sexta-feira, 18 de maio de 2012

Música e bola

Já que falamos em Euro vale a pena recordar algumas das músicas de apoio à seleção de Portugal. No Mundial de Maradona no México em 1986 foi o mítico José Estebes (uma das mais geniais criações de Herman José) com a canção “Vamos lá cambada”, que animaram a desastrosa e polémica participação de Portugal no torneio. A cambada não passou da fase de grupos e foi derrotada pela Polónia com um golo de Smolarek.

 Em 2004 o hino oficial da seleção foi “Força” de Nelly Furtado em versão bilíngue e sotaque açoriano-canadiano. A música entrou no ouvido de todos e chegámos à final, mas perdemos com a Grécia que até hoje não sabe como conseguiu ser campeã.

 Depois da tragédia grega veio o Mundial de 2006 na Alemanha e o anúncio da Galp que pedia menos Ais e um pouco Mais. Não fomos campeões mas estivemos perto. Fomos pela terceira vez eliminados pelos franceses (1984, 2000 e 2006).

 Em 2010 houve várias opções, sendo escolhido como tema oficial “I Gotta Feeling”, dos Black Eyed Peas. Mas como o que é nacional é bom , em protesto pela escolha de uma canção em inglês para apoiar a seleção de Portugal, surgiu no Facebook um movimento para promover Sete Voltas Prá Muralha Cair de Tiago Guillul. O vídeo é bom, a letra também mas não imagino um estádio a cantar aquilo.
 Para o Euro 2012 há candidatos a hino oficial  para todos os gostos:



 Por aqui na Polónia foi escolhida a girls band “Jarzębina”, e o seu mais recente sucesso “ Koko Euro spoko” para animar os estádios. Quem não tem cão caça com gato.


Seleção portuguesa no EURO 2012

Esta semana Paulo Bento anunciou numa conferência de imprensa em Óbidos os 23 convocados para o Campeonato da Europa 2012 na Polónia e Ucrânia. A decisão do selecionador não foi uma surpresa, pois convocou os melhores jogadores que estavam atualmente disponíveis. Só Ricardo Carvalho e Bosingwa não foram eleitos devido ao conflito aberto com Bento do ano passado. A lista dos convocados está cheia das estrelas: Cristiano Ronaldo, Nani e Pepe, entre outros. 
 Embora os jogos dos portugueses sejam na Ucrânia, a seleção nacional vai viver no hotel “Remes Sport & Spa” em Opalenica (Polónia). Para Portugal, a competição começará no dia 9 de junho em Lviv (o jogo com a Alemanha), depois no dia 13 de junho também em Lviv (com a Dinamarca). O último encontro no grupo B será com a Holanda no dia 17 de junho em Carcóvia (Kharkiv). 
 A lista dos convocados para o Euro 2012: 
Guarda-redes: Beto (CFR Cluj), Eduardo (Benfica), Rui Patrício (Sporting); 
Defesas: Bruno Alves (Zenit São Petersburgo), Pepe, Fábio Coentrão (ambos do Real Madrid), João Pereira (Sporting), Miguel Lopes (Sporting Braga), Ricardo Costa (Valencia), Rolando (FC Porto);
Médios: Carlos Martins (Granada), João Moutinho (FC Porto), Custódio (Sporting Braga), Miguel Veloso (FC Genoa), Raul Meireles (Chelsea), Rúben Micael (Real Zaragoza), Nani (Manchester United);
Avançados: Cristiano Ronaldo (Real Madrid), Hugo Almeida, Ricardo Quaresma (ambos do Besiktas Istambul), Helder Postiga (Real Zaragoza), Nelson Oliveira (Benfica), Silvestre Varela (FC Porto).

  Joanna Śliwińska

terça-feira, 15 de maio de 2012

Anthony Bourdain e as bifanas em Lisboa


Anthony Bourdain passou mais uma vez por Portugal e mostrou uma Lisboa melancólica e marcada pelo passado glorioso dos Descobrimentos e sombrio do fascismo, pela presente crise, mas com esperança num futuro melhor.  Comeu com alguns dos nossos melhores chefes (José Avillez,Henrique Sá Pessoa, e Ljubomir Stanisic)e provou a sua cozinha, foi aos fados com António Lobo Antunes, petiscou com os Dead Combo, jogou chinquilho, foi à pesca do polvo e à Ginginha do Rossio, empanturrou-se com marisco e adorou as tão nossas bifanas e pregos com uma imperial bem gelada. Tudo isto acompanhado pela excelente música dos Dead Combo, que graças a isso têm três dos seus álbuns no Top 10 do Itunes. Faltaram os pastéis de nata e mais vinho, entre outras coisas, mas apesar disso Bourdain deixou aqui a redacção com água na boca e ainda mais saudades de casa. 


sexta-feira, 20 de abril de 2012

O encanto da primavera na Polónia


Há poucos dias começou a primavera, uma estação cheia de vida e alegria. Com a chegada da primavera voltam à vida ativa muitos representantes da fauna e flora local, adormecidos durante o inverno, que fazem as delícias dos demais habitantes deste harmonioso ecossistema do qual podemos desfrutar no nosso belo país. Vamos passar em revista estes filhos de... a nossa pátria, cuja constante companhia não nos vai permitir esquecermo-nos da nossa nacionalidade e do mundo em que vivemos.
  Um dos grupos de espécies mais notáveis do nosso ecosistema é a família dos Hooligani,  com o Hooliganus Predius como representante mais conhecido. Este animal mostra um grande interesse pelas atividades físicas e a roupa associada com o tema. Uma das funções deste grupo no ecossistema é a deteção dos problemas dos outros habitantes, coisa que fazem com muita eficácia de noite e com benefício bilateral, pois muitas vezes cobram pelo serviço. O Hooliganus Brutalis costuma adicionar uma massagem para relaxar os clientes, com ocasionais serviços de cirurgia plástica e, raramente, pré-funerários. Outro proveito que temos da parte desta família é a defesa de cidades inimigas. Qualquer descarado que quisesse visitar a sua família ou vir com qualquer outra escura intenção num carro matriculado noutra cidade pode esperar consequências. Especialmente nos dias próximos a um jogo de futebol.
  A espécie seguinte são os meninos bem (Meninus Bonus). Podemos encontrar os representantes desta espécie nas discotecas caras. Às vezes topam na rua com manifestações ou outras situações de caráter político e ideológico. Nestes casos ficam perplexos e detêm-se para tentar imaginar como é ter ideias. Passam algum tempo a discernir as razões da inexplicável pobreza no mundo e geralmente chegam a conclusões similares: é o orgulho o que não permite às pessoas pobres pedir dinheiro aos seus pais. A pele deles é especialmente frágil e só tolera roupinhas de marca. Ambos os sexos perderam as suas glândulas cutâneas, e por isso precisam de produtos especializados para lubrificar ou dar forma ao seu cabelo. As fêmeas nascem com os pés deformados e têm de usar sapatos ortopédicos, mas ainda assim não conseguem caminhar corretamente por terrenos acidentados. Apesar da sua resistência natural ao frio, não todas sobrevivem ao inverno, devido à incapacidade de cobrir as costas com roupa por causa de um grupo de ligações neurónicas defeituosas exclusivo de esta espécie. A carência de glândulas cutâneas obriga aos representantes deste grupo a usar perfumes especiais que funcionam como atrativos para outros indivíduos de características similares. Também cumprem uma função oposta no contacto com espécies estranhas.
  A última espécie desta digressão pela fauna local é o Homo Etílicus. Estes mamíferos são muito mais comuns nas ruas nos meses quentes. Alimentam-se principalmente de bebidas alcoólicas e petiscos baratos. O Homo Etílicus Vulgaris é a variante gregária. Encontra-se principalmente em festas associadas à reprodução ou aos nomes, mas às vezes acha uma boa ideia voltar para a sua guarida a pé. Os encontros fortuitos com grupos que circulam pela rua e a aproximação às suas festas podem causar danos nos sistemas olfativo, auditivo e cognitivo. Pelo contrário, o Homo Etílicus Vagabundis não costuma agrupar-se prolongadamente em grupos de mais do que três indivíduos. São coletores. Geralmente coletam dinheiro e cigarros de outros transeuntes. Cobrem-se com bastante roupa durante o inverno, mas carecem da resistência natural das fêmeas do Meninus Bonus. Por muito que gostasse de ver um cruzamento direto destas duas espécies, não há casos conhecidos. Se calhar há casos no mundo de indivíduos que combinam as características de ambas as espécies (Charlie Sheen, Amy Winehouse). O  Homo Etílicus Vagabundis evolui a partir do Homo Etílicus Vulgaris, e este processo é mais comum em homens.
Bartek Kozłowski

