terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Natalia Juśkiewicz – a "fadista" polaca

O fado não e o género popular só entre os portugueses – alguns polacos são também activos no palco do fado e... desenrascam-se bem!
Além dos entusiastas do fado temos também os artistas que tentam demonstrar o seu valor neste género musical, fascinados pela música tradicional de Portugal, realizam os seus próprios arranjos e ganham o reconhecimento no palco nativo e português.
Especialmente a violinista Natalia Juśkiewicz, nascida em Koszalin que agora reside em Portugal há vários anos. Mais conhecida entre os portugueses do que entre os polacos? Pode ser! O fado ainda não é o género muito popular na Polónia, apenas alguns são capazes de enumerar as fadistas mais populares e ainda existem muitas pessoas que não podem dizer nada sobre esta música. Graças ao sotaque polaco, isso pode mudar.
 A carreira da Natalia começou muito cedo. Aos sete anos ela começou a aprender violino que agora é a marca registada da sua música, com especialidade em violino clássico pela Academia de Poznan. O amor pelo fado não apareceria se a Natalia não se tivesse apaixonado. E isto é o sentimento excepcional e para toda a vida, o amor por Portugal.
Durante umas férias ela visitou Portugal e descobriu o país onde muito rapidamente decidiu  viver. A paixão pela cultura portuguesa permitiu a rápida aprendizagem da língua e a assimilação na sociedade portuguêsa. Isso mudou sua vida completamente e decidiu desenvolver a sua carreira musical em Portugal. Fazendo parte de inúmeras orquestras, entre outras a Orquestra Sinfónica Portuguesa e a Orquestra do Norte, ela viajou intensamente pelo país e adquiriu a experiência profissional.
Em pequenos restaurantes tradicionais entrou em contacto com o fado pela primeira vez. A música cheia de emoções e sentimentos  que Natalia decidiu  transferir para sua criação. Mas como fazê-lo sem o talento vocal? A violinista decidiu expressar todos os sentimentos do fado através do som do seu violino.
O seu projeto, longe do fado tradicional trouxe algo de novo para a música e trouxe o sucesso inesperado. As críticas entusiastas e o reconhecimento público permitiu o desenvolvimento de uma grande carreira - Natalia era o único estrangeiro na prestigiada antologia de fado ao lado de figuras famosas como Amália Rodrigues . Mas a violinista sublinha modestamente que o autor da antologia era muito corajoso, inserindo no seu livro um projeto tão distante do fado tradicional. O projeto resultou no álbum ,,Um violino no fado” que inclui versões para violino de fados tradicionais. Este não foi o fim do sucesso e reconhecimento em Portugal – recebeu entre outros o prestigioso prémio ,,A revelação em fado”. O sucesso é inegável, só me resta desejar à nossa compatriota reconhecimento tanto na Polónia como em Portugal.
                   
Paulina Mazur
3º ano de Filologia Românica

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Zygmunt Szafrański

(O meu pai e o meu avô)

Zygmunt Szafrański, médico e ativista, nasceu a 17 de agosto de 1913 em Lewków, perto de Ostrów Wielkopolski. Depois de ter completado o ensino na escola de terceiro ciclo em Brzesko-Okocim em 1932, começou os estudos no Departamento de Medicina da Universidade de Poznan que terminou em 1938. Praticou medicina no hospital municipal de Gniezno e de Sieradz. Em 1939 foi convocado para o hospital de campanha do exército “Poznań“. Tomou parte na batalha de Bzura durante a qual foi feito prisioneiro pelos alemães. 
No campo de prisioneiros de guerra serviu como médico, cuidando dos doentes e feridos. Em 1940 foi libertado do Oflag e deslocado para o Governo Geral. Durante este período chegou a Radom, onde ficou até à sua morte e trabalhou no hospital municipal no departamento das doenças pulmonares. Em 1942 casou-se com a doutora Zofia Pietras, que faleceu infetada com a febre tifoide no dia 13 de setembro de 1944. Deste casamento teve dois filhos: Maria e Wojciech. O dr Zygmunt Szafrański colaborou com o movimento da resistência, participando na proteção das pessoas ameaçadas de prisão ou de deportação para o trabalho na Alemanha emitindo os atestados médicos falsos, colocando no hospital sob os diferentes pretextos ou curando os soldados das unidades do exército clandestino, os partisans. O dr Szafrański foi detido pela Gestapo de Radom, em 7 de abril de 1943, depois de 6 meses a investigá-lo e sujeito a torturas regulares. 
Depois foi transportado para Auschwitz, onde, considerado inimigo extremamente perigoso do Terceiro Reich, teve de usar as iniciais “IL“ o que significava o trabalho duro e escravo, rodeado de cabos de alta tensão, mas também a aplicação do chamado “Postperre“ - proibição de enviar e receber o correio. Trabalhou na Straftkompanie, uma divisão do campo, onde os prisioneiros eram forçados ao trabalho árduo, durante o qual a maioria deles morria. Foi mais duro e mais longo do que noutras partes do campo, a ração diária era mais reduzida, assim como o pausa do trabalho. A única coisa que havia em excesso era tortura. O obetivo era que o prisioneiro trabalhasse até à morte. Durante a sua estadia em Auschwitz foi submetido a pseudotratamentos farmacológicos. 
 No dia 19 de novembro de 1943 foi colocado no K.L Hamburg-Neuengamme e empregado como prisoneiro-médico no departamento de tuberculose do hospital. Segundo os testemunhos de outros prisioneiros Zygmunt Szafrański foi o padrão de patriota-militar, dedicado aos prisioneiros, encorajando moralmente e fisicamente (tratamento dos pacientes nas condições extremamente desumanas). Prolongava a permanência dos prisioneiros no departamento do hospital do campo. Ligado ao movimento da resistência do campo, várias vezes fez sabotagem  executando deliberadamente mal as ordens e divulgando mensagens hostis. Libertado pelo exército britânico no dia 3 de maio de 1945, durante o transporte dos “muçulmanos”, trabalhou em Lübeck até 25 de setembro de 1945 como diretor do departamento de Medicina Interna do hospital polaco. Depois de ter voltado à Polónia, até ao dia 17 de junho de 1975, geriu o Centro de Doenças Pulmonares, ao mesmo tempo trabalhando na Clínica de Tuberculose da PKP em Radom. Em 1953 casou-se pela segunda vez com a professora de inglês, Wanda Grochalska com quem teve dois filhos: Beata e Leszek. 
Possuidor de um conhecimento teórico e prático profundo, foi ativista, professor e pedagogo assim como organizador excelente. Nos anos 50 organizou em Radom consultas mensais com a participação dos docentes do Instituto de Tuberculose e introduziu as cirurgias inovadoras. Formou a personalidade de jovens médicos, ensinou, dedicou muito tempo às conversas profissionais, recomendando a literatura especializada. O maior mérito do dr. Szafrański foi a reconstrução e modernização do Centro de Tuberculose de Radom. Tinha um grande pudor, dedicação ao trabalho e à atividade social. Interessou-se pela coleção de curiosidades literárias e de gravuras antigas, enquanto a história da cultura nacional e regional foram a sua paixão. Faleceu no dia 17 de novembro de 1975, postumamente condecorado com a Ordem da Polonia Restituta.

