sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

A viagem da minha vida

Há dois anos a minha amiga Natalia encorajou-me a fazer uma viagem intercontinental. Ela queria visitar 13 países em 30 dias, num carro antigo, com um grupo de cinco pessoas. Aquela ideia parecia-me louca e irreal. Tinha medo de que fracassemos- o carro não era o melhor, não tínhamos muito dinheiro nem experiencia em viajar e não sabíamos nada da região aonde queríamos ir. O nosso destino foi a Turquia mas pensávamos que não chegaríamos lá nunca. Decidimos fazer as mochilas para voltar a casa quando o carro avariasse. Comprámos aquele carro que tinha mais de 20 anos duas semanas antes da viagem e não pagámos mais de 250 euros. A velocidade máxima que normalmente podia alcançar era 90 km/h, mas temos que lembrar que aquela máquina estava cheia com as nossas bagagens e cinco pessoas.
Partimos cheios de medo e com uma visão pessimista mas quisemos viver uma aventura inesquecível e por isso decidimos arriscar. Primeiro fomos à Ucrânia para visitar  Lviv e Odessa onde nos encontrámos com o meu amigo Cristian que nos mostrou os melhores lugares de Odessa. Esta cidade é maravilhosa porque está situada nas margens do Mar Negro, é muito antiga e há muitos lugares para divertir-se. O tempo que passámos com o Cristian foi muito interessante porque ele sabia muito da história da cidade e nos contava nos lugares mais significantes.
Da Ucrânia fomos à Moldávia- o pais do vinho e dos girassóis. A Moldávia é muito pobre mas a gente é muito alegre e prestimosa. O preço do vinho era entre 1 ou 2 euros e dos cigarros era se calhar o mais barato de toda a Europa. O que mais se destaca na Moldávia é a sua cozinha- cheia de carne de carneiro muito saborosa e que também era muito barata. Infelizmente este país não tem nada de arquitetura interessante ou lugares turísticos mas com certeza posso recomendá-lo para todos que queiram passar uma semana sossegada, longe da civilização.

Da Moldávia fomos para a Roménia onde visitámos Constança. Sem dúvida vale a pena visitar Constança para ver a diversidade religiosa e observar como as pessoas desta cidade vivem em paz apesar de todas as diferenças muito significante entre elas. Lembro-me duma rua onde havia uma igreja católica entre uma mesquita e uma igreja ortodoxa. As pessoas que saíam daqueles templos depois do tempo de oração iam todos juntos tomar um café. Na Roménia também visitamos Bucareste- a capital do país. Não é uma cidade muito turística mas quisemos ver o edifício do Parlamento Romeno que está no segundo lugar na lista dos maiores edifícios do mundo.
Da Roménia fomos para a Bulgária mas cá tivemos uma situação muito desagradável. Quando cambiávamos dinheiro fomos enganados em 100 euros. Por isso decidimos mudar o nosso plano e deixámos de visitar os lugares mais interessantes da Bulgária e fomos diretamente para a Turquia.

Depois de 15 dias de viagem chegámos a Istambul- a antiga capital do Império Bizantino. Lá atravessámos o estreito do Bósforo e fizemos uma foto do nosso carro na Ásia . A população de Istambul é de 15 milhões e a cidade é cheia de atrações turísticas. Por isso decidimos passar ai quatro dias. Visitámos mais ou menos 15 mesquitas, fizemos compras no Grande Bazar, e provámos o verdadeiro kebab turco. As pessoas na Turquia são fantásticas.

Tivemos sorte de encontrar só gente que queria partilhar connosco tudo. Uma vez um homem que estava na rua quando ouviu que éramos da Polónia convidou-nos para a sua casa e cozinhou pratos típicos da Turquia. Tivemos muito saudades quando tínhamos que partir para a Grécia. Contudo, com certeza realizamos o nosso plano principal- atravessar a fronteira da Europa. Este sentimento, este orgulho é quase  impossível de imaginar. Realizamos um dos nossos sonhos e isto é uma das coisas mais importantes na minha vida. Decidi arriscar, decidi fazer algo perigoso e finalmente consegui. Mas quando saíamos da Turquia ainda não sabíamos nada da Grécia. 



Aquela estadia na Grécia foi sem dúvida inesquecível. As paisagens, a cozinha o vinho, e as suas mulheres- isto é a composição dum país ideal- isto é a composição da Grécia. Se alguém morre e nunca esteve na Grécia a sua vida não teve nenhum sentido. Não quero agora descrever tudo o que passámos lá porque podem-se escrever livros grandes sobre este país.
Lembro-me duma situação. Era noite, o céu estava cheio de estrelas e nós deitado no feno com algumas garrafas de vinho grego e assim adormecemos. Isto foi a noite mais bonita da minha vida.

A viagem até à Grécia foi muito extensa. Por isso decidimos deixar de visitar os museus, deixar de conhecer a cultura de dentro e decidimos fazer a última semana de descanso. Então não posso dizer muito sobre a Albânia, Montenegro ou sobre a Croácia. Passámos todo o nosso tempo nestes países na praia, falando das nossas experiências durante a aventura. Voltamos à Polónia completamente esgotados mas muito felizes.
Quando comecei a contar a minha história em casa dos meus pais a minha mãe adormeceu porque não conseguiu ouvir-me mais de cinco horas.

