quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O que me irrita II


Como toda a gente, tenho a minha própria ideologia. Creio que uma certa ordem no mundo é crucial e sigo as regras desta ordem. Não gosto quando alguém destrói a minha visão do mundo perfeito.
Não me irritam pessoas ou coisas em particular, mas certos grupos e os seus esquemas de comportamento. Nada me dá pior dor de cabeça do que os conservadores. São as pessoas que cultivam as tradições mais antigas da cultura polaca. Entre outros, escrevem como os seus antepassados da Idade Média, então não usam pontos, vírgulas, maiúsculas nem outros elementos indispensáveis para compreender o texto. Eu não vou adivinhar o que o emissor queria dizer e peço-lhe que repita (irrito-o muito) até que escreva de forma compreensível.
Faço o mesmo com os adeptos do futurismo. É um movimento artístico e literário da primeira metade do século XX, que aprecia o valor da originalidade e a criatividade. Não conheço pintores ou arquitetos que representam este estilo, mas há muitos escritores. Eles sabem as regras da ortografia polaca, mas, para serem excêntricos, não as seguem. De quando em quando esquecem-se disto e escrevem na mesma frase uma palavra duas vezes: uma corretamente e a outra futuristicamente. Irrita-me esta falta de coerência.
Eu sei que é muito importante conhecer outras culturas e outras línguas. Viajar pelo mundo faz-nos mais sábios e tolerantes. Se calhar devo viajar mais, porque não tolero os poliglotas. Quando conhecem uma palavra nova, geralmente inglesa, esquecem-se imediatamente da palavra polaca. Depois escrevem frases em duas línguas ainda que não haja nenhuma razão para fazer isso. Nas aulas na escola primária ensinavam-me que metade de um burro e metade de um sapo não é igual a um animal.
Respeito todas as pessoas que se interessam por alguma coisa e não me importa se jogam xadrez, se ouvem Justin Bieber. Também respeito os cinéfilos, mas isto não significa que eles não me irritam. Eles conhecem todos os filmes novos, conhecem os atores, sabem quem é mau, que é um bom ator, predizem que filme vai ganhar o Oscar. Isto é incrível. Para mim um filme é só um filme. O que é mais incrível é que os cinéfilos não sabem a diferença entre Star Trek e Star Wars. Chewbacca não era um amigo de Spock e Picard não lutava com um sabre de luz. É óbvio!
Irritam-me muito as minhas fraquezas, sobretudo a indolência. Tenho sempre o plano de fazer todo o trabalho de casa durante o fim de semana, mas ver pela quinta vez Prison Break é mais importante do que escrever uma composição.
Detesto a situação quando não tenho ideia do que escrever. Os meus amigos tentam ajudar-me, mas geralmente as suas sugestões são piores do que a minha falta de ideias. Por exemplo, eu pergunto: "O que te irrita?" "Tudo." "Nada." "Os patos que atravessam a rua." Não vou escrever isto, eu gosto de patos.
Há também um grupo de pessoas piores de tudo. Eles enervam-me imenso: despertam o Mr. Hyde, provocam a Terceira Guerra Mundial, acendem o rastilho das toneladas de explosivos, arriscam as suas vidas. São as pessoas que não compartilham chocolate comigo.

Małgorzata Stankiewicz

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O que me irrita

Está frio. Chove e há muito vento. Infelizmente não tenho nenhum guarda-chuva, então, a cada segundo, pareço mais e mais um rato afogado. Sem dúvida, não estou feliz. Não posso fingir que tudo está bem. Estou furiosa. Sim, furiosa, zangada, irritada...e ela já está atrasada meia hora. Outra vez é impontual. Não quero ouvir outra vez as suas desculpas estúpidas. Finalmente chega. Respiro fundo, sorrio e sem palavras vou levá-la para um café. 
  O meu pequeno café preferido está fechado. Temos de mudar de lugar. Agora estamos numa pastelaria onde só se podem ver casais apaixonadas que não param de se beijar e abraçar. Isso dá-me vontade de vomitar, mas a chuva não nos permite deixar este “jardim do amor”. Estamos ansiosas por um café que já está a fazer há 15 minutos. Tento concentrar-me na música do rádio, mas... isso não é uma boa ideia. Só modernas batidas tecno que não têm nada para oferecer. Estou irritada, sem palavras, e sem café, saímos deste lugar. 
  Ainda está a chover, portanto vamos para a paragem apanhar um autocarro. Muita gente espera impacientemente para voltar para casa. Infelizmente a chuva é forte e o engarrafamento em hora de ponta atrasa tudo. Estamos um pouco chateadas e irritadas. Além disso, um homem alto com uma barba ruiva está a fumar bastante perto de mim. Não me vê porque está ao telefone. Portanto, não percebe que todo o fumo que lança da boca está a voar diretamente para mim. Quero dizer-lhe algo desagradável mas alegremente chega o nosso autocarro. Subimos. 
  A minha primeira impressão é que não estamos no autocarro número cinco, mas no meio do deserto cheio de pessoas suadas. Sem ar, sem água, sem espaço. Já é segunda vez que quero vomitar mas... não tenho nenhum lugar para fazer isso. Estou irritada, muito irritada. Acho que neste momento sou a pessoa mais irritada do mundo. A paragem de autocarro número um, a paragem número dois, a paragem número três, quatro, cinco, seis... ufff. Por fim, deixamos o deserto de suor e fedor. Continua a chover por isso os meus sapatos de camurça estão completamente molhados. Sem dúvida vou ficar doente. Maravilhoso! A minha amiga sem nome, mas com galochas, pode cantar e saltar sobre poças, o que me irrita ainda mais. Já não quero vomitar, eu quero matá-la, mas finalmente e alegremente, chegamos à minha casa. 
  Esperava descansar um pouco mas depois de três minutos vejo perfeitamente que hoje isso não é possível... O meu querido irmão, grande músico, está a tocar saxofone. Não sei se há no mundo um instrumento cujo som me irrite mais. Educadamente digo "adeus" à minha amiga, corro para o meu quarto, fecho a porta, fecho os olhos, trato de tapar as orelhas também e cheia da irritação, vou dormir com a cabeça debaixo do travesseiro. Estou a dormir! Estou a dormir e a sonhar com o dia mais irritante da minha vida.

Joanna Dudek

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Duelo Ortográfico


No passado dia 12 de novembro decorreu o primeiro concurso de ortografia organizado pelo Centro de Língua Portuguesa do Instituto Camões em Lublin. Apresentaram-se 17 concorrentes no que mais parecia um duelo Lublin versus Cracóvia, uma vez que da terra do dragão do Wawel vieram nove estudantes. Os restantes eram alunos da UMCS. Apesar de jogar em casa a “seleção” de Lublin não venceu mas ocupou os restantes lugares do pódio:
Primeiro lugar: Katarzyna Kuźnik – Universidade Jagellónica de Cracóvia
Segundo lugar: Zyta Padała – Universidade Marie Curie Sklodowska de Lublin
Terceiro lugar: Monika Dobrowolska – Universidade Marie Curie Sklodowska de Lublin
Além disso, o júri decidiu ainda distinguir:
Daria Mikocka – Universidade Jagellónica de Cracóvia
Anna Betlej - Universidade Jagellónica de Cracóvia
Paulina Pałyska – Universidade Marie Curie Sklodowska de Lublin





domingo, 23 de setembro de 2012

Há um ano na blogosfera


 Depois de um merecido período de férias o AGUAVAIBLOGSPOT.COM está de volta no dia em que comemora um ano de vida na blogosfera. Para os mais distraídos, à vossa direita está um contador com o número total de visualizações e em dia de aniversário estamos perto de atingir as 8500 visitas. Um pouco mais abaixo aparece o globo terrestre a girar. Este “adereço” não é meramente decorativo mas serve para nos mostrar o país de origem dos nossos visitantes. Desta forma podemos sentir algum orgulho ao saber que a revista Água Vai já chegou aos cinco continentes. Mesmo sabendo que alguns destes 8500 visitantes tenham tropeçado”  e encontrado o blog por acaso, o objetivo de mostrar o trabalho dos nossos estudantes ao mundo foi atingido. 