Ewa Szafrańska
3º ano de Estudos Portugueses

O meu avô


O meu avô Bolesław foi o avô ideal. Ele tinha uma barba bem aparada, caminhava com uma bengala e mostrava-me a beleza das coisas mais simples. Foi com ele que pela primeira vez procurei cogumelos na floresta, soube o nome das árvores e dos pássaros. Ele deu-me o segredo de como respirar profundamente e encontrar o meu caminho para casa no caso de me perder. Ele podia acender o fogo com um fósforo e, usando um canivete para talhar um pedaço de madeira, esculpir um cãozinho ou um cavalinho. Assim que eu lhe pedia, reparava os meus brinquedos preferidos, quebrados pelo uso excessivo. 
A sua presença na minha vida era algo tão óbvio e importante que nunca me incomodou o facto de que não era realmente o meu avô, se considerar corretamente as relações familiares, mas o irmão da minha avó materna Wanda. Ainda assim, nunca me ocorreu referir-me a ele de forma diferente do que o “avô“ porque desempenhou o seu papel perfeitamente. Os “avós” Bolesław e Wanda criaram o mundo da minha infância, e apesar do facto de que na família havia outras pessoas da sua geração que pelas razões formais também merecem este título, o seu reinado foi inquestionável. O marido da minha avó Wanda morreu dois anos antes de eu nascer , então eu só o conheci a partir de fotografias. Os meus avós paternos sempre mantiveram a distância a partir do momento em que o meu pai decidiu abandonar a família. 
Cada geração vive numa época histórica, mas duas guerras afetaram profundamente o destino dos meus avós e bisavós, assim como a história de toda a minha família. Porque eles nasceram nas áreas da fronteira, que hoje pertencem à Ucrânia. A minha bisavó nasceu em Zhitomir e depois de 1917, teve que fugir da sua aldeia natal, juntamente com as outras jovens. Ameaçadas pelos soldados ucranianos, que eram conhecidos por violar mulheres. Quando, alguns anos depois de se formar numa escola católica, ela quis voltar para a sua casa, no seu caminho foi parada na fronteira, que não estava lá antes. A minha bisavó não tinha documentos, então foi parado por um policia montando um lindo cavalo branco. Ele afinal veio a ser o meu bisavô. Nunca escondeu que a minha bisavó o imediatamente lhe chamou a atenção, então, para protegê-la da prisão pediu-lhe a mão. O casamento ocorreu no mesmo dia, e a minha bisavó nunca regressou para a família de Zhitomir. Desta união nasceram dois filhos, Wanda e Bolesław, os meus queridos "avós". 
O meu bisavô tinha raízes nobres e trabalhava na polícia montada a proteger a fronteira. Ele ensinou os seus filhos a respeitar e conhecer os animais e a natureza. Era um amante de cavalos e um grande cavaleiro. Aparentemente, montou a famosa égua castanha, que mais tarde pertenceu ao primeiro chefe de estado Józef Piłsudski. Uma vez trouxe da floresta um filhote de lobo abandonado que quando cresceu se tornou melhor amigo do meu avô. 
A primeira fase da infância de meu avô foi um período idílico passado em constante contato com a natureza. Naquela altura os pais e professores tinham sempre razão e os filhos eram educados com rigor e de forma consistente, mas o meu avô foi educado para ser um homem de honra, que sempre mantinha a sua palavra. 
A infância despreocupada foi brutalmente interrompida pela guerra. Uma noite, os soldados soviéticos entraram em casa. Eles deram à família apenas meia hora para arrumar as coisas. Um soldado disparou contra o lobo do meu avô, que estava a tentar defender os seus queridos. A minha bisavó foi deportada para o Oriente com os dois filhos e passou a guerra num campo de prisioneiros soviético no Cazaquistão. O meu bisavô foi preso e transportado para Kamchatka. No Cazaquistão o meu avô trabalhou numa mina de prata. Disse-me que quando trabalhava no turno do dia, houve meses em que ele não viu a luz solar. Em seguida, ele foi convocado para o exército e em 1945 chegou às proximidades de Varsóvia, onde foi ferido em combate contra os alemães que abandonavam Varsóvia após a supressão da Revolta de Varsóvia. 
A família do meu avô perdeu na União Soviética todos os seus pertences. Eles já não tinham a casa para onde voltar, então concordaram, que depois de regressar e reunir-se com a família afastada numa aldeia perto de Lublin. Todos conseguiram, mas nunca chegaram a reunir-se. O primeiro foi o meu bisavô, que foi liberado do exército após ter sido ferido outra vez. Tinha que esperar pelo resto da família. Mas um dia os aldeões, pediram-lhe ajuda por ele ser militar. Na aldeia vizinha os soldados russos bêbados violavam as meninas polacas. O meu bisavô com os aldeões conseguiram dominá-los e capturar as armas. Como a perda das armas no exército soviético significava corte marcial, e muito provavelmente a pena de morte, os soldados começaram a pedir ao meu bisavô que lhes devolvesse as armas. Eles deram a palavra de honra que deixavam a aldeia em paz e nunca mais voltavam. Quando lhes devolveu as armas, e virou as costas para se ir embora, um deles alvejou-o pelas costas. O meu bisavô morreu um dia depois num hospital nas proximidades de Kock. No mesmo hospital dois dias mais tarde, o meu avô Bolesław pediu informações para chegar à aldeia onde morava a sua família. A enfermeira notou uma semelhança impressionante entre ele e o soldado que tinha morrido há alguns dias, mas não disse nada. Sobre a morte do seu pai e as suas circunstâncias soube apenas pela família. 

