Há quase dois anos saí da Polónia para passar um semestre de estudos em
Portugal. O voo para Lisboa marcou na minha vida um momento em que a atitude
com que eu abordava a língua mudou. Foi como se o português fosse um monumento
que de repente ganhasse vida. Conheci alguns portugueses, provei alguns pratos
típicos, visitei alguns lugares históricos e ainda queria mais. Essa cobiça,
esquecendo por um instante a própria língua, conduziu-me no ano seguinte ao
Brasil. O Erasmus no extremo ocidental da Europa não deixou muito a desejar. Só
lamentei não ter viajado mais. Em Portugal, um país pequeninho em comparação
com o Brasil faltou-me a vontade. Por isso, desta vez, apesar de distâncias
muito mais longas, decidi e consegui ver mais. Não amansou a fome. Já sei que
tenho de voltar lá. Posso enumerar dezenas de sítios no Brasil que gostaria de
explorar um dia.
Porto Alegre, a minha primeira localidade na Terra Brasilis,não faz
parte desta categoria. Eu acredito que é um lugar ótimo e que tem muito a
oferecer, mas vou lembrá-la como a cidade das greves, taxistas-vigaristas,
pousadas barulhentas, noites no aeroporto, estações apinhadas de gente e
prostitutas (pela ordem de mais a menos irritantes). Talvez seja uma visão
injusta, mas, infelizmente, esta é uma impressão subjetiva que não me deixou
até ao fim. A única coisa de valor sentimental que troxe da capital gaúcha foi um
disco de vinil com a banda sonora da série Tieta comprado por 2 reais.
Larguei ali muito mais, sobretudo dinheiro e os nervos.
Sul (Ijuí e arredores, Passo Fundo e Florianópolis)
Chegada a Ijuí, uma cidade de 80 mil habitantes, não me pôde
surpreender. Eu sabia antes o que esperar. Apesar disso, o choque com a nova
realidade foi doloroso. Levou-me muito tempo acostumar-me à sesta do meio-dia,
mas o problema mais perturbador foi, sem dúvida, o frio. As temperaturas por
volta dos zero graus de noite esfriavam bastante a casa privada de aquecimento.
Portanto, os meses de julho e agosto foram a prova verdadeira do sistema
imunitário. A constipação mantinha-se um estado perene do meu organismo. Podia,
claro, usar os produtos polacos, como vodka Sobieski promovida no Brasil pelo
ator americano Bruce Willis, para esquentar-me, mas queria adaptar-me à
realidade brasileira e o meu pensamento concentrava-se na cachaça.
Em Ijuí não encontrei atrações turísticas típicas. Na verdade, toda a
Região das Missões e os arredores não oferecem muito para turistas preguiçosos.
Para apreciar os valores da área é preciso mergulhar na história da
colonização. Ijuí, por exemplo, é uma terra de pelo menos 11 etnias que
cultivam a tradição dos seus ancestrais e exibem-na todos os anos na feira Expo Ijuí Fenadi. Com
o propósito de avaliar melhor a região, eu e a minha corajosa parceira Kasia
aproveitámos a hospitalidade das pessoas ligadas de qualquer jeito com a
Polónia. A Marli, a Irene e o Claudio da etnia polaca apresentaram-nos a vida da
comunidade. Com a professora Marli, por exemplo, ensinámos às crianças na
escola IMEAB um pouco da cultura e língua polaca.
Os intercambistas: o
Diovan (que esteve em Lublin no ano passado) e o Pietro (que
agora mesmo acaba a sua estada na Polónia)[1]
possibilitaram-nos conhecer não só as cidades onde eles moram (respetivamente:
Santo Augusto e Santa Rosa), mas também as famílias e os amigos deles.
Durante
a minha curta permanência em Tenente Portela com o Diovan tornou-se claro que
os vestígios polacos não se limitam a Ijuí.
Por outro lado, a professora
Natalia Klidzio, que passou as férias no Brasil, mostrou-nos a cidade de Santo
Ângelo (um dos Sete Povos das Missões) e familiarizou-nos com a cultura gaúcha,
especificamente com a sua parte musical no Festival do Canto Missioneiro.
No fim de agosto, fomos por iniciativa dela a Passo Fundo, onde assistimos
à palestra da Professora Doutora Barbara Hlibowicka proferida na 15ª Jornada
Nacional de Literatura.
Além desses eventos, o quotidiano revelou-se mais agradável do que os
começos sugeriram. A experiência universitária foi frutífera. Aprimorei as
minhas competências linguísticas escrevendo nas aulas dos professores Lisandra
e Márcio textos jornalísticos e participei na criação e manutenção do
projeto Redação K1 com o
professor Felipe.
Em casa os problemas não faltavam, mas consegui
resolver os mais importantes .
A melhora do tempo fortaleceu a nossa vontade de verificar outro lado do
Brasil, este do cartão-postal. Por conseguinte, em meados de novembro
aproveitámos o dia da Proclamação da República, fizemos ponte e visitámos a
capital do estado vizinho – Florianópolis em Santa Catarina. A viagem de ônibus
(autocarro) foi longa (15 horas a de ida e 12 a de volta) e cansativa, mas
gratificante. As praias e as paisagens bonitas recompensaram a fadiga.
Devido à recomendação da autoridade encontrada numa das ruas da ilha, a primeira viagem não continuou como única por muito tempo.
Todos
os punks e até as pessoas com menor interesse pela música punk conhecem as
raízes deste movimento nos Estados Unidos, na Inglaterra e com certeza na
Polónia. É verdade que a cena norte-americana e inglesa estabeleceram os
fundamentos deste estilo e influenciaram o desenvolvimento da revolução punk e
da sua criação principal pelo mundo inteiro, a música. Vale a pena recuar duas
décadas e investigar como se formou e desenvolveu o punk nos países menos
conhecidos. Todas as partes do mundo têm as suas particularidades, problemas
diferentes e as pessoas têm o temperamento, a língua e os costumes bem
diferentes. Em vários zines podemos encontrar com frequência relatórios sobre a
situação atual do punk nos países considerados por nós exóticos, mas faltam
pelo menos pequenas referências do passado. Uma vez que a história ensina então
devemos conhecer a tradição deste género. Sendo assim vale a pena que nesta
série encontremos um espaço para países tão interessantes como a Finlândia, a
Itália, o Brasil, a Espanha, a Jugoslávia, a Austrália, a Noruega, a
França...Já visitamos muitos deles portanto agora é o momento para a expedição
seguinte...a Portugal!
