segunda-feira, 31 de março de 2014

Os primeiros encontros entre japoneses e portugueses

Não é difícil ficar fascinado pela civilização japonesa. A terra das cerejeiras floridas, gueixas misteriosas, samurais valentes e cultura popular excêntrica. Mas também de uma sociedade fechada e hierárquica, isolada durante muitos séculos. A nação ocidental que quebrou este isolamento pela primeira vez foi a nação portuguesa.
 Os portugueses chegaram à ilha de Tanegashima (perto de Quiuxu) em 1543. Na língua do povo local foram batizados como Nambanjin, “os bárbaros do Sul”, juntamente com os espanhóis, que chegaram em 1584. Por comparação, tempos depois, os russos, holandeses e ingleses foram chamados Koumoujin, “os bárbaros de cabelo vermelho”. Obviamente, na base das relações luso-nipónicas estava o comércio. Acima de tudo, Portugal serviu como intermediário comercial entre a China e o Japão. Isto pode parecer estranho, mas o comércio entre estes dois países asiáticos tinha sido proibido pelos imperadores Ming em 1480 e em geral os arredores da costa chinesa eram perigosos para ambos os lados por causa dos bandos de piratas. Só os portugueses foram bastante corajosos (ou gananciosos) para ajudar. Graças a eles, os japoneses importavam seda, ouro, açúcar e artesanato da China e dos outros países asiáticos; e veludo, vidro, relógios e armas da Europa. As armas de fogo chamadas arcabuzes revolucionaram as técnicas dos samurais e desempenharam um papel importante nas lutas da guerra civil do período Sengoku. Em troca, os portugueses recebiam prata, cobre, cânfora e artigos de artesanato. 
Arcabuzes


Além das armas, os portugueses levaram para terra japonesa o cristianismo. O primeiro missionário foi o jesuíta Francisco Xavier que chegou em 1549 a Kagoshima com dois monges espanhóis. O efeito do seu trabalho e dos missionários que chegaram depois (principalmente os jesuítas e franciscanos) foi a conversão de 200 mil japoneses até 1587, que constitui um por cento de toda a população japonesa. Isso não significa que os japoneses eram crentes ávidos - frequentemente a aceitação do cristianismo foi um requisito para contactos comerciais. Esta situação foi aprovada porque os japoneses precisavam não só dos produtos dos portugueses mas também do conhecimento vasto dos padres sobre medicina, arquitetura, cartografia e pintura europeia. Os jesuítas publicaram livros em latim, japonês e português. Em 1604 apareceu o primeiro dicionário português-japonês, que continha 32 800 entradas. Na língua japonesa entraram numerosas palavras de português: bateren (padre), kirishitan (cristão), tabako (tabaco), bisuketto (biscoito), kompeitou (confeitos), pan (pão), botan (botão), koppu (copo), karuta (carta). As receitas dos missionários também inspiraram os pratos novos: kasutera (bolo semelhante a pão de ló) e tempura (que provavelmente tem origem nos peixinhos da horta). 
Kasutera


Tempura

O período de paz não durou eternamente. Os governantes japoneses começaram a ver o cristianismo como um perigo para unificação do Japão. Em 1606 Tokugawa Ieyasu lançou editos anticristãos e em 1612 iniciou uma brutal perseguição. Finalmente, em 1641 o Japão entrou em estado de isolamento completo. Todos os europeus foram expulsos das ilhas japonesas e entre os estrangeiros somente os holandeses e os chineses foram autorizados a entrar no porto da pequena ilha artificial - Dejima. Esta situação não mudou até 1853, quando o comandante Perry dos Estados Unidos forçou o Japão a abrir as suas portas.

Katarzyna Pszczoła
2º ano de Estudos Portugueses

2 comentários:

  1. Sou português, sabia que os portugueses tinham estado no japão no tempo dos descobrimentos mas não fazia ideia da dimensão desta influência. Nem sequer na escola se fala destes detalhes relativos à influência portuguesa no japão.. Muito interessante. Óptimo trabalho de pesquisa, artigo escrito com bastante clareza.

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    1. Muito obrigada pelo comentário e palavras boas! No início também fui surpreendida pela extensão da influência portuguesa, especialmente na língua e cozinha japonesa.

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