sexta-feira, 11 de abril de 2014

Pedro Balaus Custódio no CLP/Camões

No dia 8 de abril no Centro da Língua Portuguesa/Camões teve lugar uma palestra do Prof. Dr. Pedro Balaus Custódio do Instituto Politécnico de Coimbra, intitulada Três Vozes da Literatura Portuguesa Contemporânea. Fez uma breve panorâmica da literatura portuguesa contemporânea destacando os autores atuais mais lidos em Portugal. Concentrou-se na obra de três autoras: Joana Bértholo, Rita Ferro e Dulce Maria Cardoso ,descreveu a temática dos seus livros e leu alguns fragmentos mais interessantes. Teve a gentileza de oferecer à biblioteca do centro alguns exemplares de livros destas escritoras. São textos modernos, escritos numa linguagem bastante acessível para os estudantes. Aproveitou ainda a ocasião para falar um pouco sobre Coimbra, cidade universitária onde os estudantes de Lublin podem participar no programa Erasmus. O Prof. Dr. Pedro Balaus Custódio é docente de Língua e Cultura Portuguesas na Escola Superior de Educação de Coimbra, investigador externo do Centro de Investigação em Educação do Instituto de Educação e Psicologia da Universidade do Minho. Projecto “LITERACIAS. Contextos. Práticas. Discursos.”, e coordenador Regional do Programa Nacional de Ensino do Português.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

III Congresso dos Estudantes Lusitanistas da Polónia

Nos dias 3 e 4 de abril o Centro de Língua Portuguesa/Camões organizou o 3º Congresso dos Estudantes Lusitanistas da Polónia. O tema desta edição foi: Unidade e Diversidade. A diretora do Centro, Profa. Dra Barbara Hlibowicka-Węglarz abriu o Congresso dando as boas vindas aos participantes. A sessão de  abertura contou também com a presença do Magnífico Reitor da Universidade Marie Curie-Skłodowska, Prof. Dr. Stanisław Michałowski, do presidente da Faculdade de Letras , Prof. Dr. Robert Litwiński e da Diretora do Instituto de Filologia Românica , Prof. Dra. Maria Falska. A palestra de abertura: Unidade e Diversidade da Língua Portuguesa no Mundo foi proferida pelo Prof. Dr. Paulo Osório da Universidade da Beira Interior. Depois seguiram-se 21 apresentações divididas em cinco sessões temáticas: Linguística, História e Cultura (Brasil), Língua e Cultura (Timor-Leste), Literatura, História e Cultura. Os estudantes dos maiores centros universitários de ensino do português em Cracóvia, Poznań, Varsóvia, Wrocław e Lublin tiveram mais uma oportunidade de aprofundar os seus conhecimentos relacionados com a língua portuguesa e cultura dos países lusófonos, intercambiar opiniões e consolidar os laços de amizade. Este congresso já se tornou uma referência entre os estudantes polacos de língua portuguesa e prova disso é o número elevado de participantes. As temáticas abordadas foram variadas, suscitando algumas debates mais animados. Houve até quem interrompesse a palestra de abertura, porque isto de ser mais papista que o papa tem destas coisas. 

3 de abril
Sessão 1: Linguística
Aleksandra Wilkos (UW, Varsóvia) Como enfeitar o corvo com penas portuguesas ou polacas? A comunicação teve como objetivo comparar as expressões idiomáticas portuguesas e polacas que se remetem ao campo semântico da vaidade. Para cumprir este objetivo, foi enfatizada a imagem cognitiva das metáforas proposta por George Lakoff no livro intitulado Metaphors we live by escrito em colaboração com Mark Johnson.

Grzegorz Kobędza (UJ, Cracóvia) Influências da língua francesa no português e no polaco – observações preliminares O francês influenciou fortemente muitas línguas mais ou menos afastadas em termos genéticos. O objetivo desta comunicação foi esboçar a conceção de uma investigação mais vasta que consista numa comparação entre as influências do idioma francês no português e as suas influências no polaco. 

Natalia Trzebuniak, Patrycja Pawęcka (UMCS, Lublin) A imagem linguística do número dois nos provérbios portugueses Em primeiro lugar foi caraterizado o termo ‘imagem linguística do mundo’ e a simbologia do número dois. Depois foram apresentados os resultados de um inquérito de conhecimento dos provérbios com o número dois feito entre estudantes de Portugal (Porto) e da Polónia (Lublin).

Michał Belina (UW, Wrocław) Sobre a essência e origem do idioma mirandês
Esta comunicação teve como objetivo a apresentação e o informe da breve história da língua mirandesa em relação à sua situação geográfica, o estatuto e a posição social e as suas ligações com outras línguas da Península Ibérica, nomeadamente com a língua portuguesa, espanhola e asturo-leonesa.

Aleksandra Jańczak (UAM, Poznań) Persuasão na comunicação publicitária brasileira. Primeiro foram distinguidos os termos convencer e persuadir. De acordo com a explicação dada, o segundo entendido como arte de sedução, é próprio da publicidade. Conforme a teoria da hiperescolha de Gilles Lipovetsky, o consumidor da nossa época opta pela escolha da máxima satisfação, nem sempre prática ou lógica.



Sessão 2: História e cultura (Brasil)
Kamila Choroszewska (UW, Varsóvia) As brasileiras e a internet – a blogosfera feminista no Brasil. O objetivo da presente comunicação foi  examinar a blogosfera feminista brasileira. Analisando os principais blogues feministas como http://blogueirasfeministas.com ou http://blogueirasnegras.org tentou-se analisar a focalização temática dos artigos publicados nos blogues escolhidos e abstrair nesta base o programa feminista brasileiro que domina na internet.