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Os escândalos artísticos na Polónia depois da transformação.

   O ano 1990 trouxe a transformação do sistema político na Polónia e com esta transformação a tão esperada liberdade de expressão. Os artistas sofreram bastante por causa dos comunistas que usavam a censura para manter a sociedade polaca obediente, que não protesta e para usar só uma palavra- que é estúpida. Por isso quando na Polónia instalou a democracia, os artistas começaram a respirar profundamente, estavam convencidos que com a liberdade de expressão viria a liberdade artística, por muito tempo escondida no fundo da gaveta. Infelizmente a sociedade polaca mostrou rapidamente que não é suficientemente madura e não sabe usar a liberdade. Como mostram os exemplos a Polónia ainda não é um país laico e o uso dos símbolos católicos como expressão artística termina em processo judicial vencido normalmente pelos defensores dos valores católicos. De uma pluralidade de incidentes escolhi os mais interessantes e que causaram as emoções contraditórias. Vale a pena prestar atenção às intervenções dos políticos e à atitude dos funcionários. Surge deles a questão se essas intervenções funcionam de acordo com os padrões dum país democrático.
   Em 1993 começa a nova época de censura na arte polaca. Katarzyna Kozyra, uma estudante da Academia de Belas-Artes de Varsóvia apresentou a sua obra "Pirâmide de animais". Inspirada pelo conto dos irmãos Grimm a instalação era composta por animais embalsamados: um cavalo, um cão, um gato e um galo e era acompanhada por um filme que apresentava a morte do cavalo. Apareceram os protestos contra a escultura e os processos contra a artista. 
 Em 1997 o comissário de Pavilhão da Polónia na Bienal de Veneza Jan Stanisław Wojciechowski proibiu a apresentação da obra do Zbigniew Libera "Lego- Campo de concentração". Campo de concentração”. 
 Em 1999 o governador de Łódź acusa Katarzyna Kozyra de ofensa dos sentimentos religiosos por fazer o cartaz “Laços de sangue” "Laços de sangue"onde juntou símbolos religiosos com a imagem de uma mulher despida. Após protestos dos partidos católicos os cartazes foram tapados ou retirados. 
 Em 2000 o ator Daniel Olbrychski acompanhado pelas câmaras de televisão destruiu com uma espada o fragmento da obra de Piotr Uklański “Nazis”. O Ministro da Cultura exigiu um comentário do artista em que explicasse o sentido da exposição. Uklański não acedeu à intervenção e por fim a exposição foi fechada. No mesmo ano aconteceu o escândalo seguinte.  
  Uma escultura de Maurizio Cattelan causou problemas. Essa obra representava João Paulo II derrubado por um meteorito. O jornalista Wojciech Cejrowski tentou cobrir a escultura com um lençol mas finalmente alguns membros do parlamento estragaram a instalação e afastaram o meteorito. Um dos membros do parlamento escreveu também uma carta ao primeiro-ministro para destituir o funcionário de origem judia (Anda Rottenberg), que era a diretora da galeria. Por fim em 2009 este homem foi acusado pela destruição da escultura que custava 40mil zlotys.
 No outono de 2001 pela primeira vez foi censurada "A Paixão" de Dorota Nieznalska durante a sua exposição em Białystok. A diretora da galeria ordenou que cobrissem com papel a foto pendurada na cruz. Depois, em consequência do escândalo provocado pela emissão da reportagem na televisão sobre a exposição, a artista foi acusada da ofensa dos sentimentos religiosos. O júri considerou-a culpada e só no ano 2010 foi absolvida. Neste artigo queria mostrar que apesar de muitas mudanças que sofreu o nosso país depois da transformação do sistema, a receção de arte permanece tradicional e paroquial. Os exemplos acima mencionados são só alguns das intervenções do estado na arte contemporânea que deveria ser independente. As obras dos artistas polacos são apreciadas no estrangeiro, ganham prémios prestigiosos mas na Polónia ainda são atacadas, provocam os piores emoções. Se calhar a sociedade tem medo de conversar sobre os temas ainda dolorosos mas sem este diálogo é impossível considerar a Polónia como o país democrático e aberto à modernidade.

Monika Dobrowolska

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Polacos em Portugal

  Por que motivo os Polacos estão cada vez mais interessados pela língua portuguesa e pelas viagens a Portugal? É difícil responder a esta pergunta mas podemos dizer que nos últimos tempos os polacos com muito prazer visitam Portugal e às vezes decidem também ficar ali mais tempo. Segundo os dados do ano 2009 reunidos pela embaixada polaca, o número dos habitantes registados é de cerca de 1000 pessoas. A sociedade polaca vive geralmente em Lisboa, no Porto e em Faro. Há também famílias simples que vivem nas outras cidades. A maioria destas pessoas foram para Portugal nos últimos 16 anos. Algumas têm formação e trabalham nas instituições internacionais em Lisboa. Há muitos músicos, artistas, professores, médicos, arquitetos e informáticos. Para o norte normalmente vão os que querem obter o trabalho temporário nas plantações. As pessoas que vivem aqui mais que cinco anos não pensam em voltar para a Polónia e dizem que gostam da vida neste país. Cada ano há mais casamentos luso-polacos e as famílias jovens que vão com os filhos que têm menos que oito anos. As crianças frequentam as escolas portuguesas ou internacionais.Para que a aprendizagem deles seja mais fácil, no ano 2011 foi fundada a escola para as crianças bilingues “Borboleta”em Vila Nova de Gaia. Na Escola Secundária do Restelo em Lisboa também organizam as aulas para as crianças polacas. 
 Portugal é famoso também entre os estudantes de programa Erasmus. Normalmente escolhem a universidade em Lisboa mas as universidades em Coimbra, Porto e Faro também são populares. Podem-se encontrar nos foros muitas opiniões positivas sobre a estadia deles naquele país e naquelas universidades. O clima e as maravilhosas paisagens são as duas coisas que provocam o maior encanto entre eles. A maioria deles diz que se pudesse voltar a Portugal queria passar ali toda a sua vida ou pelo menos uns meses.  
 A Madeira é um lugar muito hospitaleiro para os polacos. O Marechal Józef Piłsudski per¬maneceu na Madeira entre De¬zembro de 1930 e março de 1931. Devido ao seu muito mau estado de saúde decidiu beneficiar do clima favorável e por isso escolheu este lugar para o repouso. Instalou-se na Quinta de Bettencourt, nos subúr¬bios do Funchal (capital da Região Autónoma da Madeira). Numa parede da casa onde viveu há um letreiro com a seguinte inscrição em polaco e português: ‘’Marechal Piłsudski viveu nesta casa XII.1930 – III.1931. EM HOMENAGEM AO PRIMEIRO MARECHAL DA POLÓNIA – COMPATRIOTAS’’. No centro da cidade na Rua António José de Almeida há um busto do Marechal. Outro toque polaco no Funchal é que atribuíram o nome de Józef Piłsudksi a uma rotunda no cruzamento das ruas do Caminho do Pilar e do Caminho do Esmeraldo. Nas outras cidades da Madeira podemos encontrar também os monumentos de João Paulo II e as ruas com o seu nome.  
 Paweł Kieszek é um futebolista polaco que desde 2007 até 2010 foi contratado pelo SC Braga. Joga atualmente no Futebol Clube do Porto. Conseguiu estrear-se neste clube no dia 11 de dezembro de 2010 durante a partida de Taça de Portugal com o Juventude de Évora.    
   Entre os dias 20-29 de abril de 2012 foram organizados ‘’Os Dias da Cultura polaca no Porto’’. Esta iniciativa abarcou os seguintes acontecimentos: o concerto de Leszek Możdzer pianista e compositor polaco, a exposição ‘’E ainda vejo os seus rostos ‘’- fotografias de judeus polacos e também um seminário sobre Wisława Szymborska, a poetisa polaca. Por fim, teve lugar a apresentação a versão portuguesa do livro polaco ‘’A locomotiva’’ de Julian Tuwim. Neste último acontecimento participaram igualmente não só alunos polacos mas também crianças de famílias luso-polacas.
Paulina Flasińska