Joachim Czalej

3º ano de Estudos Ibéricos

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

A vida na Polónia nos tempos da PRL e os seus paradoxos

De vez em quando é bom relembrar os tempos dos nossos pais e avós olhando para as fotografias. Na casa dos meus pais há muitos álbuns com fotos da sua infância e juventude. Especialmente uma chamou a minha atenção. A fotografia dos meus pais quando eram estudantes tirada num clube onde o meu pai desempenhava a função de disco-jóquei. Isto não é uma fotografia de pose como podemos ver em cada rede social. Foi tirada espontaneamente, e por isso é tão extraordinária. Apresenta os meus pais sentados num alto-falante enorme e naturalmente vestem a roupa da época. O que é mais notável é a gravata borboleta pontilhada. Um dia encontrei-a numa gaveta. O meu pai guardou-a até agora como uma lembrança da juventude.
Quando penso nos tempos da PRL (República Popular da Polónia) vejo as fotografias em cor de sépia, as filas enormes de gente procurando os produtos de primeira necessidade, nas lojas as prateleiras quase vazias, os colares de papel higiénico e os trabalhadores pintando a passagem de pedestres dum modelo de cartão. Para ver tudo isto agora basta visitar o museu de PRL em Gdansk. Porém, para entender aquela realidade é preciso perguntar às pessoas que a viveram.
Começando pela moda desta época que foi ainda mais extravagante do que agora. Lembro-me duma história que o meu pai me contou. Quando os jeans começaram a estar na moda, só se podia comprá-los nas lojas PEVEX, mas eram muito caros. Custavam 17 dólares. Em comparação, o salário-base era de 3 dólares. Então teve de poupar durante muito tempo para comprá-los. Além disso, a história não termina assim. O que estava mais na moda eram os jeans que parecessem velhos, por isso, era necessário gastá-los com um tijolo, fazendo uns buracos. Dizem que eram quase indestrutíveis. Também estavam na moda as calças chamadas “boca de sino”. Eram muito apertadas em cima e tinham até 40 centímetros de largura nos em baixo. O comum eram as meias brancas que acompanhavam cada sapato preto. Quanto aos sapatos para as mulheres, eram vendidos junto com a mala da mesma cor. O mais divertido era o corte de cabelo estranho, chamado ‘ao macaco’ que constituía numa franja exuberante.
Agora passemos para uma loja típica da PRL. Hoje em dia não podemos imaginar aquelas bichas enormes e as cadernetas de racionamento que permitiam comprar para um mês: uma barra de manteiga, uma barra de sabão ou uma tablete de chocolate trocável por uma garrafa de álcool. Era óbvio esperar durante todo o dia e não conseguir arranjar nada. Nas lojas penduravam os cartazes com letras como: "Os produtos já tocados são considerados vendidos" ou "A loja está fechada porque não está aberta". Os produtos como a carne ou enchidos embalados em papel de jornal, mas era comum que às vezes nas prateleiras havia só vinagre e mostarda. Agora parece incrível mas isto era a realidade da PRL.
No que diz respeito às relações sociais e comportamento das pessoas era natural a corrupção. Não se podia tratar de coisa nenhuma numa repartição sem oferecer algum presente, por exemplo: um chocolate, alguma bebida alcoólica ou um ramo de flores. Também era típico preparar algum bolo e trazê-lo para o trabalho no dia do imieniny (1). Este costume existe ainda hoje mas tem origem na PRL. Outro dia festivo celebrado foi o dia das mulheres. Nesse dia os homens presenteavam as mulheres com um cravo vermelho e meias (normalmente não se podia comprar).
Todas essas imagens da vida quotidiana podem-se ver nos filmes desses tempos como “Detesto a segunda-feira” ou “Miś” que apresentam a realidade um pouco embelezada mas ao mesmo tempo muito divertida. Achei sempre os anos 70 como uma época coloria e alegre, despreocupada enquanto a realidade era um pouco diferente. A PRL era indubitavelmente uma época de paradoxos onde a coca-cola custava 1 dólar e onde as pessoas não sabiam como gastar o dinheiro porque não havia o que comprar. Além disso a imagem deste período na Polónia é um pouco deformada.
Emilia Wróbel
3º ano de Filologia Ibérica

(1) Seguindo o calendário católico dos santos, quem tenha o nome de um santo festeja no dia desse santo. Por exemplo hoje, 26 de Janeiro, os polacos e polacas que se chamam: Paula, Skarbimir, Leon, Tymoteusz, Tytus, Leona, Wanda, Zeligniew, Ksenofont e Małostryj celebram o dia do seu nome.
 