A minha avó e a sua mãe voltaram do Cazaquistão quase um ano depois. O meu avô estava a trabalhar na reconstrução de Varsóvia. A minha avó entrou no comboio e mesmo sem saber o endereço encontrou-o numa cidade completamente em ruínas (ver foto). Ela guiou-se pelo coração e pelo desejo de ver o seu irmão.  A guerra marcou-os não só a eles, mas a toda a sua geração. Quando a guerra terminou sonharam só com uma vida modesta e estável, rapidamente assumiram a família, porque era para eles, para além da pátria, o maior valor. Para o meu avô, infelizmente, não era o fim das desgraças, como se a história não o tivesse castigado o suficiente. Ele teve um filho, que era muito talentoso artisticamente, no entanto, sofria da esquizofrenia e suicidou-se com 25 anos. Foi um golpe inimaginável para toda a família, mas em menos de um ano mais tarde, a minha mãe deu à luz a trigêmeos (eu e meus dois irmãos), e a vida continuou. Eu e os meus irmãos, em parte graças a tantas histórias dramáticas, podemos desfrutar da presença dos melhores avós, que se podem imaginar. 
A minha avó Wanda morreu quando tinha apenas 64 anos, o meu avô, com 84 anos. Ambos foram para mim umas das pessoas mais importantes na minha vida. Quando eu penso neles, espero que agora morem numa terra semelhante à terra da sua infância, despreocupados onde todos os membros da família que já morreram podem finalmente reunir-se.

Agnieszka Kędzierska
1º ano mestrado em espanhol

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Amizade

            Cada homem tem na sua vida alguns valores que determinam o comportamento dele e a atitude que adota perante várias situações vitais. Todos somos diferentes e todos temos os nossos próprios modos de ser, de perceber as coisas, e para todos os diversos valores não têm a mesma importância. No entanto, não há quem diga que dentro destes valores num dos primeiros lugares não seja mencionada a amizade, que se mostra um princípio essencial na nossa vida. O sentimento da amizade acompanha-nos desde os primeiros anos da nossa vida e desde sempre tem o lugar relevante nela. Não estamos em condições de imaginar a nossa existência sem alguém que está sempre no nosso lado e não seja o nosso pai nem mãe, nem nenhum dos nossos irmãos. Mesmo que frequentemente demos mostras de um sentimento forte e desinteressado aos nossos familiares, sempre procuramos alguém que seja o apoio para nós, que goste de passar o tempo connosco, que simplesmente seja o nosso amigo. Procuramos uma pessoa que não seja ligada connosco pelos vínculos familiares que muitas vezes obrigam-nos a manter relações interpessoais nem sempre sinceras, e que queira acompanhar-nos para sempre.
            Diz-se que sem o amor e sem a amizade o homem não se pode sentir feliz na vida. Sem dúvida. O homem está construído de tal forma que não lhe bastam os bens materiais para manter o equilíbrio psíquico, quer dizer, sentir-se satisfeito e realizado. A esfera espiritual tem para nós a relevância desmedida e por isso precisamos de saber que temos alguém com que sempre podemos contar, que nunca nos vai decepcionar e que sempre nos vai ajudar de forma desinteressada. É o tipo de conforto psíquico que nos dá a amizade com outra pessoa porque a pior coisa que pode acontecer ao homem é a solidão. Todos temos medo da solidão e por isso prestamos tanta atenção à procura do amigo eterno. Nos nossos tempos a amizade começa lentamente a perder o seu sentido prévio que se baseava no contato visual, físico de duas pessoas, devido à maior popularidade das redes sociais e os contatos interpessoais de tipo virtual que preferem. O problema é que a noção da amizade no espaço virtual é completamente diferente da que funciona na vida real. Os quinhentos amigos no Facebook não equivalem nem a um amigo real, amigo em sentido prévio desta palavra. Tens os teus quinhentos amigos na rede mas não tens nem uma pessoa com que poderias ir ao café ou simplesmente conversar sobre o tempo. Agora chama-se amigo à pessoa com que se trocou algumas palavras no corredor da escola ou trabalho. Basta vê-la todos os dias para chamá-la amigo.

