quinta-feira, 28 de abril de 2016

100 coisas a fazer antes de morrer

Lista de 100 coisas que o 3º ano de filologia ibérica gostaria de fazer um dia:
1- Ter a minha pastelaria.
2- Beijar o Cesc Fabregas.
3- Divertir-me em San Francisco pela noite.
4- Fazer uma tatuagem.
5- Provar todas as cozinhas tradicionais do mundo. 
6- Ter uma adega em casa.
7- Assistir a uma final do mundial ou da liga dos campeões.
8- Visitar todos os países da América do sul.
9- Casar.
10-Viver nas montanhas.
11-Subir uma montanha alta.
12-Dar mergulhos na Grande Barreira de Coral.
13- Ter uma casa bonita com um jardim enorme, com uma lareira e com
duas varandas.
14- Ter um Lexus dourado.
15- Ver a catarata Salto Ángel.
16- Aprender a tocar guitarra.
17- Ir a alguma cidade sozinha, sem telemóvel, durante uma semana.
18- Ver o pôr-do-sol no Havai com o amor da minha vida.
19-Passar uma semana numa ilha deserta.
20- Comprar uma casa pequena com janelas para o Mar Mediterrâneo.
21- Organizar um passeio de bicicleta por um país quente com as minhas amigas. 
22- Viajar pelo mundo.
23- Dormir ao ar livre e admirar as estrelas.
24- Comprar muitas roupas e calçado sem olhar para o preço.
25- Jogar póquer com a mafia.
26- Experimentar gravidade zero.
27- Conduzir uma moto.
28- Fazer surf.
29- Conduzir um carro e ultrapassar 350 km/h.
30- Aprender dança do ventre.
31- Visitar Machu Picchu.
32- Ter uma casa pequena de madeira ao lado de um bosque.
33- Saber conduzir bem.
34- Ir a Espanha à boleia.
35- Ir a uma festa numa praia em Portugal.
36- Saber andar em sapatos de salto alto.
37- Doar a medula óssea.
38- Dar uma volta num carro da Fórmula 1.
39- Ir à Austrália.
40- Subir o Monte Everest.
41- Ter uma casa pequena em Portugal e uma na Espanha.
42- Passar uns dias num hotel que está no fundo do mar.
43- Fundar o meu próprio pais.
44- Ver um filme na praia.
45- Andar num balão de ar quente.
46- Ter uma casa grande.
47- Casar na praia.
48- Tocar piano.
49- Ir à Ásia.
50- Ir ao concerto da minha banda favorita (RHCP).
51- Saltar de paraquedas.
52- Ver todas os filmes que ganharam o Óscar.
53- Dormir no telhado de um arranha-céus.
55- Ter um trabalho muito interessante.
56- Fazer um diário com as fotografias da minha vida.
57- Participar nos maiores festivais da música.
58- Visitar a Grande Muralha da China
59- Atravessar por um carro na passadeira.
60- Andar de elefante na Índia.
61- Aprender a tocar bateria.
62- Dar uma volta num Ford Mustang.
63- Trabalhar num laboratório criminal.
64- Fazer Erasmus.
65- Fazer bungee jumping.
66- Visitar todos os continentes.
67- Apaixonar-me. 
68- Falar com alguém famoso.
69- Montar a cavalo.
70- Provar o melhor prato do mundo
71- Dar uma parte grande do meu salário a um pobre. 
72- Não usar o telefone durante uma semana.
73- Subir à Torre Eiffel.
74- Aprender chinês.
75- Fugir de um restaurante sem pagar.
76- Fazer um boneco de neve na Sibéria ou Antártica.
77- Voar de balão de ar quente.
78- Ser hospedeira de bordo.
79- Tirar uma fotografia que será publicada na National Geographic.
80- Subir um vulcão.
81- Comprar um carro e conduzir por todas as estradas nos Alpes.
82- Correr uma maratona.
83- Ser rica.
84- Falar muitas línguas.
85- Comprar casa própria.
86- Constituir família.
87- Conhecer o Ian Somerhalder.
88- Salvar a vida de alguém.
89- Ter bisnetos.
90- Salvar um cão abandonado.
91- Passar um dia no Heide-Park na Alemanha.
92- Aprender a dançar samba.
93- Fazer uma tatuagem pequena no pulso.
94- Ver o Carnaval no Rio de Janeiro.
95- Fazer um curso de maquiagem.
96- Visitar os Estados Unidos.
97- Encontrar-me com alguém famoso.
98- Ganhar 10000 euros por mês.
99- Comprar para a minha mãe uma casa em Itália.
100- Ser feliz toda a vida.


terça-feira, 19 de abril de 2016

O que me irrita!!!!!