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

O orgulho polaco

Quando procuro no Google polaco a expressão ”o orgulho polaco” quase todos os resultados da pesquisa são relacionados com os hussardos polacos. Além disso vejo também outros símbolos da guerra, a ”âncora” – um símbolo da Polónia em luta, o nosso brasão de armas – águia branca. Às vezes aparece alguma foto dum desportista (Stoch, Kowalczyk, Lewandowski), ou de um dos nossos seis vencedores do Prémio Nobel. Quando pergunto aos meus compatriotas de que se sentem mais orgulhosos como polacos, normalmente a primeira resposta  é: João Paulo II. Apesar de tudo isso (e muito mais) nós, os polacos, somos um povo de muitos complexos. Acho que a razão disso é tantos anos de comunismo que sofremos. Quando depois da Segunda Guerra Mundial a maioria dos países da Europa ocidental se desenvolvia,  Polónia ainda teve de lutar pela liberdade. Uma das consequências disso é o nosso ”atraso” (sobretudo económico). E assim frequentemente sentimo-nos piores do que os ”de Ocidente”, porque ganhamos menos, não temos tantas auto-estradas, o nosso serviço de saúde não funciona bem, somos mais pobres etc. Para além disso, um dos estereótipos sobre os polacos é que bebemos demasiada vodca e que entre nós há muitos ladrões. Alguns de nós foram ofendidos quando no estrangeiro disseram que eram da Polónia. E infelizmente não se defenderam. Por outro lado em algumas questões somos demasiado presumidos. Não é possível ofender mais um polaco do que dizer que é russo, ou que a Polónia faz parte da Rússia. (Mas acho que os portugueses podem sentir o mesmo quando alguém trata Portugal como “algo” perto da Espanha). Apesar de sermos presumidos, a nossa caraterística nacional é o pessimismo e a queixa. Muitos polacos nas conversas dão a impressão de saber tudo, mas além de falar, não fazem nada. Temos até um provérbio “O polaco é sábio depois do prejuízo”. Tudo isso é muito visível tanto nas situações diárias, como nos momentos significativos. Somos capazes de suportar muitíssimo e não reagir (ou ainda discutimos uns com outros), até quando a situação seja terrível, mas quando chega a crise extrema, sabemos cooperar e demonstrar o heroísmo como nenhum outro. A nossa qualidade nacional é certamente também a capacidade de atingir os nossos propósitos, fazer as coisas mesmo sem ter os recursos. Quando um polaco tem algum problema, vai inventar ou criar algo que o resolva. Depois de tantos anos de carências, aprendemos a ser auto-suficientes,  a saber construir algo de nada, fazer o impossível (especialmente as gerações mais velhas do que a minha). Isto faz-me sentir muito orgulhosa. E quando eu durante a minha vida me senti especialmente orgulhosa de ser polaca? Além das coisas evidentes (os sucessos desportivos dos meus compatriotas e tudo relacionado com o nosso Papa), posso destacar duas situações mais significativas. A primeira foi a catástrofe do avião presidencial em Smolensk. Depois do acidente, todos os polacos se uniram. Nesta fraternidade e compaixão todos nós sentimos algo especial, algo indescritível. E muito polaco. E a segunda... no Brasil. Estive lá com os meus amigos para a Jornada Mundial da Juventude e passámos algum tempo na região de Curitiba. Ficámos totalmente surpreendidos ao ver as reações das pessoas  ao saberem que éramos da Polónia. Todos queriam tirar uma foto connosco. Um homem falou comigo em polaco depois de 40 anos sem usar essa língua. Numa casa de repouso recebemos uma revista muito antiga (encontrámos nela as informações sobre uma invenção nova, que parece ser perigosa e está nomeada laser), que uma polaca guardou até à sua morte. Até os guardas nos arranjaram uma excursão numa reserva, onde normalmente não se pode entrar. E depois em Copacabana quando o Papa anunciou que as Jornadas de 2016 serão em Cracóvia, todos os símbolos da Polónia se tornaram inestimáveis. E nós, os polacos, também. Em tais momentos não há nada melhor  que ser polaca.
Debora Mirosław
3º ano de Filologia Ibérica

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

O jogo do pau

A maioria das pessoas quando pensa numa arma, com que se pode defender, pensa  numa espada, pistola, flecha etc. Claro são efectivas, usando-as temos a certeza que estamos bem protegidos.  Acho que hoje em dia quase cada pessoa acha que defender-se só com as mãos é possível só em filmes com Bruce Lee ou Jackie Chan. Bem, eles têm um pouco de razão. Pessoas que não conhecem artes marciais não têm a possibilidade de defender-se sem gás ou pelo menos uma faca. É interessante que é possível defender-se usando uma arma menos drástica: um simples pau.
            O jogo do pau é praticado em Portugal já há muitos anos. Neste caso a palavra "jogo" não significa uma “brincadeira”, mas “técnica” ou “manejo”. Ao principio foi a maneira de os pastores e camponeses se defenderem.  O pau que se usa neste combate é bastante comprido e graças a isto pode-se lutar com ele afastado, o que era muito prático em combates com os lobos. Em pouco tempo o jogo do pau começou a ser muito popular em festas do campo e romarias porque era muito giro e exigia técnica e força. As demostrações do jogo eram não só uma atracção para quem participava na festa mas também uma maneira de mostrar a sua força e ganhar o respeito da aldeia. Os jovens frequentemente usavam esta técnica para resolver conflitos, conquistar o amor das raparigas etc. As regras desta arte marcial são muito parecidas ao Karate ou Aikido. Devo mencionar aqui que no Aikido também se usa o pau (chamado ali jo) para lutar. O jogo do pau e as artes marciais japonesas não são só parecidas quanto à técnica mas também quanto ao código ético. Quando dois homens começam a luta obedecem sempre a certas regras. Era proibido que os lutadores batessem num homem sem pau, ou a um  homem que já esta por terra. Obter este código era uma questão de honra, nestes tempos muito importante.
            Há muitas histórias sobre o jogo do pau que podemos ler não só em crónicas mas também na literatura. Autores que mais mencionam e descrevem o jogo são: Aquilino Ribeiro e Miguel Torga. Com o tempo o jogo do pau começou a perder importância. Há muitas razões, mas acho que as mais importantes são a ação da Polícia que queria evitar problemas de lutas perigosas entre pessoas, se claro, diminuir o poder dos cidadãos. Outra razão muito importante é a emigração de muitos homens para os cidades ou para o estrangeiro.
Hoje em dia o jogo de pau é um desporto bastante popular praticado pelas pessoas como passatempo. Esta arte marcial é muito popular em Portugal e quase desconhecido na Polónia. Para muitos portugueses o jogo do pau e uma parte da cultura tão importante e interessante como o fado ou  tourada. Há muitas escolas dirigidas por mestres com títulos. Quase cada região desenvolveu um estilo um pouco diferente. Estas várias escolas e clubes estão hoje organizadas numa estrutura representativa, a Federação Portuguesa de Jogo do Pau que foi fundada em 1977 pelo impulso do Mestre Pedro Ferreira.
            Eu gosto imenso de artes marciais, já pratiquei Ju-jitso e Aikido então também pratiquei a luta com pau e gostei imenso disto. Somando as minhas experiências e as informações que recolhi durante a elaboração deste artigo posso dizer que para dominar bem o jogo do pau precisamos de praticar muito. Também devemos ter boa concentração e memória, e claro equilíbrio e coordenação. Quando em Aikido tive aulas com " jo" tive sempre de memorizar sequências de movimentos que tive de repetir muitas vezes.  Isto parecia uma dança muito gira, e por isso quero ver alguma vez o jogo do pau apresentado pelos mestres deste desporto e os alunos deles, para poder admirar esta tradição tão portuguesa.