terça-feira, 10 de julho de 2012

Festivais de música




  Para a maioria dos grupos de música, não existe digressão sem os concertos em festivais. Durante todo o verão, em quase todas as grandes cidades na Europa tem lugar um ou mais festivais de música. Durando até sete dias, atraem milhares de pessoas com o número de artistas e a variedade de géneros de música apresentados. O festival é também uma boa oportunidade para conhecer pessoas - no público de até 150 mil amantes da música por dia (Glastonbury, Inglaterra, 2009) é muito fácil fazer amigos. Além das espetáculos musicais, muitos eventos apresentam outras formas de arte: espetáculos de dança, humor ou teatro. Embora o primeiro festival de música da chamada era moderna tenha sido o Festival Berkshire em 1937 (Stockbridge, Massachusetts, EUA) o momento crucial na história dos festivais - e da música popular em si - foi o Woodstock Music&Arts Fair em agosto de 1969. O evento, que durou três dias, foi realizado numa fazenda em Bethel, Nova York com o público de 500 mil pessoas e 32 artistas como, por exemplo, Jimi Hendrix/Band Of Gypsys, The Who e Joe Cocker e The Grease Band. Depois de Woodstock, nos anos de 70 e 80, numerosos festivais foram criados em todo o mundo. Na Europa, os eventos como o Roskilde Festival, o Hurricane Festival ou o Festival de Glastonbury até agora cada ano reúnem milhares de fãs de música. 
  Também na Polónia e em Portugal esta forma de entretenimento é muito popular. Nos últimos anos, na Polónia têm sido criados numerosos festivais. O mais conhecido na Europa e muito premiado é o Heineken Open'er Festival em Gdynia. A primeira edição foi organizada em 2002 em Varsóvia como o Open Air Festival, mas depois o evento tirou o nome do seu principal patrocinador e foi transferido para Gdynia. Agora dura quatro dias e reúne até 75 mil pessoas; é o evento obrigatório no calendário de muita gente. Desde o início, os organizadores têm tentado convidar tantos artistas como seja possível. O público já teve a oportunidade de ver estrelas como Prince, Sex Pistols, Pulp ou Pearl Jam. Não existem as regras que restringem os géneros da música - durante o festival, é possível ver os grupos de rock ou da música alternativa ao lado de famosos DJs ou artistas da música dance. A única regra - como na maioria dos festivais - é que o mesmo artista não pode ser uma das estrelas máximas do evento dois anos consecutivos; tem de haver pelo menos dois ou três anos entre as suas performances. Apesar desta regra, alguns artistas decidiram incluir aquele festival nas suas digressões três vezes (Cypress Hill: 2004 e 2010, Placebo: 2006 e 2009, Massive Attack: 2004, 2008, 2010, Franz Ferdinand: 2006 e 2012).




Outro festival muito conhecido na Polónia é o Przystanek Woodstock, realizado desde 1995 pela organização Wielka Orkiestra Świątecznej Pomocy (em português: a Grande Orquestra de Ajuda Natalícia), nos últimos anos em Kostrzyn nad Odrą. Com o nome inspirado pelo Woodstock Festival, é chamado o maior festival de música a céu aberto na Europa - com o público de 700 mil pessoas (2011). É um evento gratuito de música rock e alternativa, uma forma de agradecer aos voluntários que ajudam no evento principal da WOŚP: os concertos beneficentes realizados todos os anos em janeiro. A maioria das bandas são polacas; os bem conhecidos, como Dżem, Myslovitz ou Ira apresentaram-se numerosas vezes. Nos últimos anos, os grupos estrangeiros (como por exemplo The Stranglers, Papa Roach, The Prodigy ou - neste ano - The Darkness e Machine Head) também têm sido convidados. Para além dos concertos nos dois palcos - o principal e o pequeno, chamado folk - há muitos outros eventos organizados durante o festival. O mais importante é a Academia das Melhores Artes - um lugar onde as pessoas podem encontrar-se com os políticos conhecidos como Lech Walesa, artistas, jornalistas, atores ou líderes religiosos (como Kesang Takla, o representante do Dalai Lama no norte da Europa, 2008). Uma das tradições do festival é que não há barreiras entre o público e o palco (a exceção foi o concerto dos The Prodigy em 2011, a pedido do grupo) para que a parede frontal possa ser coberta com bandeiras. A ordem é cada ano guardada pelo grupo de voluntários, chamado Pokojowy Patrol, com a ajuda dos guardas de segurança e da polícia. O festival é também conhecido pela tradição dos banhos de lama em que participam muitas pessoas. Embora o evento seja bastante criticado, principalmente pelos pais que não querem permitir que os seus filhos adolescentes vão lá porque, segundo eles, é muito perigoso e cheio de drogados e alcoólatras, há muita gente que depois de sentir a atmosfera e a diversão, não podem imaginar que não voltar outra vez. Há numerosos outros festivais na Polónia. Os mais conhecidos são o OFF Festival, o Orange Warsaw Festival e o Coke Live Music Festival, mas cada ano aparecem novos, de diversos géneros de música e com os artistas famosos em todo o mundo.


Em Portugal, as últimas duas décadas têm sido muito importantes na história dos festivais de música. Têm aparecido os eventos como o Festival Paredes de Coura, o Super Bock Super Rock e o Festival Sudoeste. Desde 2004, em Lisboa, também tem sido organizada a edição do festival internacional Rock in Rio. Originário no Brasil, até agora teve dez edições: quatro no Rio de Janeiro, quatro em Portugal e duas em Madrid. Em Lisboa, o evento é organizado cada dois anos. A primeira evento no Parque da Bela Vista reuniu 385 mil espectadores e mais de 70 artistas ao longo de 5 dias; foi um grande sucesso. Depois da edição brasileira no ano passado, este ano o festival voltou para Lisboa - entre 1 e 5 de junho apresentaram-se  Metallica, Stevie Wonder, Linkin Park ou Bruce Springsteen. Uma coisa muito interessante sobre este festival é o projeto Por Um Mundo Melhor, lançado em 2001 no Rio de Janeiro. Foi criado para chamar a atenção das pessoas para que, através das simples atitudes quotidianas, melhorem as condições sociais. Durante os últimos 10 anos, o Rock in Rio gerou quase 12 milhões de euros para diversas ações socioambientais.
O Optimus Alive! é um dos mais novos festivais em Portugal. Embora não tivesse muitas edições, já é o evento bem reconhecido não só no seu país, mas em toda a Europa. Foi realizado pela primeira vez em 2007 e até agora passaram por lá, por exemplo, Pearl Jam, Deftones ou Faith No More. Como na maioria dos festivais, não são restringidos nenhuns géneros de música - ao mesmo tempo, no palco principal (Optimus Stage) pode tocar uma banda de rock e ao lado, no Heineken Stage - um grupo de música pop ou dance. Neste ano, o cartaz ainda está incompleto, mas os artistas já confirmados são, entre outros, The Cure, Radiohead e The Stone Roses.
Hoje em dia, os festivais de música formam uma grande parte da cultura. Embora a sua principal atração seja a música, são realmente o conjunto dos atos culturais como o teatro, o cinema, a moda, até as conferências feitas pelas pessoas reconhecidas. É também uma boa oportunidade para os fãs dos grupos menos conhecidos que muitas vezes não têm a possibilidade de apresentar-se no seu próprio concerto. Embora às vezes os bilhetes sejam bastante caros, vale a pena poupar dinheiro para passar alguns dias com música divertindo-se com outros amantes dela.
Magda Józwik

sexta-feira, 29 de junho de 2012

O que nos faz pensar na Polónia?

