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“Aiii, crianças, crianças...”

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“Aiii, crianças, crianças...” – acho que não há pessoa que nunca ouviu este desabafo da boca dos seus pais. Não restam dúvidas de que ele sempre vai constar da lista das frases favoritas dos nossos pais das que todo o mundo se vai lembrar sempre com carinho. Apesar disso, eu pessoalmente nunca soube o porquê dessas palavras. E nunca pensei que as usaria pela primeira vez num país tão remoto e dirigidas às crianças que não fossem os meus filhos. Até setembro de 2013 eu tinha bastante contato com crianças porque trabalhei numa escola de idiomas. Elas sempre me davam muita alegria e faziam com que me sentisse necessária. Sabia perfeitamente que podia não somente ajudá-las mas também aprender algo com elas. Mas, em setembro de 2013 eu conheci uma nova dimensão da palavra “professor” e “criança”. Na verdade, tudo começou quando decidi passar um semestre no Brasil como estudante de intercâmbio que funciona devido ao acordo entre a UMCS em Lublin e a UNIJUÍ em Ijuí. Os meus professores diss...

Em busca do amor perdido (3)

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O amor reencontrado  São Paulo São Paulo é uma cidade enorme, imponente, a maior na América do Sul com quase 12 milhões de habitantes. É com muitos arranha-céus a mais alta no país. O panorama de construções sem fim pode-se observar do chamado Terraço Itália que funciona no 41° andar do segundo maior edifício da cidade. Para mim atingiu uma proeminência especial no mapa do Brasil por várias razões. É a minha capital mais recente e provavelmente definitiva do país – a capital da cultura. Neste sentido, encontrei lá tudo para satisfazer o meu apetite. Mas apesar dos shows , museus (da Língua portuguesa, do Futebol, de Arte Contemporânea, de Arte de São Paulo, entre outros), cinemas, livrarias enormes, foram de novo as pessoas que me deixaram reencontrar a sensação de pertença na terra da garoa. Passei na capital paulista um mês e pouco sem uma conversa em polaco com pessoa em carne e osso. Gosto de aprender sem compulsão, mas não há melhor impulso de usar uma ...

Em busca do amor perdido (2)

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À sombra das garotas de Ipanema  Curitiba Na realidade, Salvador foi a primeira capital do Brasil, mas para mim sempre foi Curitiba. Tal como Turim, a primeira capital da Itália, ou Munique, a capital inicial alemã. Toda esta confusão por causa da minha paixão pelo futebol. Na década de 90 os meus professores de Geografia eram os jornais, revistas, programas de rádio e televisão desportivos. Visto que a Juventus reinava nessa altura na Península Itálica e o Bayern permanecia a melhor equipa da Alemanha (cujos planos de supremacia tenta hoje em dia frustrar o magnífico Borussia), as cidades de origem destes clubes  eram, de acordo com a minha política topográfica, as mais importantes dos seus países. Berlim com a sua história de alguma muro e Roma que abrigava os lobos e o Papamobile não me interessavam tanto. Não faço ideia se o Atlético Paranaense estava nesse tempo entre as melhores equipas do país, mas a chegada ao clube do jogador polaco Mariusz Piekarski fez ...

Em busca do amor perdido (1)

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No caminho de Tieta Porto Alegre Há quase dois anos saí da Polónia para passar um semestre de estudos em Portugal. O voo para Lisboa marcou na minha vida um momento em que a atitude com que eu abordava a língua mudou. Foi como se o português fosse um monumento que de repente ganhasse vida. Conheci alguns portugueses, provei alguns pratos típicos, visitei alguns lugares históricos e ainda queria mais. Essa cobiça, esquecendo por um instante a própria língua , conduziu-me no ano seguinte ao Brasil. O Erasmus no extremo ocidental da Europa não deixou muito a desejar. Só lamentei não ter viajado mais. Em Portugal, um país pequeninho em comparação com o Brasil faltou-me a vontade. Por isso, desta vez, apesar de distâncias muito mais longas, decidi e consegui ver mais. Não amansou a fome. Já sei que tenho de voltar lá. Posso enumerar dezenas de sítios no Brasil que gostaria de explorar um dia.  Porto Alegre, a minha primeira localidade na  Terra Brasilis , não faz parte des...