Anna Pięcińska

sábado, 17 de janeiro de 2015

Atrevo-me a sorrir ou não me atrevo?

Um dia normal como todos, chega o teu autocarro, entras e após ocupares um assento passas a ser um companheiro de umas quantas pessoas ao teu lado. De repente recebes uma mensagem de texto dum/a amigo/a que te escreveu uma coisa tão estúpida e ao mesmo tempo engraçada que já estás a ponto de desatar a rir. “Mas o que faço?”, começas a pensar, “Estou num autocarro cheio de pessoas, rir-me, só sorrir ou deveria deter a riso e aguentar-me continuando com a cara séria e imperturbável?” Uma situação tão absurda que até é difícil escolher uma opção adequada. Mas lembra-te que ela pode marcar a tua vida, até que saias do autocarro;)
Isto quer dizer que estar nos lugares públicos como autocarros, lojas ou centros comerciais  às vezes exige de nós certo comportamento e os dilemas tão complicados acontecem diariamente. A coexistência involuntária nestes lugares provoca que temos que assumir algumas posturas. Mas escolhemos sempre as adequadas? E quais deveriam ser? Se tens dificuldades em responder, tens aqui alguns conselhos preparados por mim. Contudo, cuidado, recorda que não há que levar a sério tudo na vida;)
As dicas úteis em autocarros:
1. Não sorrias para os desconhecidos, nem sequer se te parecessem pessoas simpáticas ou atrativas, até poderias fazer com que alguém também sorrisse e o seu humor melhorasse!
2. Se és uma pessoa mais velha e queres sentar-te mas não há nenhum assento livre, põe-te rapidamente a falar com a outra senhora da tua idade e comentem em voz alta o pouco respeito e a falta de educação que caracterizam os jovens de hoje. Pois criticar em voz alta num lugar público é uma caraterística das pessoas com o nível de educação muito elevado e aquele jovem com certeza agora deixará o assento livre com uma vontade inacreditável.
3. Lembra-te que os assentos nos autocarros são duplos para que as pessoas viagem à vontade com as suas sacolas, malas, casacos etc. Não te esqueças que é preferível colocar estas coisas no assento junto à janela, para que ninguém possa tocá-las ou, Deus nos livre, roubá-las!
4. Se tens problemas com o suor, não deixes que os outros não conheçam o teu problema. Escolhe um dia adequado. 28 graus e um dia de sol serão o tempo ideal. Lembra-te que  a hora também é importante. Às 16 horas, quando há maior tráfego e mais pessoas andam de autocarros, serão as circunstâncias francamente desejadas. Veste uma camiseta sem mangas, ao entrar no autocarro procura o lugar com o maior número de pessoas e agarra a barra ou a pega acima, o que possibilitará a exposição da tua axila. Assim todos saberão o problema que tens. Tens garantidas a compreensão e a compaixão.
5. Quando queres passar para o fundo do autocarro, não incomodes os outros passageiros repetindo “desculpe” sem parar. É suficiente que empurres um pouco e que dês várias cotoveladas aos vizinhos e já saberão que queres passar.
6. Ao ver entrar uma mulher grávida, não lhe proponhas que se sente, seguramente não vai querer, porque vai ter medo de que com o peso que leva vai ser mais difícil para ela levantar-se que estar todo o tempo de pé.
7. Se vês algum ladrão tentando roubar outro passageiro, não detenhas o espetáculo. Assim que a peça termine e o ator principal se retire do palco, não te esqueças de informar a vítima que acabou de ser roubada. Pois assim é mais engraçado e a tragédia converte-se numa comédia! (um exemplo real lido na página “Spotted: MPK Lublin” do Facebook, há uns meses)

Apenas umas mais para os que têm dúvidas quando fazem compras:
1. Quando fazes compras num supermercado ou numa loja de bairro, não digas à vendedora ou à caixa ”bom dia”, “obrigado/a”, “adeus”. Ela já ouviu estas frases tantas vezes esse dia por isso não a chateies mais... Além disso tenta ser mais grosseiro que normalmente, com certeza todos os clientes foram muito simpáticos com ela esse dia, então sê original!
2. Se te desistes de comprar uma coisa, deixa-a num lugar qualquer, em vez de pô-la no seu  lugar,  pois os trabalhadores das lojas e supermercados gostam muito dos jogos de pista. Com certeza faz o mesmo com os produtos que caíram no chão.
3. Em geral, recorda: nunca peças, exige sempre. É o seu trabalho, não é?

            Em resumo, poderia haver mais exemplos, mas acho que com estes já alguma ideia deveria surgir nas vossas cabeças. Se não, não vos vou deixar sem a minha própria opinião que explicará tudo. Em geral ao vir à memória e recordar que com frequência eu mesma fui testemunha das situações parecidas (com exceção do ponto 7.), tanto viajando de autocarro como trabalhando em lojas e tendo o contato constante com os clientes, só me vem à cabeça uma reflexão: onde é que se meteu a empatia das pessoas? Tenho a impressão que a antipatia e o individualismo unido com uma dose de egoísmo começam a cercar e esmagar devagar esse pobre valor. Ou se calhar simplesmente ser amável e prestável passou de moda? Agora frequentemente as pessoas tentem ser muito convencidas, independentes e focadas em si mesmos e assim chegam a esquecer-se que convivemos numa sociedade enorme que depois se divide em grupos mais pequenos, como escola, trabalho, turma, amigos etc, e que não há outra opção que incorporar-nos dalguma maneira. Perdemos a amabilidade e até mesmo quando alguns não a perdem- reagimos de qualquer forma mal. Inclusive, às vezes as mulheres começam a reagir negativamente ao comportamento dos homens que querem mostrar ser “cavalheiros”. Eu pessoalmente não exijo este tipo de conduta da parte dos homens, mas quando me acontece, é para mim algo muito agradável e tento não me esquecer de responder “obrigada”, por exemplo quando um homem me deixa passar primeiro na entrada do autocarro. Há que assinalar que não é algo comum em todos os países. Já ouvi várias vezes que o comportamento dos nossos “cavalheiros” é  normalmente uma das primeiras coisas que surpreendem as espanholas quando vêm à Polónia e que não é algo normal na Espanha. Então não sigamos  o provérbio polaco “valorizam o alheio, não conhecem o seu”, mas apreciemos o que temos e  que alguém (que talvez nem sequer nos conheça) quer ser amável connosco.

