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O que é que liga o mundo da música portuguesa com o mundo da música polaca?

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Não muito? Isso não é possível? Não há nada mais errado! É óbvio que os dois países têm a cultura e as tradições no comportamento, costumes ou mesmo na comida muito diferentes. Além disso, ambos os países têm os seus géneros musicais únicos e próprios. Sem sombra de dúvida, o género mais característico de Portugal e que é conhecido em todo o mundo é o fado. Este género musical canta a saudade – o destino, que não podemos enganar ou mudar. Os cantores falam da tristeza, dor ou perda de alguém ou alguma coisa, também do amor, da situação política ou da história. O elemento mais característico é a guitarra portuguesa e os cantores vestidos de negro. A cantora mais famosa foi Amália Rodrigues, mas vale a pena mencionar por exemplo o grande Camané, considerado "o Prince do Fado”. É certo que os portugueses são os mestres do Fado e ninguém consegue igualá-los. Por outro lado temos a Polónia e a sua música popular e folclórica, especialmente esta cantada pelos homens das regiões mon...

A ”Siesta” do Marcin Kydryński

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Cada pessoa gosta de descan s ar. Uma caracter í stica dos pa í ses do sul é a sesta que é um descan s o depois do almoço. Ali est á tanto calor que n ã o é possível fazer nada e por isso as pessoas dormem durante o dia. Eu quero falar sobre outra sesta na Pol ó nia que é a “Siesta” do Marcin Kydryński. É um programa da Polskie Radio Trójka (Rádio Polaca III) que podemos ouvir aos domingos entre as tr ê s e as cinco horas da tarde, que s ã o horas da sesta nos pa í ses do sul. Na Pol ó nia normalmente tamb é m a esta hora estamos depois do almoço mas n ã o temos o costume de dormir, ent ã o descansamos ouvindo a “Siesta”. Às tr ê s da tarde come ç a a “Siesta” e gra ç as a ela podemos aproximar-nos da cultura de Portugal, Espanha e de outros pa í ses lus ó fonos e latino-americanos. Durante duas horas ouvimos entre outras m ú sicas fado (que é muito caracter í stica para Portugal), latina ou outra, por exemplo africana, mas tamb é m m ú sica de todo o mundo. Podemos conhecer...

A música da verdade

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„As canções, para mim, eram mais importantes do que mero entretenimento. Eram as minhas preceptoras e guias para uma consciência alternativa da realidade” – assim assinou o papel da música na sua vida uma lenda do mundo não só musical mas ultimamente também literário, Bob Dylan. Encontrar uma pessoa que não gosta de música não seria uma das coisas mais fáceis no mundo. É a parte das nossas vidas e, para alguns, toda a vida. É o sinal da identidade dos povos desde os tempos mais antigos até agora, portanto, ouvir música é como viajar sem necessidade de sair de casa. Às vezes basta só uma canção para nós ficarmos contentes ou recordarmos um momento especial. No entanto, se pensamos que a música é só entretenimento, vejamos o que é que significa a música de intervenção. A ditadura no século XX afetou tanto a Polónia como Portugal. Nós, os jovens que temos a sorte de viver num país livre não pensamos muito nos absurdos e dificuldades da vida diária nesse período. Se tivesse passado muit...

ENTREVISTA COM WERONIKA SIEWIERSKA

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Weronika Siewierska nasceu em 1988, em Brasília. Começou a sua aprendizagem de piano com a mãe. Estudou também com os professores Luiz Medalha, Alda de Mattos, Jerzy Łukowicz e Andrzej Pikul. Em 2007 iniciou os seus estudos no Departamento de Música da Universidade de Brasília, com as professoras Maria de los Angeles e Beatriz de Freitas Salles. Em 2008 foi aceite na Academia de Música de Cracóvia, na Polónia, na classe de piano do prof. Andrzej Pikul. Em 2013 concluiu o mestrado na classe de piano da profa. Milena Kędra na mesma Academia, onde atualmente é doutoranda. No ano 2010, na Polónia, participou no programa 200 concertos no 200º aniversário de Frederico Chopin. Participou em aulas com os professores Andrzej Jasiński, Lee Kum-Sing, Sergei Dukachev, Pascal Devoyon, Edith Murano, Roberto Russo, Jerzy Sterczyński, no Brasil, na Holanda, na Polónia e na Itália. Obteve o 3º lugar no Concurso Internacional de Piano Chopin Roma 2011, em Roma. Nos seus recitais em Varsóvia, Cracó...