Portugal, pais de 10 milhões situado na extremidade ocidental da Europa,
da perspetiva polaca parece distante e exótico mas é porém bastante bem
conhecido. Os amantes de história conhecem bem o papel de Portugal nos
descobrimentos geográficos e depois na conquista das terras antes
desconhecidas, outros olham para ali em busca de sol e descanso. Para
outros é simplesmente a pátria do vinho do Porto e os adeptos de futebol
apreciam a classe das equipas portuguesas. Mas o punk rock português
é ainda uma incógnita e, além de alguns exemplos contemporâneos, na
Polónia a sua história é completamente desconhecida. De algum modo é
compreensível por causa do longo isolamento do país, do pequeno tamanho do
mercado português ou simplesmente do seu potencial que não é muito grande. Mas
acho que vale a pena no 15º capítulo de Punk Rock Exótico olhar um pouco também
para esse país. Tanto mais que desde o relatório parcial sobre Portugal no
número 12 de Qqryq (1)de
1988, não se escreveu muito sobre aquele país.
A aparição do punk rock em Portugal foi
procedida de uma época de transições sócio-políticas. Depois dos anos da ditadura e
isolamento do país, em 1974 teve lugar um golpe de estado a chamada Revolução dos Cravos, um golpe pacífico, seguido de um período de
desenvolvimento bastante estável do país. No entanto Portugal teve de
enfrentar-se com a queda do seu Império
Colonial, reformar o estado, limitar a influência da igreja e apostar em criar
uma sociedade moderna. Isso teve êxito apenas desde meados da década de 80,
sobretudo desde 1986 – o momento da entrada na União Europeia. Tal como o
desenvolvimento do país, ao mesmo tempo mudava o rock local – nos meados da
década de 70 dominava o pop nativo de raízes folclóricas e então apareceu a
primeira onda de bandas de blues e de hardrock comoPetrus, Saga, Heavy Band e
Tantra. A primeira banda que
optou, embora ainda timidamente, pelo caminho da rebelião musical em Portugal
foi o grupo Aqui d’el Rock, influenciado pela obra dos The Stooges e das
primeiras bandas punk portuguesas. O grupo foi formado em Lisboa em 1977 e era
composto pelo vocalista Oscar Martins, o guitarrista Alfredo Marvão, o baixista
Fernando Gonçalves e o baterista Carlos Serra. Alguns deles já tinham começado
a sua aventura musical como membros da banda hard rock Osiris. Marvão, o mais
velho dos músicos, licenciou-se naquela altura em filosofia enquanto os seus
companheiros ainda estavam a estudar. Os Aqui d’el Rock deram o seu primeiro
grande concerto em julho de 1978 quando abriram o concerto dos Eddie & The
Hot Rods. A banda logrou dar uns 30 concertos no total até à sua dissolução em
1981 e deixou dois singles intitulados ‘Há que violentar o Sistema´(1978) e ´Eu
não sei´ (1979), lançados pela editora independente Metro-Som. As quatro faixas
da banda foram reeditadas juntas em vinil pela editora italiana Rave Up em
2006.
O aparecimento dos Aqui d’el Rock
foi o fenómeno crucial, embora não tenha atingido um nível de popularidade que
fosse comparável ao dos Sex Pistols na Grã- Bretanha, ou ao dos Ramones nos
Estados Unidos. Apesar da banda gozar de popularidade exclusivamente em Lisboa,
houve quem continuasse pelo mesmo caminho estilístico. Apareceram então bandas novas e, além delas,
algumas personagens importantes, tais como o recém falecido promotor do punk
rock António Sérgio, jornalista de rádio que publicava ilegalmente gravações
das primeiras bandas punk estrangeiras, sobretudo da Inglaterra. No momento da
estreia dos Aqui d’el Rock, ainda não se podia falar de um movimento punk em Portugal e, tal como na
Polónia , a nova música tinha pouca audiência. Também as editoras locais ainda
não estavam preparadas para promover o punk rock. Foi neste contexto que a primeira editora
independente foi fundada em 1976, mas... em Londres, por Rui de Castro que
também enquanto emigrante, liderou a sua banda The Warm, e após alguns anos
voltou à terra natal. No final dos anos
70 além dos Aqui d’el Rock surgiram outros grupos inspirados pelo punk e new
wave. Um deles foram Os Faíscas, de Lisboa nos anos 1978-79. Apesar de não
terem deixado gravações, em Portugal têm o estatuto lendário, devido ao facto
que lá se estrearam os membros de bandas posteriormente famosas como Xutos
& Pontapés, Street Kids ou Corpo Diplomático. Ainda menos conseguiram os
Minas & Armadilhas, da mesma altura e que tocavam principalmente covers com
as letras do vocalista Paulo Borges. Enquanto isso,osacima mencionados
Corpo Diplomático lançaram, graças ao apoio do Antonio Sérgio, o primeiro álbum
português de new wave, Música moderna
(1979), uma combinação dos sons do punk, new wave e pub rock com elementos
psicadélicos. É significativo que nesse tempo os jovens de Portugal não sentiam
a necessidade de punk rock radical e realmente não entendiam o propósito da
mensagem agressiva, da aparência nem das letras chocantes. Para a maioria das
pessoas depois do período de isolamento do país e da inatividade musical a
própria liberdade de criar e a liberdade de expressão eram suficientes. Assim até 1982 havia poucos grupos estritamente
só de música punk rock. A maioria das que saíram do anonimato orientou-se
rapidamente para a música new wave mais suave e que seria mais aceitável pelo
público e pelas editoras. Curiosamente no “fraterno” Brasil, no início dos anos
80 a cena punk era muito mais radical. Os contactos mútuos relacionados com a
música underground eram mínimos e desenvolveram-se apenas na segunda metade da
década graças aos contactos do grupo Mata Ratos com os brasileiros Garotos
Podres.Voltando à música new wave rock em Portugal do início dos anos 80 falta
recordar algumas bandas. Vale a pena mencionar os STREET KIDS que tocavam música
power pop/new wave liderados pelo Emanuel Ramalho (ex-Faíscas). Gravaram quatro
singles nos anos 1980-1982 e o álbum “Trauma” (1982). Um outro grupo chamado
Opinião Pública fazia música power pop/mod (um single no ano 1981 e um vinil “No
Sul da Europa”, 1982), e até apareceram num dos volumes da coletânea
internacional pirata “Powerpearls”. Convém
enumerar também a banda de punk’n’roll Vodka
Laranja (o único single “O Papel”de 1980), os Ferro & Fogo, uma banda bastante boa que juntava punk/new wave
com hard rock e rhythm’n’blues (dois singles de 1981 e o álbum “Vidas”de 1982),
os Speeds, banda de punk e de
rhythm’n’blues com dois singles de 1980 e que cantam em inglês como os Street Kids. A banda Tilt de punk’n’rock e de new wave editou dois singles e um mini LP
“Ideias” (1982). Os Pizolizo tocavam
rock’n’roll com os elementos de punk (um single de 1980), foi uma banda
bastante interessante porque tinha dois baixistas. Enquanto o grupo TNT estava mais na onda new wave/mod (
três singles de 1981-1983). Os Jáfumega
(single e LP de 1982) e os Ananga Ranga
tocavam new wave interessante, ambos com teclados e saxofone. Por outro lado os
Xeque-Mate foram uma banda de hard
rock, cujo single inicial de 1981 foi um
pouco influenciado pelo punk. Mais tarde esta banda converteu-se na pioneira do
heavy metal português (álbum “Em Nome do Pai, do Filho e do Rock’n’Roll, 1985).