Só para concluir, pensemos quantas vezes nos aconteceu ver alguém que ia sozinho pela rua sorrindo de orelha a orelha e pensámos: “Será maluco?”? Eu dantes também pensava da maneira parecida e várias vezes me surpreendi quando vi alguém absorto nos seus pensamentos que sorria olhando cegamente para frente. No entanto afinal supus que era muito estúpido conter-se o sorriso só porque talvez alguém pensasse algo estranho de mim. É melhor alegrar-se de que em geral temos algo de que se alegrar ou que há algo ou alguém cujas lembranças nos provocam este sorriso. E seguindo as palavras de Gabriel García Marquez, que aliás se converteram numa das minhas citações preferidas, “Nunca deixes de sorrir, nem quando estejas triste porque nunca sabes quem pode apaixonar-se pelo teu sorriso”. Assim, sorriam e um pouco mais de amabilidade e empatia, amigos!

Anna Drabik
3º ano de Filologia Ibérica

domingo, 21 de dezembro de 2014

Concurso de tradução e concurso de cultura geral 2014

Concurso de tradução de língua portuguesa 
1º lugar: Dorota Romanowska 
2º lugar: Karolina Nosowska
3º lugar: Agata Wissuwa 


Concurso  de cultura geral: Portugal e Brasil
Apresentaram-se a concurso 29 alunos de escolas básicas do 3 º ciclo e 50 de escolas secundárias da região de Lublin. 
Escolas básicas do 3 º ciclo:
 1º lugar: Angelika Nizioł - EB do 3 º ciclo de Izbica 
 2º lugar: Rafał Dziak – EB do 3 º ciclo de Izbica 
 3º lugar: Katarzyna Szmagara - EB do 3 º ciclo n º 10 Jan Twardowski, Lublin

 Escolas secundárias:
1º lugar: Roksana Podkowa – ES n º 1 União Europeia, Zamość
2º lugar: Łukasz Wituch - ES n º 1 União Europeia, Zamość
3º lugar ex aequo: Kamil Wawrzaszek e  Beata Dubaj – ES n º 1 Jan Zamoyski, Zamość

sábado, 20 de dezembro de 2014

Resultados do 1º Concurso Literário Internacional do CLP/Camões em Lublin

De entre os contos recebidos de Espanha, Itália, Polónia e Uruguai, o júri decidiu atribuir o 1º lugar ex aequo a:
Kamila Wiśniewska, da Polónia, com o conto “A tirania do Semsentido”
“O Semsentido é um monstro maligno e poderoso que dispõe de uma força argumentativa admirável e ao mesmo tempo surpreendentemente fácil, pois toda a sua arte consiste em assegurar a sua vítima de que as atividades diárias dela simplesmente não têm sentido nenhum. Para realizar este objetivo, serve-se de um programa minucioso de desmotivação com o que doutrina o seu preso aplicando-lhe dia após dia umas colheres bem medidas de tristeza e decepção. Se a vítima é propícia ao tratamento, o Semsentido não demora em apoderar-se dos seus pensamentos para os converter depressa em rios pretos que desembocam no oceano de sem sentido onde naufragam todas as lembranças positivas e os velhos sonhos. Saibam, que este malvado é muito ágil. Espera por um momento adequado, um derrubamento instantâneo, um leve extravio do teu curso vital, um curto suspenso na lucidez da mente para fazer o ninho cómodo na tua cabeça. O Semsentido é o rei do espaço urbano. Gosta de se refestelar nas escadas da loja de bebidas tanto como nos escritórios dos homens de negócios. Revela uma afeição pelos estudantes, especialmente pelos da Faculdade de Letras. Muitas vezes aproxima-se da zona universitária para se divertir, pois agrada-lhe o gosto pela inutilidade que revelam. É entusiasta das longas tardes de inverno e as noites de insónia. Vaga então pela cidade à procura de uma cabeça inútil onde possa dormir arrulhado pela triste melodia dos pensamentos pesados como a velha locomotiva a vapor.” (…)

Serena Cacchioli, de Itália, com o conto “Se o caso é chorar” 
Uma das coisas de que mais gosto nesta minha nova condição solitária é o facto de poder gradualmente reconhecer os lugares e as pessoas que até há pouco tempo me eram estranhos. Gosto de me surpreender com a atenção que dispenso aos empregados de mesa nos bares, às caixeiras, aos vizinhos... É algo novo para mim, sempre tão centrado exclusivamente na minha pessoa. Gosto de, finalmente, ter tempo de levantar os olhos e cruzar os dos desconhecidos. Há um empregado no café Pôr do Sol que sorri muito, tem os ombros largos e magros e na minha cabeça já passei a chamá-lo «o islandês», por ter os olhos amendoados. Um dia perguntar-lhe-ei de onde vem. Gosto também de fazer as compras na única loja que encontrei por aqui e vou lá sempre nos horários da caixeira de ar desesperado. Uma espreitada naqueles olhos possessos, enquanto pago o colutório e os iogurtes, melhora instantaneamente o meu dia e isca uma série de fantasias que acabam por ocupar grande parte das minhas tardes. Um dia perguntar-lhe-ei como se chama, e que raio de demónio lhe assombra continuamente os olhos.” (...)


