
religião, tem os sacerdotes (jogadores), os seguidores (adeptos) e os templos:
estádios. Os maiores na Europa, como Camp Nou ou Wembley, têm 90 000
lugares. No Estádio da Luz e no do Dragão cabem 65 e 50 mil pessoas
respetivamente. Portanto, não é estranho que a organização de eventos
desportivos seja uma boa oportunidade para os organizadores enriquecerem e
fazerem um pouco de publicidade. É aqui que a economia mostra o seu lado
obscuro. O Euro 2004 em Portugal atraiu um milhão de turistas. Construíram-se
10 estádios por 665 milhões de euros. Agora os estádios estão vazios, as
cidades gastam muito dinheiro em mantê-los. Como será o Euro 2012 na Polónia?
Cabe mencionar o papel do futebol na cultura
popular. Os jogadores são objetos de culto. Vemo-los na televisão e na
internet. Os adeptos sabem tudo sobre os casamentos e divórcios, todos os
pormenores da vida pessoal dos jogadores. A página de Cristiano Ronaldo no
Facebook tem quase 35 milhões de seguidores. A de David Beckham – 14 milhões. A
de Leo Messi – 26 milhões. O futebol é uma tradição para as pessoas que vêm aos
jogos. Vêm para cantar, divertir-se, ver os jogadores mais dotados e passar
tempo com outros adeptos. Da sua graça depende a sorte dos jogadores, a sua
riqueza e fama.
Piotr Wojtaszek
http://www.youtube.com/watch?v=kuL2ny6aSlQ&feature=fvst
http://www.youtube.com/watch?v=M68k-7UMyOQ
http://www.youtube.com/watch?v=YnuQvJdR40A&feature=fvsr
http://www.youtube.com/watch?v=kuL2ny6aSlQ&feature=fvst
http://www.youtube.com/watch?v=M68k-7UMyOQ
http://www.youtube.com/watch?v=YnuQvJdR40A&feature=fvsr
[i] Uma vez que A Redação é inteiramente vermelha, assume
a responsabilidade total na alteração do texto substituindo o nome de uma
conhecida agremiação do norte por outra igualmente conhecida do sul.
*Este texto faz parte do artigo apresentado no Congresso dos Estudantes Lusitanistas da Polónia, intitulado Tradição e Modernidade - Portugal e Lusofonia que decorreu no Instituto de Camões em Lublin.
*Este texto faz parte do artigo apresentado no Congresso dos Estudantes Lusitanistas da Polónia, intitulado Tradição e Modernidade - Portugal e Lusofonia que decorreu no Instituto de Camões em Lublin.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Todas as pessoas de Fernando
Todo o mundo sabe que Fernando Pessoa
desdobrou-se nos heterónimos que são as frações da personalidade e sofrem
faltas quando as comparamos com a personalidade deste génio. Por outro lado,
alguns dos seus heterónimos parecem levar uma vida mais rica do que o seu
criador que parecia... pois, chato. Fernando quase não viajava enquanto Álvaro
Campos viu praticamente tudo. O descobrimento dos fragmentos de ‘Livro de
desassossego’ numa caixa mostra que as pessoas aparentemente insípidas podem ter a vida íntima
extremadamente rica graças à literatura.
A literatura dá-nos
a possibilidade de viver as vidas impossíveis: contornar as regras da
concordância do tempo, do espaço, de uma lógica. Basta abrir o livro, basta ler
ou escrever para viver as vidas dos outros sem correr risco nenhum. É uma
mentira tão inocente e doce como um sonho. Deste ponto da vista todas as
viagens de Álvaro eram tão verdadeiras como as palavras que acabo de escrever.
Em vez de confrontar os seus desassossegos, Fernando escreve-os. Em vez de
fazer malas e dar a volta ao mundo, ele
encerra-se em casa e escreve ‚A passagem das horas’. Deixar os versos em
vez de memórias é a vida de não- existência.
Assim percebo as primeiras palavras de ‘Livro de Desassossego’ onde o autor
escreve que este livro é a sua cobardia. Que tipo de cobardia é essa? É o medo
da morte. Procuramos ultrapassá-la deixando provas da nossa existência como:
registos de memórias, fotografias e formando família. Esta tentativa só serve
para dar alguma resposta para a pergunta ‘Por
que nasci?’.