Aleksandra Krakówka (UW, Varsóvia) Da diversidade à singularidade: o Movimento Antropofágico no Brasil. Nesta comunicação foram apresentados os conceitos-chave da antropofagia cultural, as personagens mais destacadas deste movimento, como também as repercussões deste conceito na produção cultural posterior.

Anna Biesiadecka (UW, Varsóvia) O Rio de janeiro como reflexo da excecionalidade e da diversidade do mundo lusófono. O Rio de Janeiro, a cidade mais visitada não só do Brasil mas de todo o hemisfério sul, é uma mistura incrível de influências europeias, africanas e indígenas. É uma metrôpole que junta em si a arquitetura dos bairros nobres e das favelas, a cultura e a paixão por esporte, os traços das religiões sincrêticas e do catolicismo (incluindo um dos seus símbolos mais conhecidos – o monumento do Cristo Redentor).

Bartosz Suchecki (UMCS, Lublin) Em busca do amor perdido – uma perspetiva subjetiva sobre a brasilidade . Os brasileiros, no decorrer de cem anos, passaram desde o fim do Império. Hoje, em 2014, no ano da Copa do Mundo de futebol, a modalidade que eles adoram , manifestam-se contra a organização da competição. Parece que a paixão pelo futebol e o carnaval, geralmente aclamados os fundamentos da brasilidade, não chega para se reconciliarem com o quotidiano, bastante desanimador para muitos deles. Após visitar o Brasil e ler Proust, atrevo-me a dizer que o que os brasileiros procuram no seu dia a dia pode ser o amor: amor de si mesmos e de outros.

Paulina Zajglic (UW, Varsóvia)Um presidente bossa nova e sua Brasília. Todos os brasileiros concordam com a opinião que Juscelino Kubitschek foi mais que um presidente. A velocidade com que transitava pelo país a bordo de automóveis e aviões, a descontração em frente das câmaras da TV, a agilidade nas pistas de dança, pareciam demonstrar que Juscelino Kubitschek foi o “homem no lugar certo, na hora certa”. Conhecido como JK, Juscelino Kubitschek de Oliveira foi o 21º presidente do Brasil e a principal figura responsável pela construção de Brasília.


Sessão 3: Língua e Cultura (Timor-Leste)
Edyta Rakowska (UW, Wrocław) A Língua Portuguesa em Timor-Leste. O objetivo desta comunicação foi apresentar a situação da Língua Portuguesa em Timor-Leste. Começando com a breve história da ex-colónia portuguesa, para depois falar sobre a situação linguística do país. Foram analisados alguns aspetos do português timorense e apresentada a política atual do Instituto Camões em Timor-Leste.

Małgorzata Koprowicz, Olga Kukawka, Paulina Szczygielska (UMCS, Lublin) O território e a nação na obra de Xanana Gusmão na reconstrução de Timor-Leste. A história da antiga colónia portuguesa está marcada pelas tentativas sangrentas para atingir a independência. Esta apresentação concentrou-se na personagem de Xanana Gusmão, primeiro-ministro timorense que para além de ser político é pintor e poeta, empenhado na reconstrução do país não só como um ativista pela independência mas também através da pintura e da poesia.


4 de abril

Sessão 1: Literatura
Joanna Filipkowska (UW, Varsóvia) O baiano como a essência da brasilidade. O caso dos subversivos “Capitães da Areia” de Jorge Amado. Esta comunicação concentrou-se no famoso livro Capitães da Areia. Primeiro, observado a imagem dos baianos que surge do romance e examinando a relação dessa imagem com a realidade de então e de hoje. Depois a sua recepção e a perseguição pelo Estado Novo. Foi também analisada a visão da sociedade presente no romance.

Zuzanna Musiał (UAM, Poznań) O motivo do espelho na obra de José Saramago – a escrita é o espelho da alma do autor? No romance O Homem Duplicado mostra uma visão da existência e pessoas duplicadas, que são os seus reflexos. O motivo do espelho está presente não só no mencionado livro, mas aparece também noutros títulos de José Saramago. Esta comunicação tentou responder às seguintes questões: será que a obsessão da originalidade e excepcionalidade é o domínio do autor? Ou se calhar é uma boa diagnose do problema da sociedade contemporânea?

Anna Maria Bielak (UAM, Poznań) A abjeção no naturalismo brasileiro na obra “O Cortiço” de Aluízio de Azeved.o Pretendeu-se com esta comunicação pensar na obra de Aluízio de Azevedo O Cortiço no campo teorético da abjeção, nomeadamente segundo a definição proposta por Julia Kristeva. Observam-se algumas particularidades que distinguem o naturalismo brasileiro do naturalismo no fundo continental e que se podem encerrar na noção de “sol brasileiro”. Assim, considerando o impacto do contexto exterior (não continental), procurou-se expor estas diferenças dentro da corrente naturalista.

Magda Balińska (UAM, Poznań) Porque os escritores criam os personagens ideais? Análise dos dois personagens principais nas obras “A Escrava Isaura” de Guimarães e “O Idiota” de Dostoiévski Nesta comunicação procurou-se apresentar uma ideia do personagem ideal. Estes dois livros compartilham elementos comuns (por exemplo, a ideia de criar as pessoas ideais como os protagonistas), bem como elementos completamente diferentes (por exemplo, porque Guimarães e Dostoiévski apresentam os personagens ideais, épocas literárias diferentes, etc).


