"As laranjas eram azedas" / "Pomarańcze i tak były kwaśne"
Depois de o conto de António Macheira "Até amanhã meu filho" nos dar a conhecer a dor e a saudade de uma mãe que perdeu filho no mar, em "As laranjas eram azedas" sentimos dó de três crianças esfomeadas e com frio e enternecemo-nos com os sonhos delas. AS LARANJAS ERAM AZEDAS Duas enormes nuvens brancas, de caprichoso recorte, correm ligeiramente no espaço. Uma aragem fria empurra-as para o sul, para o mar. O sol, beatificamente, contempla-as indiferente e risonho. Mas também frio. Estamos no inverno. Um inverno agreste e maravilhoso com os campos repletos de amendoeiras floridas de aspecto feérico e irreal. A estrada está gelada. E três crianças que a vão pisando estremecem de frio a cada passo que dão. São os únicos caminhantes a esta hora da tarde. Caminham caladas e pensativas. Seus rostos magros e sujos têm uma cor arroxeada devido à aragem que lhes bate em cheio. Vestem trajes iguais: rotos, sujos, esfarrapados. E com os bracitos metido...