O grupo Taxi (João
Grande (v), Henrique Oliveira (g), Rui Taborda (b),
Rodrigo Freitas (bt) ) do Porto conseguiram sem dúvida a maior popularidade
nesta geração. Eles animaram a cena portuguesa com os ritmos ska combinados com elementos punk, mod e pop. Venderam-se 70000 exemplares do seu primeiro
single “Chiclete” e do álbum “Taxi” editado pelo Polygram (1981), o que para
Portugal foi uma quantidade enorme. Em 1981 estando no auge da popularidade
abriram o concerto dos The Clash em Lisboa. No entanto os seus álbuns
seguintes, apesar de serem populares, foram piores e de pop pura.
Os novos grupos podiam contar com o forte apoio da Metro-Som, talvez a
primeira editora discográfica independente de música rock em Portugal, e do
clube lisboeta Rock Rendez-Vous, no
qual se organizavam festivais cíclicos que tinham forma de concursos. A cena new wave precoce é bem representado pela
coletânea de singles dos anos 1979-82 editados pela Metro-Som, intitulado
“Grande Geração do Rock” (1997). Por sua vez, dada a escassez de bandas punk
clássicas e o reduzido número de gravações, nunca apareceu nenhum disco da
serie “Bloodstains Across...”, nem sequer há representantes de Portugal na
coletânea de culto “World Class Punk” (1984).
A maioria das primeiras bandas punk
e new wave durou só alguns anos, chegando no máximo a lançar um single ou,
raras vezes, um álbum. Duas das bandas que se estrearam naquela altura duraram
porém anos e são grupos rock populares. A primeira são os XUTOS & PONTAPÉS, formada em Lisboa
no final do ano 1978. No início, a banda estava relacionada com os Aqui d’el
Rock, com os quais dava concertos. A primeira formação contava com Zé Leonel
(v), Zé Pedro (g), Tim (b) e Kalú (bt). Mais tarde,
depois da saída do Zé Leonel (morreu de cancro, em 2011), Tim, além de tocar
baixo, começou a cantar e juntou-se a eles um segundo guitarrista, Francis.
Inicialmente procuraram o seu próprio estilo, sem conseguir decidir-se pelo
punk rock e depois, com o tempo, optaram por um estilo mais rock. Estrearam-se
só no ano 1981 com o single “Sémen” e com o álbum “78-82” (1982), mas depois
recuperaram os anos perdidos e editaram mais dez álbuns, entre os quais vale a
pena ouvir “Circo de Feras” (1987) ou “Gritos Mudos” (1990) que contêm rock com
elementos punk. Existem até hoje e são
uma banda apreciada. A música deles foi usada em filmes, mesmo num musical. No
30º aniversário do grupo foram nomeados para a “melhor’’ banda de rock em
Portugal. O segundo grupo inspirado pelo punk rock que começou no underground e
com o decurso do tempo ficou muito famoso, foram os UHF. Criados no ano 1978 em Almada, perto de Lisboa, formados por
António Ribeiro (v), Renato Gomes (g), Carlos Peres (b)
e Zé Carvalho (b). Estrearam-se pela Metro-Som com o single “Jorge
Morreu” (1979). Esta canção teve muito êxito e provocou uma onda de choque
mesmo no ambiente do rock, porque foi a primeira no país que criticou de
maneira tão determinada a morte causada pelas drogas. A toxicodependência era
nesta época um enorme problema, e tanto para o governo, como para o mundo
musical – um tema tabu. Depois dos singles seguintes bastante bons, como “Cavalos de Corrida” (1980), “Rua do Carmo”,
e o álbum “À Flor da Pele” (1981), o grupo começou a gravar para a EMI.
Lançaram mais de uma dúzia de álbuns e existem até hoje.
O início dos anos 80 em Portugal é a época da formação praticamente do
zero da música rock. O punk era uma parte, mas realmente ainda faltavam lá os
grupos estritamente punk, conscientes, empenhados e tocando música agressiva.
Só a partir de 1982, quando os ecos da segunda onda do punk europeu e hardcore
americano chegaram lá, lentamente começaram a surgir novas bandas, mais
intransigentes, que cantavam com mais coragem sobre a política, que atuavam
contra o sistema, costumes conservadores, a Igreja e, um tema muito delicado em
Portugal e um peso na sua história , a questão do colonialismo. Finalmente,
surgiram os primeiros fanzines como “Subúrbios” de Lisboa ou “Cadáver
Esquisito” do Porto, este relacionado com a rádio pirata “Radio Caos”. Começou
também a circular o jornal de música “Blitz”. A banda mais importante formada
naquele período foi os MATA-RATOS
formada em 1982 em Oeiras, nos subúrbios de Lisboa e existe até hoje. A
formação original incluía: Jorge Leal (voc.), Pedro Coelho (g), Pinela (b) e
Jorge Cristina (bt). Em 1988 surgem com
uma nova formação: Miguel Newton (voc.), Coelho (g), Cascão (b) e Jó (bt).
Durante os anos 80, a banda e os seus seguidores vagueavam pelas ruas de
Lisboa, restringindo-se a dar concertos esporádicos (p.ex. em 1985 no festival
“Rock Rendez-Vous“), em 1987 gravaram as suas primeiras canções demo e em 1988
editaram a cassete “Mata-Ratos“. Tornaram-se conhecidos no país com o seu álbum
de estreia “Rock Radioativo“ (1990) editado pela EMI, que contém um repertório street punk dinâmico. Apesar da
popularidade bastante grande não seguiram o comercialismo e editaram os seus
álbuns seguintes em editoras independentes. Uma recolha de gravações originais
e parcialmente de arquivo dos Mata-Ratos apareceu na compilação “Xu-Pá-Ki
1982-1997“ editada pela Fast’N’Loud – uma editora notável para o punk rock
português, que editou também o seu álbum seguinte “Estás Aqui, Estás Ali“
(1995). Em Portugal, os Mata-Ratos abriram os concertos de p.ex. The
Exploited, partiram para a conquista da
Europa com o grupo brasileiro Garotos Podres e finalmente representaram
Portugal na compilação “Oi! Rare &
Exotica“. Depois de editarem “Sente o Ódio“ (1999) suspenderam a sua atividade,
mas alguns anos depois regressaram com o álbum “És um Homem ou és um Rato?“
(2004) e sem mudanças funcionam até hoje em dia. Depois de abandonar os
Mata-Ratos, Coelho formou uma nova banda, os Anti-Clockwise.