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Concerto de Kinga Rataj


O Centro de Língua Portuguesa/Camões de Lublin organizou no dia 15 de dezembro um concerto de fado no auditório da UMCS. A cantora polaca Kinga Rataj é a prova de que o fado já saiu de Portugal e pode ser interpretado por estrangeiros. Acompanhada ao piano por Marek Bazela e à viola por Martin Złotnicki, Kinga Rataj interpretou alguns clássicos como “Estranha forma de vida” ou “Maria Lisboa”. Com uma pronúncia quase perfeita houve momentos em que Kinga Rataj nos fez sentir em Alfama. Esta jovem com uma voz cheia de alma merece contudo um acompanhamento de guitarra portuguesa. 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O choque entre dois mundos

Não é segredo que as diferenças entre gerações existem e vão existir mas o abismo que podemos observar entre a geração dos nossos avós  e  a geração dos jovens  contemporâneos é grandíssimo.  Existem não só obstáculos na comunicação mas também no entendimento das necessidades  dos outros.
 O que é mais assustador é o facto de que as palavras do Einstein se cumpriram. Ele há muitos anos disse: ''tenho medo que um dia o desenvolvimento da técnica perturbará  as relações interpessoais. Então teremos uma geração de idiotas.  O rápido desenvolvimento da técnica está estreitamente ligado com o crescimento da ignorância, estupidez e falta de pensamento independente dos jovens. 
As pessoas idosas não podem compreender como os jovens preferem passar horas em frente do ecrã da televisão ou do computador em vez de passar o seu tempo livre na companhia dos seus amigos ao ar livre. Isto não é única diferença. Há mais diferenças como por exemplo temas de conversas.  Os jovens falam sobre as festas, sobre a quantidade de bebidas alcoólicas bebidas ou sobre as suas conquistas amorosas e novidades do mundo da técnica. Os idosos escolhem temas mais eloquentes como a cultura, os tempos da Segunda Guerra Mundial ou a vida durante da época do comunismo etc.
Entre os alunos da escola secundária podemos notar falta de conhecimento da história nacional e mundial, falta de informações básicas do campo da geografia, física, biologia ou matemática. Os jovens muitas vezes também não podem expressar a sua opinião sem usar palavras de línguas estranhas ou palavrões enquanto os nossos antepassados usavam a língua polaca pura, correta e quase poética. O conhecimento da história e geografia era algo evidente.
Não vale a pena perder tempo a procurar entre os jovens o respeito pela pátria. Tudo o que vem de estrangeiro é melhor e de melhor qualidade. Os nossos avós tratam o nosso país como um lugar sagrado pelo qual muita gente sacrificou a sua vida. Sacrificou a sua vida para dar possibilidade de liberdade de expressão, de religião ou de consciência para as  gerações futuras, para poderem sentir-se bem no seu  país e o que hoje não  é respeitado e valorizado. 
Os jovens pensam que o mundo está aberto para eles.  Dar-lhes-á tudo e não exigirá nada em troca. Quando sofrem um choque com a realidade muitas deles não podem reconciliar-se com a realidade dolorosa. Os idosos têm uma imunidade mental mais forte porque são conscientes como é o mundo real e que tudo na vida custa muito trabalho e esforço. O que provoca grande tristeza é o facto que não todos os jovens conhecem o conceito de ajuda mútua e não interesseira. Não todos querem cuidar dos seus pais durante os seus últimos anos de vida. Preferem livrar-se do ''problema'' e colocá-los num lar de terceira idade. Antes era óbvio que os filhos iriam cuidar dos seus pais.

Embora possa parecer que os jovens polacos não têm nenhuma virtude, com a consciência tranquila posso dizer que isso não é verdade. Não todos os jovens são maus.  Há um grande grupo de adolescentes que têm orgulho nas suas raízes, na sua pátria, língua e que apreciam os que deram a vida pelo seu povo e país amado. Por isso é que nos resta ter esperança que este grupo com o decorrer do tempo aumente.
Liliana Wajrak
3º ano de Filologia Ibérica

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Concurso de ortografia 2014

Concurso de ortografia 2014

1º lugar:
Katarzyna Rejter - Universidade Maria Curie-Skłodowska
2º lugar:
Katarzyna Banaszek – Universidade de Varsóvia
3º lugar:
Kornelia Fiałkowska – Universidade de Varsóvia

Menção honrosa:
Natalia Szulecka – Universidade de Varsóvia


domingo, 30 de novembro de 2014

Annabela Rita e Dionísio Vila Maior no Centro de Língua Portuguesa

No Centro de Língua Portuguesa decorreu nos dias 24 e 25 de novembro um curso intensivo sobre literatura e culturas portuguesas. Com uma duração de oito horas teve o seguinte programa:
1º Seminário (Profª. Doutora Annabela Rita)
"A Literatura Portuguesa do século XIX. Do Romantismo ao fim de século"
Resumo: Percorrendo textos representativos da Literatura Portuguesa Moderna (Séc. XIX), do Romantismo até ao fim-de-século, a lição procurará destacar uma trajetória da reflexão identitária nacional, estética e cultural, marcada pela revisão da tópica mais pregnante da sua mitologia, pela revisitação dos lugares da memória coletiva: de Viagens na Minha Terra (1846), de Almeida Garrett, à Pátria (1896) de Guerra Junqueiro, passando pela evocação de textos de outros autores (Camilo Castelo Branco, Júlio Dinis, Eça de Queirós, Cesário Verde, António Nobre). Um ciclo de refundações com metamorfoses da auto-representação.