Sessão 2: História e Cultura
Magdalena Góralska (UW, Wrocław) Avaliação ambivalente do rei Dom Sebastião: um herói nacional ou um monarca louco? O objetivo da comunicação foi confrontar a maneira de apresentar o rei Dom Sebastião I de Portugal nas fontes históricas com a sua imagem idealizada disseminada pelo mito do sebastianismo. As opiniões dos historiadores sobre a história da vida e morte deste monarca são extremamente diferentes, mas em geral não há dúvida de que a impressão dada pela lenda tem pouco a ver com a realidade.

Anna Tylec, Katarzyna Janowska (UMCS, Lublin) Património mundial de origem portuguesa. Há cerca de 500 anos atrás os portugueses começaram a sua expansão marítima. Marcaram a sua presença no mundo inteiro, também em lugares que não parecem tão evidentes. Nesta apresentação foram mostrados os vestígios que testemunham a diáspora dos portugueses pelo mundo.

Paulina Grabowska (UW, Varsóvia) O musical no cinema português Esta comunicação mostrou o processo da introdução do som na imagem fílmica. Sublinhou a importância do período mudo para a sonorização do cinema, e descreveu os meios usados para isso, tanto no cinema mudo como já no cinema falado. Comentou a relação entre o som e a imagem na obra fílmica e sublinhou o papel, que a música desempenhou no filme, apontando a utilização dela no filme musical, o qual define. Descreveu a história da cinematografia portuguesa, focalizando-se neste género totalmente americano, que é o musical.

Agata Błoch (UW, Varsóvia) A criação da identidade crioula nas ilhas de Cabo Verde O objetivo desta apresentação foi mostrar como surgiu a identidade dos moradores das ilhas de Cabo Verde ao longo de vários séculos entre o século XV e o XVIII. O ponto de partida foi mostrar como a população de Cabo Verde, que era etnicamente e culturalmente diversa, caracterizada por alguns elementos como: a elite portuguesa e a escravidão, e também a população multiétnica de africanos recém-chegados  se tornou a sociedade mais unida e integrada de todos os países lusófonos. O resultado deste processo é a emergência da identidade crioula e da língua Badio e Sampadjudo.

Agata Pankow (UW, Wrocław) A influência portuguesa no Japão no período Nanban. A ideia principal desta comunicação foi apresentar a importância da presença portuguesa nas terras japonesas nos séculos XVI-XVII e o impacto que produziu nas diferentes esferas da vida como arte, religião, tecnologia e comércio. A chegada dos portugueses provocou muitas mudanças na vida e mentalidade japonesa, cujos indícios são por exemplo a arte Nanban, o aparecimento e produção das armas de fogo, o cristianismo e até o emprego e difusão dos lusismos na língua japonesa.







segunda-feira, 7 de abril de 2014

O linguista Paulo Osório no CLP


No passado dia 1 de abril, o Prof. Dr Paulo Osório, presidente do Departamento de Letras da Universidade da Beira Interior (Covilhã, Portugal) proferiu uma palestra sobre “Curiosidade linguísticas do Português. Do passado ao presente.” no Centro de Língua Portuguesa/Camões em Lublin. Este renomado linguista português, com uma vasta obra publicada (http://www.clunl.edu.pt/pt/?id=964&mid=), através de uma curta viagem pela história da língua portuguesa elucidou aos alunos presentes, algumas nuances curiosas da língua. A sua comunicação prendeu o público presente não só pela temática abordada mas também pela capacidade comunicativa deste excelente orador que é uma referência na área da linguística. 

segunda-feira, 31 de março de 2014

Os primeiros encontros entre japoneses e portugueses

Não é difícil ficar fascinado pela civilização japonesa. A terra das cerejeiras floridas, gueixas misteriosas, samurais valentes e cultura popular excêntrica. Mas também de uma sociedade fechada e hierárquica, isolada durante muitos séculos. A nação ocidental que quebrou este isolamento pela primeira vez foi a nação portuguesa.
 Os portugueses chegaram à ilha de Tanegashima (perto de Quiuxu) em 1543. Na língua do povo local foram batizados como Nambanjin, “os bárbaros do Sul”, juntamente com os espanhóis, que chegaram em 1584. Por comparação, tempos depois, os russos, holandeses e ingleses foram chamados Koumoujin, “os bárbaros de cabelo vermelho”. Obviamente, na base das relações luso-nipónicas estava o comércio. Acima de tudo, Portugal serviu como intermediário comercial entre a China e o Japão. Isto pode parecer estranho, mas o comércio entre estes dois países asiáticos tinha sido proibido pelos imperadores Ming em 1480 e em geral os arredores da costa chinesa eram perigosos para ambos os lados por causa dos bandos de piratas. Só os portugueses foram bastante corajosos (ou gananciosos) para ajudar. Graças a eles, os japoneses importavam seda, ouro, açúcar e artesanato da China e dos outros países asiáticos; e veludo, vidro, relógios e armas da Europa. As armas de fogo chamadas arcabuzes revolucionaram as técnicas dos samurais e desempenharam um papel importante nas lutas da guerra civil do período Sengoku. Em troca, os portugueses recebiam prata, cobre, cânfora e artigos de artesanato. 
Arcabuzes