Embora os Mata ratos tenham trazido
ao punk rock português as características da música Oi!, foram os CRISE TOTAL os pioneiros do anarco punk ao
estilo de Conflict ou também dos representantes do caótico punk rock, grupos
como Chaos UK, Disorder ou Varukers. Formado em 1983 em Algueirão perto de
Lisboa, o grupo era constituído por Manolo na (v) , Rui Ramos na (g), Paulo
Ampola (b) e João Felipe (bt) A atividade artística (entre outros a participação no Rock Rendez-Vous 1984) não
foi apoiada por editoras e na realidade, não incluindo gravações experimentais,
chegaram ao disco com gravações dos anos 80 "E a crise continua" só
em 1996. Foi o momento de desintegração, ou melhor suspensão da atividade,
porque ultimamente o grupo retornou ocasionalmente. Ampola tocou depois no
grupo Censurados, e Manolo nos Capitão Fantasma. Nos anos 1983-86 também na
região de Lisboa existiram os GRITO FINAL representantes do punk parecido,
forte e caótico ( Luis Human (v), João (g), Caze (b) i Alexandre(bt) e tal como
os Crise Total só depois da desintegração gravaram é que surge uma coletânea de
gravações de arquivo. Ainda mais pequeno património musical deixaram os KU DE JUDAS, cujas únicas demo apareceram na coletânea musical "Vozes de
Raiva" (1997). João Pedro Almendra (v), João Ribas (g), Serpinha (b) e
Carlos Aguilar (bt) graças ao caráter totalmente simples e punk-rock da banda
ganharam enorme simpatia dos punks portugueses. Começaram aqui, além disso,
Almendra e Ribas, que depois ficaram à frente das geniais bandas punk Peste
& Sida e Censurados.
Nos anos 1983-87 em torno dos grupos
Mata Ratos, Crise Total, Grito Final e Ku De Judas formou-se em Lisboa uma
autêntica legião de punks que tentava organizar concertos e outras atividades
antissistema. Mais tarde surgiram deste grupo as formações de hardcore punk:
SUBCAOS, VÓMITO e PÉ DE CABRA. Este período na história do punk português é
muito interessante mas relativamente pobre em termos de gravações, então vale a
pena procurar as compilações com o punk português mais velho: “Caos em
Portugal” (1997) e “Ataque Frontal” (2002). Com o tempo surgiram também os
primeiros grupos oi! do seio da atrás referida legião. A mais importante foi a
banda Guarda de Ferro que existiu nos anos 1987-93, criada pelos skinheads de
17 anos (Paolo (v), Filipe (g), Gordo (b) e Tratado (bt) ). No início
participavam constantemente em lutas de hooligans, sofrendo no entretanto a
morte do vocalista Paolo num acidente de viação e já guiados por Filipe
lançaram o single e LP “G.D.F” (1992) pela editora francesa Rebelles Europeans.
Devido às suas participações em rixas e à fama de banda nacionalista, foram
afetados pela proibição de concertos e por fim desintegraram-se. Mais tarde no
Canadá apareceu o CD “The Worst of Guarda de Ferro” (2000) com todas as suas
gravações.
Em 1986 formou-se o grupo PESTE &
SIDA que desde o início tocou punk rock clássico e melodioso que com o tempo se
foi diversificado com elementos de rock e ska. João Pedro Almendra (v)
tornou-se o líder do grupo e acompanharam-no: Luis Varatojo (g), João San Payo
(b) e Fernando Raposo (bt), depois passaram por alterações no grupo mas San
Payo e Almendra continuam até hoje. Estrearam-se com o álbum „Veneno”
lançado independentemente (1987), e já depois “Portem-Se bem!”com a Polygram. A
banda sobreviveu até hoje, lançou mais alguns álbuns, não mudando o estilo e é
até hoje o representante mais consequente da música punk da geração dos anos
80. Os seus últimos álbuns como “Toxico” (2004) ou “Cai No Real” (2007)são
prova disso. Vale a pena também escutar a coletâneas, lançadas pelas grandes
editoras como “O Melhor dos Peste e Sida” (1993) ou “A Verdadeira História”
(2002). O projeto paralelo dos músicos dos Peste & Sida nos anos 90 foi a
banda DESPE &SIGA, para o qual
convidaram, entre outros, um contrabaixista e uma secção de sopro. Além das
suas composições tocavam também muitas covers de clássicos do Rock’n’Roll, ska
e reggae (entre outros: The Specials, Madness) e deixaram dois álbuns.
Nos anos
1988-94 existiu outra banda formada sobre as ruínas dos Ku de Judas, os CENSURADOS (João Ribas (v), Orlando Cohen (g), Fred Valsassina (b) e Samuel
Palitos (bt) ). Graças a dois primeiros álbuns gravados num curto período de
tempo “Censurados” (1990) e “Confusão” (1991), que continham uma boa dose de
punk rockprofissional e forte, mas
também melódico, rapidamente ganharam reconhecimento no meio do punk rock. Com
razão, porque esses álbuns são considerados hoje como clássicos do punk rock
português. Infelizmente, depois de gravarem o terceiro, não tão bem sucedido
álbum “Sopa” (1994), onde tentaram sem sucesso enriquecer o som com o rock e
grunge, o grupo desintegrou-se. No ano 1995 sobre as ruínas de Censurados
nasceu uma nova esperança do punk rock português , os TARA PERDIDA (João Ribas (v)
Ganso (g), Ruka (g), Jimmix (b) e Rodrigo (bt) ). (2) Combinaram as tradições do punk rock da
época dos Censurados com a nova onda do skate punk americano fazendo tudo isto
no alto nível. Estrearam-se com o álbum “Tara Perdida” (1998) para lançar
depois ainda mais quatro álbuns, dos quais vale a pena ouvir “Lambe-Botas”
(2005) ou “Nada A Esconder” (2008). São um dos pilares da cena hardcore/punk
contemporânea e os representantes permanentes do país nos concertos ao lado de
Pennywise, Offspring e NOFX.
No início dos anos 90 a cena hardcore com o decorrer do tempo era cada
vez mais forte, independente e na maioria dos casos comprometida com os
assuntos políticos e sociais. Nessa altura, um grupo straight edge, os X-ATO formado em 1991 em Lisboa desempenhou um papel importante. Esta banda tocou até ao fim da década
lançando alguns álbuns, especialmente
singles e álbuns splits (entre outros com o grupo americano Ignite) e o álbum
“Harmony As One” (1995). A banda propagava nas suas letras os assuntos sociais
e da ecologia. Tocaram também fora do país (entre outros no Brasil). O
vocalista Rodrigo Barradas suicidou-se em 2005 cometeu. Como continuação da banda surgiu o grupo SANNYASIN. Porém, na época de estreia
dos X-Ato existia o grupo de Aveiro INKISIÇÃO que tocava um forte hardcore
punk.