António Variações faria hoje 70 anos

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António Variações (3 de dezembro de 1944 - 13 de junho de 1984) ENTRE NOVA IORQUE E A SÉ DE BRAGA António Joaquim Rodrigues Ribeiro, filho de camponeses minhotos, desde muito cedo revelou propensão para a música. Nascido em 3 de Dezembro de 1944, abandonou a sua aldeia natal (Lugar do Pilar, freguesia de Fiscal) em 1957 e foi para Lisboa, onde se dedicou a várias actividades profissionais desde empregado de escritório até barbeiro. Em 1975 viaja até Londres, onde fica durante um ano e parte, depois para Amsterdão onde aprende a profissão de cabeleireiro. Esta aprendizagem servir-lhe-á para se instalar, novamente, na capital portuguesa; onde se estabelece com o primeiro cabeleireiro unissexo de Portugal. Esta actividade não resulta muito bem e, para ganhar a vida, abre uma barbearia na Baixa lisboeta. Em 1978 grava uma maqueta com alguns temas, que apresenta à Valentim de Carvalho, com a qual assinará contrato. Na sua própria descrição a música que produz situa-se entre...

Canções contadas: "Anda comigo ver os aviões"

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Outono. Espero que chegue o autocarro que nos levará de um terminal para outro. Ouço a canção dos Azeitonas “Anda Comigo Ver Os Aviões”. Chove, estão cerca de 5 graus, todos que estão na paragem estão enfastiados, com frio e cansados de esperar. Exceto uma pessoa. Uma mulher, quarentona, magra, com penteado desgrenhado e o telefone junto ao ouvido. Na sua atitude há algo artisticamente louco. Fala bastante alto com alguém em espanhol, mas ainda que falasse em voz baixa, todos poderíamos ouvir a conversa, porque simplesmente ninguém conversa. Fala espontaneamente, de forma rápida, mas claramente e acentuando cada frase. Fala sobre a viagem de trabalho, sobre o seu namorado, que continuamente lhe manda mensagens de texto e que tem muitas saudades dela, que estão muito bem, que em breve se vão ver, que estas viagens de trabalho são sempre cansativas, mas inevitáveis, e que desta vez também conseguiu fazer uma barganha, mas agora não pode mais, simplesmente está ansiosa para vê-lo, bei...

Luís Augusto Fischer no Centro de Língua Portuguesa/Camões em Lublin

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Nos dias 23 e 24 de abril contamos com a presença  de Luís Augusto Fischer no nosso centro que nos guiou numa viagem pela história recente do Brasil e sua cultura. Analisando e comparando a obra de dois gigantes da música brasileira, Caetano Veloso e Chico Buarque, ficamos a conhecer o que está para além da letras e das músicas destes autores. Luís Augusto Fischer é Doutor em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Brasil onde é professor associado. Trabalha com a Literatura Brasileira com particular interesse na formação e a história da literatura, géneros literários, romances e poesias brasileiras, literatura gaúcha, literatura colonial brasileira. Crítico, ensaísta, escritor e dicionarista. Autor de livros, como os de ensaio: Um passado pela frente (1992),  Amaro Juvenal (1989), e Para fazer diferença (1999), os de ficção como O edifício do lado da sombra (1996), Rua desconhecida (2002), Quatro Negros (2005), e trabalhos como: Dicionário de Por...

Dois dedos de conversa com... Michał, luthier.

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Chama-se Michał, tem 30 anos, é de Białystok. Estudou em Lublin mas agora vive e trabalha em Varsóvia. É uma pessoa normal, psicólogo. O que o faz e xtraordinário é o seu passatempo que está a converter na sua nova profissão. É um luthier, faz instrumentos de corda.  Para ser mais concreto – um tipo de instrumento com seis (ou sete) cordas e caixa-de-ressonância, parecido ao violoncelo, mas com trastos. Uma viola da gamba, instrumento barroco com som muito agradável, mas não tão popular como o violoncelo ou contrabaixo – algo a meio caminho entre estes dois. Michał não tem nenhuma preparação profissional para isso. É um luthier autodidata. A ideia de fazer instrumentos nasceu num festival da música folclórica em Lublin onde viu um homem com instrumentos feitos de madeira, de latas, de peças metálicas... Tinham forma estranha, mas produziam som, mesmo uma melodia gira. Isso mostrou-lhe que se pode fazer uma coisa dessas por si mesmo. Assim começou a pensar em fazer alg...