quinta-feira, 29 de março de 2012

O diálogo com a tradição de Ana Luísa Amaral em A Génese do Amor


Ana Luísa Amaral no seu décimo livro intitulado A Génese do Amor [1] tenta descodificar o essencial do amor humano. A escritora repensa de forma intertextual o cânone amoroso estético da cultura ocidental e desde a perspetiva feminina apresenta a visão panorâmica da questão por ela tratada.
            O livro de poemas de Ana Luísa Amaral destaca-se pela mostra de diversas referências literárias (os textos de Camões, Dante e Petrarca servem de modelo a seguir e de ponto de apoio) e pela única organização dos poemas. Verifica-se que o primeiro e o último poema do livro apresentam uma visão geral da autora e, ao mesmo tempo, constituem uma chave de leitura de toda a obra, um guia. A poesia de Amaral, exprime-se por meio de sinais exteriores (coisas, palavras) e por eles é recriado o essencial (o que é visível da melhor maneira em dois poemas: Topografias em quase dicionário e A Génese do Amor). A escritora cruza os olhares e os pensamentos na encenação dialógica de poemas. A voz têm não só os clássicos que cantam a beleza, mas também as suas musas inspiradoras (antes silenciosas).
Avançando na leitura, chega-se à conclusão que o amor humano é inexpressível, mas é por meio de palavras e a reinvenção da língua, que a própria autora quer tornar o amor num valor infinito. A desconstrução de poemas resulta em revelar o absurdo que deriva da sobreposição de planos e dos olhares apresentados nos poemas. Tudo isto serve para confirmar que apesar de toda a topografia exposta (é isso, mas pode ser tudo outro) não há uma resposta para a pergunta onde é que nasce o amor. A poesia de Ana Luísa Amaral tenta exprimir algo que na sua origem não tem palavras.
Desde o ponto de vista crítico vale a pena sublinhar que os poemas tratam do assunto já elaborado por muitos e bons poetas. Mas não se deve esquecer que, contudo, a escrita de Amaral desperta muitas emoções estéticas, e, além disso, apresenta um olhar novo para a tradição nacional.
[1] AMARAL, Ana Luísa (2005) A Génese do Amor. Porto, Campo das Letras.
Agata Pietroń

sábado, 17 de março de 2012

Fátima

  Fátima é uma cidade portuguesa situada no centro do país que pertence ao Distrito de Santarém. A cidade tornou-se conhecida mundialmente graças às aparições marianas. Desde a década de 20 do século XX até hoje Fátima recebe peregrinos de todo o mundo e é um dos santuários mais importantes da Igreja Católica. Mesmo que a história que aconteceu ali já tenha quase cem anos, pouco a pouco conhecemos novos factos.
  No princípio do século XX Fátima era uma aldeia habitada por pastores. A história das aparições começou no dia 13 de maio de 1917. Três crianças Lúcia, Francisco e Jacinta foram as testemunhas de um acontecimento extraordinário. Afirmaram ter visto a figura de uma senhora sobre uma árvore de um metro de altura. Isto teve lugar na Cova de Iria, muito perto de Fátima onde os primos apascentavam um pequeno rebanho. Lúcia, a mais velha conversou com a figura. Os irmãos, Francisco e Jacinta apenas a viam. As aparições repetiram-se cinco vezes. A senhora mandou-os voltar ao mesmo lugar no mesmo dia de cada mês seguinte. As posteriores aparições tiveram lugar nos dias 13 de junho, 13 de julho, 15 de agosto, 13 de setembro e 13 de outubro do mesmo ano. Ao princípio as crianças decidiram não contar sobre o que tinha ocorrido a ninguém, mas rapidamente tiveram de revelar o seu segredo por pressão dos adultos. Cada um deles sofreu muito depois de que a história das suas visões saiu à luz, até os puseram na prisão. A Virgem confiou às crianças três mensagens para a humanidade. Estes acontecimentos são uns dos poucos milagres reconhecidos pela Igreja Católica e só duas delas --- foram divulgadas posteriormente. A primeira delas falava de que o mundo viveria uma grande guerra mundial. A segunda profetizava uma futura conversão da União Soviética e a Segunda Guerra Mundial. 
 A última visão, a 13 de outubro foi a mais espetacular. Além das crianças acudiram cerca de 60 mil pessoas. Nesta altura o tema das aparições já tinha muito bem divulgado entre o povo português. Naquele dia todos puderam ver o milagre do sol. Aproximadamente ao meio dia o sol deslocou-se no céu, girando e movendo-se em várias direções. Aquele espetáculo durou vários minutos. Das três crianças, Jacinta e Francisco faleceram ainda bem jovens, dois e três anos após o milagre do sol. Lúcia, a única que falou com a Virgem dedicou a sua vida à religião e tornou-se freira carmelita. Viveu 98 anos, falecendo em 2005. 
  Mas o que realmente ocorreu em Fátima? Durante anos apareceram várias teorias sobre a história contada pelas crianças e o movimento do sol. Os representantes da Igreja Católica investigaram estes acontecimentos admitiram que tinha sido um milagre. Por outro lado nem as pessoas dos outros lugares da terra nem nenhum observatório astronómico notaram mudanças da posição do sol. Apareceram várias explicações para este fenómeno, como por exemplo uma histeria coletiva ou um fenómeno meteorológico. As testemunhas descreveram que o milagre foi acompanhado por relâmpagos e trovões. Muitas pessoas crêem que foi na realidade um encontro com um ovni, um objeto extraterrestre porque teve muitos elementos caraterísticos de outras descrições deste tipo em relatos de avistamentos de objetos voadores não identificados, décadas mais tarde. A visão da Senhora na narração de Lúcia parecia ser "transparente e brilhante, como um copo de cristal com água" que nos fazem lembrar dos fenómenos de natureza holográfica ou semelhante, os quais a ciência começa a pesquisar.
   Em 2000 o Papa João Paulo II revelou a parte do terceiro segredo que durante tanto tempo foi guardado em segredo. Segundo este segredo algo muito grave deverá ocorrer em relação ao globo. As pessoas relacionam o texto do terceiro segredo com as profecias do fim do mundo no ano 2012 e as de Nostradamus. Muitos dos crentes cristãos estão convencidos de que as mudanças políticas, as guerras, os desastres naturais,a mudança do clima, são todos os sinais da profecia que vai se cumprir. Dentro em breve todos vamos ver se o texto do terceiro segredo e outras especulações têm a ver algo com a realidade. A opinião pública não tem nenhum acesso aos documentos oficiais relacionados com as aparições. Por isso acho que na realidade nem tudo o que nos dizem é verdadeiro. Por alguma razão a Igreja manipula os factos, por exemplo quanto à descrição da Virgem, os relatos das testemunhas oculares são imprecisos e diferenciam-se. Não há dúvida que algo extraordinário teve lugar em Fátima, e provavelmente não teve origem em fenómenos naturais. Por isso acho que o relacionamento destes acontecimentos com os conceitos cristãos é uma atitude ingénua.
Barbara Górak