Formado pelo dueto vocal de uma
mulher e um homem , Lena e Manuel, que se tornou bem conhecido devido aos
concertos nos ocupas de vários países na Europa, lançaram uma cassete
independente “Alternativa” (1992), um split
com os X-Ato e um split- single com os japoneses Battle Of
Disarm. Após vários anos apareceu um CD resumindo a sua atividade “1988-1995”
(2006). Nas ruínas dos Inkisição surgiu por algum tempo o grupo INTERVENZIONE que deixaram só um single e muitas demos, anosmais tarde relançadas em CD. Sob a influência dos X-Ato
e dos americanos 7 Seconds em Lisboa, em 1996 formou-se o grupo NEW WINDS. Esquerdista, envolvido no
anarquismo, no straight edge e que
tocava hardcore melódico debutou com “Seeds of Hope” (1997) para lançar mais
tarde três álbuns completos e vários lançamentos menores. Liderados por Bruno
Break (v) são bem conhecidos na Polónia devido aos concertos, mas também ao
álbum “A Spirit Filled Revolution” que lançaram na nossa editora Refuse. Das bandas ativas há vários anos e que ocupam
uma alta posição no meio harcore-punk deve ser mencionado o quinteto lisbonense
ALBERT FISH que tem tanto da
tradição street punk como da skate e hardcore.Gustavo (v), Osge (g), Danihell (g), Rattus (b) e Saavedre (bt)
deram à banda o nome de um assassino e canibal condenado à cadeira elétrica nos
anos 30. Estrearam-se com demos, em
2002 lançaram o primeiro álbum “Strongly Recomended” e mais recentemente o
segundo „News From The Front” (2009).
Tocaram muito no estrangeiro e em
Portugal junto com os Varukers, Casualities, Deadline, Klasse Kriminale e
Garotos Podres com os quais lançaram um split
single. Os Fonzie (Hugo Maia (v),
David Marques (g), Carlos Teixeira (b) e João Marques (bt) ). são outra banda
com muito êxito e um bom produto do género punk
rock exportado para fora de Portugal. Tocam um skate pop/punk melódico. São de
Lisboa, existem desde 1996 e já contam com alguns discos e numerosos concertos
não só na Europa (entre eles participação em festivais) mas também nos Estados
Unidos, Austrália e Japão. Vale a pena conhecer o seu melhor álbum "Wake
Up Call" (2004), ou "Built to Rock" (2002) gravado na Suécia com
a participação dos membros dos No Fun at All, e também "The Melo Pot"
o álbum de estreia em 1998. A formação ska punk, Humble, existe há alguns anos e segue o
caminho marcado pelos Tara Perdida e Fonzie. Levam na sua bagagem o MCD “2
Tone”(2005) e dois álbuns completos “Get Up”(2007) e “Step Into Nowhere”(2009).
Dão bastantes concertos e fizeram já a primeira parte de concertos dos NOFX e
Mad Caddies.
A partir dos anos 90, em Portugal
tocaram vários grupos, muitas vezes esquecidos. Vale a pena mencionar o grupo
Dr.Frankenstein (punk’n’roll surf com o disco lançado no ano 2000 ”The Lost Tapes From Dr.
Frankenstein’n’Lab ) ou a banda anarcopunk ACROMANIACOS(dois álbuns
–“Dietarreia”,1997 e “Oue Lete” 2000) e INJUSTICED LEAGUE(cassete “Injusticed
League”1994 e o disco “Live’95”,2004).
Desde os finais dos anos 80 até ao
ano 1997 esteve ativa a banda hardcore punk CORROSÃO CAÓTICA. Apesar de que
onda da música crust punk/grindcore era maior há uns anos atrás, nos últimos
anos movimentos extremamente porreiros também não faltam em Portugal. A banda
SUBCAOS de Lisboa, formada em 1991, é considerada a formação local mais
importante deste género. Em meados dos anos 90 a banda era muito ativa e fez
digressões na Bélgica, Holanda e Alemanha. O grupo toca ocasionalmente até aos
dias de hoje, porém alguns membros da formação inicial, formaram o grupo PORCOS
SUJOS, que já tem na bagagem alguns discos dos quais se destacam o álbum split
7´ gravado com os Hiatus e o álbum independente «Fuckin´ Row Hardcore»(1999).
Nos anos 1994-2007 existiu a banda crust RELITH que lançou duas cassetes e um
CD retrospetivo «13 Years Of Misery»(2009). Atualmente o hardcore/grand/crust é
tocado por bandas como: SPITZBUBEN, DESKARGA ETILIKA, SIMBIOSE, SEM TALENTO e
MOTU. Da velha guarda surgiu finalmente
a banda crossover TRINTA E UM que lançou três discos.
Na última década cada vez menos
grupos de música que mereçam maior atenção aparecem no mercado, mas o punk rock
clássico está bem e recomenda-se.
Desde 1998 em Lisboa existe a banda
LES BATON ROUGE (Suspiria Franklyn (v) (g); Elle W. (b), James Jacket (g) e Lex
(bt) ), quarteto composto de mulheres e homens, tocam punk rock americano inspirado nos anos 70.
Editaram alguns discos, entre eles “Woman Non-Stop” (2002), “Chloe Yurtz”
(2003) ou “My Body – The pistol” (2004) – no estúdio Elevator Music, fundado
pelo imigrante português Fernando Pinto, que edita música portuguesa. Tocaram
na Europa, fizeram uma digressão pelos Estados Unidos, e durante alguns anos
permaneceram em Berlim. No já mencionado estúdio Elevator Music foi editado o
disco “Revolution Rock” (2005) pelo grupo efémero, cujo nome, 77 diz muito,
formado pelos ex-membros do Tédio Boys e pelo veterano de Coimbra, Paulo Eno
(v). Finalmente, há algum tempo tem sido bem aclamado o trio GAZUA de Lisboa
(João (v), (g); Paulinho (b) e Corvo(bt) ), que toca punk clássico com a
propensão para o rock. Os três tocam rock há anos, especialmente João, que
passou pelos ,entre outros , os mencionados Corrosão Caótica. Os Gauza gravaram
três álbuns: “Convo-cação” (2008), “Música Pirata” (2009) e “Contra Cultural”
(2010). Os já referidos ANTI-CLOCKWISE (Pedro Coelho (v), (g), ex-Mata Ratos;
Pica (g), J.B (b) e Hugo (bt)) desde 1996 tocam música que liga street punk com
o clássico punk rock americano.