Além das armas, os portugueses levaram para terra japonesa o cristianismo. O primeiro missionário foi o jesuíta Francisco Xavier que chegou em 1549 a Kagoshima com dois monges espanhóis. O efeito do seu trabalho e dos missionários que chegaram depois (principalmente os jesuítas e franciscanos) foi a conversão de 200 mil japoneses até 1587, que constitui um por cento de toda a população japonesa. Isso não significa que os japoneses eram crentes ávidos - frequentemente a aceitação do cristianismo foi um requisito para contactos comerciais. Esta situação foi aprovada porque os japoneses precisavam não só dos produtos dos portugueses mas também do conhecimento vasto dos padres sobre medicina, arquitetura, cartografia e pintura europeia. Os jesuítas publicaram livros em latim, japonês e português. Em 1604 apareceu o primeiro dicionário português-japonês, que continha 32 800 entradas. Na língua japonesa entraram numerosas palavras de português: bateren (padre), kirishitan (cristão), tabako (tabaco), bisuketto (biscoito), kompeitou (confeitos), pan (pão), botan (botão), koppu (copo), karuta (carta). As receitas dos missionários também inspiraram os pratos novos: kasutera (bolo semelhante a pão de ló) e tempura (que provavelmente tem origem nos peixinhos da horta). 
Kasutera


Tempura

O período de paz não durou eternamente. Os governantes japoneses começaram a ver o cristianismo como um perigo para unificação do Japão. Em 1606 Tokugawa Ieyasu lançou editos anticristãos e em 1612 iniciou uma brutal perseguição. Finalmente, em 1641 o Japão entrou em estado de isolamento completo. Todos os europeus foram expulsos das ilhas japonesas e entre os estrangeiros somente os holandeses e os chineses foram autorizados a entrar no porto da pequena ilha artificial - Dejima. Esta situação não mudou até 1853, quando o comandante Perry dos Estados Unidos forçou o Japão a abrir as suas portas.

Katarzyna Pszczoła
2º ano de Estudos Portugueses

quinta-feira, 27 de março de 2014

Maria Natividade Pires no Centro de Língua Portuguesa


O Centro de Língua Portuguesa recebeu a visita da Professora Doutora Maria da Natividade Pires, professora coordenadora da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Castelo Branco, que nos dias 25 e 26 do corrente mês apresentou duas palestras: “Literatura Infantil e Juvenil e Educação Intercultural” e “Alguns exemplos do artesanato português”.  Doutorada em Literatura Portuguesa, tem publicações em livros e revistas sobre Literatura Infantil, Literatura Tradicional e abordagens interdisciplinares, na perspectiva da educação intercultural. É co-autora, com Carlos Reis,  do livro História Crítica da Literatura Portuguesa - O Romantismo (Lisboa, Verbo, 1993), e é autora de Pontes e Fronteiras. Da Literatura Tradicional à Literatura Contemporânea ( Lisboa, Caminho, 2005). Coordenadora do Projeto-Piloto “Querer Ler-Poder Ler: uma experiência em contextos formais e não formais”, desenvolvido no âmbito do Plano Nacional de Leitura (2006-2010), e membro da equipa regional do PNEP – Programa Nacional de Ensino do Português (2006-2011). Investigadora Principal no Projeto de Educação Intercultural “Representações do “outro” nos livros do Plano Nacional de Leitura Português – apoiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (2008-2010).

segunda-feira, 24 de março de 2014

Calou-se A VOZ do punk rock português. Morreu João Ribas (1965-2014)

foto:http://billy-news.blogspot.com/2012_10_01_archive.html
Morreu ontem, em Lisboa, João Ribas vocalista dos Tara Perdida. Nome maior do movimento punk nacional, fundou os Censurados, passou pelos Ku de Judas, os Kamones e em 1995 criou os Tara Perdida. Sem nunca desistir e mesmo sem ver a sua música ter a divulgação merecida, se comparada com outros géneros mais "ligeiros", nunca caiu no esquecimento e não cairá. Tinha 48 anos.

Censurados:
Tara Perdida:

sexta-feira, 21 de março de 2014

Homo Sapiens Viajante

Diz-se que somos preguiçosos, que não gostamos de aprender nem estudar, sem acesso à Internet não poderíamos escrever nenhum trabalho e a nossa vida está limitada ao Facebook ou diversão na discotecas. Essa é a opinião dos estudantes de hoje. Mas nem todos são assim. Alguns de nós temos a sorte de estudar o que adoramos e queremos, o que permite que se abrir  para o mundo e ficar  a conhecê-lo melhor. Eu sou uma daqueles "felizes". Além disso, eu sou “homo sapiens viajante”.
Como usar o tempo na universidade de forma eficaz, especialmente se és estudante de filologia? O nosso dever é usar as oportunidades de estudar no exterior, de viajar pelo mundo, conhecer as novas culturas, idiomas, outros mundos. As possibilidades são enormes, entre outros Erasmus, Mundus ou o programa AIESEC. A idade jovem no caso de um estudante é um dos fatores mais importantes e permite trabalhar como voluntário num acontecimento mundial ou ganhar experiência de trabalho sem olhar para a família ou responsabilidades. Somos jovens e temos de desfrutar do mundo. Pelo menos eu tento fazê-lo.
MADRID 2011
Existe alguém no mundo que não conheça o evento chamado Jornada Mundial da Juventude? Se a resposta é sim, essas pessoas devem arrepender-se. Ao contrário das aparências, eu não estou a falar apenas sobre a experiência religiosa (o fator que poderia repelir muitas pessoas e irritar outras) mas sobre a experiência marcante de viver noutro país, com as pessoas que usam dezenas de línguas desconhecidas para nós, sobre a experiência da VIDA REAL. A minha aventura começou há três anos, num país da Península Ibérica- Espanha. Cinco semanas maravilhosas de trabalho como voluntária. Os primeiros contatos com pessoas de outros continentes: mexicanos, argentinos, americanos, chineses, japoneses, africanos. Descobri que a linguagem é útil e ajuda, mas não é necessária. Essa experiência abriu os meus olhos para o mundo e deixou claro que, embora eu ame a minha pequena cidade Bydgoszcz, eu gostaria de ser capaz de fugir para o mundo e ainda sentir-me segura. 
Os voluntários da Polónia, México, Espanha e Honduras na Residência Universitária Padres Somascos em Madrid