Há pessoas que
opinam que Fernando Pessoa era louco, mas talvez
fosse só uma pessoa (de minúscula) que, sendo incapaz de encarar a vida e obter
experiências próprias, acumulava a sua dor de entropia e a sublimava nas
obras-primas, passo a passo, e deixava que a sua frustração gotejasse com as
letras belas. Viver só uma vida nunca sacia a
fome. A vida de Fernando não terá sido nenhuma exceção – a sua vida parecia tão
importuna como se tivesse sido uma personagem de Kafka. Por acaso ele precisava
de heterónimos para viver as vidas que nunca viveu. A
meu ver todas as pessoas que criou são os seus sonhos não realizados e por isso
tornaram-se eternos.
Fernando Pessoa
terá sido um génio, não um homem adoidado. Sempre que aparece um pensamento
original o rejeitamos como sendo uma loucura. As pessoas geniais são chamadas
orates porque os seus pensamentos não seguem os mesmos esquemas que nós. O que
nós achamos lógico nem sempre é conforme as regras dela e a ciência mostra que
algumas ‘loucuras’ eram, em fim, verdadeiras.
Para mim, Fernando Pessoa era um sonhador – o
sonhador que provoca riso, o sonhador que nos dá pena, o sonhador que nos
estranha. Era um homem excecional e sensível
demais - isto só provoca fragilidade.
Não podemos
contar quantas pessoas contém Fernando. Deveríamos
perguntar quantas pessoas nós contemos. Não somos idênticos com o decorrer do
tempo, não somos fieis a nós. Éramos diferentes e seremos diferentes. Dentro de
10 anos no nosso corpo não há nenhuma célula que permaneça, então qual é a ideia de adquirir
apenas um nome para toda a plêiade de ‘nós’ possíveis?
Suponho que nos
incomoda notar que o ‘eu’ velho morreu para que o novo nascesse então cada
substituição possui o mesmo nome.
Aleksandra Wilkos
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Tascas de Portugal
Tasco, adega, taberna, casas de pasto, tasca, … foram
estes e muitos mais os nomes que designavam este tipo de lugar que dava e dá
muita originalidade e individualismo às cidades portuguesas. Fosse qual fosse o
vocábulo, nenhum conseguia aliviar a carga negativa que a ideia e o seu local
pressupunham, pois as tascas desde o seu início estavam relacionadas com o
povo, com os operários das fábricas, do mar e da terra, com a classe média, em
cujos bairros a instituição de tasca era obrigatória. Ao longo do tempo iam
aparecendo novos termos que caracterizavam, de forma pejorativa, o sítio e a
gente deste ambiente.
Tascos, cujo espírito e clima não são fáceis de
capturar, poderiam ser definidos como “pequenos estabelecimentos de vinhos,
comunicados com a rua através de uma porta de vaivém imposta por uma lei do
tempo de Salazar, por razões de moralidade pública” (Pinto, Raul Simões,
2007:9). As tabernas tão frequentemente apelidadas de tascas, onde se reunia a
gente local do bairro, não se diferenciavam muito dos outros estabelecimentos
tais como restaurantes, salões de chá, pastelarias ou cafés. Em qualquer destes
lugares, a gente reunia-se com o mesmo objetivo: conviver, comunicar, degustar
e beber conforme os gostos, hábitos e capacidades financeiras. A única
diferença era o tipo de gente que os frequentava.
Os tascos sempre representaram “um mundo masculino
fechado”. Durante muito tempo, as crianças e as mulheres honestas não podiam lá
entrar. Eram sítios onde a gente falava abertamente sobre assuntos tais como a
política, os amores, os problemas sociais, as questões de honra ou de dinheiro.
As tascas até hoje continuam a ter o seu caráter especial não só como lugar
onde se pode comer e beber, mas também reunir e encontrar os amigos. A vizinhança
dos bairros e fiéis clientes cria o ambiente próprio destes pequenos espaços.
Por esta razão, a tasca é mais que um lugar para encher o estômago, é um lugar
de reunião e convivência social.
Hoje em dia as tascas estão enraizadas na paisagem
cultural do país. Quase todas as que existem encontram-se nas mãos dos
proprietários privados muitas vezes herdadas de geração em geração. O que as
caracteriza e distingue dos restaurantes modernos ou grandes cadeias, como a
McDonald´s, são os pequenos espaços,
os pratos típicos que vêm do povo e da tradição culinária do país, e o
interior, que em muitos casos não foi mudado durante anos. O vinho caseiro,
servido em garrafas sem rótulos, supera muitas vezes a qualidade das marcas
disponíveis nas lojas.