Pensando na Holanda a primeira inclinação é a tulipa, na França a Torre Eiffel, Itáliaé frequentemente associada com pizza ou macarrão, e Espanha com as touradas ou festas. E o que nos faz pensar na Polónia? A Polónia, como pode parecer, é um país pequeno e bastante desconhecido no mundo. Mas depois duma curta reflexão podemos dizer que não é assim. Há muitas coisas relacionadas com a Polónia que são importantes e mundialmente conhecidas.Principalmente a Polónia é um país de grandes personalidades que influenciaram muito a história do mundo.
  Sem dúvida, quando pensamos na Polónia, a primeira coisa que nos vem à cabeça é a figura do papa João Paulo II. É o polaco mais conhecido do mundo. Não há lugar na terra onde as pessoas não tenham ouvido falar do Papa polaco. “Polónia, Lech Walesa o Solidariedade" – desta forma a maioria dos estrangeiros pensa em nós também. O presidente, que ocupou o cargo de 1990 a 1995, é um dos polacos mais conhecidos não só na Europa, mas também em todo o mundo. Apesar do fato de que, entre muitos polacos gerou muita controvérsia, o mundo avalia-o positivamente. Pelo seu envolvimento no processo de recuperação da democracia na Polónia foi galardoado com muitos prémios, incluindo o Nobel da Paz. Sem dúvida, outra pessoa relacionada com a Polónia é Fryderyk Chopin. O pianista nascido na pequena aldeia polaca de Żelazowa Wola, filho de mãe polaca e pai francês-expatriado, é amplamente conhecido como um dos maiores compositores para piano e um dos pianistas mais importantes da história. Alguns desportistas polacos também são famosos no exterior. Entre os apelidos polacos conhecidos no mundo, destacam-se três: a tenista Agnieszka Radwanska, o ex-saltador de esqui Adam Malysz e o piloto da Fórmula 1 Robert Kubica. Mas isto ainda não é tudo. Há mais nomes que glorificam a Polónia no exterior. O mundo também se lembra de figuras polacas que influenciaram muito a ciência - Maria Curie-Skłodowska e Mikołaj Kopernik ou a cultura - Roman Polanski.
  Alguns dos eventos históricos são inextricavelmente relacionados com a Polónia também. A Segunda Guerra Mundial e o fim do comunismo são algumas das coisas que lhes vem à cabeça quando os estrangeiros pensam na Polónia. Recentemente, um evento que fez com que as pessoas falassem sobre a Polónia em todos os cantos do mundo, foi o acidente de avião em Smoleńsk, que matou o presidente polaco e muitos outros políticos importantes.
  Entre as cidades e lugares que são mais frequentemente associados com a Polónia, definitivamente ganham Varsóvia e Cracóvia. Mas ainda há um lugar localizado na Polónia que é conhecido no mundo. O antigo campo de concentração nazi Auschwitz-Birkenau é o lugar que não tem boa fama mas muitas pessoas de todo o mundo vêm à Polónia para o ver.Junto com as pessoas, acontecimentos e os lugares conhecidos há muitas outras coisas que trazem à mente o nome da Polónia. Uma deles é a salsicha. Seca, gordurosa, defumada, assada ou cozida - é conhecida por todos. É um dos alimentos mais antigos na Polónia. Há séculos que está nas mesas e é valorizada tanto entre os polacos, como entre os estrangeiros.Outra coisa relacionada com a Polónia é o âmbar. Não há muitas coisas polacas tão famosas no mundo como o âmbar báltico. É o mais valioso tipo deste material que também é chamado o ouro do Báltico. Por isso muitos turistas que visitam a Polónia costumam comprar âmbar. Os estrangeiros ainda associam a Polónia principalmente com o álcool. A vodka polaca é muito famosa no mundo. Pois é amplamente conhecido que os polacos gostam de bebidas alcoólicas fortes e fazem-nas realmente bem.
  Sem dúvida, a Polónia não é só papa João Paulo II, Lech Wałęsa ou vodka. O país é também famoso mundialmente por muitas outras coisas de diversas áreas. Há varias personalidades, eventos históricos, lugares e comidas que a glorificam e que fazem com que a Polónia se destaque entre os outros países do mundo.

Weronika Kucharuk

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Curitiba, a cidade sorriso!

 És polaco. Tens 19 anos, já terminaste a escola secundária e estás no momento de decidir o teu futuro. Por coincidência decides pela formação em Filologia Ibérica que acaba por ser uma boa decisão. Depois de dois anos estás completamente apaixonado pela língua portuguesa, Portugal, Brasil, etc. e sabes que farias tudo o que fosse possível para conhecer todos os elementos desta área. Parece uma história de qualquer estudante deste curso na verdade é a minha história. Graças a esta coincidência e ao facto de eu poder falar português encontrei o meu primo de Curitiba no Brasil. Por isso, achei interessante compartilhar a minha experiência convosco e, sobretudo, falar sobre Curitiba, a cidade sorriso. 
 Curitiba localiza-se no Sul do Brasil e é a capital do Estado do Paraná. Grande pólo industrial, fica no sul do país e cerca de 2 milhões de pessoas vivem aqui. Não é nada estranho que Curitiba seja a cidade com a melhor qualidade de vida no Brasil. Curitiba também tem altos índices de educação. Tem o menor índice de analfabetismo e a melhor qualidade de educação básica entre as capitais. 
  O Brasil por ser um país muito grande é muito diverso, pois então existem pequenos países dentro dele e o Sul é completamente diferente do norte, quanto à geografia, cultura e etnias. A maior parte do Sul do país foi colonizado por europeus, como alemães, polacos, ucranianos, holandeses, italianos, espanhóis, portugueses e russos. A maior parte dos colonizadores do Paraná são polacos, alemães, ucranianos e italianos. Em Curitiba, há 60% de pessoas que têm raízes polacas. Muitas delas foram (como a família do meu primo) para o Brasil depois da Segunda Guerra Mundial. Curitiba é conhecida como a cidade com maior número de polacos no Brasil. Os imigrantes chegaram da Polónia em 1871, fixando-se em zonas rurais próximas a Curitiba. Eles influenciaram largamente a agricultura da região. Curitiba tem a segunda maior diáspora polaca no mundo, apenas para Chicago. O Memorial da Imigração Polonesa foi inaugurado em 13 de dezembro de 1980, após a visita do Papa João Paulo II à cidade em junho do mesmo ano. A sua área é de 46 mil metros quadrados, onde havia uma fábrica de velas.” É um fenómeno interessante que todas as pessoas que vêm cá, trazem algo característico do seu país. Como podemos observar, a cultura europeia é muito forte tanto pela comida como pelos costumes. 
 Comparando com outras regiões brasileiras, o povo de Curitiba é considerado como fechado e antissocial porém tem hábitos que deixam a cidade muito limpa e organizada. A vida típica dos jovens curitibanos, por volta de 23 anos, é a faculdade, desporto, clubes noturnos etc. O estilo musical do momento é a música sertaneja moderna (música do Michel Teló: Ai se eu te pego). Contudo, os hábitos variam de pessoa, a sua classe social, pois no Brasil existe muita diferença entre as pessoas. Também, não podemos deixar de mencionar o papel do desporto. Como o futebol é um dos desportos mais importantes no Brasil, é preciso dizer que em Curitiba há três clubes relevantes, Clube Atlético Paranaense (cujo estádio é a Arena da Baixada), Coritiba Foot Ball Club (cujo estádio é o Couto Pereira) e Paraná Clube (cujo estádio é a Vila Capanema). A cidade será uma das sedes do Campeonato do Mundo de Futebol  em 2014.
  Não importa se és estudante, uma pessoa jovem ou mais velha – em Curitiba vais ser bem recebido. É uma cidade que sempre gostou dos imigrantes porque eles constituem uma fonte de enriquecimento da cultura e economia de todo o país. Então... bem-vindo a Curitiba!
 Katarzyna Rejter