A falta de tempo. Antes achava que podia ter tempo para tudo. Agora sei que não é possível.
A perda de tempo. Por exemplo as reuniões no trabalho. Não servem para nada, duram muitas horas durante os quais poderia fazer muitas coisas produtivas e mais agradáveis.
Quando tenho de fazer alguma coisa que não sei fazer e, na minha opinião não serve para nada, por exemplo: os relatórios para o trabalho.
Quando tenho de fazer algo que sei fazer mais não tenho tempo suficiente para fazê-lo bem.
A hipocrisia: observar que alguém diz uma coisa e ao mesmo tempo faz outra.
A intolerância: criticar, as vezes quase com ódio imenso, o modo de ser, de pensar, de parecer, de viver de outra gente.
Ouvir falar da política de maneira demasiado categórica. Sem deixar que outra pessoa tenha a sua própria opinião.
Pouca quantidade de autoestradas na Polónia. Quando quero viajar de carro, muitas vezes tenho de passar pelas vilas pequenas, todo o tempo a travar e acelerar.
Engarrafamentos nas ruas de Lublin. Estou sentada no carro quase sem avançar e outra vez perco tempo.
A impontualidade: a minha e das outras pessoas também.
Aleksandra Moroziewicz
1º ano de mestrado em espanhol

Quando as pessoas que não falam comigo diariamente escrevem-me dizendo “Olá, como estás?” e quando eu respondo algo, eles já não prestam atenção porque na realidade escreveram-me só para pedir algum favor... Não seria mais fácil dizer diretamente de que se trata em vez de fingir que lhes importa como estou???
Em geral, a falta de educação. Não posso acreditar que as palavras como “bom-dia”, “adeus”, “obrigado/a” ou, a mais importante, “desculpa/e” sejam tão difíceis de articular...
As pessoas que se exteriorizam em redes sociais. Bom, não está mal compartilhar algumas fotos de férias com paisagens maravilhosas, mas manifestar a irritação depois de discutir com o teu namorado/marido/mulher/amiga e até chegar a trocar comentários debaixo deste post? Por favor!
Hipocrisia, simplesmente. Dizer coisas para depois contradizê-las com o comportamento? Tem pouca lógica.
Racismo. As diferenças da cor da pele ou em geral do aspeto físico devem-se à genética e não servem para segregar a gente... Nunca serei capaz de perceber como a cor da pele, do cabelo, dos olhos ou a forma da cara ou também dos olhos pode delimitar o valor duma pessoa.
As pessoas que deitam fora as priscas (e também outro tipo de lixo) na rua, pavimentos, paragens de autocarro, relva... Como se não houvessem caixotes do lixo no mundo!
As pessoas que não percebem que os gostos não se discutem. Cada indivíduo tem direito a não gostar duma coisa, seja verdura, prato, álcool, música, ator, filme, etc.
As pessoas que durante grandes promoções nas lojas comportam-se como se estivessem a lutar pela comida numa ilha deserta.
As mudanças de tempo no princípio da primavera. Quando sais de casa de manhã está demasiado frio para não levar casaco, quando voltas, já está calor e também levas casaco, mas desta vez, na mão...
A falta de tempo!!! É um paradoxo que se produz quando finalmente tenho um pouco de tempo livre: ficar a pensar se não me esqueci de nada e se realmente não tenho nada que fazer...
Anna Drabik
1º ano de mestrado em espanhol

Irrito-me quando:
As pessoas idosas pedem que lhes ceda o lugar no autocarro, apesar de haverem assentos livres.
As mulheres que querem que lhas deixe passar na fila, porque têm filhos que gritam. (Eu também tenho pressa).
Alguém não deixa passar as pessoas que saem duma loja ou dum autocarro, e entra primeiro.
Alguém chama-me Emila em vez de Emilia.
Uma pessoa que vai em frente de mim pela calçada e para inesperadamente. Entro numa loja de roupa e imediatamente me perguntam se podem ajudar.
A pessoa com a qual combino não me informa que vai chegar atrasada.
Tenho de fazer muitas coisas para as aulas e não tenho tempo para mim mesma e para o meu namorado.
Alguém não tem razão mas continua a discutir,
O meu vizinho que toca piano, começa a tocá-lo quando eu estudo para um exame.
Emilia Wróbel
1º ano de mestrado em espanhol