RIO DE JANEIRO 2013
A aventura com o Rio começou cerca de meio ano antes da própria viagem. Porquê? A resposta, a despeito das aparências, é simples. O nome Rio de Janeiro provoca associações como Cristo Redentor, Pão de Açúcar ou Pelé e Maracanã, mas não só. Para a maioria das pessoas são principalmente: favelas, pobreza, crime, drogas, assassinatos, estupros, simplesmente um perigo. Eu tinha preocupações semelhantes. Como se revelou mais tarde, desnecessariamente.
A viagem ao Brasil começa sempre com o vôo de muitas horas (mais ou menos 12-14 horas). E imediatamente depois de sair do aeroporto, testemunhamos o comportamento tipicamente brasileiro, os motoristas neste país não são normais! A viagem de carro ou de autocarro sempre foi me dando um leve ataque cardíaco e duvidei se eu alcanço o objetivo da viajem viva. O que realmente me surpreendeu foi a falta de horários de autocarro, não existem. Também não é possível comprar um bilhete mensal ou para várias viagens, compramo-lo na entrada do “ônibus”. Como não é um grande inconveniente para os viajantes, mas tudo isso mostra a abordagem brasileira da vidau temos tempo para todo e não nos apressamos para ir a qualquer lugar. A Jornada Mundial da Juventude, durante o qual eu estive na cidade, foi um período louco para o Rio e os seus habitantes. A mistura do multiculturalismo, dezenas de línguas, nacionalidades, culturas e tradições. Como dizem os próprios brasileiros- é a melhor preparação para os próximos campeonatos mundiais em futebol (2014) e os Jogos Olímpicos de 2016. E o Rio é uma grande estaleiro, constroem estradas, rodovias, hotéis, reconstroem e modernizam estádios e aeroportos. Mas tudo isso não tem impacto na minha visão do Rio de Janeiro como um dos lugares mais seguros e mais bonitos do mundo. Cada  pergunta minha ou dúvida foi recebida de forma  amigável pelos cariocas. E, apesar de que muitos deles não sabem línguas estrangeiras, são sempre capazes de tirar um papel e desenhar um mapa, ou até mesmo ir connosco. Aquela cidade é um ótimo lugar para superar os nossos preconceitos e combater os estereótipos porque é completamente diferente do que é mostrado no internet. Se tiveres a oportunidade de ir para o Rio ou qualquer outra cidade brasileira- não tenhas dúvidas, esta pode ser a aventura da tua vida!

A praia mais famosa do mundo- Copacabana- no inverno (mais ou menos 25 graus)

E eu, como qualquer viajante, já estou a pensar na próxima viagem e lentamente preparo-me para passar alguns dias com Fidel, Raul e Che em Cuba :D

Dagmara Różańska
2º ano de Estudos Portugueses

domingo, 16 de março de 2014

Mais um dia de vida...

Nas últimas aulas de História dos Países Luso-africanos, uma semana antes do exame, o professor recomendou-nos a leitura do livro de Ryszard Kapuściński sobre a viagem que este escritor polaco fez a Angola, intitulado Jeszcze jeden dzień życia ( Mais um dia de vida). Isto despertou a minha curiosidade. Um escritor polaco em Angola? O que o levou até lá? Costumamos queixar-nos de não termos tempo suficiente para ler então finalmente pude "juntar o útil ao agradável" como se diz muitas vezes aqui na Polónia. Os primeiros livros de Ryszard Kapuściński publicados nos anos 60 do século XX foram principalmente um conjunto das reportagens e apontamentos que o escritor  fez enquanto correspondente na África e América Latina. Descrevia a história da descolonização do Continente Negro, a viagem pelas repúblicas da União Soviética ou vários movimentos de guerrilha.
Em 1976 foi publicado o livro Jeszcze jeden dzień życia. O autor escreveu-o baseado na sua estadia em Angola nos anos 1974-1975. Naquela época este país, que foi uma das últimas colónias em África, lutava pela sua independência e, ao mesmo tempo, fazia face à guerra civil. Kapuściński descreveu tudo o que viu, criando uma narração compacta, que na estrutura era totalmente diferente das suas publicações anteriores.  Desistiu também de apresentar apenas os factos e números, concentrando-se nas suas observações, reflexões e experiências. Como o mesmo autor disse Jeszcze jeden dzień życia foi na verdade o seu primeiro livro. 