quarta-feira, 14 de março de 2012

O pai do Modernismo Português – Almada Negreiros

  O símbolo da arte moderna portuguesa. O favorito e amigo de Fernando Pessoa. O desenhador, caricaturista-humorista, poeta, dramaturgo, escritor, pintor, escultor. Não basta palavras para descrever um artista tão talentoso e multifacetado como foi o José Sobral de Almada Negreiros. Podemos encontrar as suas obras pitorescas, por exemplo, na Casa Museu Teixeira Lopes/ Galerias Diogo Macedo em Vila Nova de Gaia, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão (Fundação Calouste Gulbenkian) em Lisboa ou nos frescos da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra. Por que razões a sua obra se tornou um dos elementos mais significativos para a arte moderna portuguesa? A que deve ele deve a sua popularidade tanto nos seus tempos, como nas épocas posteriores? E o mais importante – o que o inspirava a criar? 
A vida 
 José Almada Negreiros nasceu em 1893 em São Tomé e Príncipe, o país natal da sua mãe. Depois de alguns anos mudou-se com a família para Portugal, mas não ficou fiel a este país mudando-se para França no ano 1919 ou para Espanha em 1927. Morreu em 1970, devido a uma paragem cardíaca em Lisboa. O fato bastante curioso é que Almada Negreiros faleceu no mesmo quarto no Hospital de São Luís dos Franceses no qual também tinha morrido o seu amigo Fernando Pessoa em 1935. 
A obra 
A sua carreira começou em 1911, quando, após a formação académica e o desenvolvimento do seu trabalho, publicou o seu primeiro desenho para a revista A Sátira, e já no ano 1913 teve lugar a sua primeira exposição de quase noventa desenhos na Escola Internacional em Lisboa. No entanto, apesar de ser o pintor excelente, a maioria da sua vida dedicou à escrita. Trabalhou com Fernando Pessoa, com quem ainda fez amizade, ou com Mário de Sá Carneiro e todos juntos fundam a Revista Orpheu. Porém, na última década da sua vida voltou a desenhar e pintar. Almada Negreiros foi chamado o pintor – pensador. Todas as suas obras circulavam em torno da beleza e sabedoria, as quais na sua opinião não poderiam existir uma sem outra. Lima de Freitas (outro artista português) explicou-o com as palavras: “a beleza não podia ser ignorante e idiota tal como a sabedoria não podia ser feia e triste”. No seu trabalho não se esgotava só nas habilidades adquiridas na Escola da Arte, mas pelo contrário, ultrapassava as correntes populares. Os temas principais das suas obras são os números e a geometria. Almada tentava procurar os seus significados, contextos e entrelinhas, o que foi a fonte mais importante na sua inspiração e criatividade. José Sabral de Almada Negreiros mais que nenhum outro artista contribuiu para o desenvolvimento e o prestígio do modernismo português. No entanto, também ele próprio evolucionou ao longo dos anos – passou do convencionalismo e figurativismo à abstração tanto numérica como geométrica nas suas últimas obras.
Provavelmente, a pintura mais reconhecida é o retrato do seu amigo, Fernando Pessoa, que criou no ano 1954. 
Karolina Bróździak