O interior, símbolos e adornos
O aspeto interior da maioria das tascas pode provocar
uma certa confusão. O ambiente surpreende com certa austeridade da decoração ou
simplesmente com a “pobreza”. Muitas delas lembram os tempos do início do século XX. Praticamente não mudaram em termos
estéticos até hoje. Uma coisa que pode surpreender é o espaço reduzido.
Normalmente pequeno, com poucas mesas rústicas de madeira. O balcão, que serve
para as pessoas que vêm sem companhia, é um lugar muito importante nas tascas.
No balcão conversa-se, bebem-se uns copos e fala-se sobre assuntos políticos e
sociais. As paredes são decoradas, de vez em quando, com azulejos, ladrilhos
com desenhos, ou simplesmente pintados a cores. Nas paredes podem-se observar
fotografias que comemoram acontecimentos significativos da tasca como reuniões
de cursos, aniversários e festas. Dependendo da cidade ou bairro, algumas das
tascas são templos para os fãs de futebol. A importância do futebol, que em
Portugal é inquestionável, é refletida nas paredes de alguns sítios. Muitos
deles reúnem lembranças e emblemas dos clubes, tais como troféus, taças,
fotos, cartazes, bilhetes, cachecóis, que muitas vezes são tratados com a mesma
seriedade e respeito que as relíquias. Por cima dos balcões e nas paredes
das tascas estão fotos de clubes das cidades portuguesas. Muitas vezes as
tascas convertem-se em verdadeiros santuários clubistas.
Existem também alguns símbolos básicos nas tascas,
fortemente relacionados com a tradição e a identidade portuguesa. O famoso “Zé
Povinho“ - personificação nacional portuguesa com o seu manguito
característico. Aparece muitas vezes simbologia religiosa. Santo António, São
João e Senhora da Fátima. Símbolos fálicos, cornos, cabeças, algumas pipas,
muitos garrafões de vinho, ramos de loureiro a enfeitar e contra os maus
cheiros. As fotos dos donos, as redes de pesca, os tachos pendurados na
cozinha. As violas e o xaile, pois as tascas estavam relacionadas com o fado
onde se tocava esta música tradicional portuguesa.
Gastronomia
A comida das tascas, desde o seu aparecimento, estava
relacionada com os pratos típicos portugueses ou estritamente relacionada com a
região onde se encontrava o local. A
comida da tasca, além de ser saborosa e tradicional, era associada a preços
acessíveis para qualquer pessoa. Diz-se que lá se pode experimentar o
verdadeiro sabor de Portugal e conhecer o espírito português,
especialmente em relação ao turismo e aos estrangeiros. Dado o seu típico
caráter português, poucos estrangeiros têm noção da sua existência. Muitas
vezes são substituídas pelos restaurantes
modernos ou as já bem conhecidas cadeias internacionais de comida rápida. A
oferta da tasca surpreende com a riqueza e a grande variedade de comida. Na
ementa, pode-se observar a geografia culinária do país, do sul até ao norte.
Estão presentes pratos universais como sardinhas assadas - o verdadeiro símbolo
de Portugal e uma das sete maravilhas gastronómicas do país, ou o famosíssimo
bacalhau preparado conforme a fantasia dos proprietários. O Porto convida as
pessoas com a sua excelente francesinha. As tripas à moda do Porto são mais uma
joia da cozinha do norte do país. Mais para baixo, na região da Beira Litoral
podemos experimentar a chanfana. Do sul do país vem a carne de porco à
alentejana. Em qualquer lado do país serve-se cozido à portuguesa. Além da
grande variedade de comida, as tascas são famosas acima de tudo graças ao
vinho. O vinho é o produto nacional português. A cultura e a tradição vinícolas
encontram-se por todo o país. Nas tascas, o vinho serve-se normalmente em jarros. A escolha entre
os tintos e brancos, maduros e verdes não é fácil. Quem gosta de comida
autêntica, ambiente familiar e bom vinho não vai ficar desapontado.