Kapuściński escreve sobre o inicio da guerra civil entre as forças comunistas do partido MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) e os partidos rivais apoiados pelos Estados Unidos e África do Sul, a UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola) e a FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola). Observamos a capital do país, Luanda, da qual fogem todos os brancos. Em torno dela há cada vez mais tropas. Depois chegamos à linha da frente, variável e irregular, onde os combatentes do MPLA retêm com muitas dificuldades os ataques dos seus adversários.
Junto com o autor conhecemos Cartagina e os habitantes do hotel  "Tivoli"  na Luanda sitiada pelo exército, Carlotta - mulher-soldado valente que comanda um destacamento na linha da frente e os misteriosos cubanos que realizam em Angola uma missão especial.  Vemos também um bosque de caixas de madeira. De todos os correspondentes que estavam em Angola só Kapuściński reparou nisso. O que é que era este bosque? Podemos ficar a saber por se lermos o livro...
Como já mencionei o autor concentrou-se na expressão das suas reflexões e sentimentos. Por isso no livro o ambiente desempenha o papel principal destes acontecimentos - o abatimento e o medo. Angola parece estar à beira duma derrota espantosa. Portanto as palavras contidas no título têm o caráter universal: Ó, um dia mais de vida tenho detrás, espera-me um dia mais. Mas não mais. 
Vale a pena ler este livro porque por um lado é uma fonte de informação sobre um dos conflitos africanos, sangrento e cruel. É um relato que apresenta os factos mas também o ambiente destes acontecimentos, descrito por um observador perspicaz e conhecedor do mundo (historiador de profissão). Por outro lado é um exemplar importante para os apreciadores da criação deste repórter polaco porque forma o prelúdio do surgimento das suas maiores obras-primas que o tornaram conhecido no mundo inteiro.

Ewa Tomaszewska
3º ano de Estudos Portugueses

Fonte da imagem: http://diariodigital.sapo.pt/images_content/2013/201310291343_angola.jpg

terça-feira, 11 de março de 2014

“Mostra-o em português”

 ‘Il corpo é il primo e il piú naturale strumento dell’uomo’*
M.Mauss

“Mostra-o em português”
A comunicação entre as pessoas é realizada por vários canais. A língua (as palavras) é importante, inclui a informação, mas o sotaque, a mímica, e os gestos são os elementos que determinam o comunicado. A maneira de se sentar, de dirigir o nosso olhar ao interlocutor, a postura enquanto se fala. Há gestos que não se fazem na mesma maneira em todo o mundo. Isso não é tudo, existem gestos que podem substituir completamente a comunicação verbal, são os sinais muito relacionados com a cultura e a interpretação deles depende da sociedade em que se cresce. Por isso, o uso dos símbolos sem conhecer o seu verdadeiro significado pode causar varias situações embaraçosas. Sobre o que, então, deve ter cuidado um polaco visitando Portugal, e um português visitando a Polónia?

1.’Beijinhos!’ O hábito português de cumprimentar-se com dois beijinhos nas bochechas (especialmente entre as pessoas que não se conhecem) seria inaceitável entre os polacos. Nós tentamos proteger a nossa esfera íntima (entre 0 – 45cm ao redor do corpo) sempre que é possível, por isso, a nossa escolha para cumprimentar  é... apertar a mão.

2. ‘Ótimo’ ou ‘zero’. Na Polónia  o gesto relacionado com a cozinha, modo de louvar o cozinheiro, significa ‘o que comi foi tão bom, ótimo, perfeito!’; enquanto em Portugal, a forma do gesto já nos indica o significado. É ‘zero, null, nada’. Eu não desejo a qualquer cozinheiro português clientes polacos que por ignorância ou preguiça se abstenham de conhecer estes elementos da cultura.



3. ‘Beber’ ou ‘Matar’. Diferença bastante significativa. Na Polónia o gesto serve como um discreto convite para ‘tomar um copo’ (‘um’ é certamente simbólico, porque depois de ‘um’ vêm sempre mais). A origem deste gesto é muito interessante: um ourives do czar Pedro I exigiu, em vez do pagamento regular pelo trabalho dele, a permissão para beber sem limitações em todas as tabernas da Rússia. O czar aceitou o pedido e o ourives passou a ter uma tatuagem no pescoço, sempre que queria beber bastava que mostrasse o símbolo do czar. Isto explica o gesto, mas só na realidade da Europa de Leste. E em Portugal?  Significa ‘decapitação, morte’.

Então o que podem pensar sobre nós os portugueses? Que os nossos rapazes não fazem a barba e por isso evitam o contacto com as bochechas de outras pessoas? Que não apreciamos a excelente cozinha deles? Ou, talvez, que bebemos até morrer? Deixo a reflexão para vocês.

*"O corpo é o primeiro e o mais natural instrumento do homem"

Aleksandra Porębska
2º ano de Estudos Portugueses




segunda-feira, 10 de março de 2014

É uma dança sensual…Kizomba!

