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Lublin ou Lisboa – por que escolher?

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Há muito tempo que pensava em criar esta publicação. Perguntava-me se fazia sentido comparar Lisboa bela, pitoresca e cheia de energia com Lublin. – Ora, até o provérbio diz que a galinha do vizinho é sempre mais gorda. De que forma Lublin pode ser melhor do que Lisboa? – pensava. A capital de Portugal tem tudo: sol, praias e vinho excelente. Pelo contrário, Lublin tem chuva, piscinas (usualmente fechadas) e... bem, a nossa cerveja local não é tão ruim assim. Decidi (pelo menos por um momento) livrar-me do meu hipercriticismo e admitir que ambas as cidades são encantadoras... e semelhantes às vezes. Lublin e Lisboa compartilham até o mesmo santo, isto é, Santo António de Lisboa (também conhecido como Santo António de Pádua). No dia 13 de junho é comemorado e ricamente celebrado em Lisboa. Em Lublin, podemos ''encontrá-lo'' à saída da Cidade Velha – ele observa-nos da Brama Krakowska.   Se me perguntam quais são as outras semelhanças entre as duas cidades, respo...

Zdzisław Beksiński

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( http://news.o.pl/wp-content/i/2014/10/zdzislaw-beksinski-24-2014-10-28.jpg ) Zdzisław Beksiński é um dos mais famosos e mais originais artistas polacos. Foi engenheiro, pintor, escultor, fotógrafo e desenhador. Ainda hoje as suas obras são reconhecidas e muitas pessoas consideram-nas especiais. O artista nasceu em Sanok (uma pequena cidade no sudeste da Polónia) em 1929. As criações artísticas de Beksiński sempre despertaram controvérsia: da admiração à indignação. Pintou oceanos sangrentos, paisagens escuras, cidades ardentes, figuras enredadas em teias de aranha e esqueletos nos cemitérios. O meio artístico não gostava da sua arte, acreditava-se que as imagens eram inúteis, mas o público gostou dele. Beksiński pintava desde a infância, como ele mesmo disse nas suas entrevistas. Estudou arquitetura, porque os seus pais pensaram que não seria capaz de ganhar dinheiro com a pintura. Depois de se formar, trabalhou em fotografia e ganhou prémios numa série de concursos interna...

O que é que liga o mundo da música portuguesa com o mundo da música polaca?

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Não muito? Isso não é possível? Não há nada mais errado! É óbvio que os dois países têm a cultura e as tradições no comportamento, costumes ou mesmo na comida muito diferentes. Além disso, ambos os países têm os seus géneros musicais únicos e próprios. Sem sombra de dúvida, o género mais característico de Portugal e que é conhecido em todo o mundo é o fado. Este género musical canta a saudade – o destino, que não podemos enganar ou mudar. Os cantores falam da tristeza, dor ou perda de alguém ou alguma coisa, também do amor, da situação política ou da história. O elemento mais característico é a guitarra portuguesa e os cantores vestidos de negro. A cantora mais famosa foi Amália Rodrigues, mas vale a pena mencionar por exemplo o grande Camané, considerado "o Prince do Fado”. É certo que os portugueses são os mestres do Fado e ninguém consegue igualá-los. Por outro lado temos a Polónia e a sua música popular e folclórica, especialmente esta cantada pelos homens das regiões mon...

A História não tem de ser chata

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Há um momento na vida da cada pessoa em que queremos (ou temos de) conhecer a história do nosso país. Claro, não todos temos de interessar-nos pela história mas acho que todos temos o dever de saber alguns factos importantes para não parecer um ignorante. Normalmente já antes de irmos à escola primária sabemos algumas coisas graças aos nossos pais e aos nossos avós que falam-nos sobre acontecimentos importantes do passado. Não importa que muitas vezes os consideremos como umas historinhas contadas para nos adormecer, porque estes contos podem suscitar o interesse pela história. Também os livros, os filmes ou as séries  históricas podem fazer o mesmo. Isso foi o que aconteceu comigo quando há muitos anos vi pela primeira vez vi o filme histórico “Com o fogo e a espada” (“Ogniem i mieczem”), realizado por Jerzy Hoffman e baseado no livro com o mesmo título que faz parte da famosa trilogia do escritor polaco Henryk Sienkiewicz.  “Com o fogo e a espada” é uma mistura dos ac...

Lublin é fixe!!!