segunda-feira, 12 de março de 2012

TERRA DAS CULTURAS DIVERSIFICADAS I


  Minha aventura no Brasil começou em 22 de julho de 2011, quando pela primeira vez desembarquei em solo brasileiro, no aeroporto de São Paulo, de onde peguei um vôo para Porto Alegre, a capital do Estado do Rio Grande do Sul. Lá, embarquei em um ônibus e após uma viagem de oito horas, cheguei a Ijuí, uma cidade situada no noroeste do Estado. O desejo de visitar este país tão diferente para nós estava latente dentro de mim desde sempre. Portanto a decisão de seguir meus sonhos foi rápida. Sempre sabia que viria, agora já estou aqui.
    Como mencionei, eu vim para o Brasil em julho, exatamente no meio do inverno que atinge o sul do Brasil. Claro, não é um inverno tão rigoroso como o nosso polonês, aqui durante esta estação pode-se colher laranjas. A única desvantagem é que nem as casas, e nem as universidades brasileiras possuem aquecimento. Portanto, o inverno no sul do Brasil se sente muito mais do que na Polônia. Felizmente, durante esses períodos frios, aparecem também dias muito ensolarados, caso contrário ele seria insuportável. Isso é algo inacreditável, mas acreditem ou não, um dia eu, vestia um casaco grosso, e no dia seguinte estava muito quente, o sol brilhava e o clima estava perfeito para manga curta. No passado a região do Rio Grande do Sul teve as estações bem definidas. Hoje os dias frios se alteram com dias muito ensolarados. Essa região, localizada no sul do Brasil, sua cultura, tradições e sabores regionais, muito fortes, em especial a cidade de Ijuí e seus arredores, pretendo, aproximar vocês caros leitores dessa realidade. Espero poder cumprir com o desafio.
    Na língua Guarani, Ijuí significa “Rio das Águas Claras” ou “Rio das Águas Divinas”. Como sabemos, os povos indígenas foram os primeiros habitantes da região. Depois de milhares de anos, se juntaram a eles os imigrantes afro-brasileiros, luso-brasileiros e os descendentes de imigrantes europeus. É assim que começou uma grande mistura de etnias, que caracteriza Ijuí como “Terra das Culturas Diversificadas”. Ijuí foi fundada no final do século XIX. É uma cidade com a aparência típica das cidades sul-americanas. Sua história breve, a arquitetura pouco artística e mistura cultural não assemelham Ijuí às cidades europeias contemporâneas. Além de “Terra das Culturas Diversificadas”, Ijuí pode se orgulhar também dos títulos “Cidade Universitária”, “Colméia do Trabalho” ou “Terra das Fontes de Água Mineral”. A cidade é uma mistura de muitas nacionalidades. É habitada por descendentes de imigrantes portugueses, alemães, italianos e poloneses. Não é difícil, encontrar também os descendentes de imigrantes árabes, holandeses, austríacos, japoneses, espanhóis, africanos ou suecos, mas é claro, em menor número. Estes grupos étnicos estão hoje bastante integrados e organizam anualmente a FENADI – Festa Nacional das Culturas Diversificadas.
    Esse evento acontece no “Parque de Exposições” de 7 a 19 de outubro. Durante estes 12 dias, os 12 grupos étnicos têm a oportunidade de mostrar a cultura e as tradições de seus antepassados. O mais interessante é que cada grupo possui sua própria casa. No “Parque de Exposições” situam-se 12 casas chamadas “Casas Étnicas” e em cada uma delas pode-se ver um fragmento da cultura, que é mais característico para elas, que faz parte do seu país de origem de seus antepassados. E assim, por exemplo, na casa italiana pode-se provar o maravilhoso gnocchi, na espanhola pode-se paella, e na alemã degustar uma cerveja tradicional. E tudo isso com o acompanhamento de música típica de cada país. Na casa polonesa são servidos, claro, as nossas empanadas tradicionais. Os visitantes também encontrarão uma surpresa atraente. Cada convidado recebe um “passaporte turístico” em que se carimba a visita numa casa. A pessoa que consegue coletar todos os 12 selos, tem a chance de participar dum concurso, cujo prêmio principal é uma viagem para um dos 12 países propostos. O que me surpreendeu nessas pessoas, é uma enorme fascinação pelo país de seus antepassados. Fiquei muito agradavelmente surpreendida porque tive a oportunidade de trocar algumas palavras em polonês. Embora o idioma polonês possa ser ouvido hoje aqui apenas por pessoas mais velhas, falando um pouco polonês arcaico, as novas gerações enfatizam sua origem, através dos grupos folclóricos, dos quais em Ijuí tem dois. Os jovens estão interessados em aprender danças polonesas, que são apresentadas, entre outros, durante a FENADI. Gostaria de acrescentar apenas que, sob a presidência de G. Vargas (1930-1945), através de seus decretos (1938), com a ideia de nacionalização da nação, foi proibido o uso de línguas locais. O presidente Vargas aboliu todas as escolas étnicas, incluindo as polonesas, o que dificultou muito a transmissão de tradições e língua polonesa às gerações mais jovens. 
    Durante a FENADI fiquei mesmo impressionada com a grande dedicação na preparação da festa e a paixão pela terra de seus ancestrais que contaminam também estes mais jovens. Durante estes dias não só tive a oportunidade de visitar a casa ;), mas também por ocasião visitar toda Europa. Foi uma verdadeira viagem culinária, durante a qual conheci os sabores de quase todos os cantos da Europa, bem como da Ásia ou África. Esta é a minha primeira viagem ao Brasil, mas eu não sinto que é um país estrangeiro para mim, pelo contrário, me sinto como em casa. Em grande parte é graças à comunidade local polonesa, uma das maiores na América do Sul. Não quero dizer que o Brasil seja igual à Polônia, porque o Brasil é um país totalmente diferente.
Sylwia Michta

domingo, 11 de março de 2012

Uma joia gastronómica da cozinha portuguesa

  Como é Portugal para as outras nações? Com o que o associam os outros? O que pensam os polacos ouvindo o nome de Portugal? Para a maioria Portugal é um pais no fim da Europa, ou pior, uma parte de Espanha, é este país que agora está em crise e que tem tremendos problemas económicos, o pais do futebol, do Benfica ou Cristiano Ronaldo, do vinho do Porto, mas acho que há poucos que associam Portugal com os Pastéis de Belém, e porquê ? Isto é o doce mais saboroso do mundo, é uma maravilha das sobremesas, que foi considerado a 15 ª mais saborosa iguaria do mundo pelo jornal The Guardian e uma das coisas mais importantes para ver e provar em Lisboa. Com certeza, também tem a sua história. 
 Os pastéis de nata podem-se comprar em cada parte de Portugal e sabem bem, disto não há dúvidas, mas só no bairro de Belém em Lisboa se podem encontrar ESTE sabor e ESTES pastéis de nata, mais precisamente os pastéis de Belém. Onde podemos comprá-los? Num lugar ao lado do Mosteiro dos Jerónimos, onde começa a história destes. Lá os monges no ano 1837 começaram a preparar e depois vender os pastéis de nata para manter o mosteiro. Os pastéis rapidamente caíram no gosto popular apesar de que nessa época, a zona de Belém ficava longe do centro de Lisboa. A receita, transmitida e exclusivamente conhecida pelos mestres pasteleiros que os fabricaram artesanalmente na Oficina do Segredo, mantém-se igual até aos nossos dias. Com o encerramento do mosteiro o confeiteiro vendeu a receita em 1874 ao empresário português Domingos Rafael Alves. E assim começou um grande êxito de pastelaria. Aqui todos os dias vende-se cerca de 10.000 pastéis. Tanto a receita original como o nome "Pastéis de Belém" estão patenteados. A Pastelaria de Belém é um lugar com tradição, lá trabalha Henrique Almeida que dedica a toda sua vida à preparação dos pastéis e é uma das três pessoas que conhecem a receita. Começou a trabalhar lá quando tinha 15 anos e ainda continua aos 76 anos. Antes o seu pai trabalhou aqui 60 anos e transmitiu-lhe o segredo da receita. Ele diz que viajava muito pelo mundo e provava pastéis e doces em todas as partes e está convencido de que entre outras iguarias e os pastéis de Belém não há comparação. Acho que quando experimentarem os pastéis de Belém vão achar o mesmo. Eu já experimentei!  
  Sabiam que…Os Pastéis de nata são muito populares na China, onde chegaram através de Macau, no tempo da presença portuguesa.. Em chinês são chamados "dan ta" que significa "pastel de ovo". Empresas de fast food incluíram os "dan ta" na sua oferta de sobremesas, fazendo com que desde finais de 1990 seja possível saborear pastéis de nata em países asiáticos, como no Camboja, Singapura, Malásia, Hong Kong e Taiwan. 

Natalia Trzebuniak

sexta-feira, 9 de março de 2012

E porque não rir-se dos portugueses?