Antes de ir a Portugal nunca tinha ouvido este nome. Kizomba? Estás a pensar em zumba? Salsa? O que é isso? Não percebo! Não conheces? Então repara, é outra coisa, outra dança.
Francamente quando vi pela primeira vez esta dança, fiquei um pouco chocada talvez porque seja muito sensual e íntima, embora parecia um pouco como salsa ou bachata. Apesar disso as pessoas que estavam a dançar, não tiveram nenhuma vergonha destes movimentos lentos, lentos e rápidos marcados por uma batida forte em ritmo 4/4. Temos de ter algumas capacidades e influências no corpo para dançar kizomba, é óbvio. É uma dança com coração africano, com ritmo de terras angolanas, mas quase adotadas como uma dança portuguesa. Nasceu em Angola nos anos 1987-1988 e muitas vezes pode ser confundida com “zuok”, porque tem um ritmo semelhante.
 Na Polónia participei muitas vezes em festas ou aulas de dança, onde podia ver e tentar dançar, por exemplo, salsa ou bachata. Lembro-me de uma noite com as danças latinas e africanas numa discoteca aqui em Lublin. Sim, as pessoas dançavam bastante bem ou... aparentemente,  no entanto sem alguma emoção. Porém lembro-me ainda melhor do que vi em Portugal alguns dias depois da chegada. Ou melhor – o que via quase todos os fins de semana. Os casais dançando na discoteca, mas não ao ritmo das canções de Pitbull ou DJ Techno, mas puramente danças de salão. Na Polónia também vejo as mulheres que dançam muito bem. Mas os homens? Numa discoteca? Não há muitos assim e não podia parar de observar! Cada homem pode mexer-se e é capaz de conduzir a dança. Uma surpresa enorme, pelo menos para mim. Além disso quando comecei a ter aulas de kizomba, o mais importante que tive de fazer foi relaxar-me no ritmo. Foi um prazer, mas também o esforço imenso porque não sou dançaria profissional. Mas mesmo que tentasse, nunca alcancei e nunca alcançarei o nível de por exemplo os cabo-verdianos, que têm o ritmo de kizomba no corpo e podem dançar durante muito tempo sem conhecer muitos passos diferentes, fazendo só um passo basicamente, mas dançam melhor de que alguns instrutores de dança. Os artistas mais conhecidos que fazem são por exemplo Nelson Freitas ou Anselmo Ralph. O que me surpreende ainda mais é o facto, de que a kizomba, além dos países lusófonos, é conhecida em mais três países: França, Reino Unido e... a Polónia! Por isso, como tenho tantas saudades, parece que só me resta inscrever-me nas aulas em Lublin.
Anexo uma ligação ao filme de Faro do clube Património, onde em cada fim de semana se dança kizomba! 

Aleksandra Guz
2º ano de Estudos Portugueses

segunda-feira, 3 de março de 2014

As minhas reflexões sobre a seleção portuguesa de futebol

Em julho começa a Copa do Mundo no Brasil. Um dos participantes vai ser a seleção portuguesa que se classificou graças à vitória ante a Suécia em novembro e quatro golos de Cristiano Ronaldo. Portugal tem um grupo muito forte e vai medir-se com a Alemanha, o Gana e os Estados Unidos. Na minha opinião não pertence ao grupo dos favoritos para ganhar a copa. Além disso, se não se classificar para a fase final não será nenhuma grande surpresa embora tenha Cristiano.
Mas alguns jogadores da seleção têm um potencial imenso e se estiverem em forma extraordinária poderão levá-la até às semifinais, como no ano 2006 no mundial na Alemanha, ou ultimamente no Euro 2012. Como Portugal nunca jogava bem nas eliminatórias isso não pode ser nenhum determinante. Nos últimos campeonatos, seja do mundo, seja da Europa a seleção mostrou que é capaz de melhorar o seu rendimento com cada jogo.
A seleção das Quinas tem jogadores da grande qualidade. Além do Cristiano pode-se nomear João Moutinho, Pepe ou Fábio Coentrão. Mas isto é pouco para serem considerados favoritos. A posição do guarda-redes não me convence e isso é bastante preocupante. Ainda pior está a situação dos avançados que jogam com o típico 9. Hélder Postiga e Huga Almeida lutam pelo lugar no onze inicial. Não sei qual é pior. Ambos são o mesmo desastre. Desde que Pedro Pauleta deixou de representar o país Portugal tem muitíssimos problemas com essa posição. O que pode dar otimismo é que a defesa e CR7 sabem jogar os jogos decisivos.
Outro problema é o curto banco de reservas ou melhor muito pior nível dos suplentes do que dos titulares. É muito difícil os suplentes substituírem bem algum jogador do onze inicial. Bom, não se pode jogar pior do que Almeida ou Postiga, mas não há quem pudesse jogar melhor. No caso de lesão ou suspensão a seleção terá um problema grave. Mas vale a pena recordar que Portugal com a mesma equipa conseguiu tingir as semifinais em 2012 vencendo a Dinamarca, Paises Baixos e empatando sem sofrer golos com a Espanha.
No passado Portugal não foi considerado como uma seleção forte. Salvo o ano 1966 não teve êxito. Tiveram de esperar até aos 90 quando apareceu a geração do ouro com Luís Figo, Rui Costa ou Fernando Couto. Nos últimos 15 anos Portugal melhorou o seu nível e hoje encontra-se entre os dez melhores do mundo. O atual selecionador, Paulo Bento também formou parte dessa geração. Agora Portugal tem um grande jogador, alguns jogadores bons e o resto são jogadores medíocres. Espero que Bento saiba misturá-los bem.

Maciej Durka
2º ano Estudos Portugueses

sábado, 1 de março de 2014

Exposição "A BD Ibérica- Uma Península aos Quadradinhos"

De 27 de fevereiro a 14 de março estará patente ao público no átrio do Museu da UMCS a exposição "A BD Ibérica- Uma Península aos Quadradinhos". Organizada pelo Instituto Camões, Instituto Cervantes e pelas respetivas embaixadas, reúne trabalhos de alguns dos melhores autores portugueses e espanhóis de Banda Desenhada. A exposição foi inaugurada por sua Excelência a Embaixadora de Portugal na Polónia, Dra. Maria Amélia Paiva, que aproveitando a sua visita a Lublin, conheceu as instalações do Centro de Língua Portuguesa e encontrou-se com alunos e com o corpo docente.  