Monika Lisik 
1º ano Mestrado de Espanhol

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Discurso sobre a filologia

Um dia o Brasil tornou-se o país mais desejado na minha lista de lugares a visitar. Já não me lembro exatamente quando esta ideia estranha me veio à cabeça. Foi, com certeza, depois do meu intercâmbio em Lisboa em 2012, talvez antes do fim desse ano. Não foi a curiosidade turística que me conduziu a este estado da mente. O monumento do Cristo Redentor no Rio de Janeiro ou as praias da Bahia eram-me basicamente indiferentes. Foi o desejo de experimentar uma outra variante do português o que me cativou. Este facto simples e sintomático para o meu mundo extraordinário explica porque Ijuí, uma cidade pequena no sul do Brasil, pintava-se, apesar das suas deficiências, como uma oportunidade imperdível. 
Do mesmo modo, nem o clima agradável, nem os doces deliciosos me davam saudades depois do regresso da Península Ibérica para a Polónia. Também não foi a cultura o que prevaleceu. A cultura polaca, apesar de defeituosa, permanece a única com que me posso identificar plenamente. A mais evidente entre as síndromes de abstinência de Lisboa, foi a falta da língua portuguesa no meu dia a dia. O idioma tão mais querido quando experimentado fora da sala de aulas, no seu ambiente natural. Talvez pareça excêntrica esta confissão, mas Portugal e o Brasil eram para mim mais ligados com a linguística do que com qualquer outro universo (incluindo a gente, a cultura, o clima). A fala e a escrita eram na minha visão a chave – facilitavam-me perceber tudo o que me rodeava ou ia me rodear nestes espaços obscuros. 

  Uma outra revelação curiosa: eu era muito intolerante em relação à variante brasileira do português antes de chegar à América do Sul. Era do meu ponto de vista a versão inferior, ruim. Tudo por causa da minha atitude nociva: queria falar português perfeito, sem “contaminações”. No início, não podia cumprir este requisito misturando português com espanhol. Depois de me livrar do idioma de Cervantes, o português brasileiro tornou-se um inimigo declarado. Nessa altura, minha filosofia não me permitia, por exemplo, deixar os pronomes possessivos sem artigo. Que blasfémia seria isso! A gente não iria aceitar. Os pronomes pessoais quase sempre precedendo um verbo? Me parecia impensável. Uma superabundância de construções gramaticais com gerúndio dava-me vertigens. Nem sequer estou brincando. 
  A legião de discordâncias, iniciada pelo famoso Grito do Ipiranga de 1822, é ainda mais numerosa. Entre os rebeldes: o sotaque que difere bastante da variante portuguesa. A pronúncia insubordinada varia bastante de região para região dentro do Brasil mesmo, ainda mais que em Portugal que por sua conta abriga muitas peculiaridades. O vocabulário também mantém certa independência. Na era digital Portugal e o Brasil apresentam teclados diferentes apesar de partilharem o mesmo alfabeto. 
Apesar de tudo isto, decidi provar algo novo, aventurar-me. A aprendizagem de português no meu caso tinha sempre muito a ver com um esforço consciente. Queria, pelo menos durante alguns meses, mudar de atitude. Quando aprende, a criança tem de conhecer, em primeiro lugar, os sons da língua materna e só após esta introdução adquire habilidade para ler e escrever. Para dominar a língua estrangeira é necessário um empenho de outro tipo – o aluno deve ler com atenção, memorizar as regras, etc. Por isso, as competências do falante nativo são diferentes das do estudante de fora. Um bom exemplo desta regularidade é que os portugueses e os brasileiros têm muitas vezes problemas em perceber-se uns aos outros (sem falar nos estrangeiros). Em ambos os casos têm de se acostumar a sons desconhecidos. Paradoxalmente, é mais fácil entender variantes distintas para nós – os adeptos zelosos da escrita. 

Por outro lado, a arte da conversa diária bem sucedida reside em não ter papas na língua, no sentido de não pensar muito na correção gramatical, só se preocupar com ser entendido. A ideia mesma aliena o estudante de Letras. Para ele é inconcebível esquecer a conjugação, declinação, frase, crase, sintaxe. Ele trata estes fenómenos como os elementos essenciais da língua. Sim são unidades indispensáveis no discurso linguístico, fazem parte inerente da metalinguagem, mas para os 95% de falantes não importam. É necessário para nós – filólogos – termos em conta que somos um nicho. Devido à familiaridade com a norma a nossa expressão é correta, pura, mas, ao mesmo tempo, falta-lhe vigor, naturalidade. Obedece à regra, ignora, porém, interjeições, superfluidades típicas dos falantes nativos. 
A estada no Brasil em consequência do intercâmbio em Portugal isentou-me das restrições quotidianas, mas não me virou contra a filologia. Longe disso. Ao contrário, só ressaltou a importância de cuidar da fala e escrita e afirmou o papel dos filólogos neste processo que é… dar exemplo. A língua está sempre a mudar e, visto que é a propriedade coletiva dos homens sábios, não temos poder individual de parar a transformação. É-nos possível apenas influenciá-la. No entanto, para promovermos o crescimento da língua, antes disso, precisamos de entender a relação entre as diferenças que a constituem e que determinam as mudanças seguintes. 

A minha passagem por Terras de Vera Cruz chega ao fim e é muito provável que o meu português seja agora mais corrupto do que os políticos brasileiros, mas que experiência libertadora é essa! Tanto conhecimentos linguísticos como literários importam. Não é à toa, porém, que dentro da estrutura universitária a filologia faz parte do campo mais vasto – do universo das ciências humanas. Afinal, não era a língua o que me limitava, mas o medo dela. Com a muralha do preconceito desmantelada, não há mais fronteiras. Posso continuar a conhecer as pessoas, as suas culturas, descobrir novos mundos como Pedro Álvares Cabral há cinco séculos só com uma ferramenta maravilhosa – a língua. Talvez seja por acaso… Agora mesmo veio-me à cabeça uma ideia estranha de visitar a África. 