Conheçamos Évora- uma Cidade- Museu

  No centro da Região do Alentejo, cercada por cereais, vinhedos, olivais e arrozais fica Évora. Há alguma coisa emocionante nesta cidade. Começando pelo seu brasão, onde são visíveis duas cabeças debaixo do conquistador dos mouros Geraldo Sem Pavor. A lenda diz que durante o ataque a Évora em 1165 o comandante atacou a uma torre com umas lanças em vez dumas escadas, deste modo fez o massacre dos mouros. Este ato heroico é comemorado no brasão de armas. 
  O lugar é habitado há muitos séculos. Os Lusitanos chamaram-na Ebora. Depois da conquista romana no século II antes de Cristo, a cidade começou a ser um importante centro do império devido à sua localização na encruzilhada dos caminhos. Os romanos edificaram as muralhas ao redor da cidade e no seu centro o templo que até agora tem importância simbólica e turística e cria a atmosfera deste lugar. A conquista visigoda provocou o declínio da cidade. No ano 715 vieram os mouros e ficaram ali durante 450 anos para levar a cidade a desenvolver-se novamente. Estes governantes reconstruíram as muralhas e no lugar do fórum edificaram a fortaleza e a mesquita. A partir do ano 1166, quando o rei Afonso I assumiu o controle de Évora, a cidade floresceu, construíram-se palácios e igrejas. No século XVI os jesuítas fundaram a universidade, que teve o papel importante em reunir artistas e pensadores no período do humanismo. Todos os acontecimentos da história, a intervenção e a influência de diferentes culturas garantem o clima especial do centro histórico, que foi declarado Património Mundial pela UNESCO, e da cidade toda. 
 O que é representativo para a cidade velha, que cresceu no interior das muralhas, são as ruas laterais estreitas e delimitadas. Na restauração dos monumentos e no desenvolvimento do turismo foram gastos sete milhões. Por isso podemos deliciar-nos com as vistas fascinantes e a paisagem colorida. A primeira coisa que merece ser mencionada é a praça principal de Évora- a praça do Giraldo. Está cheia de pessoas e de movimento, entretanto tranquila. As casas maravilhosas bem restauradas, bons restaurantes junto com cafés e bares abertos até tarde garantem o caráter excecional deste lugar. 
 No ponto mais alto da cidade sobressai o templo romano de Diana, um dos monumentos romanos mais importantes e melhor preservados em Portugal. Provavelmente foi criado por volta do século I. Impressiona com as suas colunas altas, expressivas e atemorizantes que fazem lembrar da presença romana no território português. Por perto, na transição do estilo românico para o gótico, foi construída a Sé Catedral de Nossa Senhora da Assunção, popularmente chamada Catedral de Évora ou Sé de Évora. A sua construção foi iniciada em 1186, em 1204 a igreja foi consagrada e só ficou pronta em 1250. Muitos aperfeiçoamentos, mudanças e enriquecimentos da construção que se realizaram ainda no século XVIII criaram o atual aspeto dela. A catedral reparte-se em três naves, das quais a central é a mais alta. As coisas mais características da frente da catedral são as duas torres distintas e as esculturas marmóreas dos 12 apóstolos no portal. Os turistas que visitam a catedral também podem ver as exposições no Museu de Arte Sacra da Catedral. Entre as peças é possível admirar pintura, escultura e ourivesaria. Além disso, pode-se ver o interior da igreja desde o coro, onde estão esculpidas cenas mitológicas, naturalista e rurais. A catedral tem o caráter defensivo e tende a intrigar os turistas. Outro dos monumentos mais conhecidos de Évora é a Capela dos Ossos, que tem origem do século XVII e é situada na Igreja de São Francisco. O arrepio é quase inevitável devido às cerca de 5000 caveiras e ossos ligados por cimento às paredes e aos oito pilares. O ambiente de medo é aumentado pelas múmias dum homem e duma criança e pela lenda da maldição, que foi lançada por uma mulher moribunda. Na entrada há uma inscrição comovente: Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos. Évora deixa a impressão de ter acontecimentos históricos encerrados nos prédios da cidade. A sua riqueza arquitetónica e cultural foi criada e reunida durante séculos quando vários povos habitavam o Alentejo. Por isso, vale a pena visitar a cidade de Évora.
Karolina Sieńko


Câmara Municipal de Évora
Região de turismo do Alentejo

sábado, 23 de junho de 2012

Lublin-Lisboa 46 dias a pedalar por essa Europa fora!