Os maus cheiros: não sem razão ponho isto no primeiro lugar. Acho que todas as pessoas na Polónia têm acesso à água e podem lavar-se e lavar a sua roupa. Não somos uns demónios e a lavagem não vai matar-nos, como se fosse água bendita...
A hipocrisia: especialmente quando podes chamar de hipócrita o teu próprio amigo. Quem não conhece as pessoas que se queixam o tempo todo da falta de dinheiro e, depois compram as coisas caras (e, o que ainda é mais irritante, desnecessárias)? Se quiseres mentir, melhor não digas nada!
A injustiça: tanto ao micro nível, como global. Irrita-me mesmo quando as pessoas avaliam as outras sem sequer as conhecer. Mas, a injustiça relacionada com as diferenças entre as raças, as religiões, etc., pode levar o mundo até a uma guerra. Então acho que deveríamos erradicá-la ao já mencionado micro nível.
A falta de dinheiro: diz-se que "o dinheiro não traz a felicidade", mas sem o ter, é impossível fazer muitas coisas. O mundo está maluco por ganhar mais e mais e, nesta corrida, muitas vezes se esquece do verdadeiro sentido da vida.
A desestimação da pátria: não quero dizer que sou uma nacionalista radical, mas acho que não é muito lógico fazer uma má publicidade do nosso próprio país. Afinal, muitas pessoas sacrificaram as suas vidas para que o tenhamos agora.
O desprezo pelas pessoas mais velhas: todos se queixam das “avós” que reclamam os sítios nos autocarros. Todos se riem dos “avôs” que fazem fila nos consultórios. Por favor... quando alguém é velho, isto significa que já não tem os mesmos direitos que nós?
A estupidez: nem vais falar com alguém que é parvo, nem vais escutá-lo. E não me refiro às pessoas não "eruditas", senão aos ignorantes cuja atividade principal é falar sobre as coisas que não fizeram ou que não vão fazer, porque "não têm vontade de fazê-las".
O aborrecimento: quem gosta de se aborrecer? Se gostas, isto significa que não te aborreces, senão descansas, pronto. O mais irritante é o facto de que, às vezes, não há nenhuma resolução para esse estado: nada nos parece interessante.
As coisas inúteis que tenho de estudar: aqui não é preciso explicar muito. Todos os estudantes têm as cadeiras preferidas e, as que considera uma simples perda de tempo.
Os homens com a síndrome de Peter Pan: os meus Deus! Cada coisa na nossa vida tem o seu princípio e o seu fim. A infância TAMBÉM!. Infelizmente, muitos homens esqueçam-se de madurar e ficam na etapa escolar (ou pré-escolar, nos casos mais graves) para toda a vida.
Małgorzata Tracz
1º ano de mestrado em espanhol

Irritam-me as pessoas que têm muito a dizer sobre os temas sobre os quais não têm nenhuma compreensão.
Enraivecem-me as pessoas que falam em voz alta pelo seu telefone nos lugares como o autocarro ou na sala de espera no consultório do dentista e desta maneira todos no seu entorno sabem que problemas têm.
Não gosto da gente que não sabe como se comportar em conformidade com o tempo e o lugar.
Não posso entender as pessoas que mentem o tempo todo só para mentir.
Irrita-me a gente que pensa que é o umbigo do mundo e em consequência pensam que são melhores do que outros.
Não gosto das pessoas que chegam sempre atrasadas e não informam ou informam no último momento que vão atrasar-se.
Não respeito quem deprecia outros por causa da cor da pele ou da religião.
O meu respeito também não merecem as pessoas que acreditam que o valor do ser humano determinado pelo conteúdo da carteira.
As pessoas que maltratam os animais devem ser condenados à prisão.
Não posso suportar as pessoas que durante a sessão no cinema sussurram com as embalagens de comida e incomodam os outros.
Liliana Wajrak
1º ano de mestrado em espanhol