Agradeço ao Departamento de Estudos Portugueses da UMCS. Foram eles que me possibilitaram chegar a esta conclusão humanística. Valeu. 

 Bartosz Suchecki 
3º ano Estudos Portugueses

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Morreu o Rei Eusébio

Eusébio da Silva Ferreira (1942-2014)

Morreu o melhor jogador de futebol português de sempre, o "King" Eusébio. Um dos melhores do mundo tem lugar garantido no panteão dos deuses. Veio da então colónia de Moçambique para encher de alegria um Portugal cinzento e tristonho. Espalhou classe pelos estádios por esse mundo fora com a camisola da quinas ou de águia ao peito. 
Palmarés individual:


Pelo Benfica:
 Entre maio de 1961 e abril de 1975: 596 golos em 557 jogos, com a média de 1,07 golos por desafio, divididos pelas várias competições nacionais (Campeonato, Taça de Portugal, Taça de Honra, Taça Ribeiro dos Reis e Campeonato de Reservas) e internacionais (Taça dos Campeões Europeus, outras competições europeias e torneios internacionais). 2 Ligas dos Campeões , 11 vezes campeão nacional, 5 taças de Portugal.

Por Portugal:
Entre outubro de 1961 e outubro 1973: 41 golos em 64 jogos, com a média de 0,64 golos por desafio, divididos pelas várias competições (apuramento e fase final de Mundiais e Europeus e encontros de preparação). 3º lugar no campeonato do mundo de 1966

Prémios individuais:
1962 - “Bola de Prata” da revista France Football para segundo melhor futebolista na Europa.
1963/64 - Melhor marcador do Campeonato Nacional, com 28 golos.
1964/65 - Melhor marcador do Campeonato Nacional, com 28 golos.
1965 - “Bola de Ouro” da revista France Football para melhor futebolista na Europa.
1965/66 - Melhor marcador do Campeonato Nacional, com 25 golos.
1966 - Melhor marcador da fase final do Mundial Inglaterra66, com nove golos; Melhor Jogador do Mundial Inglaterra 66; “Bola de Prata” da revista France Football para segundo melhor futebolista na Europa.
1966/67 - Melhor marcador do Campeonato Nacional, com 31 golos (ex-aequo com Figueiredo, do Sporting).
1967/68 - “Bota de Ouro” para melhor marcador europeu, com 42 golos; Melhor marcador do Campeonato Nacional.
1969/70 - Melhor marcador do Campeonato Nacional, com 21 golos.
1972/73 - “Bota de Ouro” para melhor marcador europeu, com 40 golos; Melhor marcador do Campeonato Nacional.

Distinções:
1966 - Medalha de Prata da Ordem do Infante D. Henrique.
1981 - Grande Colar do Mérito Desportivo.
1982 – “Águia de Ouro” do Sport Lisboa e Benfica.
1990 - Grande Colar de Honra ao Mérito Desportivo.
1992 - Ordem do Infante, Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa, Estátua em bronze à entrada do Estádio da Luz.
1994 - Ordem de Mérito Federação Internacional de Futebol.
1998 - Membro inaugural do “Galeria dos Campeões” (Hall of Champions) da FIFA, em conjunto outras oito glórias do futebol mundial.
2000 - Terceiro melhor futebolista do Século XX para a FIFA, a seguir a Pelé (Brasil) e Maradona (Argentina).

Fontes:
A Bola, Record, Zerozero.pt

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

O que é a felicidade?

Se perguntar a cada pessoa o que significa a felicidade haveria inumeráveis respostas. Além disso seria difícil responder com uma palavra. O dinheiro, a família, o amor ou a saúde. Tudo é importante. Mas eu sempre pensei no que será a felicidade para as flores, os pássaros, os peixes ou para os árvores?
Se estas criaturas pensam, sentem ou têm sonhos? Não querem morrer, tentam sempre sobreviver então têm alguns desafios. Ou, se calhar, vivem só para viver, aproveitam cada momento e isso é a sua felicidade. Talvez a felicidade seja uma ideia criada pelo homem que na realidade é inexistente? Ou é a ideia que distingue a razão humana da razão dos animais? Eu não percebo como um peixe pode passar toda a sua vida num aquário nadando em círculos.
É difícil compreender o sentido da existência dessa criatura e é ainda mais difícil presumir o que é a felicidade para ela. Posso enumerar algumas coisas que para ele significam felicidade: comer, defecar, e talvez respirar. O homem nunca diria que isso é felicidade. Necessita mais, necessita o que mesmo criou, por exemplo o dinheiro, o carro, as viagens. Os animais nunca necessitaram disso. Fazem só o que criou Deus ou seja o que é feito pelos processos naturais. Há só uma coisa, a única necessidade que procuram tanto homens como os animais: a saúde. Também os animais procuram amigos. Não todos mas há espécies que podem viver só em grupo. E o homem também quer ter amigos mas há pessoas que preferem viver sozinhas. É difícil encontrar os desafios destas espécies de peixes que vivem no fundo do oceano mas talvez sejam mais evidentes e normais do que os dos homens. Mas não importa...