Annabela Rita é professora na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde exerce a função de diretora do curso de Estudos Portugueses, coordenadora do CLEPUL (Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias), Presidente do Instituto Fernando Pessoa- Língua Portuguesa e Culturas Lusófonas, presidente da APT (Associação Portuguesa de Tradutores), Presidente da Assembleia Geral da COMPARES (International Society for Iberian-Slavonic Studies e Vice-Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Observatório da Língua Portuguesa. Integra as Direcções da Associação Portuguesa de Escritores e da Sociedade Histórica da Independência de Portugal. Tem a direcção de várias colecções ensaísticas e da revista Letras Com(n)Vida, da consultoria científica de revistas nacionais e internacionais e da biblioteca online de filosofia e cultura Lusosofia, da edição prefaciada de autores nacionais consagrados, de vasta colaboração dispersa em Portugal e no estrangeiro, com frequente participação em júris de prémios literários nacionais e internacionais.
É autora de diversos livros nomeadamente: Luz e Sombras no Cânone Literário (2014); Focais Literárias (2012); Paisagem & Figuras (2011); Cartografias Literárias (2010, 2012); Itinerário (2009); No Fundo dos Espelhos (2 vols., 2003-07), Emergências Estéticas (2006); Breves & Longas no País das Maravilhas (2004); Labirinto Sensível (2003); Eça de Queirós Cronista. Do "Distrito de Évora" (1867) às "Farpas" (1871-72) (1998).


2º Seminário (Prof. Doutor Dionísio Vila Maior)
Tópicos:
1. O Modernismo português e a Geração de Orpheu: uma leitura dialógica
2. Do Orpheu à Presença
3. O Surrealismo em Portugal


Dionísio Vila Maior é professor da Universidade Aberta, Professor-Investigador da Université de Paris - Sorbonne (França) e Professor-convidado na Universidade de São Paulo (Brasil), Universidade Marie Curie (Polónia), Universidad Autónoma de Madrid (Espanha) e Università degli Studi di Napoli "L'Orientale" (Itália). É Presidente (em Portugal) da Comissão Organizadora do Congresso Internacional 100/Orpheu, que se realizará em 2015, na Fundação Calouste Gulbenkian, no Centro Cultural de Belém e na Universidade de São Paulo. Para além das letras tem feito igualmente carreira na música. Autor de cinco DVD musicais e dois CD de música coral. Com prémios de Produção Científica e Produção Musical, é autor, harmonizador vocal e/ou orquestrador de mais de 160 obras musicais. Atualmente, é maestro do Coro Mozart.
Algumas publicações académicas: Fernando Pessoa: Heteronímia e Dialogismo (1994); Introdução ao Modernismo (1996);Pessoa, Sá-Carneiro e Almada: Representação Estético-Ideológica (2000); Fim de Século ao Primeiro Modernismo Português: Poemas, Textos Teórico-programáticos, de Reflexão e de Imprensa (2000); Literatura em Discurso(s). Saramago, Pessoa, Cinema e Identidade (2001); A Geração de 70 e a Geração de Orpheu: Portugal em Questão (2001); Diálogos literários luso-brasileiros (2002);Literatura e Fim de Século (2002); O Sujeito Modernista: Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros e António Ferro: crise e superação do sujeito (2003); O Modernismo Brasileiro (2005 [E-book]); Uma introdução às Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa (2006 [E-book]); A Revivência dos Sentidos — Estudos de Literatura Portuguesa (2009).

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Carlos do Carmo recebeu o Grammy Latino de Carreira



O fadista Carlos do Carmo foi ontem galardoado em Las Vegas com o prémio Grammy Latino de Carreira. Uma das maiores vozes do fado, com uma carreira de mais de 50 anos, teve um papel muito importante na candidatura do fado a Património Imaterial da Humanidade (classificado pela UNESCO em 2011). Partilhou o prémio “com o povo da minha terra, com todos os portugueses, que me querem tão bem e a quem eu quero tão bem”. 35 vozes da música portuguesa rendem-lhe a devida homenagem no video seguinte:


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Manoel de Barros 1916-2014


No dia 13 de novembro de 2014, Fábio Diegues, da Editora Planeta, enviou ao nosso Departamento de Estudos Portugueses da UMCS  a triste noticia:

Nota de falecimento: Manoel de Barros – 1916 - 2014

“Mais alto que eu só Deus e os passarinhos.
A dúvida era saber se Deus também avoava.
Ou se Ele está em toda parte como a mãe ensinava.”
Memórias inventadas para crianças – trecho do poema ‘Brincadeiras’

A Editora Planeta lamenta a perda de um dos maiores poetas do Brasil.
Manoel de Barros foi voar com seus pássaros e as suas palavras.
E como a “mãe ensinava”, temos a certeza de que ele estará em todas as partes através da eternidade dos seus poemas.

Nossos profundos sentimentos à família, aos amigos e a todos os seus fãs e leitores.

