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"As laranjas eram azedas" / "Pomarańcze i tak były kwaśne"

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Depois de o conto de António Macheira  "Até amanhã meu filho"  nos dar a conhecer a dor e a saudade de uma mãe que perdeu filho no mar, em "As laranjas eram azedas" sentimos dó de três crianças esfomeadas e com frio e enternecemo-nos  com os sonhos delas.  AS LARANJAS ERAM AZEDAS Duas enormes nuvens brancas, de caprichoso recorte, correm ligeiramente no espaço. Uma aragem fria empurra-as para o sul, para o mar. O sol, beatificamente, contempla-as indiferente e risonho. Mas também frio. Estamos no inverno. Um inverno agreste e maravilhoso com os campos repletos de amendoeiras floridas de aspecto feérico e irreal. A estrada está gelada. E três crianças que a vão pisando estremecem de frio a cada passo que dão. São os únicos caminhantes a esta hora da tarde. Caminham caladas e pensativas. Seus rostos magros e sujos têm uma cor arroxeada devido à aragem que lhes bate em cheio. Vestem trajes iguais: rotos, sujos, esfarrapados. E com os bracitos metido...

"Até Amanhã, Meu Filho" de António Macheira

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Se António Macheira fosse vivo faria hoje 81 anos. Por essa razão decidimos prestar-lhe homenagem no dia do seu aniversário. Uma homenagem que serve acima de tudo para dar a conhecer a obra de um talentoso escritor que desapareceu aos 23 anos de idade em 14 de dezembro de 1957. Natural de Olhão, ou melhor, filho de Olhão como orgulhosamente os olhanenses falam de si próprios, através da sua escrita dá-nos a conhecer não só a beleza da sua terra e do Algarve, o quotidiano de uma vila piscatória, mas acima de tudo a realidade nua e crua da pobreza e miséria em que viviam os pescadores e as suas famílias. Por isso a sua escrita tem uma enorme carga social e até política que lhe valeu alguns dissabores com o regime fascista de então. Nas palavras do seu irmão José Macheira, “António Macheira dedicou a sua vida aos problemas que afetam a humanidade. Tinha o desejo de criar uma sociedade mais justa entre os pescadores e contribuir para a sua promoção social em igualdade com os outros es...

Faro e os seus habitantes

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És de Faro, és farense. É uma das inscrições mais frequentes nas paredes da capital algarvia. E essa frase tão simples, se calhar, define melhor a gente local. Embora a cidade tenha aspeto relativamente moderno, a tradição e os hábitos parecem ser mantidos de geração em geração. Esse sentido de identidade profunda com as origens e património é bem visto no dia a dia dos farenses. Durante os cinco meses que morei em Faro, tive oportunidade de observar várias atitudes e hábitos dos seus habitantes. Faro, Albufeira e Portimão, há muitos anos que constituem locais de lazer preferidos de milhares de turistas, nomeadamente, os dos países mais ricos da Europa. Sem dúvida alguma, uma das causas que mais os atrai são os mais de 300 dias de sol durante ano. Por isso mesmo o Algarve deveria ser aconselhado a todos que sofrem de depressão. De facto, o turismo é o aspeto crucial de desenvolvimento de toda a região. Daí vem a já referida modernidade que se reflete num panorama infinito de hotéis. ...