Estrearam-se com um disco chamado
“My TV World” (1999), a fim de após um intervalo causado pelas mudanças de
elementos da banda, gravar outros dois álbuns. Um deles é o mais novo e o
melhor “Love Bomb Baby” (2009). Outra banda interessante são os THE PARKINSONS que agora residem em
Inglaterra, mas a sua é Coimbra. Dirigida por Victor Torpedo (vocalista,
guitarrista) que foi o líder do grupo Tédio Boys, tocam um garage punk de 77 cheio de humor. Têm no seu
acervo o álbum “A Long Way To Nowhere” (2002). Vale a pena também assinalar a
banda de street punk CLOCKWORK BOYS
que existe desde 2004 em Lisboa. É
composta por veteranos de bandas locais e é liderada pelo vocalista Marion Cobretti. Têm duas demos lançadas juntas no CD “Arquivo Vol. 1” (2009). Tocando
uma música do grupo Aqui d’el Rock “Há que violentar o sistema”, a banda
sublinha o seu apego ao punk rock clássico nacional.
A velha guarda é representada pelo
menos em parte pelos PUNK SINATRA que é liderada pelo vocalista dos Peste e
Sida, João Pedro Almendra. Eles criam um hardcore punk rápido mas também
melodioso, e sobretudo vale a pena ouvir a sua produção mais recente que é o
álbum “À Socapa do Sistema” (2011). A banda de punk rock os DECRETO 77, da
cidade de Almada, que existe desde 2003, tem cada vez mais seguidores. Até
agora, fizeram uma demo e dois split singles, e avisam que neste ano vão
publicar o seu primeiro álbum “Getting Older, Wasting Time”. Nova banda oi! são
os FAÇÃO OPOSTA - skinhead band onde
Rattus que toca também com os Albert Fish e os Crise Total é baixista. Por
agora eles têm só um single “Skinheads” e um split CD com os Mão de Ferro
(2010). Os SKALIBANS fazem com êxito música ska/punk/reggae. É uma banda de
sete pessoas com secção de sopro. Até agora lançaram três MCD's e um álbum “Is
It Voodoo?” (2008). Por outro lado com o repertório assente no harcore clássico
nos últimos anos surgiram bandas como os TIME X, os BROKEN DISTANCE ou os
POINTING FINGER, dos quais surgiram os PRESSURE e também os NO GOOD REASON ou
por fim os REACHING HAND onde a vocalista Sofia defende a honra das raparigas
portuguesas pois há poucas no movimento hardcore/punk.
Os Killing Frost e Devil In Me são bandas já bastante conhecidas, até fora de
Portugal e a esperança docírculo musical hardcore eram,
por sua vez, os All Against TheWorld,bem conhecidosna
Polónia pelosconcertose pelo
álbum"The Furthermost", publicado pela
Spook Records.
Para terminar,
ainda algumas palavras sobre o psychobillye rockabilly português. A primeira
banda psycho foram os Cães Vadios,
do Porto entre 1985 e 1995 (David Dano (v), Guilherme Lucas (g), Oscar Q. (b) e
Carlos Moura (bt) ). Deixaram uma produção musical modesta: um single de 1987 e uma cassette intitulada “Bem Fundo”,
lançada na França em 1992. Entre 1989 e 2000 existiu em
Coimbra a banda Tédio Boys que
gostava de dar concertos obscenos, onde muitas vezes atuavam nus ou encharcados
em tinta vermelha... Estrearam-se com o álbum “Porkabilly Psychosis” em 1994
para lançar depois mais doisbons
álbuns “Bad Trip” (1998) e “Outer Space Shit” (2000). Com a sua reativação, lançaram
o disco “Pussynest” (2008) gravadodurante a digressãonos EUA (organizada pela já mencionada editora Elevator Music). O
terceiro grupo de psychobilly surge em 1988, os Capitão Fantasma de Lisboa.
Banda liderada por Jorge Bruto (v)
estreou-se pela Polygram com o álbum “Hu Ua Ua” (1992) que ganhou muita popularidade. Mais tarde,
o grupo realizou ainda dois álbuns: “Contos Do Imaginárioe do Bizarro” (1996), gravado no In Heaven Studios em
Londres com a ajuda de P.P. Fenecha dos The Meteors e outro, lançado depois de
um intervalo “Viva Cadáver” (2007). Mas a banda
rockabilly mais importante nos últimos anos são os TEXABILLY ROCKETS de Lisboa, que existe desde 1993 e que tem já
alguns discos. Quanto aohorror punk, é sobretudo THE TRAUMATICA, bandaque durou pouco e deixou o CD “Classic
Horror Lives”.
Resumindo trinta anos de punk rock
em Portugal, pode-se observar que a cena musical local começou lentamente, mas
com o tempo lançou algumas bandas que merecem ser conhecidas. Apesar do punk
português e estilos próximos nunca desempenharam o papel de liderança à escala
da Europa, não se poderia deixar passar algumas bandas locais. Hoje em dia, quando
o acesso à Internet não é um problema e são possíveis vários contatos , o que mostra
mesmo a cena hardcore, estes podem resultar em concertos e até em lançamento
das bandas portuguesas na Polónia.
Sopel
Reportagem publicada na revista polaca Garaż, nº 30, abril de 2012
Tradução: Monika Czarkowska-Guziuk,
Aleksandra Dudziak, Paulina Flasińska, Michał Hułyk, Magdalena Jóźwik, Weronika
Kazanowska, Joanna Kida, Katarzyna Kłodnicka, Marcin Krawczyk, Weronika
Kucharuk, Katarzyna Kuczyńska, Mariola Kur, Monika Lisik, Estera Małek,
Malgorzata Marciniec, Agnieszka Miciula, Paulina Pałyska, Patrycja Pawęska,
Karolina Sieńko-Flis, Mariola Soboń, Natalia Trzebuniak, Ewelina Witkowska e
Paulina Zajglic (Filologia Ibérica 2010/2013)
(1) NR:Fanzine polaco que surgiu em 1985 em pleno regime comunista. Foi publicado até 1999
No dia 8 de abril no Centro da Língua Portuguesa/Camões teve lugar uma palestra do Prof. Dr. Pedro Balaus Custódio do Instituto Politécnico de Coimbra, intitulada Três Vozes da Literatura Portuguesa Contemporânea.
Fez uma breve panorâmica da literatura portuguesa contemporânea destacando os autores atuais mais lidos em Portugal. Concentrou-se na obra de três autoras: Joana Bértholo, Rita Ferro e Dulce Maria Cardoso ,descreveu a temática dos seus livros e leu alguns fragmentos mais interessantes. Teve a gentileza de oferecer à biblioteca do centro alguns exemplares de livros destas escritoras. São textos modernos, escritos numa linguagem bastante acessível para os estudantes.
Aproveitou ainda a ocasião para falar um pouco sobre Coimbra, cidade universitária onde os estudantes de Lublin podem participar no programa Erasmus. O Prof. Dr. Pedro Balaus Custódio é docente de Língua e Cultura Portuguesas na Escola Superior de Educação de Coimbra, investigador externo do Centro de Investigação em Educação do Instituto de Educação e Psicologia da Universidade do Minho. Projecto “LITERACIAS. Contextos. Práticas. Discursos.”, e coordenador Regional do Programa Nacional de Ensino do Português.