Qual é a diferença entre um casamento polaco e um funeral polaco? Num funeral há sempre um bêbado menos. O sentido de humor é uma das características mais apreciadas no mundo de hoje. Segundo os psicólogos rimo-nos especialmente das anedotas nas quais os outros são satirizados. Inventamo-las e repetimos facilmente porque nos ajudam a curar os nossos complexos. Estas anedotas estereotípicas formam uma verdadeira sabedoria sobre outras nacionalidades. 
 Os russos são a principal vitima das piadas dos japoneses, ao mesmo tempo que se riem dos americanos. Os alemães riem-se dos polacos e dizem que somos capazes de roubar tudo. Segundo as „polish jokes” nos Estados Unidos também somos capazes de beber tudo. Nós brincamos com o atraso civilizador dos romenos e eles e os eslovacos divertem-se com piadas sobre os húngaros. Ademais cada alemão vai ser sempre um secreto nazi. Cada italiano ama a sua mãe e vai viver com ela até aos 40 anos; inventou a sesta para poder não fazer nada durante mais tempo. Um francês é sempre um cobarde ofendido com todo o mundo... É uma rede que não se pode ordenar de modo nenhum. Porém, nalguma parte há piadas sobre os portugueses, nas quais a maior parte tem origem no Brasil e na África lusófona. 
  Brasil: Para os brasileiros contar piadas sobre o português é quase um desporto nacional, eles adoram. As anedotas sobre esta personagem circulam na internet, nos jornais e ainda nos programas de televisão. Porquê? Se ambos tem a mesma origem... por que os portugueses do Brasil, os que já estavam instalados ali, passaram a rir-se dos que chegavam? A causa é a seguinte: Depois da Independência do Brasil (1822) em meados do século XIX começa a grande vaga da emigração portuguesa para o Brasil. Grande parte deles empregou-se, substituindo os escravos, nas plantações de cana-de-açúcar, café e algodão. Este foi um acontecimento muito vergonhoso. Descrevia uma enorme diferença entre o estatuto social destes novos imigrantes e a comunidade portuguesa há muito tempo instalada no Brasil que constituía a elite brasileira. Agora esta elite quer anular as marcas da sua identidade portuguesa para distinguir-se deste povo. Desta maneira os emigrantes portugueses no Brasil passaram a ser retratados, através de anedotas e piadas, como estúpidos. Não possuem inteligência nenhuma ou quando a têm, sempre é inferior à de um macaco, como podemos ver num exemplo: 
 Todos estavam prestes a apedrejar Maria Madalena, quando Jesus disse: - "Quem nunca errou que atire a primeira pedra!" Um português juntou rapidamente do chão o maior pedregulho que achou e atirou, acertando em Maria Madalena. Jesus aproximou-se dele e perguntou: - "Você nunca errou?" O português respondeu: - "Dessa distância eu nunca errei senhor! Outra característica muito presente é a nostalgia portuguesa. Todos conhecemos Camões e a sua saudade, uma das palavras mais populares na poesia e música portuguesa. Palavra, segundo a lenda, surgida na época dos Descobrimentos no Brasil colónia. Nesta época esteve muito presente para definir a solidão dos portugueses numa terra estranha. É uma melancolia causada pela lembrança e ausência de Portugal. Até hoje no Brasil o estereótipo do português melancólico e sempre contemplativo forma a base do humor brasileiro: Qual é a diferença entre um computador brasileiro e um computador português? O computador brasileiro tem memória; o português tem uma "vaga lembrança". Estas anedotas são apenas exemplos mas existem muito mais. Porém, na realidade os brasileiros quando estão a rir-se do português estão a rir-se de si mesmos. 
  Recém che­gado ao Brasil, está Pedro Álvares Ca­bral a en­tregar um con­trato aos na­tu­rais do Novo Mundo. Então o índio bra­si­leiro per­gunta: - Ó Ca­bral, que está es­crito neste con­trato? Ca­bral res­ponde: - Que nós por­tu­gueses po­demos levar o ouro todo, a prata toda, e o pau-brasil que qui­sermos. Diz o índio: - E nós bra­si­leiros o que ga­nhamos? Res­ponde Ca­bral: - O di­reito de con­tarem ane­dotas sobre por­tu­gueses es­tú­pidos nos pró­ximos qui­nhentos anos.     
  África: Moçambique, Angola, Guiné Bissau, São Tomé e Princípe e Cabo Verde até 1975 viveram sob a tutela do cruel colonialismo português que tal como as demais potências europeias procurava apoderar-se das riquezas e não respeitava a lei nenhuma. Isto levou a que os portugueses agora sejam vistos como pessoas cruéis e, como sempre, com a inteligência de um macaco. Ali, as piadas deles são tão comuns como no Brasil, e não só entre o povo. Em Moçambique por exemplo a gente educada (jornalistas ou professores) sem escrúpulos dizem que os portugueses são “burros” e “porcos”. Também em Angola e na Guiné-Bissau os portugueses brancos eram as primeiras vítimas de racismo. Expulsos das terras onde nasceram simplesmente por causa da sua cor de pele, sempre culpados da colonização: "Um caçador português, vindo de uma caçada, para em Angola para tomar café e o empregado pergunta-lhe: - Que tipo de animais o senhor caçou? - Girafas, elefantes, rinocerontes e muitos aminões. - Aminões? - Sim, são uns animais pretos, que quando eu lhes apontava a arma, gritavam: "A MIM NÃO","A MIM NÃO","A MIM NÃO".
  Na realidade as anedotas e piadas estereotípicas pouco dizem sobre estes dos quais se riem, mais sobre os que se estão a rir. Então qual é o seu objetivo? Porque nos rimos dos outros? Não tenho resposta. Porém, tenho outra pergunta: e porque não? Para quê resignar de um bom motivo para rirmos? 
Sylwia Moździerzewska