  Quando era miúdo e tinha uns oito, nove anos sonhava em fazer uma grande viagem à volta do Mundo. Uns anos mais tarde, mas ainda em pequeno e apesar de ser uma perspetiva ainda muito distante e incerta, já esquadrinhava possibilidades de empreender algum projeto duma louca peregrinação. Assim, não parava de procurar companhia indagando os meus companheiros do bairro e convencendo-os que fossem comigo ao Mar Báltico...de bicicleta. A resposta sempre foi a mesma: “Ao mar de bicicleta?! Ganda maluco! Eu não consigo ir nem ao lago perto daqui. Não vou, de jeito nenhum!”. Era óbvio que não houvesse muitos interessados mas ao menos percebi naquela altura uma coisa de grande valor: se queria ir, esperava-me uma longa e solitária viagem. 
  Mas, se alguém perguntar, o que é que significa viajar hoje em dia pelo mundo que se tornou de repente tão pequeno e tão maravilhosamente disponível ao simples alcance da mão, com a alta tecnologia capaz de cobrir todas as distâncias? Para dizer a verdade, basta fazer um clique na Internet, fazer as malas e subir a bordo dum avião. Três horas mais tarde entramos numa outra realidade indo de elétrico pela famosa Alfama lisbonense. 
 Ou numa variante mais ambiciosa e mais romântica, para alguns uma variante “idiota”, estamos a subir, já suando em bicas uma estrada secundária algures na Voivodia de Świętokrzyskie na Polónia central. Atrás das pequeninas Montanhas de Świętokrzyskie estende-se a gigante zona industrial da Silésia, dividida entre a Polónia e a República Checa. Algures, perto da fronteira há uma pequenina e estreita estrada secundária, quase não frequentada por ninguém. Aquela estrada vai por uma grande planície ao longo do rio Váh que mesmo na fronteira desagua no majestoso Danúbio. Atravessado o rio, pelas terras húngaras, junto ao Lago Balaton e mais adiante pelo triângulo territorial húngaro- esloveno-croata para chegar à Costa Mediterrânica italiana. E logo, pela Itália, pela França, pelos Pirinéus e pelo Caminho de Santiago...Quatro mil quilómetros do imprevisível entre Lublin e Lisboa, contra o vento dos impedimentos, na sobrecarregada bicicleta que ia tornar-se o meu meio de transporte, a minha “casa com rodas”, o meu melhor amigo e “o meu tudo” durante aqueles dias da solitária peregrinação pelo continente. 
 Todas as viagens, mesmo que isto já soe trivial, mudam-nos e fazem com que se alargue a nossa perspetiva do mundo ao redor. Por vezes nem damos conta que neste mundo há homens que sabem abrir os nossos corações abrindo os seus sem a mais pequena hesitação. E sim que isto é verdade! Uma vez, indo pelos campos e aldeias croatas precisei de afiar a minha faca, incapaz já de cortar pão. Dirigi-me a um homem que estava a reformar a sua velha casa algures numa pequena aldeia do norte do país. Uns minutos mais tarde estava sentado à mesa a banquetear-me com os meus novos amigos. Recebi muito mais do que precisava. Os homens, já alegres estavam a fantasiar uma doida visão de expulsar todos os inimigos da pátria- os ciganos, os sérvios e outros para depois ´importar´ para a Croácia cinco milhões de Polacos- “os melhores amigos da nação croata, os melhores homens do mundo!”. “Fod... cinco milhões de Polacos!” repetiam. Nem eram capazes de perceber que já queria continuar a viagem- voltaram a trazer mais comida e mais vinho croata! O dono trouxe por fim toda uma coleção de facas para que escolhesse uma. E, já embriagado, começou a encher de notas o meu bolso. Mas, nem pensar, isto significava que já era hora de partir. Deixei então os dois homens, incapazes de reter as lágrimas. Os olhos do dono daquela pequena casa de madeira eram os mais tristes que vi na minha vida. O homem do povo, simples, capaz de dar-te tudo o que tinha- todo o seu amor ou todo o seu ódio. Nem imagino o que me podia oferecer se eu fosse cigano ou sérvio... 
 Passava então quilómetro atrás de quilómetro movido pela paixão de vaguear, com o termos que normalmente guardava e mantinha fresca a água mas que, já algures na Hungria, começou a encher-se cada vez com mais frequência do melhor néctar da Europa do sul. Sabia relativamente pouco, ou seja muito pouco, do país aonde me dirigia, daquele “fim da terra” como o costumavam denominar os medievais, onde há trinta e tal anos atrás os homens colocavam cravos nos canos dos carros de combate. Apesar disso pelo menos tinha mapas, dos quais não dispunham os navegantes portugueses do século XV que só mais tarde iriam desenhá-los e, ao contrário deles, sabia o meu destino. Ou, se calhar, sabia somente a direção... Acho que as mais terríveis doenças e a aleijões dos nossos tempos são a falta de fé e o desinteresse pela vida revelado por alguns homens. Tudo já foi descoberto, nomeado, tudo foi escrito e então já não há nada que seja capaz de surpreender o malcontente ser humano. A navegação em busca de aventuras e descobertas de novas terras minguou à chamada “navegação” pela realidade virtual que parece ser considerada o melhor substituto de todo o real na nossa gloriosa época pós- moderna saturada com a chatice e a inelutável desesperação. Não obstante, às vezes basta desligar o computador para darmos conta que essa velha doença do “fin de siécle” é quase exclusivamente própria dos habitantes das grandes aglomerações da classe média acomodada do mundo ocidental. Assim que deixamos a cidade, vemos que a loucura e a insensatez cedem à paixão de viver a vida plenamente. Deixamos então o mundo virtual, este impenetrável mistério de aparência e de engano que se tornou a nossa única quotidianidade para entrarmos na realidade como se fosse esta viagem uma volta ao passado, ao mundo que para a maioria de nós já está morto. Seja o que for que possa significar viajar mas seguramente cada viagem é significativa e até revelante na dimensão individual. Viajar significa observar e escutar com muita atenção, conhecer, aprofundar e em resultado, às vezes, entender que a visão apresentada na televisão tem pouco a ver com a realidade. 
  Conheci, errando pelas terras europeias, inumeráveis ciclistas, caminhantes, peregrinos, viajantes, romeiros e vagabundos, cada um dos quais levava se calhar um mundo inteiro dentro do coração. Houve entre eles um francês de uns 35 anos que ia em peregrinação à Terra Santa em Jerusalém. Aquele “discípulo moderno” de Jesus avançava muito devagar na sua velha e enferrujada bicicleta e, como o seu mestre, não tinha quase nada consigo. Lembro- me bem que naquela noite preparei o jantar com todos os ingredientes que tinha- cozinhei uma sopa na fogueira. E não foi a primeira, nem a última vez nessa viagem que vi lágrimas nos olhos dum homem. Umas semanas mais tarde, já algures nas montanhas de Navarra parei na praça dum pequeno povo para me abastecer de água. Não estava muito calor mas não vi ninguém na rua exceto uma família árabe - um homem, a sua mulher e dois miúdos jovens. E, quando já estava a abandonar a aldeia, ouvi uma voz gritando: Senhor! Espere! Foi o árabe que chamou por mim da janela da sua casa. Sacou então duas bolsas gigantes, cheias de comida, dentro das quais se encontrava, entre outras iguarias, um pote de sopa de lentilha. “Foi a minha mulher que preparou isto”- disse. E eu não sabia dizer mais do que -“Deus te abençoe”. O Marroquino cumpriu assim a sua obrigação muçulmana, o mandamento de Alá que o obriga a alimentar o faminto. Eu não estava com fome e nem era capaz de sustentar a carga para equilibrar o volante do meu veículo. Não obstante naquela mesma tarde tive oportunidade de compartilhar a comida com uma família francesa e uns dias mais tarde em Burgos, no velho coração de Castela, onde, conforme esperava encontrei pedintes. Nada na Natureza se perde, tudo se cria e tudo se transforma. Fui ajudado numerosas vezes naquela longa peregrinação, e quando já estava a perder fé aparecia algum bonachão que não hesitava em estender a sua bondosa mão e manter assim a chama da esperança. Para tantos outros o bom samaritano fui eu. 
 Foram tantas e tão reais as pessoas que conheci que por vezes esqueço os nomes e as caras na minha memória embaçada: uma família espanhola no desértico e até espantoso “Mar de Castela” dos intermináveis campos de trigo, que me deixou pernoitar, quando estava todo molhado na sua pequena um idoso português que ao ver-me a consertar a bicicleta me ofereceu boleia e me levou a casa da sua família algures perto de Sabugal.“Você fala muito bem a nossa língua”- não deixava de repetir apesar de eu não perceber quase nada, e os ciganos-“condenados” ao meu destino pela sua tradição secular- que sempre que me viram me cumprimentavam com um sorriso e com gesto de mão. Um jovem polaco numa sobrecarregada bicicleta foi naqueles dias um deles. 
 Naturalmente há pessoas que nunca tiveram oportunidade de abandonar a sua vila, ver a cidade, viajar e conhecer o mundo. E há também quem diga que tais homens não têm nenhum conhecimento profundo das coisas porque não viram nada na sua vida, como por exemplo alguns camponeses portugueses que apesar de morar pertíssimo nunca puderam deixar o arado e ir ver o mar. Não concordo absolutamente porque embora esta constatação às vezes seja verdadeira, geralmente não parece acertada e não tem muita justificação. Há uns anos atrás conheci um jovem estrangeiro que viajou por todo o mundo e admitiu ter visitado quase todos os lugares mais exóticos. Apesar disso não sabia dizer nada das suas viagens além da vulgar trivialidade “Yeah, it was f...cool!” quando estava a tentar descrever a sua única “experiência internacional” da qual se lembrava- os bares. Como o gajo tinha ar de tipo inteligente, da chamada “boémia artístico-intelectual”, não podia acreditar que todo o “original” nele se limitasse ao superficial e ao aparente. Aquele jovem viu muitas coisas mas não as experimentou, só se limitou consumi-las com a vista- o sentido humano mais alienante e enganoso. Mas, como diz o provérbio, a barba não faz o filósofo, nem as viagens fazem com que conheçamos o mundo. As novas terras só se podem descobrir vendo as coisas até ao fundo, mas isto supõe ver com o coração, não só com o intelecto.
 Depois de 46 dias a pedalar cheguei por fim a Lisboa onde de repente me dei conta que era completamente incapaz de me comunicar na gloriosa língua de Camões, especialmente na sua variante moderna da rua chamada calão. Aqueles dias passados em viagem, as noites na minha tenda, nos bosques, nas praias e nas aldeias, junto à fogueira acesa, solitárias ou em companhia mas sobretudo as pessoas, os peregrinos que encontrei no caminho mudaram a minha vida.
 Michał Hułyk