Decadência e tempos de crise
Hoje em dia, o negócio da tasca não vive tempos de ouro como há algumas décadas
atrás. A crise económica e a entrada da nova moeda não foram muito favoráveis
para estes estabelecimentos. O negócio, cuja melhor altura estava relacionada
com o movimento operário e a revolução industrial, tem que lidar com os
problemas contemporâneos como a concorrência por parte dos restaurantes
modernos, falta de gente e de interesse por parte dos jovens. Os hábitos das
pessoas iam-se alterando à medida que surgiam novos focos de interesse. Parece
que os maiores culpados são os centros comerciais com as grandes cadeias
internacionais de comida rápida. Só os velhos, algum pessoal de meia-idade e de
vez em quando jovens curiosos que passam por lá. Muitos adolescentes fogem das
tascas por causa da comida caseira e escolhem a comida de plástico, a coca-cola
e as batatas fritas.
A perda gradual de importância destes sítios únicos
levou à criação da semiorganização LATA - Liga dos Amigos das Tabernas Antigas,
cujo objetivo é recuperar o significado e chamar à atenção da clientela. Um dos
seus projetos é a criação das “Rotas das Tabernas“ para abrir estes espaços ao
público mais amplo, torná-los mais limpos e asseados e ao mesmo tempo
modernizá-los, mantendo o mesmo espírito. A primeira “Rota das Tabernas“
apareceu em Coimbra em 2009(Visão). Apesar dos tempos de decadência das tascas,
vale a pena visitar este distinto universo, considerado por alguns como
património histórico-cultural do país.
Joanna Wałek
Fontes de informação:
Mafalda Cezar Machado, Tascas de Portugal, Inapa, 2008
Raul Simões Pinto, Tascas
do Porto, Livros Afrontamento, 2007
* Foto: O Sr. Raul, proprietário da afamada tasca Casa Boquinnhas de Viseu
*Este texto faz parte do
artigo apresentado no Congresso dos Estudantes Lusitanistas da Polónia, intitulado Tradição
e Modernidade - Portugal e Lusofonia que decorreu no Instituto de
Camões em Lublin.
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Viagens na nossa terra
Guimarães – Capital Europeia da Cultura (CEC) 2012
Guimarães foi eleita, junto com Maribor na Eslovénia, cidade europeia da cultura neste ano. Todos sabem o que significa este título, mas para lembrar a Capital Europeia da Cultura é uma cidade dum país participante escolhida pela União Europeia que durante um ano tem a oportunidade de mostrar não só a sua vida cultural, mas também de toda a região e do país. Graças aos fundos europeus a cidade pode enriquecer a sua oferta cultural, organiza os concertos, festivais, conferências para atrair os turistas e promover-se.
O projeto Guimarães 2012 é construído com três objetivos: Desenvolver o Capital Humano – incitar a sociedade local a participar na organização dos acontecimentos, Criar uma Economia Criativa – transformar a economia atual numa mais moderna e Gerar uma nova Geografia dos Sentidos – transformar o espaço num mais ativo que todo o tempo oferece experiências culturais e criativas. Ademais, graças ao dinheiro recebido, a CEC 2012 tem a possibilidade de requalificar vários espaços da cidade para que sejam mais atrativos como: a renovação do Largo do Toural (já inaugurado no dia 13 de dezembro de 2011) ou o investimento mais caro: o Centro de Arte, no antigo mercado municipal, que vai ser aberto ao público em junho de 2012.
Guimarães é a terceira cidade de Portugal que obteve este título, antes gozavam dele Lisboa e Porto. É um elemento importante da identidade nacional dos portugueses: a cidade natal do Afonso Henriques – o primeiro rei e a primeira capital, onde se situa o Centro Histórico apreciado pelo UNESCO e inscrito na lista do Património Mundial. O começo oficial deste ano da cultura já teve lugar, no dia 21 de janeiro e foi inaugurado com a representação “Os nossos Afetos”. O programa prevê mais de 600 eventos culturais que estão relacionados com a música, fotografia, cinema, literatura, dança, arte da rua. É dividido em quatro períodos segundo os quais os artistas regionais e europeus, todos juntos, vão criar as novas obras que depois será possível ver nas galerias e nas ruas. São: "Tempo para Encontrar" (janeiro – março) - concentração no diálogo e intercâmbio de pensamentos, "Tempo para Criar" (março – junho) – procura das diferentes maneiras da expressão, "Tempo para Sentir" (junho – setembro) – celebrações e festas e por último "Tempo para Renascer" (setembro – dezembro) – criação da nova cidade, novos lugares.