quinta-feira, 8 de março de 2012

Tecnobrega - A loucura do Brasil


   Que tipo de música excita quase todos e encoraja a dançar até os mais duros na discoteca? A resposta é simples – o tecnobrega – é o fenómeno musical que chegou a todas pistas de dança no Brasil e não pensa deixar. O que é tecnobrega? O tecnobrega é um género musical nascido no Brasil no início dos anos 2000. Trata-se de uma fusão da tradicional música brega com a música eletrónica. Provém de ritmos populares, incorporando sintetizadores e batidas eletrónicas.
  A origem do termo "brega" é bastante discutida. É provável que derive da palavra "breguete”, um termo pejorativo, usado pela classe média para designar empregadas domésticas e que passou a designar também o seu mau gosto. A palavra começou a designar um tipo de música romântica e logo criou o termo novo – tecnobrega, a música que trata  temas românticos com ritmo tecno.
    O estilo tecnobrega desenvolveu-se independentemente das grandes editoras, criando um mercado alternativo de produção e distribuição. É o mercado muitas vezes ilegal que traz um rendimento grande. Agora cada pessoa pode criar a música tecnobrega, só precisa da banda sonora original e um programa no computador que permite misturar a música original com efeitos eletrónicos. As canções são compostas em lugares pouco comuns para produção musical por exemplo em quartos ou  garagens onde um grupo de amigos cria as suas versões das canções populares que depois são vendidas entre vizinhos ou nas bancas nas ruas a preço muito baixo. Temos de saber que os discos não são produzidos para ganhar dinheiro mas para atrair o público e ser uma forma de publicidade.
Os grupos mais populares são: Rubi, Banda 40 Graus, Banda UÓ, Banda Batidão, Banda DEJAVU ou Dj Cremoso. Na página web www.youtube.com podemos ver muitos remix no estilo tecnobrega. Também apareceu o estilo de dança que se relaciona bem com a música. As competições de dança formam parte das festas tecnobrega. Desenvolvem-se também outros estilos como ciberbrega ou brega melody.
  O mercado tecnobrega gira em torno das festas de aparelhagens que têm modernos equipamentos de som, iluminação e efeitos visuais. A audiência deste tipo da música em geral são as pessoas simples, os habitantes de aldeias pequenas onde se costuma organizar festas com esta música. Depois do evento costuma-se vender o disco feito durante a festa. Os homens pedem ao dj durante a canção para gritar o nome das suas namoradas ou para cumprimentar alguém da família. Isso é uma atração adicional que estimula a compra.O símbolo característico que une todos os fãs de tecnobrega é a letra T mostrada com as mãos.
Sem dúvida o fenómeno do tecnobrega tem muitos seguidores e adversários. Alguns acham que não merece o nome da música porque não transmite nenhuns valores e que pode através das suas letras pouco inteligentes estupidificar o público mais jovem. Os que defendem o tecnobrega dizem que a música deveria divertir e por isso cumpre a sua função totalmente.
   O que torna o tecnobrega tão popular? Sem dúvida há muitos elementos que contribuem para o êxito desta música. Entre eles podemos enumerar a melodia cativante, o texto kitsch fácil de lembrar, trajes coloridos e provocantes, efeitos visuais e as canções descomplicadas com ritmos repetitivo. Agora só temos de esperar para ver quando a música tecnobrega entrará na moda em Polónia.
Weronika Kazanowska 

quarta-feira, 7 de março de 2012

CARNAVAL DO RIO DE JANEIRO - UMA MOSTRA DE LOUCURA OU UMA TRADIÇÃO COM RAÍZES?


Quando estamos na época do carnaval, a maioria de nós pensa em sair à noite e participar em festas. Há muitas cidades nas ruas das quais se realizam as festas do carnaval, mas ninguém sabe festejar o carnaval de forma tão viva e com tanto esplendor como os brasileiros no Rio de Janeiro. O carnaval nos corações dos brasileiros dura todo o ano e parece que eles nunca vão desistir de celebrá-lo.
            Há quem diga que o carnaval é uma tradição bem enraizada. A história do carnaval no Rio remonta à época depois da independência do país, quando se importaram para o Brasil os bailes de máscaras que estavam na moda em França. No início, os passeios de carruagens eram uma diversão burguesa reservada para os ricos que podiam expor ao povo os seus disfarces de luxo chamados fantasias.  Após a criação em 1855 do Congresso das Sumidades Carnavalescas* e outras sociedades carnavalescas, elas estabeleceram o trajeto dos bailes. Em 1928 surgiu a primeira escola de samba - Deixa Falar e o Rio de Janeiro tornou-se a capital do carnaval de rua mais conhecida no mundo.
            O carnaval dura cinco dias e termina com o dia de quarta-feira de cinzas, primeiro dia da Quaresma. O espetáculo começa com a coroação do rei do carnaval e a entrega da chave da cidade aos participantes do desfile. Durante os cinco dias da festa, pela avenida Marquês de Sapucaí, no espaço chamado Sambódromo desfilam os maravilhosos carros alegóricos das diferentes escolas de samba que competem entre si para o título do Campeão do Carnaval. As instalações com admiráveis decorações, os disfarces esplêndidos de grupos de bailarinos, as danças enérgicas – tudo isto à primeira vista faz do carnaval no Rio o espetáculo irreal e mágico, cheio de cor e alegria.
            Não obstante, podemos ver o outro lado da moeda do carnaval. Alguns podem dizer que o carnaval do Rio tem caráter de uma festa de luxúria com as bailarinas quase nuas e a demonstração de uma das danças mais eróticas e provocativas que é o samba brasileiro. A festa na qual participam milhares de turistas e os indígenas, constitui os cinco dias de paragem total e desordem na vida quotidiana – durante os quais uma parte dos participantes dedica-se aos vícios da bebedeira, promiscuidade, prostituição, ou brigas entre os bandos da cidade. E o que pensam do carnaval os brasileiros? Segundo as opiniões de algumas pessoas, o carnaval antigo tinha mais vantagens em relação ao carnaval que se realiza hoje. A violência e o culto do sexo exagerado prejudicam a tradição anterior do divertimento e alegria. O outro problema pode ser o preço excessivo da entrada para o desfile que em geral os cariocas não são capazes de pagar. Aproveitar o Sambódromo de perto parece reservado só para as artistas e personagens mais ricas e privilegiadas. Para uma parte dos brasileiros não resta nada mais que dançar o samba carnavalesco diante do televisor.
            Não obstante, merece perguntar se algum dia os cariocas vão deixar de organizar esta festa tão famosa em todo o mundo. Parece que o carnaval do Rio é uma festa imortal que sempre será uma atração tanto para os brasileiros como para os estrangeiros. Também os preparativos complexos para o carnaval contribuem para fazer do carnaval no Rio o negócio internacional que os cariocas e os turistas esperam  todo o ano.
*O Congresso era um tipo de clube para os membros da classe alta brasileira que durante os desfiles mostravam as suas fantasias luxuosas
Justyna Olik

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

OS POLACOS EM PORTUGAL NOS ANOS DE 1940-1945

  No dia 2 de março de 2012 às 11.00 horas  na sede do Centro de Língua Portuguesa do IC em Lublin, será inaugarada a exposição OS POLACOS EM PORTUGAL NOS ANOS DE 1940-1945. Organizada pelo Gabinete dos Assuntos dos Combatentes e Vítimas da Repressão e pelo CLP/IC esta exposição esteve patente no Estoril, em Portugal, em setembro de 2011, na versão portuguesa, e foi apresentada também na Biblioteca Nacional em Varsóvia, em dezembro de 2011, na versão polaca. A exposição é dedicada aos refugiados polacos que durante a Segunda Guerra Mundial encontraram refúgio em Portugal. É também uma forma de agradecimento à nação portuguesa pela ajuda que deu aos nossos compatriotas. Portugal recebeu mais de seis mil cidadãos polacos cujos vários aspetos da vida diária poderão ser vistos em antigas fotografias. 