Maciej Durka
2º ano Estudos Portugueses

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Um gaúcho em Lublin


No dia 3 de dezembro de 2013, o Centro de Língua Portuguesa promoveu um encontro com Pietro Führ, estudante do curso de Direito da UNIJUI - Universidade de Ijuí, do Rio Grande do Sul, Brasil que atualmente está em intercâmbio a estudar na UMCS no curso de Economia. Proferiu uma palestra com o tema IMERSÃO DO JOVEM BRASILEIRO NA CULTURA E NO TRABALHO. O encontro foi aberto aos estudantes da UMCS, especialmente aos de português. Pietro Führ concentrou-se na questão da realidade de que no Brasil o jovem começa a trabalhar ainda na época em que precisa de estudar. Explicou aos estudantes qual o apoio legal, segundo a Constituição Brasileira, que permite ao jovem trabalhar já a partir dos 14 anos de idade. Definiu o perfil do estudante-trabalhador. Fez também o relato da sua experiência pessoal como jovem estudante empreendedor.Como segundo tópico do encontro Pietro Führ falou sobre as diferenças culturais e regionais no Brasil, concentrando a atenção na cultura do estado do Rio Grande do Sul. Explicou os costumes como o do chimarrão, o churrasco, as danças e trajes típicos dessa região. Explicou aos estudantes que os jovens brasileiros gaúchos praticam a cultura do seu estado com orgulho e patriotismo como um aspeto da própria identidade e como uma forma de entretenimento.O encontro encerrou depois de muitas perguntas dos estudantes confraternizando com um “cafezinho”.

Natalia Klidzio

domingo, 15 de dezembro de 2013

Dominika Ziemnicka e Yami: O novo projeto luso-polaco

Este ano tivemos oportunidade de ver em Lublin o concerto de Yami, um dos artistas mais originais do mundo lusófono. Este multi-instrumentalista, produtor e compositor luso-angolano graças ao seu dom e exótica personalidade conseguiu cooperar com alguns dos mais famosos artistas de Portugal e do mundo como Dulce Pontes, Demis Roussos, Sara Tavares, Gil do Carmo, Ritinha Lobo ou Lura. 
Em 2012 nasceu a ideia do projeto "Ethnojazz Colours" que foi o resultado do encontro de duas personagens cênicas completamente diferentes: Dominika Ziemnicka - polaca extremamente apaixonada pela Itália e... Yami! Esta dissemelhança cultural, aparentemente grande, permitiu a amizade internacional entre estes dois artistas. A sua inata paixão pela música, abertura e recíproca vontade de conhecer as suas culturas e tradições musicais deu o início à cooperação artística e introdução das suas ideias e aspirações no primeiro disco da Dominika.
O seu debute fonográfico é um álbum cheio das emoções, baseado no nu jazz (o jazz misturado com outros géneros de música como o funk, soul music, electronic dance music e outras improvisações livres), mas também pode-se ouvir elementos de etno jazz que às vezes têm origens na música africana. Por um lado uns sons subtis, melodiosos, nostálgicos e refletivos, por outro ritmos animados e energéticos. Os artistas que acompanham Dominika enriquecem as suas canções com elementos tipicamente portugueses, tão característicos para o ambiente de Lisboa e o fado que se pode ouvir nas ruas estreitas de Alfama. Os tons do piano, acordeão, guitarra e seção rítmica foram combinados com a inimitável voz da Dominika que se destaca na expressão lírica e habilidades elaboradas durante o curso na Universidade Maria Curie-Skłodowska em Lublin e numerosos estágios feitos no estrangeiro. Apesar de extrair muito das outras culturas, na obra dela não faltam elementos polacos. Junta os géneros de música diferentes tanto como elementos de várias culturas, mas sabe fazê-lo da maneira original, sem artificialidade e excessiva sofisticação.
Para a cooperação no seu disco a vocalista convidou alguns dos artistas mais conhecidos de Portugal criando uma banda dotada nas excecionais habilidades compositivas e instrumentais, da qual fazem parte:
Yami (Fernando Araujo) - vocal, Ernesto Leite - piano, João Frade - acordeão, Thiago Oliveira - guitarra, André Silva - bateria, Thiago Santos - guitarra, Ruca Rebordã - percussão e também os convidados especiais: Sara Tavares, Mr. Berg, Marito Marques e Rhani Krija
 Apesar de ser tão jovem, Dominika já é uma artista apreciada, premiada em muitos concursos, dos quais a maior satisfação lhe deu o prémio na categoria "Best Artist 2012" no "Fara Music Festival" na Itália, que foi um impulso para começar a trabalhar no seu próprio álbum. Licenciada nos Estudos Italianos, antes amante da Itália, agora depois de passar duas semanas em Lisboa admite que descobriu a sua nova paixão. Diz que se apaixonou totalmente por Portugal, pelo seu ambiente e hospitalidade dos habitantes, pelas lindíssimas praias e,claro, pelos pasteis de nata. Impacientemente esperamos a finalização deste prometedor projeto e desejamos a Dominika boa sorte e tudo de bom!


Ewa Tomaszewska
3º ano Estudos Portugueses

sábado, 30 de novembro de 2013

Quem foi Cristóvão Colombo?

