quinta-feira, 14 de maio de 2015

Chávena


Era uma vez uma chávena bonita. Era de cor champanhe, bastante alta, de porcelana, enfeitada com rosas vermelhas. Vivia num armário abarrotado de outras chávenas e pratos. Era a chávena mais bonita de todo o armário. E não só era linda, mas também inteligente. Gostava de ler etiquetas de café e o seu conteúdo. Mas a sua leitura favorita eram as instruções da cafeteira.
            Infelizmente, a nossa chávena não tinha amigos. As suas companheiras de apartamento odiavam-na porque invejavam-lhe a sua beleza. Os pratos não falavam com ela, porque as suas colegas proibiam-nos de o fazer. A chávena sentia-se muito sozinha, queria largar a sua vida. Começava a cair numa depressão quando um prato novo mudou-se para o armário. O prato, uma criatura vistosa, apaixonou-se pela chávena à primeira vista. E o seu amor foi mútuo. Mas ele não agradava só à chávena, outras já estavam a pensar em escolher o vestido de casamento. Uma vez, a chávena mais tonta e mentirosa, disse-lhe que tinha esperado por ele toda a sua vida. E começou a beijá-lo. O prato não queria ofender a nova colega e aceitou o seu beijo. A mentirosa celebrou a sua vitória mostrando às suas companheiras o seu dedo médio. A partir deste momento, jactava-se do seu noivado imaginário enquanto o prato não se interessava por ela. Ele tentava convidar a chávena para um café, mas a sua namorada suspeitava de algo e perseguia-o sempre. Uma tarde, depois do banho no lava-louças, a mentirosa empurrou a chávena, que caiu ao chão. A chávena coitada quebrou a sua orelha. O prato ficou muito nervoso, acusou a mentirosa de tentativa de assassinato e disse-lhe que nunca a amou.
            A mentirosa ficou tão destroçada que se atirou da beira do armário. O prato finalmente convidou a chávena para tomar café e mais tarde casaram-se. A chávena pariu duas colheres. Todos viveram muito felizes para sempre.

Magdalena Szczypta
2º ano de Filologia Ibérica

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