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Faro e os seus habitantes

És de Faro, és farense. É uma das inscrições mais frequentes nas paredes da capital algarvia. E essa frase tão simples, se calhar, define melhor a gente local. Embora a cidade tenha aspeto relativamente moderno, a tradição e os hábitos parecem ser mantidos de geração em geração. Esse sentido de identidade profunda com as origens e património é bem visto no dia a dia dos farenses. Durante os cinco meses que morei em Faro, tive oportunidade de observar várias atitudes e hábitos dos seus habitantes. Faro, Albufeira e Portimão, há muitos anos que constituem locais de lazer preferidos de milhares de turistas, nomeadamente, os dos países mais ricos da Europa. Sem dúvida alguma, uma das causas que mais os atrai são os mais de 300 dias de sol durante ano. Por isso mesmo o Algarve deveria ser aconselhado a todos que sofrem de depressão. De facto, o turismo é o aspeto crucial de desenvolvimento de toda a região. Daí vem a já referida modernidade que se reflete num panorama infinito de hotéis. Portanto, dir-se-á que os farenses habituaram-se à presença constante das pessoas de fora. Mas parece que nem sempre é assim. Às vezes, tenho impressão de que já estão um pouco fartos dos estrangeiros. Obviamente, isto não quer dizer que sejam xenófobos. Nada disto. O que acontece é que costumam assumir atitudes diferentes perante os turistas. A maioria dos estrangeiros que vêm para cá, não sabe português. Na verdade, não sabem da missa a metade. Então os farenses (apesar de serem muito simpáticos), podem parecer um pouco antipáticos e até hostis. No entanto, uma palavra em português chega para se transformarem nas pessoas mais benevolentes do mundo. Quanto a mim, acho que estou numa posição um bocado privilegiada por causa do meu aspeto, porque os portugueses nem sempre reparam que sou estrangeiro, aliás, só é assim até ouvirem o meu sotaque. Já experimentei que essa antipatia a que me referi antes é só aparente. Se calhar, isso foi o motivo que me incentivou para começar a dar dois dedos de conversa com eles. E nunca me dececionei, sempre me responderam com benevolência. As pessoas em Faro são muito sociáveis. 
   Quanto aos lugares onde os farenses costumam encontrar-se, omitindo as inúmeras pastelarias e cafeterias, um dos mais emblemáticos é um bar que todos os dias reúne os adeptos mais idosos da equipa local. Sem dúvida, muitos deles recordam com muitas saudades a temporada 1994/1995, quando o seu querido SC Farense culminou no quinto lugar na primeira divisão e classificou-se para a Taça UEFA. Foi o maior êxito da equipa algarvia até então. Outro lugar de destaque, desta vez frequentado por pessoas de todas as idades, é o CheSsenta bar. Durante a semana, apresentam-se ali os músicos locais que compartem com os ouvintes o melhor da música portuguesa. Assim conheci a criação musical de Zeca Afonso, Jorge Palma ou Rui Veloso. 
      Voltando à questão que abordei no princípio, nos últimos meses, as inscrições nas paredes dos edifícios no centro da cidade tornaram-se ainda mais visíveis. O que é óbvio, isto tem a ver com a crise que inquieta os portugueses. De facto, por todo o lado há uma <GREVE GERAL> escrita em cor vermelha.  Em alguns lugares podem observar-se palavras de ordem que encorajam a uma espécie de rebelião social contra o governo. No entanto, a sociedade algarvia não respondeu de uma maneira explícita às manifestações outonais, pois nos desfiles participaram relativamente poucas pessoas. Parece que uma parte da sociedade algarvia encontrou outra maneira de enfrentar a crise. É a formação. Durante o último semestre estudei na Universidade do Algarve. Para minha surpresa, na minha turma havia muitas estudantes de quarenta e tal anos. Muitas delas já eram professoras mesmo nesta universidade. Mas dado que sabiam só inglês, foram destituídas. Portanto decidiram começar o curso de espanhol. A conclusão é simples. A sociedade com maior nível de educação é a melhor arma na luta com o desemprego nesta altura tão difícil. E parece que os algarvios são cada vez mais conscientes disso. 
      No meu caso, esses cinco meses a viver em Faro influenciaram-me de maneira que já me considero um pouco farense. Sem hesitar posso dizer que essa cidade ganhou a minha simpatia desde a primeira vista. Espero que as lembranças dos seus habitantes fiquem comigo para sempre.
Paweł Nowak


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Portugal – uma mescla para todos os sentidos

  Temos cinco sentidos e podemos aproveitar cada um deles em Portugal. Há quem diga que uma viagem a Portugal seja uma verdadeira festa para os nossos sentidos A visão – o sentido muito importante não só para os homens. Todos gostamos de ver uma coisa agradável e durante uma viagem transformamo-nos nos animais que querem ver tudo. Imediatamente pensamos nos monumentos e lugares mais representativos da arquitetura portuguesa como o Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa, a Casa da Música no Porto ou o Centro Histórico da Évora. Mas durante uma estadia em Portugal temos a oportunidade de observar muito mais. São as coisas pequenas que podemos notar em cada passo, como por exemplo os azulejos: azuis, brancos e vermelhos. A praia do Porto coberta por um grande nevoeiro pelo qual os raios atravessam com dificuldade. As cores em cada lugar que provocam uma sensação de alegria: o amarelo do sol, o azul do céu, cor de laranja das frutas maduras. As ruas estreitas com os carros velhos, casas pequenas de cor branca ou azul e roupa que está pendurada nas janelas. 
 Graças à audição podemos ouvir o ruído do mar e o grito das gaivotas ou o barulho um pouco menos agradável produzido pelas pessoas no Bairro Alto em Lisboa. Ouvimos as canções do fado que expressam a saudade e já são conhecidos em todo o mundo. As motorizadas e os elétricos nas ruas também produzem um som muito caraterístico para Portugal. As guitarras, o zumbido nas ruas e as conversas nas cafeterias, os sons noturnos de Albufeira ou… o silêncio nas cidades pequenas – ficam na memória das pessoas que já estiveram em Portugal. 
  Portugal oferece uma oferta muito ampla para o nosso paladar. Os mais conhecidos são, sem dúvida, o bacalhau e o vinho, mas a ementa portuguesa é muito rica. As pessoas que visitaram Portugal mencionam os pasteis de nata, sardinhas assadas, sopas como o caldo verde, todos os tipos de café acompanhados pelas bolas de Berlim e muito, muito mais. Já vemos que a ementa deste país parece interminável e a visita a Portugal é como uma festa para os amantes da cozinha. 
  A oferta de Portugal para o nosso olfato também é muito ampla: o cheiro do mar, do sol na pele, dum bom café, do feijão com arroz e chouriço, do marisco e das laranjeiras. Tudo o que podemos imaginar, especialmente relacionado com a comida porque a comida tem um papel muito importante na vida dos portugueses. Não nos esqueçamos do tato que tem muito a ver com a areia quente na praia e com as conchas que pisamos com os pés descalços. Os que gostam dos mercados guardam na memória a fartura das frutas ou marisco postas à venda.
  A serenidade, a melancolia e o ar húmido no Porto ou o asfalto ardente, os mercados dos peixes e os vendedores das laranjas em Albufeira – o que preferes? O mais importante é que cada pessoa pode, usando os seus sentidos, descobrir outras coisas, outras caraterísticas, outros milagres pequenos do quotidiano e, em consequência, outro país em Portugal. 
 Magda Grdeń