  Quando era criança e andava na escola, não gostava das aulas da história. Lembro- me bem que me aborreciam muito. Para mim eram uma verdadeira perda do tempo. Aqueles 45 minutos (o tempo de duração de cada aula na Polónia) eram um dos piores momentos na minha vida escolar. Detestava aquela disciplina e todos os professores de história. Agora percebo que o conhecimento da história é muito importante porque dá-me muitas informa-ções sobre os meus antepassados, a minha pátria e as minhas estirpes então sobre mim...Graças à história percebemos melhor a nossa vida atual. 
  Mas...as aulas da história eram o pesadelo da minha infância exceto só um tema...os Descobrimentos Geográficos. Todos sabem que a era dos descobrimentos (ou das Grandes Navegações) é o período da história que decorreu entre o século XV e o início do século XVII, durante o qual os europeus exploraram intensivamente o globo para encontrar novas rotas de comércio. Graças às novas tecnologias sobretudo de navegação, a curiosidade e a necessidade de melhorar o nível da vida dos habitantes da Europa descobriram outros partes do mundo até a Austrália em 1606 e a Nova Zelândia em 1642. Também sabemos bem, que os portugueses iniciaram aquele período da história contemporânea.Os descobrimentos portugueses foram o conjunto de viagens e explorações marítimas realizadas pelos portugueses entre 1415 e 1543 que começaram com a conquista de Ceuta na África. Depois descobriram a ilha da Madeira, os Açores, a costa oeste de África, o caminho marítimo para a Índia, o Brasil e diversas partes da América do Sul e Central. 
 Um dos mais famosos heróis daquela época foi Cristóvão Colombo (o meu descobridor favorito). Marinheiro desde a sua infância ele transformou-se num cartógrafo brilhante. Colombo estava certo de que existia uma rota para a Índia mais curta em direção ao ocidente. Queria muito descobri-la mas não tinha dinheiro. Após seis anos em busca de apoio, ele finalmente o encontrou no rei Fernando e na rainha Isabel de Espanha. Demorou por volta 12 anos para encontrar aquele caminho. Ele fez quatro viagens ao Novo Mundo. A sua primeira viagem iniciou-se em 1492 com três navios: uma nau maior, Santa María, apelidada Gallega, e duas caravelas menores, Pinta e Santa Clara. A expedição foi longa e ineficaz. Felizmente no dia12 de outubro de 1492 um marinheiro da tripulação avistou terra. A ilha descoberta foi chamada por Colombo de San Salvador. Colombo também explorou a costa nordeste de Cuba, onde desembarcou em 28 de outubro. A 6 de dezembro descobriu o Haiti. A segunda viagem, organizada à pressa, iniciou-se em 1493 e durou cerca de 10 meses. Com três naus e catorze caravelas Colombo descobriu as Antilhas. Também chegou à Jamaica. Para a terceira viagem, partiu em 1498, com seis naus. Pela primeira vez chegou a América Continental. Depois atingiram a ilha de Trinidad. Na quarta viagem, saiu de Cádiz com quatro naus em 1502, com o objetivo uma vez mais de chegar ao Oriente. Avistou a Jamaica e, depois de uma grande tempestade, chegou à Ilha de Pinos nas Honduras. Avistou depois as costas da Nicarágua, Costa Rica e Panamá. Em 1504, doente e desapontado por não ter encontrado um caminho para a Ásia, ele retornou a Espanha. Em 1506, doente e amargurado Cristóvão Colombo faleceu em Valhadolid. De acordo com a vontade do navegador os restos mortais foram transferidos para Santo Domingo, na atual República Dominicana. 
 Mas qual a origem de Cristóvão Colombo? Segundo um historiador espanhol ele era filho de Domenico Colombo- comerciante ou tecelão, e nasceu em Génova na Itália. Char-les J. Merrill, doutor americano em literatura medieval afirma que ele era castelão e de apelido Colom. Um dos autores, o historiador amador português, Manuel da Silva Rosa diz que Colombo era luso-polaco. Ele era filho do rei da Polónia- Władysław III Warneńczyk, o qual provavelmente não morreu durante a batalha em Warna em 1444 porque nunca encontraram o corpo dele. Ele fugiu até a Madeira, onde se casou com uma madeirense, moraram numa quinta chamada Madalena do Mar, e tiveram um filho- o nosso herói Cristóvão Colombo. Não há documentos que confirmem esta tese. O autor diz que Colombo era semelhante a Warneńczyk. Segundo Rosa não é possível o casamento entre o filho de comerciante ou tecelão italiano e a aristocrata portuguesa Filipa Moniz. Colombo era bem educado. Tinha uma posição forte na corte do rei português. Sempre escondeu os nomes dos seus pais. Estas características não podem ligar-se com a história dum pobre italiano. Gosto muito desta história porque liga a minha pátria- Polónia com o país que adoro- Portugal. Também a origem do Cristóvão Colombo justifica porque sempre me interessei pela história dos descobrimentos- especialmente portugueses. Isto é o que se chama destino.

Katarzyna Frąszczak
3º ano Estudos Portugueses

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Obrigado comandante! Portugal de novo a caminho do Brasil!

O mundo rendido ao génio de Ronaldo! Cristiano Ronaldo provou ontem ao mundo quem é o melhor e deixou os Blatters e Platinis e outros que tais com azia depois de engolirem três sapos! De quem também se fala é do jornalista Nuno Matos a relatar o jogo de forma emocionante na Antena 1:

































terça-feira, 19 de novembro de 2013

Cristiane Roscoe Bessa no CLP

Nos dias 13 e 14 de novembro, a Profa. Dra Cristiane Roscoe Bessa proferiu duas palestras intituladas “Teoria da Tradução,” e “A Tradução-Substituição e questões relacionadas”. Doutorada em Linguística pela Universidade de São Paulo com pesquisa na Universidade de Hamburgo, Alemanha sob a orientação de Juliane House. Pós-Doutorado na Faculdade de Letras da K.U. Leuven - Universidade de Leuven, Bélgica. Atualmente, é professora-adjunta da Universidade de Brasília-UnB. Tem experiência na área de Semiologia e Linguística Aplicada, com ênfase em tradução. É também poeta. Entre as suas produções, destaca-se o livro “Devaneios” edição bilíngue português-alemão.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Viagem a Portugal

