sexta-feira, 26 de abril de 2019

Jerusa Pires Ferreira



Esta semana inicia com o profundo pesar pela morte e despedida de meio literário e cultural brasileiro da profa. Dra. Jerusa Pires Ferreira.  
Escritora, ensaísta, tradutora,  trabalhou como professora e pesquisadora na PUC/SP e na USP, com incontáveis projetos e estudos desenvolvidos na área de Comunicação, Semiótica, Cultura e Cultura Popular, Memória, Oralidade... 
A professora Jerusa firmou relações acadêmicas não só com o meio brasileiro mas também no plano internacional com universidades como as da França, da Espanha, da Rússia, do Canadá, da Polônia. Por esse caminho soube, como ninguém, travar amizades que ficaram para sempre.
Estou muito triste pela partida da querida Jerusa, principalmente, por saber o quanto ela amava a vida e as pessoas. 
Particularmente, tive o privilégio de sua amizade, seu incentivo,  apoio e companheirismo. Mesmo na distância, mantinha correspondência e palavras decisivas em alguns dos meus momentos. Incentivada por seu amigo da UnB- Universidade de Brasília, o  Professor Henryk Siewierski, Jerusa visitou a Polônia em 2007, e em comum, organizamos um encontro para os meus estudantes de Literatura Brasileira da Universidade de Varsóvia, que ocorreu nos dias 23 e 24 de abril de 2007. Trabalhamos as obras do escritor Milton Hatoum. Jerusa veio também para visitar os seus amigos poloneses, a médica Joanna e o professor Józef Kwaterko. A partir de então seus e-mails chegavam a mim, com o título “Notícias e saudades” e terminavam com a palavra “Carinhos”. E-mails sempre tão calorosos, como: “Natália, (...) Gostei tanto daí que mesmo trabalhando sem tréguas me dá saudade.(...)”(26/09/2007). Ou então, como este: “...tenho muito  carinho por você e sempre me recordo daqueles dias que passamos juntas, na primavera,  por entre canteiros de  amores-perfeitos, e ainda sob a supervisäo de  nosso bom Kwaterko !”(em 14/08/2010). Jerusa foi para mim, uma grande incentivadora durante meu doutorado: “Natalia, Cuide se mulher. Continue firme no projeto. Estou em Paris onde vim examinar uma tese e a reuniões de trabalho. Carinho, Jerusa”. Motivava-me em meu trabalho na UMCS- Universidade Maria Curie Sklodowska, escrevendo mails como: ”Lublin é um nome que para mim soa com bastante interesse. Li o Mago de Lublin de Bashevi Singer e sei coisas sobre a klein statle judaica daí. ..(...)”. Muitas vezes quebrava o silêncio, com um e-mail que chegava curto, mas cheio de proteção como: “Querida Natália, Onde está e como está você? Carinho, Jerusa”.
É assim, recordando-a, que posso hoje homenageá-la, Jerusa, pessoa pela qual guardarei para sempre todo o meu respeito, admiração e afeto e que, agora junto a minha tristeza com a da legião de amigos, colegas, estudantes, discípulos, escritores e familiares que aqui deixa temporariamente. O que nos conforta é que sua partida representa o reencontro com o seu grande amor, o também icônico Boris Schnaiderman. Descanse em paz, minha querida baiana!

Natalia Klidzio
Departamento de Estudos Portugueses/UMCS