Nos dias 3 e 4 de abril o Centro de Língua Portuguesa/Camões organizou o 3º Congresso dos Estudantes Lusitanistas da Polónia. O tema desta edição foi: Unidade e Diversidade.
A diretora do Centro, Profa. Dra Barbara Hlibowicka-Węglarz abriu o Congresso dando as boas vindas aos participantes. A sessão de abertura contou também com a presença do Magnífico Reitor da Universidade Marie Curie-Skłodowska, Prof. Dr. Stanisław Michałowski, do presidente da Faculdade de Letras , Prof. Dr. Robert Litwiński e da Diretora do Instituto de Filologia Românica , Prof. Dra. Maria Falska.
A palestra de abertura: Unidade e Diversidade da Língua Portuguesa no Mundo foi proferida pelo Prof. Dr. Paulo Osório da Universidade da Beira Interior. Depois seguiram-se 21 apresentações divididas em cinco sessões temáticas: Linguística, História e Cultura (Brasil), Língua e Cultura (Timor-Leste), Literatura, História e Cultura.
Os estudantes dos maiores centros universitários de ensino do português em Cracóvia, Poznań, Varsóvia, Wrocław e Lublin tiveram mais uma oportunidade de aprofundar os seus conhecimentos relacionados com a língua portuguesa e cultura dos países lusófonos, intercambiar opiniões e consolidar os laços de amizade. Este congresso já se tornou uma referência entre os estudantes polacos de língua portuguesa e prova disso é o número elevado de participantes. As temáticas abordadas foram variadas, suscitando algumas debates mais animados. Houve até quem interrompesse a palestra de abertura, porque isto de ser mais papista que o papa tem destas coisas.
3 de abril
Sessão 1: Linguística
Aleksandra Wilkos(UW,
Varsóvia) Como enfeitar o corvo com penas portuguesas ou polacas? A
comunicação teve como objetivo comparar as expressões idiomáticas portuguesas e
polacas que se remetem ao campo semântico da vaidade. Para cumprir este
objetivo, foi enfatizada a imagem cognitiva das metáforas proposta por George
Lakoff no livro intituladoMetaphors we live byescrito
em colaboração com Mark Johnson.
Grzegorz Kobędza(UJ,
Cracóvia)Influências
da língua francesa no português e no polaco – observações preliminaresO
francês influenciou fortemente muitas línguas mais ou menos afastadas em termos
genéticos. O objetivo desta comunicação foi esboçar a conceção de uma
investigação mais vasta que consista numa comparação entre as influências do
idioma francês no português e as suas influências no polaco.
Natalia Trzebuniak,
Patrycja Pawęcka(UMCS,
Lublin)A imagem
linguística do número dois nos provérbios portuguesesEm primeiro lugar foi caraterizado
o termo ‘imagem linguística do mundo’ e a simbologia do número dois. Depois
foram apresentados os resultados de um inquérito de conhecimento dos provérbios
com o número dois feito entre estudantes de Portugal (Porto) e da Polónia
(Lublin).
Michał
Belina (UW,
Wrocław)Sobre a essência e origem do idioma mirandês
Esta comunicação teve
como objetivo a apresentação e o informe da breve história da língua mirandesa
em relação à sua situação geográfica, o estatuto e a posição social e as suas
ligações com outras línguas da Península Ibérica, nomeadamente com a língua
portuguesa, espanhola e asturo-leonesa.
Aleksandra
Jańczak
(UAM, Poznań) Persuasão na comunicação publicitária
brasileira. Primeiro foram distinguidos os termos convencer e persuadir. De
acordo com a explicação dada, o segundo entendido como arte de sedução, é
próprio da publicidade. Conforme a teoria da hiperescolha de Gilles Lipovetsky, o consumidor da nossa época opta
pela escolha da máxima satisfação, nem sempre prática ou lógica.
Sessão
2: História e cultura (Brasil)
Kamila
Choroszewska (UW, Varsóvia)As brasileiras e a internet – a blogosfera
feminista no Brasil. O objetivo da presente comunicação foi examinar a blogosfera feminista brasileira.
Analisando os principais blogues feministas como http://blogueirasfeministas.com ou http://blogueirasnegras.org
tentou-se analisar a focalização temática dos artigos publicados nos blogues
escolhidos e abstrair nesta base o programa feminista brasileiro que domina na
internet.
Aleksandra
Krakówka
(UW, Varsóvia) Da diversidade à
singularidade: o Movimento Antropofágico no Brasil. Nesta comunicação foram
apresentados os conceitos-chave da antropofagia cultural, as personagens mais
destacadas deste movimento, como também as repercussões deste conceito na
produção cultural posterior.
Anna
Biesiadecka (UW, Varsóvia) O Rio
de janeiro como reflexo da excecionalidade e da diversidade do mundo lusófono.
O Rio de Janeiro, a cidade mais visitada não só do Brasil mas de todo o
hemisfério sul, é uma mistura incrível de influências europeias, africanas e
indígenas. É uma metrôpole que junta em si a arquitetura dos bairros nobres e
das favelas, a cultura e a paixão por esporte, os traços das religiões
sincrêticas e do catolicismo (incluindo um dos seus símbolos mais conhecidos –
o monumento do Cristo Redentor).
Bartosz
Suchecki (UMCS,
Lublin)Em busca do amor perdido – uma perspetiva subjetiva sobre a brasilidade
. Os brasileiros, no decorrer de cem anos, passaram desde o fim do Império.
Hoje, em 2014, no ano da Copa do Mundo de futebol, a modalidade que eles adoram
, manifestam-se contra a organização da competição. Parece que a paixão pelo
futebol e o carnaval, geralmente aclamados os fundamentos da brasilidade, não
chega para se reconciliarem com o quotidiano, bastante desanimador para muitos
deles. Após visitar o Brasil e ler Proust, atrevo-me a dizer que o que os
brasileiros procuram no seu dia a dia pode ser o amor: amor de si mesmos e de
outros.
Paulina
Zajglic (UW,
Varsóvia)Um presidente bossa nova e sua
Brasília. Todos os brasileiros concordam com a opinião que Juscelino
Kubitschek foi mais que um presidente. A velocidade com que transitava pelo
país a bordo de automóveis e aviões, a descontração em frente das câmaras da
TV, a agilidade nas pistas de dança, pareciam demonstrar que Juscelino
Kubitschek foi o “homem no lugar certo, na hora certa”. Conhecido como JK,
Juscelino Kubitschek de Oliveira foi o 21º presidente do Brasil e a principal
figura responsável pela construção de Brasília.