sexta-feira, 8 de abril de 2016

ENTREVISTA COM WERONIKA SIEWIERSKA


Weronika Siewierska nasceu em 1988, em Brasília. Começou a sua aprendizagem de piano com a mãe. Estudou também com os professores Luiz Medalha, Alda de Mattos, Jerzy Łukowicz e Andrzej Pikul. Em 2007 iniciou os seus estudos no Departamento de Música da Universidade de Brasília, com as professoras Maria de los Angeles e Beatriz de Freitas Salles. Em 2008 foi aceite na Academia de Música de Cracóvia, na Polónia, na classe de piano do prof. Andrzej Pikul. Em 2013 concluiu o mestrado na classe de piano da profa. Milena Kędra na mesma Academia, onde atualmente é doutoranda. No ano 2010, na Polónia, participou no programa 200 concertos no 200º aniversário de Frederico Chopin. Participou em aulas com os professores Andrzej Jasiński, Lee Kum-Sing, Sergei Dukachev, Pascal Devoyon, Edith Murano, Roberto Russo, Jerzy Sterczyński, no Brasil, na Holanda, na Polónia e na Itália. Obteve o 3º lugar no Concurso Internacional de Piano Chopin Roma 2011, em Roma. Nos seus recitais em Varsóvia, Cracóvia, Roma, Apeldoorn, Loro Ciufenna e Brasília interpretou peças de M. Ravel, A. Scriabin, F. Chopin, K. Szymanowski e H. Villa-Lobos, entre outros.


No início gostaria de a felicitar pelo espetáculo maravilhoso (1). Depois de terminar o concerto todos os espectadores saiam da sala muito impressionados. Então mais uma vez muito obrigada pela noite cheia de boas sensações. Agora queria acercar aos nossos leitores o seu perfil fazendo algumas perguntas.