sábado, 16 de junho de 2012

Polónia com sotaque português

 Portugal no pensamento de muitos polacos parece ser um país do fim da Europa, tão remoto que é quase desconhecido. Todos sabemos que existe mas não damos importância a muitas coisas que acompanham a nossa vida e estão directamente relacionados com Portugal ou outros países de língua portuguesa. As pessoas conhecem muito bem as influências dos países vizinhos como Alemanha, Rússia etc. e isto não surpreende, mas algo que veio para a Polónia de países tão extremamente distintos é muito mais interessante. 
 Por exemplo, a maioria dos Polacos faz compras no supermercado "Biedronka", porque encontram lá os produtos mais baratos do que nos outros supermercados, mas pouca gente sabe que estas lojas são portuguesas. Foram criadas por um polaco mas depois foram vendidas e agora pertencem ao grupo português Jerónimo Martins Distribuição. Nestes supermercados a maioria dos produtos são polacos, mas pode-se encontrar os vinhos e frutos portugueses que são muito bons. Quase ninguém sabe que também o banco Millenium está relacionado com este "remoto país"- é o sexto maior banco na Polónia e o principal investidor é o Banco Comercial Português. 
 Não só no mundo comercial podemos descobrir os rastos portugueses. Todos sabem que os polacos costumam organizar grandes festas de casamento nas quais não pode faltar música, então as pessoas divertem-se, por exemplo, com a melodia de Lambada. Ninguém se preocupa que não entende esta canção, a língua parece ser um pouco estranha, mas o mais importante é divertir-se. Quando tentarmos ouvir a Lambada mais atentamente percebemos que a canção é cantada em português. Aprofundando o tema, Lambada é uma dança brasileiro- boliviana muito popular no Brasil. Caracteriza-se pela sensualidade e espontaneidade, o nome significa um pancada forte.A primeira canção foi interpretada por Lucia Mendez e depois pelo grupo Kaoma em espanhol e em português. Outra canção muito popular neste inverno nas residências dos estudantes foi "Ai se eu te pego" de Michel Teló. Ninguém sabe por que esta canção brasileira ganhou a simpatia dos jovens. Talvez porque a língua desconhecida, confundida com ucraniano e melodia pegadiça causou esta onda de popularidade, e é claro que nenhuma festa podia realizar-se sem o famoso Michel Teló. As meninas em frente do computador suspiraram pelo cantor procurando informações sobre o seu estado civil. 
 Passando a um tema mais cultural podemos também distinguir a literatura. Às vezes quando as pessoas querem ser considerados como mais educados costumam citar nas conversas as palavras de escritores famosos embora nunca tenham lido os seus livros. Por exemplo hoje está na moda citar as frases do Paulo Coelho, como: "A busca da felicidade é pessoal, e não um modelo que possamos dar para os outros", "O homem nunca pode parar de sonhar. O sonho é o alimento da alma como a comida é o alimento do corpo"- conhecem-se estas palavras mas algumas vezes não se sabe quem as escreveu e na maioria dos casos não se sabe que o escritor é brasileiro. 
 Outra coisa interessante é Fátima. Agora as pessoas têm a consciência geográfica mais desenvolvida mas as pessoas mais velhas conhecem toda a história de Francisco, Jacinta e Lucia mas não têm idéia onde fica esta cidade, destino de muitas peregrinações. A Polónia é conhecida pela importância que tem a religião católica por isso Fátima é como outra Częstochowa, a capital religiosa da Polónia.
  É interessante que a Polónia tem algo comum com este país do fim da Europa. Algo que é importante na vida quotidiana, que quase conhecemos como próprio. Cada dia bebemos o vinho de Portugal, comemos laranjas, fazemos compras na Biedronka. É importante que as pessoas saibam um pouco mais sobre isso por que é o primeiro passo para entender que estamos rodeados de várias culturas mesmo onde não esperamos.

Mariola Kur

quinta-feira, 14 de junho de 2012

De tudo e de nada – sobre a aldeia portuguesa


Além do Portugal que todos conhecem, famoso pelos vinhos, o fado, a saudade e o melhor bacalhau do mundo, há recantos na sua geografia interior que vale a pena ver. Todos conhecem grandes metrópoles como Lisboa ou Porto nas quais para a maioria das pessoas com certeza os pontos mais essenciais são os centros comerciais, mas ninguém sabe que Portugal tem as paisagens rurais mais maravilhosas do mundo. Quando dizemos Portugal a primeira coisa que nos vem à cabeça é Lisboa, Porto, vinho, bacalhau – mas quase nunca pensamos nas aldeias portuguesas que são muito mais interessantes do que as cidades cheias de pó e gases de combustão.
  Por que tão pouca gente visita as pequenas localidades, os lugares mais tranquilos do mundo? A resposta é muito fácil. Todos procuram a comodidade, hoje em dia todos somos comodistas e na verdade ninguém quer viver nem sequer um dia nas condições que dominam no campo. É muito triste, porque não nos damos conta de que precisamente ali começou a nação portuguesa. As aldeias deram origem a tudo o que hoje em dia existe. Infelizmente só algumas pessoas respeitam a importância destes sítios.
  Como mencionei antes pouca gente conhece a cultura rural que existe em Portugal e por isso acho que se deveria falar mais dos lugares ainda não descobertos pela humanidade, que na verdade podem ser interessantes para muita gente. Dou-me conta de que há poucas pessoas que gostam da natureza, do contato com o mundo profundo mas com certeza há pessoas que adoram os sítios onde se pode esquecer de tudo. As aldeias portuguesas podem levar-nos a locais de sonho, onde ao lazer, à tranquilidade e ao bem-estar se acrescenta a possibilidade de fruição do país mais profundo e autêntico. O contato com a natureza, com as populações e os modos de viver rurais, com as delícias gastronómicas e o artesanato estes lugares constituem o paraíso tanto para a alma como para o estômago. Como sabemos o pais do Camões é um dos países em que se come de maneira mais saudável e deliciosa, e foi precisamente no campo que se criaram as primeiras delícias sem que hoje em dia não se pode sobreviver. Os camponeses faziam e continuam fazendo os doces e pratos mais deliciosos do mundo.
  As aldeias envolvidas pelas paisagens idílicas preservam também tradições expressas na sua arquitetura, na sua gente, na cultura. Um dos elementos mais importantes são as festas tradicionais e as romarias que com certeza fazem parte considerável da prática da religião católica que é a religião dominante. Como sabemos os habitantes das aldeias são mais crentes do que as pessoas que vivem nas cidades, por isso nos campos apresenta-se a preservação das tradições católicas mais profundas. Então, a visita a uma aldeia é uma oportunidade para desfrutar, não só de um ambiente sereno, mas também da cultura e da vida quotidiana do mundo camponês.
  Na imagem da aldeia portuguesa hoje em dia predominam as rugas e cabelos brancos, os sorrisos que mostram poucos dentes, os passos lentos, as viúvas vestidas de preto. Por que os jovens não querem viver no campo? Por que razão preferem a vida mais ocupada, cheia de barulho e incolor? Certamente não têm tanta coragem para experimentar viver por sua conta. Nos nossos tempos todos tentam facilitar a vida e nada mais. Ninguém se sente tão decidido para continuar o que começaram os nossos avós. É na verdade muito deprimente, dentro de pouco as aldeias serão completamente abandonadas, sem nenhuma alma na rua.
Neste momento só uma pergunta me vem à cabeça, se todos fossemos habitantes das grandes cidades, o que se passaria com os campos, com a terra que é a melhor amiga do homem?

Monika Lisik

NR: Na imagem, a Igreja Matriz de Querença, bonita aldeia do concelho de Loulé. 

quinta-feira, 7 de junho de 2012

“Moonspell? De Portugal? É impossível!...”

   Os meus amigos ficam surpreendidos.. “Moonspell? De Portugal? É impossível!...” Porém sim, Portugal não é só o país do fado. Os Moonspell são uma banda portuguesa de black e gothic metal formada em 1989. É formada por quatro músicos: Fernando Ribeiro (vocal), Ricardo Amorim (guitarra), Mike Gaspar (bateria) e Pedro Paixão (teclado e guitarra). O primeiro nome da banda foi Morbid God. O estilo da banda é muito interessante e variável. A banda começou a sua carreira com as canções góticas e obscuras. Os temas mais frequentes foram: vampiros, noite, morte e sangue. 
  No seu primeiro álbum – Wolfheart podem-se encontrar as influências da mitologia lusitana e da música folk. No disco podemos ouvir as canções sobre duas deusas lusitanas – Trebraruna (deusa das batalhas, da morte e da família) e Ataegina (deusa da primavera). O segundo álbum de estúdio chama-se Irreligious e por muitas pessoas é considerado o melhor de todo o património musical dos Moonspell. É o mais escuro e lúgubre. A temática está relacionada com a morte, o diabo e a eternidade. Pode-se encontrar uma referência à literatura portuguesa – a canção Opium inclui uma citação de uma das obras do Fernando Pessoa. 

