sexta-feira, 21 de março de 2014

Homo Sapiens Viajante

Diz-se que somos preguiçosos, que não gostamos de aprender nem estudar, sem acesso à Internet não poderíamos escrever nenhum trabalho e a nossa vida está limitada ao Facebook ou diversão na discotecas. Essa é a opinião dos estudantes de hoje. Mas nem todos são assim. Alguns de nós temos a sorte de estudar o que adoramos e queremos, o que permite que se abrir  para o mundo e ficar  a conhecê-lo melhor. Eu sou uma daqueles "felizes". Além disso, eu sou “homo sapiens viajante”.
Como usar o tempo na universidade de forma eficaz, especialmente se és estudante de filologia? O nosso dever é usar as oportunidades de estudar no exterior, de viajar pelo mundo, conhecer as novas culturas, idiomas, outros mundos. As possibilidades são enormes, entre outros Erasmus, Mundus ou o programa AIESEC. A idade jovem no caso de um estudante é um dos fatores mais importantes e permite trabalhar como voluntário num acontecimento mundial ou ganhar experiência de trabalho sem olhar para a família ou responsabilidades. Somos jovens e temos de desfrutar do mundo. Pelo menos eu tento fazê-lo.
MADRID 2011
Existe alguém no mundo que não conheça o evento chamado Jornada Mundial da Juventude? Se a resposta é sim, essas pessoas devem arrepender-se. Ao contrário das aparências, eu não estou a falar apenas sobre a experiência religiosa (o fator que poderia repelir muitas pessoas e irritar outras) mas sobre a experiência marcante de viver noutro país, com as pessoas que usam dezenas de línguas desconhecidas para nós, sobre a experiência da VIDA REAL. A minha aventura começou há três anos, num país da Península Ibérica- Espanha. Cinco semanas maravilhosas de trabalho como voluntária. Os primeiros contatos com pessoas de outros continentes: mexicanos, argentinos, americanos, chineses, japoneses, africanos. Descobri que a linguagem é útil e ajuda, mas não é necessária. Essa experiência abriu os meus olhos para o mundo e deixou claro que, embora eu ame a minha pequena cidade Bydgoszcz, eu gostaria de ser capaz de fugir para o mundo e ainda sentir-me segura. 
Os voluntários da Polónia, México, Espanha e Honduras na Residência Universitária Padres Somascos em Madrid

RIO DE JANEIRO 2013
A aventura com o Rio começou cerca de meio ano antes da própria viagem. Porquê? A resposta, a despeito das aparências, é simples. O nome Rio de Janeiro provoca associações como Cristo Redentor, Pão de Açúcar ou Pelé e Maracanã, mas não só. Para a maioria das pessoas são principalmente: favelas, pobreza, crime, drogas, assassinatos, estupros, simplesmente um perigo. Eu tinha preocupações semelhantes. Como se revelou mais tarde, desnecessariamente.
A viagem ao Brasil começa sempre com o vôo de muitas horas (mais ou menos 12-14 horas). E imediatamente depois de sair do aeroporto, testemunhamos o comportamento tipicamente brasileiro, os motoristas neste país não são normais! A viagem de carro ou de autocarro sempre foi me dando um leve ataque cardíaco e duvidei se eu alcanço o objetivo da viajem viva. O que realmente me surpreendeu foi a falta de horários de autocarro, não existem. Também não é possível comprar um bilhete mensal ou para várias viagens, compramo-lo na entrada do “ônibus”. Como não é um grande inconveniente para os viajantes, mas tudo isso mostra a abordagem brasileira da vidau temos tempo para todo e não nos apressamos para ir a qualquer lugar. A Jornada Mundial da Juventude, durante o qual eu estive na cidade, foi um período louco para o Rio e os seus habitantes. A mistura do multiculturalismo, dezenas de línguas, nacionalidades, culturas e tradições. Como dizem os próprios brasileiros- é a melhor preparação para os próximos campeonatos mundiais em futebol (2014) e os Jogos Olímpicos de 2016. E o Rio é uma grande estaleiro, constroem estradas, rodovias, hotéis, reconstroem e modernizam estádios e aeroportos. Mas tudo isso não tem impacto na minha visão do Rio de Janeiro como um dos lugares mais seguros e mais bonitos do mundo. Cada  pergunta minha ou dúvida foi recebida de forma  amigável pelos cariocas. E, apesar de que muitos deles não sabem línguas estrangeiras, são sempre capazes de tirar um papel e desenhar um mapa, ou até mesmo ir connosco. Aquela cidade é um ótimo lugar para superar os nossos preconceitos e combater os estereótipos porque é completamente diferente do que é mostrado no internet. Se tiveres a oportunidade de ir para o Rio ou qualquer outra cidade brasileira- não tenhas dúvidas, esta pode ser a aventura da tua vida!

A praia mais famosa do mundo- Copacabana- no inverno (mais ou menos 25 graus)

E eu, como qualquer viajante, já estou a pensar na próxima viagem e lentamente preparo-me para passar alguns dias com Fidel, Raul e Che em Cuba :D

Dagmara Różańska
2º ano de Estudos Portugueses

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