Guimarães 2012 vai privilegiar especialmente a produção original da cidade e a formação dos novos talentos, então no programa não abundam nomes conhecidos, de grandes estrelas internacionais. Como lembram os organizadores: "a cultura não se faz apenas de profissionais nem das classes artísticas, faz-se também da cultura popular". Durante todo o ano os jovens músicos europeus vão viver em Guimarães e criar a música de diferentes géneros, desde rock até eletro para que cada um possa ouvir do que gosta.
No programa, o teatro também tem o papel importante e vai dinamizar a vida nas ruas e praças. Ademais, ao longo do ano, vão ainda cruzar-se os artistas de diferentes campos como: fotografia, artes plásticas, arquitetura, dança. Este programa multidisciplinar vai a incluir manifestações culturais não só nacionais mas também internacionais.
Os organizadores prevêem que mais ou menos 1,5 milhões de turistas visitarão a cidade, isto é duas vezes mais do que até agora e como disse Carlos Martins, o diretor artístico da Fundação Cidade de Guimarães (FCG): “Guimarães vai honrar a Europa, o país, os públicos, os artistas, a cidade e os vimaranenses".
Katarzyna Karolak
Ribas na Costa, Praia da Maças
Dizem que ao princípio
havia o caos. Depois o Criador separou a terra da água
o que foi o primeiro passo. Com certeza absoluta o lugar onde o mar acaba e
começa a terra tem algo místico,
maravilhoso e até divino na sua natureza. Tanto a costa ocidental, como
a meridional de Portugal deslumbram multidões com a sua beleza
irresistível. Desde há séculos que as paisagens marítimas
inspiram os autores de todos os ramos da arte. Na parte central da costa
ocidental, perto da cidade de Sintra fica uma praia da beleza empolgante, a
Praia das Maças. Em Lisboa no Museu do Chiado, chamado também o
Museu Nacional de Arte Contemporânea encontra-se uma obra de Alfredo Cristiano
Keil, o grande músico, pintor e poeta português
de ascendência alemã da segunda metade do século
XIX. O artista mais conhecido como o autor da música
de “A
Portuguesa” que se tornou o hino nacional de Portugal. Um dos seus melhores
quadros, “Ribas na Costa, Praia da Maças” (http://www.matriznet.imc-ip.pt/MatrizNet/Objetos/ObjectosConsultar.aspx?IdReg=202372) pintado no ano 1880
podia ser um bom retrato do ato de criação do mundo. Ao olharmos para esta pintura a óleo, reparamos um
ponto do encontro do mar, da terra e do céu… três elementos básicos e
poderosos. A vista traz uma dose de equilíbrio, graças às cores usadas pelo
artista. O leque das cores é bastante limitado, dominam o azul, o verde e a cor
da cinza… mas a obra estranhamente emana com o calor sutil. A falésia verde e pura com as ondas selvagens
que batem na praia rochosa formam o plano principal da obra. Basta esforçar a
vista e podemos ver a figura do homem de chapéu sentado na falésia. Se pudéssemos diminuir a
velocidade estonteante da nossa vida e respirar profundamente, há quem não
queira estar no seu lugar? Hoje em dia sonhamos muito com coisas que nem
merecem a nossa atenção. O homem de chapéu não está preocupado com as
ninharias. Comparando com a eternidade tudo parece uma ninharia. A eternidade
consiste no tempo, espaço e na matéria. Ele nem tem pressa, nem medo do futuro.
Enfeitiçou a matéria e parou o tempo. O
homem de chapéu… está a observar as ondas ferozes, a espuma na água como a saliva de uma besta que se
opõe ao céu tão calmo e limpo naquele momento. Neste momentinho particular ele
converte-se no Senhor do mundo inteiro, o Criador que olha à sua obra e talvez
se orgulhe da beleza enorme que inventou. A perfeição da natureza faz da praia
o lugar excelente para contemplar. O que me interessa são os pensamentos deste
homem. O que sentiria cada um de nós se formasse parte desta obra? E que sentiu
o próprio autor ao pintar esta paisagem? Se calhar o autor da obra queria
adivinhar com a figura do homem um pouco da saudade à sua obra. O que eu sinto
quando vejo esta porta do mundo é o prazer e o alívio. Onde está o homem? O
homem está onde a terra acaba ou começa.
Esteja onde estiver, tem sorte de estar tão afastado do caos.
Olga Kukawka
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