Quase todo um ano de contagem decrescente, de grandes planos  e de impaciência que tornava a vida quotidiana extremamente difícil e não me permitia concentrar em nada...  Bem, talvez exagere um pouquinho, mas aproximadamente isto é a imagem da grande expectativa do Dia Zero: o 24 de abril e a nossa primeira viagem a Portugal! Não  vou enumerar os lugares onde estivemos, porque o meu objetivo não é criar um guia turístico ou o capítulo seguinte do Português XXI. Cada um pode ler sobre as partes mais bonitas de Portugal e da sua história  na Internet ou em livros  disponíveis na biblioteca do nosso instituto Camões.  Eu, por outro lado,  gostaria de apresentar as minhas impressões e sentimentos após nove dias num dos lugares mais bonitos em que eu tive a honra de estar. E  falando das impressões não  quero expressar apenas louvor e admiração pelo que experimentei, mas  apresentar a imagem completa da nossa viagem, incluindo também os elementos  de que eu não gostei. Então, começamos! O que é que eu gostei:
DOCES!!! - A cozinha  portuguesa em geral é, para as papilas gustativas eslavas, acostumados aos sabores diferentes, algo exótico e cativante. Não comemos tantos peixes e quase nunca se pode encontrar  nos nossos pratos os mariscos, é certo. Mas também tenho de admitir que os nossos bolos, mesmo que sejam deliciosos, devem dar lugar às delícias portuguesas. As pastelarias foram os lugares visitados por nós consequentemente todos os dias, sem contar calorias,estando sempre igualmente excitadas para provar algo novo. Sem hesitação posso dizer, que tenho imensas saudades do bolo mil folhas ou pão de ló acompanhado pelo galão, a melhor maneira de começar um dia. O que eu gostei  também foram os preços razoáveis, particularmente do café. Não sei porquê, mas na Polónia, essa bebida custa até três vezes mais do que em Portugal....
A GENTE: Talvez possa soar piegas o que vou escrever, mas verdadeiramente amei  a cordialidade e a abertura dos portugueses. Ouvi falar muitas vezes sobre o outro modo de estar e a disposição  do caráter dos nossos irmãos  portugueses e finalmente experimentei  em primeira mão. Vem-me à mente uma situação  que realmente me surpreendeu. Uma vez, andando por uma calçada muito estreita, uma de nós embarrou num caixote cheio de maçãs que se espalharam todas na rua. Estávamos terrivelmente   envergonhadas por termos causado um problema assim e começamos imediatamente a apanhar a fruta do chão antes que os carros as esmagassem. Ficamos surpreendidas com a reação do vendedor que, apanhando a fruta connosco, disse-nos que não nos devíamos preocupar porque não aconteceu nada de mal, quase se como se fosse a sua culpa, mesmo que as maçãs ficassem sujas e um pouco machucadas.  Quase cada dia experimentamos  a pequena bondade das pessoas que na rua  nos perguntavam se precisávamos da alguma ajuda. Esses pequenos atos de prestimosidade verdadeiramente restauraram  a minha confiança no homem.
NOITES: Outro cliché sobre Portugal confirmou-se: a vida noturna muito ativa, como se esse país nunca dormisse. É verdade que os Portugueses não saiam de casa antes das 20 horas (e mesmo nesta hora as ruas estão relativamente vazias) . Mesmo os restaurantes estão vazios e de tarde só os loucos turistas os frequentam.  À noite, por sua vez, a cidade paradoxalmente renasce depois de uma letargia de tarde lenta  e preguiçosa ou para festejar ou para  jantar com os amigos. As ruas estão cheias de gente: suas vozes, cores, sons das discotecas ou bares e cheiros dos restaurantes, nesta hora, superlotados.  Não sou uma notívaga, mas verdadeiramente gozei essas “excursões“ noturnas.
CONVIVÊNCIA: Uma das minhas observações preferidas: o modo como os portugueses passam o tempo juntos, abstraindo da idade, encontrando-se em restaurantes ou em pastelarias. Na Nazaré vimos um grupo de velhinhas (categoria etária mais de 70 anos :-)) que comiam marisco e discutiam ruidosamente. Ou em Alfama, na pequena pastelaria outras mulheres, que às 9 horas tomaram juntas o pequeno almoço. Com certeza, dou-me conta de que essa diferença entre os polacos e os portugueses não é só a questão  da mentalidade e cultura diferente, mas também de finanças e essa estranha convicção, que ainda é infelizmente bastante popular entre nós, que combinar com os amigos para jantar no restaurante é pretensioso.
COR VERMELHA – E daí?- Primeiramente quando vi este fenómeno pela primeira vez, fiquei extremamente surpreendida: luz vermelha na passadeira é o sinónimo de “parar!“, “cuidado!“, mas de maneira nenhuma para os portugueses. A reação dos portugueses foi igualmente interessante: absoluta e santa prioridade do pedestre: se ele quiser passar na rua, há que ser paciente e esperar um pouquinho. Para nós esse fenómeno inicialmente induzia uma ligeira adrenalina: infringíamos a lei e púnhamos a nossa vida em risco! Mas depois percebemos que a rua portuguesa possuiu as suas próprias regras que cada um deve  obedecer. ;-)

Eu podia enumerar muito mais e entrar em detalhas, porque o meu primeiro encontro com Portugal foi muito além das minhas expectativas (no sentido positivo, com certeza), mas não há bela sem senão, mesmo que sejam poucos:

DISCOTECAS: Esses locais na Polónia e em Portugal não têm muito a ver uns com os outros, ser ter em conta a música. A decoração de interiores nas discotecas portuguesas não existe, porque é difícil considerar decoração  a cabina do DJ, o pequeno bar com a cerveja muito pequenina, mas extremamente cara e quatro paredes que são os únicos objetos dentro do local.  Algumas não têm nem tabuleta. Como se isso não fosse suficiente, não é nada estranho fumar dentro do local, mesmo quando de dança. E as regras de saúde e segurança ou a possibilidade do incêndio? Quem se importaria com isso quando a festa está a bombar?  E o chão? Não quero nem imaginar o que havia no chão, mas regularmente tive de remover  algum “adereço“ das minhas solas de sapatos. 
PREÇOS DE TRANSPORTE: O transporte é muito bem organizado e limpo (que não é hoje tão óbvio), mas os preços dos bilhetes são de cair para o lado especialmente porque não há  desconto para os estudantes. 

Ewa Szafrańska
3º ano de Estudos Portugueses