Quando descobriu o seu amor pela música?
Acho que a descoberta do amor pela música chega com o tempo. Penso que esta fase sucedeu durante a etapa inicial do meu encontro com a música de piano. A minha mãe foi uma pianista ativa e com muita frequência tocava em casa então para mim este contato com a música teve lugar quando era criança. Sim seguramente apaixonei-me quando era pequena. Também na minha vida tive alguns momentos importantes como por exemplo: a participação em concursos quando tinha 11 anos. Uma vez ouvi um rapaz que tocava a Balada g-minor do Chopin e este acontecimento impressionou-me muito.
Lembra-se quantos anos tinha quando se sentou em frente do piano pela primeira vez e qual foi a primeira composição que tocou?
A minha aventura com o piano começou quando era pequena . Lembro-me que durante a minha primeira apresentação numa escola toquei um minueto  mas não me lembro de que compositor. Lembro-me que estava muito emocionada e que a reação da audiência surpreendeu-me muito. Todos eram muito simpáticos e amistosos. Naquele momento não estava ainda consciente do que realmente significa tocar mas tudo isto foi para mim uma experiência muito agradável.
Primeiro como aluna, depois como estudante e agora como doutoranda quantas horas por dia dedica a tocar o piano, para aperfeiçoar o seu talento?
 Tenho uma regra, quando tenho por exemplo cinco horas para praticar faço pausas. Isto não são cinco horas a tocar constantemente. Este procedimento é necessário para melhorar a concentração, não se pode esforçar demasiado. Para o músico é muito importante cuidar da sua ferramenta de trabalho- cuidar das suas mãos. Muitas vezes nos esquecemos que temos limites. Estas cinco horas são para mim o mínimo para que possa terminar o dia com a consciência que fiz o meu trabalho. Acho que isto também é uma questão de concentração porque há pessoas que são capazes de passar estas cinco horas em frente do piano sem nenhuma pausa e depois ter livre o resto do dia. Eu prefiro dividir o trabalho para todo o dia e dedicar-me só a tocar, pensar em isto, viver a experiência. Quando me preparo para um concerto, a melhor situação para mim é quando uns dias antes não tenho nada mais para fazer e posso passar apenas o dia inteiro a praticar.
A Weronika nasceu e cresceu no Brasil. Quando e onde surgiu a ideia de continuar os estudos na Polónia?
Na verdade esta ideia apareceu na minha cabeça inesperadamente. Cheguei a Varsóvia para um recital no final do ano. Toquei no Museu da Literatura e naquele tempo já estudava no Brasil, e não pensava absolutamente nessa questão. Decidi encontrar-me com o professor Pikul porque o conheci quando era pequena. É verdade que não tive contato com ele durante dez anos mas lembro-me que queria muito tocar para ele o programa que tinha de executar durante o concerto. Quando toquei tudo, de repente, ele perguntou-me que planos tinha para o futuro, se tinha pensado em continuar os estudos na Polónia? Eu pensei…porque não? Claro que a pergunta referia-se ao futuro distante mas eu tomei a decisão durante uns meses. Cheguei, toquei, passei o exame e fiquei na Polónia. Tudo isto não foi planeado, pelo menos não da minha parte. Não sei se alguém planeou isto por mim mas seguramente eu não esperava que tudo terminasse assim, mas felizmente para mim acabou assim. Acho que a vinda para Polónia teve muitas boas consequências para mim porque isto abriu-me os olhos e a mente, esclareceu-me como pode ser o mundo da música. Isto foi o início das minhas descobertas.
Prefere atuar a solo ou em dueto?
Gosto muito de atuar a solo mas talvez porque não tenho muita experiência como instrumentista de câmara. Uma vez tive oportunidade de tocar com um quarteto e então provavelmente pensei pela primeira vez que tudo isto depende não da experiência mas dos músicos com os quais se trabalha. Isto é um pouco como o diálogo. Há pessoas com as quais o diálogo é fácil para nós, da mesma forma, há músicos com os quais é fácil tocar. Agora tenho nos planos um dueto. Isto é algo a que gostaria de dedicar o meu tempo porque acho que é uma coisa estupenda quando se encontram dois pianos. Também há muitas composições interessantes para este tipo da música.
Tem um compositor favorito cujas obras toca com vontade e entusiasmo especial?
Sim, tenho. Desde alguns anos estou apaixonada pela música de Ravel. Acho que Ravel será o compositor cuja música sempre estará presente no meu repertório. Ravel foi e ainda é para mim uma grande descoberta. Naturalmente que se pode apreciar verdadeiramente a música de um compositor e não sentir-se bem tocando as suas obras. Respeito Ravel e sinto-me muito bem na sua música, além disso, acho que a sua música formou-me como músico e não faço a referência só ao facto de que a sua música dá-me a oportunidade para expressar-me mas também me refiro à possibilidade de aprender algo novo. Tocar as suas obras dá-me muita alegria.
Sendo uma música com grande experiência às vezes tem a impressão de que em algumas situações a música reflete certas emoções melhor do que as palavras, que expressa o que não se pode expressar com as palavras?
Recentemente pensei sobre isso e não sei se a música reflete melhor os sentimentos. Com certeza isto é um modo diferente através do qual se pode expressar certos estados do espírito. Podemos dizer que as palavras descrevem os sentimentos, emoções ou estados de ânimo mas a música pode levar até este estado. Não sei porque é assim mas a música é universal, sem dúvida alguns dos seus elementos são universais mas o que é também muito importante é que há que aprender a ser sensível para a música. Alguns elementos são tão lógicos que acaba por se tornar uma ciência. Acho que através da música se pode expressar muito e isto seguramente é um elogio, um suplemento à comunicação que serve à aproximação.