"E por isso eu tomo ópio,é um remédio
Sou um convalescente do momento, 
Moro no rés do chão do pensamento 
E ver passar a vida faz-me tédio." 
                                     Fernando Pessoa 

 Os álbuns seguintes – Sin/Pecado e The Butterfly Effect apresentam outra cara dos Moonspell. Fernando Ribeiro surpreende porque em vez do seu típico vocal gutural (eng. growl) podemos ouvir que sabe cantar muito bem e que tem uma voz delicada e pura. No Sin/Pecado predomina a temática religiosa, há várias referências bíblicas e o estilo do álbum tem a ver com gothic rock com elementos de música eletrónica. O estilo semelhante predomina no The Butterfly Effect, cuja temática é inspirada na Teoria do Caos. Aqui podemos encontrar a canção Tired, que contém uns fragmentos do Requiem do W.A. Mozart. Os Moonspell continuam a experimentar com música no disco seguinte – Darkness and Hope – onde podemos ouvir as interpretações de Mr. Crowley do Ozzy Osbourne e da canção Os Senhores da Guerra de uma das bandas portuguesas mais conhecidas no mundo – os Madredeus. O álbum The Antidote é um pouco diferente dos últimos porque é mais energético sentimental. Obviamente, todas as composições como sempre têm um nível muito alto. Os músicos de Portugal obtiveram êxito no ano 2006 com o seu disco Memorial, com que regressaram ao estilo gótico. Conseguiram combinar perfeitamente música étnica árabe com heavy metal. O álbum está cheio de peças misteriosas e temas instrumentais escuros. Parece que os Moonspell decidiram manter esse estilo e um ano depois lançaram uma compilação das canções realizadas nos princípios da sua carreira musical. O disco chama-se Under Satanae e contém só o material dos anos 90. No Night Eternal os músicos apresentam as melodias escuras e lúgubres, desta vez sem elementos de música gótica. Para realizar uma das canções os Moonspell convidaram Anneke van Giersbergen. O álbum mais recente, Alpha Noir/Omega White foi lançado no ano 2012 e é composto por dois discos. Cada um é uma dose de música muito boa, cujas letras são inspiradas pelos temas góticos. 
  Os Moonspell tocaram na Polónia várias vezes. O seu primeiro DVD Lusitanian Metal contém as gravações do concerto de Metalmania 2004. É muito importante mencionar que alguns dos álbuns de estúdio da banda foram produzidos pelo músico e produtor polaco de heavy metal Waldemar Sorychta. Outro polaco, Wojciech Błasiak, colaborou com os músicos na criação da capa do disco Darkness and Hope. O repertório dos Moonspell é bastante amplo e cada fã de música metal certamente encontrará algo interessante para si em algum dos seus álbuns. 
Kasia Kuczyńska


sábado, 2 de junho de 2012

Yami em Lublin

  As ruas de Lublin cheias de pessoas não cientes da magia que cerca as vidas em todos os momentos. A luz da lua alumbra subtilmente todos os eventos e todos os sons da cidade. Nesta atmosfera coisas extraordinárias podem ocorrer... Nesta atmosfera uma cidade no centro de Europa pode transformar-se num lugar completamente diferente. 
  Foi isso que aconteceu na terça-feira, 29 de maio, por volta das 20:00, quando um grupo de artistas veio ao Czarny Tulipan, um restaurante no centro da cidade velha, para tocar música do mundo lusófono. Yami (Perfil no Myspace), vocalista de origem angolana, João Balão (Perfil no Myspace), baixista português, e Marito Marques (Página oficial), baterista português, levaram todos para um mundo sem fronteiras nenhumas onde os sons têm a fragrância e o sabor das emoções verdadeiras. A sala estava cheia de pessoas que não esperavam fazer uma viagem tão incrível. 
  O trio dos músicos tocou não somente canções angolanas, mas também de Cabo Verde ou São Tomé. As caras sérias da audiência mudaram rapidamente - todas as pessoas sentiram contacto com o mundo desconhecido. Algumas pessoas começaram a dançar aos ritmos das mornas, coladeras e sembas. Canções como "Mãe Negra", "Sodade", "Marimbondo Uamulumata" ou "Kananga do Amor" transformaram este pequeno lugar num mundo cheio de emoções. Os sons tornaram-se o recurso para pintar as paisagens quase espirituais. Os artistas pareciam honestos e alegres - portanto, conseguiram estabelecer uma relação com o público. O concerto foi dividido em duas partes - a primeira foi dedicada às canções calmas e românticas. Yami cantou entre outras "Marimbondo Uamulumata" para o único angolano que vive em Lublin e que veio ao concerto. Depois, cantou "Kananga do Amor" para todas as mulheres reunidas no local. João Balão acompanhou no cavaquinho - o instrumento originado no norte de Portugal, enquanto Marito Marques encantou o público com sons suaves e delicados de bateria. Na segunda parte, a banda foi acompanhada pelo músico polaco, Mieczysław Jurecki, que se juntou à banda depois do concerto maravilhoso do dia anterior. Essa parte foi mais energética e todas as pessoas que tinham conseguido permanecer sentadas até este momento, começaram a dançar ou, pelo menos, dar saltos. A alegria visível nas caras dos músicos mostrou que, no caso da música, as fronteiras não são importantes. As duas horas do concerto provaram que a magia trazida pela música pode acontecer em todos os lugares e que há algumas coisas mais poderosas do que as divisões culturais ou linguisticas. Às vezes tudo o que se precisa é parar por um momento e abrir os olhos e os corações às emoções transmitidas pelos sons. 

Małgorzata Miciuła

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Música e bola

Já que falamos em Euro vale a pena recordar algumas das músicas de apoio à seleção de Portugal. No Mundial de Maradona no México em 1986 foi o mítico José Estebes (uma das mais geniais criações de Herman José) com a canção “Vamos lá cambada”, que animaram a desastrosa e polémica participação de Portugal no torneio. A cambada não passou da fase de grupos e foi derrotada pela Polónia com um golo de Smolarek.

 Em 2004 o hino oficial da seleção foi “Força” de Nelly Furtado em versão bilíngue e sotaque açoriano-canadiano. A música entrou no ouvido de todos e chegámos à final, mas perdemos com a Grécia que até hoje não sabe como conseguiu ser campeã.

 Depois da tragédia grega veio o Mundial de 2006 na Alemanha e o anúncio da Galp que pedia menos Ais e um pouco Mais. Não fomos campeões mas estivemos perto. Fomos pela terceira vez eliminados pelos franceses (1984, 2000 e 2006).

 Em 2010 houve várias opções, sendo escolhido como tema oficial “I Gotta Feeling”, dos Black Eyed Peas. Mas como o que é nacional é bom , em protesto pela escolha de uma canção em inglês para apoiar a seleção de Portugal, surgiu no Facebook um movimento para promover Sete Voltas Prá Muralha Cair de Tiago Guillul. O vídeo é bom, a letra também mas não imagino um estádio a cantar aquilo.
 Para o Euro 2012 há candidatos a hino oficial  para todos os gostos:



 Por aqui na Polónia foi escolhida a girls band “Jarzębina”, e o seu mais recente sucesso “ Koko Euro spoko” para animar os estádios. Quem não tem cão caça com gato.


Seleção portuguesa no EURO 2012

Esta semana Paulo Bento anunciou numa conferência de imprensa em Óbidos os 23 convocados para o Campeonato da Europa 2012 na Polónia e Ucrânia. A decisão do selecionador não foi uma surpresa, pois convocou os melhores jogadores que estavam atualmente disponíveis. Só Ricardo Carvalho e Bosingwa não foram eleitos devido ao conflito aberto com Bento do ano passado. A lista dos convocados está cheia das estrelas: Cristiano Ronaldo, Nani e Pepe, entre outros. 
 Embora os jogos dos portugueses sejam na Ucrânia, a seleção nacional vai viver no hotel “Remes Sport & Spa” em Opalenica (Polónia). Para Portugal, a competição começará no dia 9 de junho em Lviv (o jogo com a Alemanha), depois no dia 13 de junho também em Lviv (com a Dinamarca). O último encontro no grupo B será com a Holanda no dia 17 de junho em Carcóvia (Kharkiv). 
 A lista dos convocados para o Euro 2012: 
Guarda-redes: Beto (CFR Cluj), Eduardo (Benfica), Rui Patrício (Sporting); 
Defesas: Bruno Alves (Zenit São Petersburgo), Pepe, Fábio Coentrão (ambos do Real Madrid), João Pereira (Sporting), Miguel Lopes (Sporting Braga), Ricardo Costa (Valencia), Rolando (FC Porto);
Médios: Carlos Martins (Granada), João Moutinho (FC Porto), Custódio (Sporting Braga), Miguel Veloso (FC Genoa), Raul Meireles (Chelsea), Rúben Micael (Real Zaragoza), Nani (Manchester United);
Avançados: Cristiano Ronaldo (Real Madrid), Hugo Almeida, Ricardo Quaresma (ambos do Besiktas Istambul), Helder Postiga (Real Zaragoza), Nelson Oliveira (Benfica), Silvestre Varela (FC Porto).

  Joanna Śliwińska