A Amazónia e o seu fado

  A Floresta Amazónica do Brasil é um milagre verdadeiro no nosso Planeta. É chamada frequentemente o pulmão do mundo. É indispensável para todas as criaturas vivas na Terra que o nosso pulmão produza oxigénio sem parar como o faz agora. Sem isso, nós, os humanos e todos os animais morreríamos imediatamente. Além de ser “incubadora” do mundo vivo, a Amazónia e as outras selvas, quer dizer, as florestas tropicais, como na África, Índia, Indochina, Malásia, Filipinas, Indonésia, Nova Guiné ou na Austrália, cria o ecossistema mais complexo e rico da vida de todo o Planeta. O número das espécies que vivem ali é desconhecido (e provavelmente ficará assim para sempre), mas supõe-se que as florestas húmidas sejam o habitat para em torno de 70% de todas as espécies da Terra. Também a biodiversidade da selva brasileira é significativamente mais alta do que a da África ou Ásia. Então, sem exagerar pode-se dizer que a Amazónia e a sua existência são a condição essencial (ou pelo menos muito importante) para a vida no Planeta. Se fôssemos entusiastas da matemática, poderíamos escrever uma equação: a Amazónia = a vida. Tendo dito isto, podemos olhar à situação atual da Floresta Amazónica. O que é que esta a passar com a nossa vida (não esqueçamos a equação)? A palavra “desflorestação” é bem conhecida. Outra é “desmatamento”, que significa a conversão de áreas florestais para áreas não florestadas. Todos os dias a destruição de territórios enormes está a avançar até que não fique totalmente nada. É bem provável que no ano 2075 reste só 5% da floresta atual. Mesmo sendo enorme agora...! Mas não nos preocupemos, naquele dia já estaremos todos mortos... Por que estaremos mortos? Há várias razões e todas parecem ser tão lógicas como espantosas. A primeira é que a floresta Amazónica, como já disse, produz oxigénio. Bom, é mais correto dizer que as plantas (as árvores) da Amazónia absorvem o dióxido de carbono que precisam para a fotossíntese e ejetam o oxigénio que lhes sobra. Chamemo-lo como o chamarmos, sem oxigénio da selva amazónica não sobreviveremos. Além disso, sofreremos as mudanças do clima, como por exemplo, o aquecimento global. E como sempre um problema é a causa do outro, o aquecimento leva ao efeito de estufa. Para além disso, a destruição da camada de ozono será completa (com todo este dióxido de carbono na atmosfera) e a radiação solar não terá nenhum obstáculo no seu caminho para a Terra. Então, quem quer um cancro...? 
  A pergunta importante é por que motivo certas pessoas querem contribuir para matar toda a humanidade? A resposta é muito simples: o dinheiro. No norte do Brasil a pobreza é significante. Cortar as árvores valiosas e vendê-los aos ricos dos Estados Unidos ou Europa é incrivelmente lucrativo. Também existe a necessidade dos combustíveis e terrenos novos para pastagens e cultivo (que duram só dois ou três anos e depois não servem para nada, então é preciso encontrar outro terreno queimando mais árvores...). Os pobres não têm muitas opções de trabalho para manter as suas famílias e se as têm, preferem escolher a opção mais fácil e rápida, o que não é difícil de compreender. Só que assim o milagre, o pulmão e a fonte da vida do nosso Planeta serão destruídos irreversivelmente. Boa sorte, humanidade, para sobreviver sem oxigénio!
Elżbieta Grygorczuk

José Afonso, “o rosto da utopia”, recordado por todo o país nos 25 anos da sua morte - Cultura - PUBLICO.PT

José Afonso, “o rosto da utopia”, recordado por todo o país nos 25 anos da sua morte - Cultura - PUBLICO.PT

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Goa… ainda portuguesa?



  






  Ontem entrei na minha página predileta onde se podem praticar línguas estrangeiras. Mal entrei recebi um convite para falar. O convite tinha sido enviado por uma pessoa da ĺndia cujo nome era um pouco estranho para um indiano. Era totalmente europeu, mais parecia português. Depois de cinco minutos de conversa perguntei a essa pessoa a origem do seu nome... Talvez essa pessoa fosse portuguesa? Não, nada tão misterioso. Os nomes portugueses fazem parte de legado que os portugueses deixaram em Goa durante 400 anos da sua residência na ĺndia. 
 Goa? Goa é um estado na ĺndia. Situa-se na costa do Mar de Arábia. A sua língua oficial é concani, mas ainda existem pessoas neste estado que falam português. A cidade principal chama-se Vasco da Gama. É um estado único onde a cultura indiana e portuguesa misturam-se por todos os lados. Goa, a partir de 1510, foi a capital do Estado Português da Índia, tendo sido integrada pela força na União Indiana em 1961. Falando da descolonização, o governo português liderado por Salazar recusou-se a negociar com a ĺndia. Então o povo indiano decidiu lutar contra os portugueses. Por essa razão, de 18 para 19 de dezembro de 1961 uma força indiana de 40.000 soldados conquistou Goa, encontrando pouca resistência. A maioria das nações reconheceram a ação da Índia, mas Portugal apenas a reconheceu após a Revolução dos Cravos, em 1974. As igrejas e conventos de Goa encontram-se classificadas como Património da Humanidade pela UNESCO. 
 A questão da religião- O mais importante legado português é a religião. Com a chegada da Inquisição à ĺndia os portugueses tentaram converter os residentes locais. É claro que os indianos não queriam deixar a sua religião e converter-se ao Cristianismo. Algumas pessoas foram ameaçadas com castigos ou confisco de terra, títulos ou propriedades. Também houve pessoas que o fizeram sem nenhum problema. Ser católico em Goa implica militância. Implica uma devoção. A concorrência entre religiões é muita, e os cristãos estão hoje espartilhados pelo hinduísmo dominante e pelo islamismo crescente. Todavia é possível assistir a uma missa na Igreja do Bom Jesus. É a igreja mais popular de Goa. 
 Os lugares e as pessoas- Em Panaji (port. Pangim) na casa branca da Fundação do Oriente, toda a gente diz que tem raízes portuguesas. Falar português ou apenas ter um apelido lusitano é um sinal reconhecido. No exclusivo Hotel Forte Aguada, por exemplo, as refeições dos hóspedes são acompanhadas pela toada de um fado cantado com sotaque indiano. Ouvir cantar fado enquanto se come um caldo que é verde mas não é Caldo Verde é, no mínimo, surpreendente. Quem anda por Goa acaba sempre por tropeçar em alguma coisa que traz Portugal à memória. Sejam as velhas tabuletas em português, a traça das casas indo-portuguesas ou uma oração murmurada numa das centenas de igrejas e capelas brancas espalhadas pelo território.Não é tão fácil encontrar algum lugar semelhante a Goa. Então quem procura Portugal, mas também procura algum lugar exótico tem de vir ao sitio onde duas culturas totalmente diferentes chocam e fazem algo que não é possível designar só em português mas também em indiano ou em concani. Se vens, descobrirás muito mais do que eu descrevi. Não seria interessante comer bacalhau e observar o carnaval nas ruas de Vasco da Gama vendo os indianos de raízes portugueses disfarçados de conquistadores?
Aleksandra Komorowska