Sessão
3: Língua e Cultura (Timor-Leste)
Edyta
Rakowska (UW,
Wrocław)A Língua Portuguesa em Timor-Leste.O objetivo desta comunicação foi apresentar a situação da Língua
Portuguesa em Timor-Leste. Começando com a breve história da ex-colónia
portuguesa, para depois falar sobre a situação linguística do país. Foram
analisados alguns aspetos do português timorense e apresentada a política atual
do Instituto Camões em Timor-Leste.
Małgorzata
Koprowicz, Olga Kukawka, Paulina Szczygielska (UMCS, Lublin) O território e a nação na obra de Xanana
Gusmão na reconstrução de Timor-Leste. A história da antiga colónia
portuguesa está marcada pelas tentativas sangrentas para atingir a
independência. Esta apresentação concentrou-se na personagem de Xanana Gusmão,
primeiro-ministro timorense que para além de ser político é pintor e poeta,
empenhado na reconstrução do país não só como um ativista pela independência
mas também através da pintura e da poesia.
4
de abril
Sessão
1: Literatura
Joanna
Filipkowska (UW, Varsóvia)O baiano como a essência da brasilidade. O
caso dos subversivos “Capitães da Areia” de Jorge Amado. Esta comunicação concentrou-se no famoso livro Capitães da Areia. Primeiro, observado a
imagem dos baianos que surge do romance e examinando a relação dessa imagem com
a realidade de então e de hoje. Depois a sua recepção e a perseguição pelo
Estado Novo. Foi também analisada a visão da sociedade presente no romance.
Zuzanna
Musiał (UAM,Poznań)O
motivo do espelho na obra de José Saramago – a escrita é o espelho da alma do
autor? No romance O Homem Duplicado
mostra uma visão da existência e pessoas duplicadas, que são os seus reflexos.
O motivo do espelho está presente não só no mencionado livro, mas aparece
também noutros títulos de José Saramago. Esta comunicação tentou responder às
seguintes questões: será que a obsessão da originalidade e excepcionalidade é o
domínio do autor? Ou se calhar é uma boa diagnose do problema da sociedade
contemporânea?
Anna
Maria Bielak (UAM,Poznań) A abjeção no naturalismo brasileiro na obra “O Cortiço” de Aluízio de
Azeved.o Pretendeu-se com esta comunicação pensar na obra de Aluízio de
Azevedo O Cortiço no campo teorético
da abjeção, nomeadamente segundo a definição proposta por Julia Kristeva.
Observam-se algumas particularidades que distinguem o naturalismo brasileiro do
naturalismo no fundo continental e que se podem encerrar na noção de “sol
brasileiro”. Assim, considerando o impacto do contexto exterior (não
continental), procurou-se expor estas diferenças dentro da corrente
naturalista.
Magda
Balińska (UAM,
Poznań) Porque os
escritores criam os personagens ideais? Análise dos dois personagens principais
nas obras “A Escrava Isaura” de Guimarães e “O Idiota” de DostoiévskiNesta comunicação procurou-se
apresentar uma ideia do personagem ideal. Estes dois livros compartilham elementos
comuns (por exemplo, a ideia de criar as pessoas ideais como os protagonistas),
bem como elementoscompletamente diferentes (por
exemplo, porque Guimarães e Dostoiévski apresentam os personagens ideais,
épocas literárias diferentes, etc).
Sessão
2: História e Cultura
Magdalena
Góralska (UW,
Wrocław)Avaliação ambivalente do rei Dom Sebastião: um herói nacional ou um
monarca louco?O objetivo da
comunicação foi confrontar a maneira de apresentar o rei Dom Sebastião I de
Portugal nas fontes históricas com a sua imagem idealizada disseminada pelo
mito do sebastianismo. As opiniões dos historiadores sobre a história da vida e
morte deste monarca são extremamente diferentes, mas em geral não há dúvida de
que a impressão dada pela lenda tem pouco a ver com a realidade.
Anna
Tylec, Katarzyna Janowska (UMCS, Lublin) Património mundial de origem portuguesa. Há cerca de 500 anos
atrás os portugueses começaram a sua expansão marítima. Marcaram a sua presença
no mundo inteiro, também em lugares que não parecem tão evidentes. Nesta
apresentação foram mostrados os vestígios que testemunham a diáspora dos
portugueses pelo mundo.
Paulina
Grabowska (UW,
Varsóvia)O musical no cinema portuguêsEsta comunicação mostrou o processo da introdução do som na imagem fílmica.
Sublinhou a importância do período mudo para a sonorização do cinema, e
descreveu os meios usados para isso, tanto no cinema mudo como já no cinema
falado. Comentou a relação entre o som e a imagem na obra fílmica e sublinhou o
papel, que a música desempenhou no filme, apontando a utilização dela no filme musical,
o qual define. Descreveu a história da cinematografia portuguesa,
focalizando-se neste género totalmente americano, que é o musical.
Agata
Błoch (UW,
Varsóvia)A criação da identidade crioula nas ilhas de Cabo VerdeO objetivo desta apresentação foi
mostrar como surgiu a identidade dos moradores das ilhas de Cabo Verde ao longo
de vários séculos entre o século XV e o XVIII. O ponto de partida foi mostrar
como a população de Cabo Verde, que era etnicamente e culturalmente diversa,
caracterizada por alguns elementos como: a elite portuguesa e a escravidão, e
também a população multiétnica de africanos recém-chegados se tornou a sociedade mais unida e integrada
de todos os países lusófonos. O resultado deste processo é a emergência da
identidade crioula e da língua Badio e Sampadjudo.
Agata
Pankow (UW,
Wrocław)A
influência portuguesa no Japão no período Nanban. A ideia principal desta comunicação foi
apresentar a importância da presença portuguesa nas terras japonesas nos
séculos XVI-XVII e o impacto que produziu nas diferentes esferas da vida como
arte, religião, tecnologia e comércio. A chegada
dos portugueses provocou muitas mudanças na vida e mentalidade japonesa, cujos
indícios são por exemplo a arte Nanban, o aparecimento e produção das armas de
fogo, o cristianismo e até o emprego e difusão dos lusismos na língua japonesa.
No passado dia 1 de abril, o Prof. Dr Paulo Osório,
presidente do Departamento de Letras da Universidade da Beira Interior
(Covilhã, Portugal) proferiu uma palestra sobre “Curiosidade linguísticas do
Português. Do passado ao presente.” no Centro de Língua Portuguesa/Camões em Lublin. Este renomado
linguista português, com uma vasta obra publicada (http://www.clunl.edu.pt/pt/?id=964&mid=),
através de uma curta viagem pela história da língua portuguesa elucidou aos
alunos presentes, algumas nuances curiosas da língua. A sua comunicação prendeu
o público presente não só pela temática abordada mas também pela capacidade
comunicativa deste excelente orador que é uma referência na área da linguística.