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Uma visão brasileira da Polónia

Realizei uma pequena entrevista com um amigo meu brasileiro, Túlio de Araújo Campos, que esteve na Polónia durante algum tempo, para conhecer a opinião de um estrangeiro sobre o nosso país.

J: Antes de vires à Polónia sabias algo sobre o nosso país?
T: Sim, sabia bastante sobre a Polónia porque estudei geografia e portanto tinha uma visão geral.  Além disso, sou fascinado pela história. Estou particularmente interessado na Primeira e Segunda Guerra Mundial, e isto têm uma grande relação com a Polónia. Também, mesmo antes da viagem procurei várias informações na Internet.
J: Estiveste na Polónia, durante o inverno. Como sobreviveste à diferença climática?
T: Sinceramente, foi muito difícil. No geral, tive que vestir roupa muito quente, mesmo que para vós ainda não fosse totalmente inverno. Eu ri de mim mesmo quando vestia, por exemplo, as ceroulas, calças de ganga e três pares de meias! Apesar de todo o charme do inverno e da neve, definitivamente prefiro o clima brasileiro e as nossas temperaturas.
J: Onde é que moravas durante o programa AISEC na Polónia?
T: Visitei 11 cidades, entre outras, Lublin, Rzeszów, Zamość, Cracóvia, Varsóvia e Trójmiasto. Principalmente morava nas residências de estudantes, mas também em casas de famílias polacas. Isso foi a experiência mais valiosa para mim. Pude familiarizar-me com o ritmo do seu dia, tradição, experimentar diretamente a cultura e participar na vida quotidiana da família. Isso deu-me umas memórias preciosas. Com algumas pessoas mantenho contato até hoje.
J: Gostaste da comida polaca ou houve algo que não gostaste?
T: Geralmente muito. O que mais gostei foram os pierogi e o borsch. Por outro lado, realmente não gostei de panquecas de batatas raladas e fritas, a manteiga e compotas. Além disso, faltavam-me frutas e legumes frescos, como tenho em abundância no Brasil.
J: Há algo na cultura, costumes, etc, que  particularmente te surpreendeu?
T: Principalmente, chamou a minha atenção a forma de cumprimentar. É possível observar uma grande distância, os polacos apenas dão um aperto de mão. No Brasil, todo isso é mais efusivo, abraçamo-nos e damos dois beijos. Outra coisa que notei foi a forma e o horário das refeições. Não respeitam as horas fixas e específicas. Além disso, comem quando queiram e raramente comem com a família. Não celebram estas refeições como os brasileiros. Para nós é muito importante que toda a família come junta e cada pessoa come o que foi previamente preparado para todos.
J: Gostarias de vir no futuro outra vez para a Polónia?
T: Claro que sim, mas noutra estação do ano. Fiquei encantado pela Polónia. Estou mesmo planeando em 2014 uma viagem para a Rússia, mas durante a excursão gostaria de ficar alguns dias em Varsóvia e voltar a Lublin por razões sentimentais e porque tenho muitos amigos aqui.

Justyna Teterycz
2º ano de Estudos Portugueses




sábado, 15 de fevereiro de 2014

Felicidade

Felicidade. O que é isto? Quando perguntamos a alguém o que deseja, a maioria das pessoas responde: "Quero ser feliz!"Mas o que significa ser feliz? Ter um bom trabalho, muito dinheiro ou uma casa luxuosa? Família? Namorado? Paixão? Não sei. Sei apenas que normalmente as pessoas que não têm quase nada são as mais felizes. Paradoxo? Então, o que é a felicidade para mim?
1- Três horas a jogar voleibol. Apogeu da felicidade! E a dor dos músculos no dia seguinte...
2- Morangos. O sabor dos primeiros morangos neste ano... indescritível!
3- Elogios. Levanto-me demasiado tarde, tenho apenas quinze minutos para fazer tudo. Visto-me com a primeira coisa que tenho mais próxima. Nervosa e ansiosa entro na universidade e ouço: "Que bonita estás hoje!"
4- O primeiro dia de vinte graus depois de cinco meses de inverno!
5- Um copo de água gelada quando acordo depois de uma noitada de festa...
6- As minhas colegas de quatro. Nunca pensei que vou viver com as pessoas tão excelentes. Karaoke às 3 da manhã? Porque não! Pobres vizinhos...
7- Sábado. Quando não tenho que ouvir o meu despertador e posso passar todo o dia vestida de pijama. Sob a condição de que a minha mãe não me telefone às 7 de manhã, discurso: "Ainda estás a dormir?! Porque não estás a estudar?!"
8- Memórias. Quando me encontro com os meus amigos da escola secundária e lembramos todas as coisas estúpidas que fizemos.
9- Abraços. Ouvi falar que as pessoas que se abraçam pelo menos uma vez por dia vivem mais tempo. Vale a pena praticar!
10- Ver o meu filme favorito pela décima vez. Não me importa que saiba sempre o que acontecerá. Adoro!
11- A comida caseira. Não há coisa melhor do que o sabor da comida feita pela minha mãe depois de um mês passado em Lublin.
12- Os momentos em que não posso respirar por estar a rir-me!
Isto é felicidade! 

Monika Świderska

2º ano de Estudos Portugueses