Editora Planeta do Brasil


O passamento entristeceu a todos os leitores. Para quem convive com a produção poética de Manoel fica com a certeza de que ela o eternizará. A poesia de Manoel de Barros brota de um cotidiano que amanhece pronto, sem perspectiva de uma rotina nova e que, por isso, tem que ser desfeito, inventado, fantasiado para quebrar a monotonia...  Para tal, é preciso o poeta, que sabe inventar, que percebe a sabedoria existente no marasmo do cotidiano, sensível com as coisas insignificantes, da natureza pronta...
 Barros brinca com verbos, neologismos, joga com palavras, incorpora elementos humanos à natureza, transgride regras gramaticais, desvia ortograficamente as palavras, abusa das figuras de linguagem, fere as frases lógicas, enfim, sua poesia, reinado da linguagem coloquial, mobiliza o leitor e o entroniza no universo pantaneiro.
O poesia do poeta deflagra e desbrava todo um cenário geográfico brasileiro, interiorano, mas não só este, como também o linguístico, percorrendo os caminhos da oralidade e aproximando os leitores da variante pantaneira e acenando para uma das dimensões que o português brasileiro toma. Ao entrevistá-lo, a atriz e jornalista, Bianca Ramoneda, autora do livro "Só", escreveu: “A poesia de Manoel de Barros é essencial não apenas para aqueles interessados em estudar rios, mas também, e principalmente, para aqueles que atropelados pelos excessos - de trabalho, de informação, de desejos - sentem uma necessidade vital de delicadeza e simplicidade. Mas Manoel nos passa a perna com sua simplicidade extremamente sofisticada. Ele tripudia das palavras, cria novos quebra-cabeças com a linguagem, rompe a lógica e nos ensina a "desaprender". O Pantanal é o cenário dessa poesia, berço do poeta, que fala do homem contemporâneo através do pantaneiro. E nos propõe um mergulho em nossas próprias águas para entrarmos em contato com aquilo que somos na verdade, com nossas origens, nossa pureza que sobrevive escondida.”
Barros ao lhe falar de sua poesia diz:
“Gosto dos rios. E gosto mais quando eles estão nas margens dos meninos, dos pássaros, das árvores, das pedras, das lesmas, dos ventos, do sol, dos sapos, das latas e de todas as coisas sem tarefas urgentes. Os rios são uma das fontes da minha poesia porque as garças posam neles com os olhos cheios de sol e de neblina. Porque as rãs paridas nas suas margens gorjeiam como os pássaros. Porque as libélulas, também chamadas de lava-bundas, farreiam na flor de suas águas. E porque o menino, em cujas margens o rio corre, guarda no olho as coisas que viu passar.”

Dra. Natalia Klidzio
Departamento de Estudos Portugueses

NR: O Prof. Dr. Henryk Siewierski teve a gentileza de nos permitir a publicação de um artigo seu sobre Manoel de Barros, publicado em 1995 na revista "teyu'í" , em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, Brasil.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Resultados do concurso de fotografia: RELIGIÕES E TRADIÇÃO

De um total de 51 fotografias enviadas por 18 participantes a organização decidiu premiar as seguintes:

1º lugar
Paweł Sobczuk – Drogi do świętości (Porto)

2º lugar
Piotr Szterner  – Majestosa procissão - Festa Nª Sª Ajuda (Espinho)

3º lugar
Joanna Józefowska – Sięgając nieba (Madeira)


Menção honrosa:
Katarzyna Janowska – Majestade (Mosteiro de Alcobaça)

João Santiago - Manifestação de fé (Vila Franca de Xira)

Joanna Śliwińska - Estátua de Mumadona (Guimarães)

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Lama, suor e testosterona


- Amanhã temos jogo, vens? – pergunta o meu amigo jogador. Há muito tempo que me rio desta ideia. Eu como espetador de um jogo de futebol? Expliquemos, o futebol americano! Hum... Não creio.
- Mas estás a perguntar a sério? Sabes que não percebo nada desta modalidade, a minha presença lá não faz sentido – respondo. Na minha cabeça há só uma imagem específica: dezenas de homens suados com capacetes que colidem uns contra outros com a maior força possível. E para quê?
- Então vou explicar-te tudo! – o meu amigo ainda tem vontade de convencer-me. Por muito mais que tente, não vou entender nada e já sei que tudo isso é para nada mas finalmente aceito.
 Uma vez já vi um jogo e perdi três horas (!) a observar os homens que chocam com muita violência. Mas vou ter paciência e concentrar-me nas regras outra vez. A época dos jogos começa na primavera e dura quase até ao fim do verão. Muitas pessoas confundem o futebol americano com o rugby, mas isso é bem compreensível: o futebol americano surgiu de uma variação do rugby e ambos os desportos não são tão populares na Polónia como o futebol ou o voleibol, embora tenham os seus adeptos. Em Lublin temos uma equipa de futebol americano, os Tytani e uma de rugby , Budowlani. A equipa Tytani Lublin existe desde 2009 e joga na PLFA 1 (Liga Polaca de Futebol Americano 1) e o Budowlani Lublin na primeira liga polaca de rugby, a “ekstraliga”. Em geral o rugby é um desporto mais dinâmico, o futebol americano consiste mais em estratégias. Também os equipamentos são diferentes.
 O objetivo do futebol americano é num período fixo de tempo ganhar mais número de pontos que a equipa adversária. A bola pode ser transportada ao passá-la de mão em mão entre os jogadores. Os pontos são ganhos de várias maneiras, por exemplo, por mover a bola pela linha de ponto, por atirar a bola para o jogador que está atrás da linha - ou seja, na zona dos pontos ou chutar a bola para a baliza do adversário (o golo de campo). A equipa vencedora é aquela com mais pontos quando o tempo termina.
- É um jogo mais coletivo do que os outros, que nos une totalmente – diz o meu amigo. – É isso o que gosto mais do futebol americano. Não há faltas por infração individual.
Então consegui, já percebo um pouco mais apesar de que há muitas regras que dificultam o esclarecimento de todo o jogo. Mas três ou quatro horas de jogo...? Ai, meu Deus.
- Venho na segunda metade, pode ser? – vejo o nosso compromisso.
- Pode, pode – diz o meu amigo resignado.

Para acrescentar, em Portugal existe a Liga Portuguesa de Futebol Americano, mais nova e mais pequena do que a polaca. O primeiro jogo na Liga ocorreu em novembro de 2009 e é disputada entre dez equipas (entre elas uma galega) enquanto na liga polaca jogam 74 equipas em quatro categorias. E se queremos aprofundar o nosso conhecimento sobre os Tytani Lublin, é preciso dizer que fazem uma grande promoção do desporto visitando as escolas e hospitais em Lublin. Treinam três vezes por semana e têm também a sua equipa de juniores.


Aleksandra Guz
3º ano de Estudos Portugueses