O que aprecia mais na Polónia e nos polacos?
Tenho de dizer que é muito interessante ter apreciado a língua apenas depois da minha chegada. Naturalmente conhecia o polaco antes mas não tive oportunidade de falar com os nativos. Notei que o polaco tem um grande leque de possibilidades que anteriormente não via. No início a minha atitude era até hostil não podia entender como é que o polaco é tão restritivo. No princípio a minha perceção da língua polaca foi assim. Depois aprendi que esta língua simplesmente é muito exata, é como uma paleta de cores onde há por exemplo o vermelho de diferentes tipos: claros e escuros. Cada tom tem outro nome. Naturalmente não sou especialista no campo da língua, lembro-me que fiquei encantada vendo como as pessoas a utilizam. Acho que também tive sorte e encontrei no meu caminho as pessoas que me mostraram de uma maneira interessante como funciona esta língua. No que diz respeito aos polacos certamente aprecio a amabilidade. Sempre encontrei as pessoas amigáveis e para mim esta amabilidade tornou-se num quadro do típico polaco. A qualidade característica dos polacos é que eles ouvem sempre o que outro tem para dizer, que estão atentos às necessidades dos outros. Às vezes até estranhos foram capazes de demostrar através dos seus atos a sua bondade e a sua vontade de ajudar. Para mim isto foi muito agradável. Agora realmente aprecio esta abertura, sinceridade e capacidade de ouvir o outro. Quando podem ajudar seguramente o farão, pelo menos da minha experiência.
Quais são os seus planos para o futuro? Pensou em participar na Competição Internacional de Piano Frédéric Chopin como representante da Polónia?
Pensei nisso mas implica o sacrifício muito grande em que eu não podia comprometer-me naquele momento porque tinha outros planos. Agora não poderia participar nesta competição porque há um limite da idade. Quanto aos planos para o futuro quero participar em competições porque acho que descuidei um pouco esta parte da minha vida. Quero tomar parte nestas competições não porque acho que são muito importantes mas porque que esta participação pode dar-me muito como instrumentista. Sempre coloquei os concursos no segundo plano para não me preocupar se sou melhor ou pior do que os outros. Agora penso que estou numa etapa na qual gostaria de sentir que há concorrência, gostaria de sentir e atuar nos lugares onde há este tipo da pressão. O plano para o futuro mais próximo é com certeza terminar o meu doutorado.
Ontem, ouvindo e observando atentamente a sua apresentação ocorreu-me a seguinte pergunta: o músico não é parecido com o ator? Porque um bom ator é capaz de refletir as emoções não só mediante as expressões faciais mas usando todo o corpo. O bom músico também expressa as emoções escritas nas notas não só através dos sons extraídos do instrumento ou tocando piano ou forte em certos momentos, mas também expressa as emoções utilizando as expressões faciais ou a gesticulação. É assim ou isto é só a minha impressão pessoal?
Certamente é assim e até acho que se deveria esclarecer mais esta questão aos músicos.
Quando se observa o músico, pelo menos do meu ponto de vista, sei que é mais fácil sentir as emoções, é mais fácil interpretar a obra vendo as emoções descritas na cara da pessoa que atua.
Sim, isto também é verdade que quando público vem ao concerto também quer experimentar um prazer visual. Fazendo parte da audiência ouve-se não só a música mas também se podem ver os gestos e a expressão do rosto do músico. Naturalmente há que aprender controlá-lo. Existem diferentes tipos de músicos. Uns não expressem nada outros expressem demasiado. Acho que cada músico deve aprender a não expressar demasiado com o seu corpo. Estamos no palco para tocar e expressar as emoções mediante os sons e a música mas a própria presença do músico no palco, o seu comportamento deveria, em certa maneira, afetar o que transmitimos. A própria entrada no palco nos torna parecidos aos atores. Somos, num certo sentido, os intérpretes. Tudo isto deve estar em nós e quando já o temos somos capazes de compreender e transmiti-lo.
Para finalizar, uma pergunta de mulher para mulher. A música tem as suas regras. Um músico tem de ter sempre as unhas  asseadas e curtas. Às vezes não lamenta que não pode ter as unhas compridas e pintadas? Lembro-me da minha própria experiência dos tempos da escola de música que sempre invejava as minhas amigas quando tinham as unhas pintadas e compridas.
Acho que isto depende das preferenciais pessoais. Eu lamento sempre durante o verão que não posso pintar as unhas, por exemplo de rosa mas aproveito o facto que nos pés também tenho unhas. Naturalmente isto não é o mesmo mas quando se toca as cores nas unhas provocam distração, então é melhor não ter as unhas pintadas. Podemos dizer que para mim isto não é um sacrifício muito grande. Com certeza depois de um dia inteiro a praticar posso ver que não têm a melhor aparência porque quando toco não presto muita atenção às minhas unhas. Nestas situações digo sempre que isto é um dos charmes de ser pianista, que nalgum sítio há que ser visto o efeito do duro trabalho que eu fiz.


Muito obrigada pela entrevista e pelo seu tempo.
Muito obrigada. Isto foi um prazer para mim.

Liliana Wajrak
1º ano de mestrado em Espanhol

(1) No âmbito do Congresso Internacional Língua Portuguesa - Unidade na diversidade,  organizado pelo Departamento de Estudos Portugueses do Instituto de Filologia Românica da UMCS e o Centro de Língua Portuguesa/Camões, Weronika Siewierska deu no Tribunal da Coroa em Lublin um concerto. Do programa fizeram parte peças de Vianna da Motta, António Fragoso, Villa-Lobos e Chopin.

Para mais fotografias do concerto ver: Recital de Weronika Siewierska