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Cada cidade é diferente e cada uma tem o seu charme específico que não se pode comparar com nenhuma outra coisa. A história, arquitetura, gastronomia, cultura e a gente são os elementos fundamentais que formam o ambiente característico de cada lugar. Lisboa tem os seus pastéis de Belém, fado, cafés, azulejos ou o famoso elétrico amarelo 28 de Lisboa mas quais são os atributos especiais de Lublin? Situada no leste do país é certamente um ponto no mapa da Polónia que vale a pena visitar.  Lublin é conhecida, tal como Roma, como a cidade das 7 colinas. É muito curioso porque o mesmo se diz sobre Lisboa que, segundo uma lenda, foi fundada numa povoação rodeada de sete colinas. Vás aonde fores, convencer-te-ás que é verdade. Uma das colinas mais interessantes em Lublin é por exemplo aquela onde se encontra o castelo – o edifício mais famoso e o símbolo da cidade. Além disso, convém mencionar outra colina que se chama Czwartek (quinta-feira). Diz-se que é o lugar mais antigo da c...

A ”Siesta” do Marcin Kydryński

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Cada pessoa gosta de descan s ar. Uma caracter í stica dos pa í ses do sul é a sesta que é um descan s o depois do almoço. Ali est á tanto calor que n ã o é possível fazer nada e por isso as pessoas dormem durante o dia. Eu quero falar sobre outra sesta na Pol ó nia que é a “Siesta” do Marcin Kydryński. É um programa da Polskie Radio Trójka (Rádio Polaca III) que podemos ouvir aos domingos entre as tr ê s e as cinco horas da tarde, que s ã o horas da sesta nos pa í ses do sul. Na Pol ó nia normalmente tamb é m a esta hora estamos depois do almoço mas n ã o temos o costume de dormir, ent ã o descansamos ouvindo a “Siesta”. Às tr ê s da tarde come ç a a “Siesta” e gra ç as a ela podemos aproximar-nos da cultura de Portugal, Espanha e de outros pa í ses lus ó fonos e latino-americanos. Durante duas horas ouvimos entre outras m ú sicas fado (que é muito caracter í stica para Portugal), latina ou outra, por exemplo africana, mas tamb é m m ú sica de todo o mundo. Podemos conhecer...

A música da verdade

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„As canções, para mim, eram mais importantes do que mero entretenimento. Eram as minhas preceptoras e guias para uma consciência alternativa da realidade” – assim assinou o papel da música na sua vida uma lenda do mundo não só musical mas ultimamente também literário, Bob Dylan. Encontrar uma pessoa que não gosta de música não seria uma das coisas mais fáceis no mundo. É a parte das nossas vidas e, para alguns, toda a vida. É o sinal da identidade dos povos desde os tempos mais antigos até agora, portanto, ouvir música é como viajar sem necessidade de sair de casa. Às vezes basta só uma canção para nós ficarmos contentes ou recordarmos um momento especial. No entanto, se pensamos que a música é só entretenimento, vejamos o que é que significa a música de intervenção. A ditadura no século XX afetou tanto a Polónia como Portugal. Nós, os jovens que temos a sorte de viver num país livre não pensamos muito nos absurdos e dificuldades da vida diária nesse período. Se tivesse passado muit...

Entrevista com a minha avó

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Os nossos avós voltam sempre às recordações dos anos da sua juventude. Temos a impressão de que eles se lembram melhor dos acontecimentos que tiveram lugar antes do que do momento. Às vezes, são as aventuras engraçadas da infância, às vezes as histórias cheias de emoções da guerra. Vale a pena anotá-los todos! Como escreveu S.J. Lec – “pode-se fechar os olhos à realidade, mas não para as memórias”, porque as memórias são imortais... - Avó Filomena, podes falar-me sobre a tua infância? - Nasci em Ruszów há 78 anos. Era uma pequena aldeia onde viviam apenas algumas famílias. Até à aldeia mais próxima tinha 6 quilómetros e para a cidade 12. Vivíamos perto da floresta e passávamos ali a maioria do tempo. Durante o verão apanhávamos os morangos, framboesas e no outono avelãs. A casa vinham os veados, corços e aves selvagens. Os meninos adoravam brincar com uma parte do fogão chamada “fajerka”, um aro de metal, que faziam rolar. - Como era a tua casa? - Era toda de madeira e não e...